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Ataques dos EUA e Israel já deixam ao menos 555 mortos no Irã, anuncia entidade humanitária
De acordo com a agência de notícias ISNA, os danos ocorreram após o ataque conjunto contra a Praça Arag, no sul da cidade, na noite de domingo. A agência afirmou que janelas, portas e espelhos do palácio foram afetados pelas reverberações das explosões.
O complexo é um dos marcos históricos mais importantes do Irã e remonta ao período da dinastia Qajar. Até o momento, autoridades iranianas não detalharam a extensão completa dos danos na estrutura.
Ofensiva amplia destruição no país
O episódio ocorre em meio à intensificação da ofensiva militar iniciada no sábado, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques em larga escala contra alvos iranianos. Segundo o Crescente Vermelho iraniano, ao menos 555 pessoas morreram no país desde o início das operações.
“Após os ataques terroristas sionistas-estadunidenses realizados em várias regiões do nosso país, 131 cidades foram afetadas até o momento e, lamentavelmente, 555 de nossos compatriotas morreram”, declarou a organização em mensagem publicada no Telegram.
Ao longo do domingo, mísseis e bombas atingiram dezenas de cidades iranianas, desde regiões próximas às fronteiras com Armênia e Turquia até áreas no Golfo Pérsico e na divisa com o Paquistão. Um dos alvos, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), foi o quartel-general da Guarda Revolucionária.
Em comunicado nas redes sociais, o comando militar afirmou que mais de mil alvos foram destruídos, incluindo centros de comando, bases militares e embarcações de guerra. O Centcom também disse que a operação envolveu caças, aeronaves de reconhecimento, drones de ataque, sistemas antimísseis e bombardeiros.
Outro bombardeio israelense atingiu uma base em Teerã usada por unidades responsáveis pela repressão a protestos. Segundo a Força Aérea israelense, aeronaves do país passaram a operar “livremente” sobre os céus da capital iraniana.
Conflito se espalha pela região
A resposta do Irã ampliou o alcance da crise e levou ataques a outros países do Oriente Médio. Instalações associadas aos Estados Unidos foram atingidas no Catar, enquanto mísseis também foram lançados contra posições nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Omã, país que vinha atuando como mediador entre Washington e Teerã
O agravamento do conflito provocou impacto imediato na aviação internacional. Com o fechamento de grande parte do espaço aéreo do Golfo Pérsico, aeroportos estratégicos como Dubai, Abu Dhabi e Doha suspenderam voos por tempo indeterminado.
Também houve reflexos no transporte marítimo. Dezenas de petroleiros e navios de carga interromperam suas rotas nas proximidades do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Embora o Irã não tenha anunciado oficialmente o bloqueio da passagem, operadores relataram avisos atribuídos à Guarda Revolucionária para que embarcações evitassem a área.
Empresas de navegação, como MSC e Maersk, suspenderam operações na região, enquanto representantes da Opep+ indicaram aumento na produção de petróleo a partir de abril para conter possíveis oscilações no mercado.
Novos ataques e tensão crescente
A escalada também gerou reações diplomáticas. A Arábia Saudita, atingida por mísseis iranianos, convocou o embaixador de Teerã para protestar contra os ataques e alertar sobre riscos à segurança regional. O governo saudita afirmou que tomará todas as medidas necessárias para proteger seu território.
Nos Emirados Árabes Unidos, onde três pessoas morreram, autoridades fecharam a embaixada em Teerã e convocaram o embaixador iraniano. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do país classificou os ataques como uma escalada grave e uma violação do direito internacional.
Em Israel, o domingo foi marcado por novas mortes após ataques iranianos. Na cidade de Beit Shmesh, nove pessoas morreram quando um míssil atingiu um abrigo em uma sinagoga. Mais de 70 ficaram feridas. Explosões também foram registradas em Tel Aviv e Jerusalém.
O governo israelense colocou a fronteira com o Líbano em alerta máximo e suspendeu voos no aeroporto Ben Gurion. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a campanha militar tem como objetivo “atingir o coração de Teerã” e indicou que a guerra pode se intensificar nos próximos dias.
Segundo ele, Israel convocou 100 mil reservistas para reforçar operações em Gaza, na Cisjordânia e nas fronteiras com Síria e Líbano.
— Estamos envolvidos em uma campanha na qual as Forças de Defesa de Israel estão mobilizando toda a sua força como nunca antes, para garantir nossa existência e nosso futuro — declarou.









