Após ‘linha cruzada’: EUA oferecem US$ 100 milhões em ajuda a Cuba, mas exigem que Igreja Católica seja intermediária
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“O Sistema Nacional de Energia foi restabelecido”, informou a empresa estatal de eletricidade UNE nesta tarde. Entretanto, a central termoelétrica Antonio Guiteras, a cerca de 100 quilômetros da capital e a mais importante da ilha, permanece fora de serviço devido a uma avaria.
Havana acusa os Estados Unidos de serem os responsáveis pela situação “particularmente tensa” em sua rede elétrica, que tem sido assolada por apagões prolongados devido à escassez de combustível. Washington, por sua vez, afirma que a crise atual é resultado de má gestão interna.
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A crise na ilha comunista se agravou após meses de um bloqueio quase total americano ao envio de combustível ao país. Desde o fim de janeiro, apenas um petroleiro russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto foi autorizado a atracar em Cuba, aliviando a crise em abril. O combustível, porém, já se esgotou, fazendo o país conviver com cortes de eletricidade que ultrapassam 19 horas diárias na capital — enquanto em várias províncias os apagões se estendem por dias inteiros.
Outro navio de bandeira russa, o Universal, transportava diesel para a ilha comunista, mas interrompeu sua viagem há mais de três semanas e permanece parado perto das Bermudas, de acordo com dados da Vortexa Ltd.
O desabastecimento provocou protestos pelo país. Na quarta-feira, dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres, algumas batendo panelas, protestaram contra os intermináveis apagões em San Miguel del Padrón, um bairro periférico de Havana. Durante a noite, moradores de vários bairros da capital também bateram panelas para expressar o cansaço, segundo depoimentos ouvidos pela AFP. “Acendam as luzes”, gritaram os moradores de Playa, um bairro na zona oeste da capital.
Pessoas cozinham com lenha em meio a crise energética em Havana, em 13 de maio de 2026
Yamil Lage/AFP
Mesmo antes do bloqueio americano aos combustíveis, que agravou a situação, o país comunista já convivia com apagões nos últimos anos. Além de depender de combustível importado — que vinha em grande parte da Venezuela, antes da intervenção americana que derrubou Nicolás Maduro —, o maquinário antigo utilizado pelo sistema cubano frequentemente precisou passar por manutenções longas nos últimos anos, interrompendo o fornecimento de energia. Havana tenta investir em meios renováveis com ajuda da China, incluindo a instalação de painéis solares.
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Ajuda condicionada
O Departamento de Estado dos EUA afirmou na terça-feira que Washington está disposto a oferecer US$ 100 milhões (cerca de R$ 501 milhões do câmbio atual) para ajudar a superar a crise na ilha, condicionando a ajuda à coordenação da distribuição dos recursos pela Igreja Católica. O montante não seria transferido diretamente para os cofres do governo, mas sim na forma de “assistência humanitária direta ao povo cubano”.
“Estamos dispostos a ouvir os detalhes da proposta e como ela seria implementada”, respondeu o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, nesta quinta-feira, nas redes sociais, após inicialmente ter chamado a proposta de “fábula” destinada a “enganar o povo de Cuba e os próprios americanos”.
Em janeiro, Trump assinou um decreto declarando que a ilha, localizada a 150 km da costa da Flórida, representa uma “ameaça excepcional” aos Estados Unidos, e ameaçou retaliar qualquer país que queira fornecer ou vender petróleo para Havana.
As tensões entre Washington e Havana se intensificaram nas últimas semanas, embora os dois países mantenham negociações. Uma reunião diplomática de alto nível foi realizada na capital cubana em 10 de abril.
Com AFP e Bloomberg.









