Colômbia: por que a eleição de maio virou uma prévia da brasileira para investidores internacionais
Grave crise econômica, desvalorização do peso e escalada da inflação: quando acontece a eleição presidencial na Argentina?
Entre os candidatos, encontram-se um foragido da justiça por alegada corrupção, um humorista de televisão, um ex-jogador da seleção nacional de futebol e ex-militares. Mais de vinte outros nomes aparecem na categoria “outros” das pesquisas.
“Não tenho fé em nenhum deles”, porque quem quer que ganhe “não fará nada por nós”, diz uma decepcionada Elizabeth, uma mãe de 43 anos, em frente a uma estação de metrô em Lima, onde vende bebidas geladas em pleno verão.
Assim como ela, de acordo com uma pesquisa recente da consultoria Ipsos, 28% dos peruanos já decidiram não votar em nenhum dos candidatos que aparecerão em uma cédula inédita de 65 centímetros de comprimento.
“Há candidatos demais. Já conhecemos alguns e sabemos que são um desastre”, diz a médica Solange León, de 29 anos, em uma praça movimentada no centro da capital, que tem 10 milhões de habitantes. Para o eleitorado, é muito difícil encontrar um candidato que os convença. “Os mais conhecidos enfrentam muita rejeição”, e os demais “são desconhecidos”, explicou o sociólogo David Sulmont à AFP.
Os favoritos atuais para avançar para o segundo turno são o ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, que lidera com 10%, e Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, com 9%, de acordo com a mesma empresa de pesquisas. Entre os dois, eles não chegam nem a um quinto das preferências.
“Não tenho esperança”
O atual presidente interino, o esquerdista José María Balcázar, que substituiu o deposto José Jerí em meados de fevereiro, não pode ser candidato. A fragmentação do cenário político significa que existem “muitas dificuldades” em “representar os interesses sociais” e que há uma desconexão “entre as demandas da cidadania e o sistema político”, de acordo com Sulmont. Além disso, ele afirma que a fragmentação “quebrou o equilíbrio de poder entre o Parlamento e o Executivo”.
No Peru, com um Parlamento muito dividido e sem um grande bloco partidário, os presidentes são constantemente ameaçados pela possibilidade de impeachment. Desde 2016, o Congresso destituiu quatro. Dois renunciaram antes de enfrentar o mesmo destino, e apenas um completou seu mandato interino.
Walter Chávez, um advogado de 59 anos, está dividido entre quatro opções de voto. Mesmo assim, permanece cético. “Não tenho esperança” de que estas eleições tragam alguma mudança, afirma. “Os atores políticos fizeram um trabalho perfeito ao destruir a confiança do público” na democracia peruana, afirma Guillermo Loli, diretor de estudos de opinião da Ipsos.
“Estamos à procura de um candidato”
Acostumados a um congresso unicameral, os peruanos elegerão representantes nacionais e regionais, bem como senadores, pela primeira vez desde 1990. Uma cédula com cinco colunas só aumentará sua perplexidade. De acordo com uma reportagem da rádio RPP, pelo menos 252 candidatos a todos os cargos em disputa têm antecedentes criminais.
“Vai ser muito complicado para os cidadãos”, alerta Sulmont.
As ruas cobertas de cartazes, as estrondosas caravanas de campanha e os meios de comunicação repletos de jingles semeiam ainda mais incerteza.
“Estamos procurando um candidato que se pareça com o que queremos”, mas ainda não encontramos nenhum, diz Antony Cotrina, um administrador de 36 anos.
A desconfiança surge após anos de instabilidade, falta de resultados por parte das autoridades, corrupção e uma percepção geral de ineficiência. O único consolo para os eleitores é que, apesar da crise política, o Peru continua sendo uma das economias mais estáveis da América Latina. Em 2025, registrou a menor taxa de inflação da região (1,5%).
“Escândalos de corrupção […] mantêm as pessoas focadas em suas vidas cotidianas, na luta constante. Elas não têm tempo a perder com política”, diz Loli.
Eduardo Goytisolo, um comerciante de 48 anos, concorda. Ele diz que não pretende ler as 36 propostas presidenciais.
“Os peruanos são assim. Trabalham e não precisam do Estado”, observa ele.









