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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que os os manifestantes iranianos que protestam contra o regime teocrático de Teerã deveriam continuar ocupando as ruas de todo o país, e os encorajou a tomar o controle das instituições governamentais e registrar os nomes de todos os “assassinos e abusadores” ligados ao regime, afirmando que “a ajuda está a caminho”.
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Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO – OCUPEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes PARE. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social, utilizando a sigla MIGA, em uma aparente tentativa de relacionar o tema ao MAGA (“Make America Great Again”, ou Faça a América Grande de Novo — trocando América por Irã).
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A manifestação de Trump ocorre um dia após o anúncio de tarifas adicionais de 25% sobre produtos de países que mantenham relações comerciais com o Irã, em meio aos relatos crescentes de uma repressão violenta dentro do país. O republicano havia dito no domingo que discutiria formas de agir na nação persa, após ter ameaçado “disparar” contra o Irã, caso o regime atacasse os manifestantes.
O presidente não especificou qual seria a forma da “ajuda” prometida, em uma mensagem que pareceu apoiar a derrubada do governo da República Islâmica — marcando uma mudança na postura dos EUA em relação ao dia anterior, quando a Casa Branca declarou que Trump não “tem medo” de um ataque militar ao Irã, mas que, por enquanto, está priorizando a diplomacia.
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O governo de Teerã, por sua vez, adotou uma ampla gama de medidas repressivas. O acesso à internet em todo o país foi cortado a mando da liderança política, a fim de dificultar a comunicação entre o que acusam de ser “terroristas” infiltrados contra o governo. Organizações de defesa de direitos humanos afirmam que o movimento impede o acompanhamento do que se passa no terreno em tempo-real — o que compromete uma visão confiável sobre o número de mortos e presos pelo regime. O bloqueio de internet ultrapassou 108 horas de duração nesta terça.
Uma autoridade iraniana, ouvida em anonimato nesta terça-feira pela Reuters, afirmou que ao menos 2 mil pessoas teriam morrido desde o início dos protestos, entre civis e forças de segurança do país. Ele culpou “terroristas” pela letalidade identificada — algo alinhado à narrativa das autoridades iranianas. Em um comunicado, o Gabinete do procurador de Teerã afirmou que um número não especificado de pessoas será acusado de “moharebeh”, ou “guerra contra Deus”, um termo da lei islâmica (sharia) que é considerado crime capital no Irã e amplamente utilizado no passado em casos de pena de morte.
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A repressão aos manifestantes provocou reações de diversos países. Na Europa, França, Reino Unido e Espanha, entre outros, convocaram os embaixadores iranianos para cobrar explicações e exigir que os seus direitos fossem respeitados. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que serão propostas sanções em resposta ao “assustador” número de mortos nos protestos.
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse estar “horrorizado” com a repressão aos protestos, pedindo o fim da matança de manifestantes e a restauração de todas as linhas de comunicação com os civis.
“O assassinato de manifestantes pacíficos deve parar, e rotular manifestantes como ‘terroristas’ para justificar a violência contra eles é inaceitável”, disse Turk em um comunicado, em que criticou o uso de “força bruta” pelo regime. “Este ciclo de violência horrível não pode continuar. O povo iraniano e suas reivindicações por justiça, igualdade e equidade devem ser ouvidas”. (Com AFP)
Depois de mais de um ano tentando engravidar sem sucesso e uma rodada frustrada de fertilização in vitro (FIV), a ex-patinadora profissional Alex Murphy Klein descobriu que seu corpo reagia ao DNA do marido, numa condição tão rara que foi descrita em entrevistas como uma espécie de “alergia” ao parceiro. A condição impedia a concepção natural e frustrava os esforços do casal.
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Alex, de 36 anos, e o marido, o influenciador Paul Klein, começaram a tentar ter filhos em 2023, após o casamento. Quando um ano se passou sem gravidez, consultaram especialistas e foram inicialmente diagnosticados com infertilidade inexplicada, uma vez que os exames padrão não identificam a causa da dificuldade para engravidar.
Insatisfeita com a falta de respostas claras, Alex buscou exames genéticos adicionais por meio de testes de sangue domiciliares fornecidos por uma empresa especializada em fertilização. O resultado surpreendeu: seu sistema imunológico estava reagindo de forma adversa ao material genético do marido, reconhecendo-o como uma ameaça e barrando o processo que levaria à gestação.
A descoberta, embora desconcertante, ofereceu finalmente uma explicação para anos de ansiedade e tratamentos sem sucesso. Cientes de que repetir a FIV sem entender a causa subjacente seria ineficaz, o casal optou por um tratamento conhecido como “terapia de imunização leucocitária paterna” (LIT), que consiste na administração de amostras processadas do sangue de Paul no organismo de Alex para promover tolerância imunológica, semelhante à imunoterapia usada para alergias comuns.
— É um título de notícia que parece absurdo, mas meu sistema imunológico literalmente colocou os freios e disse “vamos atacar isso” — disse a mulher em entrevista ao programa americano This Morning.
A condição diagnosticada em Alex Klein é extremamente rara e não se configura tecnicamente como alergia no sentido clássico da palavra, mas sim como uma incompatibilidade imunológica entre o organismo de uma pessoa e o material genético do parceiro.
O marido, por sua vez, destacou a importância de abordar abertamente as dificuldades de fertilidade, especialmente para homens, muitas vezes silenciados pela vergonha ou estigma social.
Apesar do caminho desafiador, o casal afirmou que continua esperançoso e dialogando com profissionais de saúde para ajustar o tratamento. A história deles tem sido compartilhada como um incentivo a outros casais que enfrentam infertilidade sem diagnóstico claro, ressaltando a importância de investigar causas atípicas quando os métodos convencionais falham.
— É fundamental enfrentar isso juntos como parceiros — afirmou Paul Klein, refletindo sobre a experiência emocional que acompanha a busca por respostas e soluções.
Um morador do estado do Colorado, nos Estados Unidos, entrou com uma ação judicial contra a American Airlines pedindo uma indenização superior a US$ 50 mil (cerca de R$ 270 mil). Ele alega que o extravio de sua bagagem durante uma viagem internacional levou ao agravamento de seu estado de saúde mental e resultou em uma internação psiquiátrica prolongada na Suíça.
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De acordo com o processo, o passageiro, identificado apenas pelas iniciais KR, afirma que sua saúde mental se deteriorou diretamente após a perda da mala despachada, ocorrida em uma viagem iniciada em 28 de dezembro de 2023. Ele embarcou em Baton Rouge, na Luisiana, com destino final a Zurique, com conexões em Dallas e Fort Worth, no Texas, e Madri. O primeiro trecho foi operado pela American Airlines, enquanto os voos seguintes ficaram a cargo da Iberia, parceira da companhia dos EUA.
A bagagem foi despachada corretamente no aeroporto de origem, mas não chegou ao destino final. Ao desembarcar em Zurique, KR aguardou na esteira sem sucesso e deixou o aeroporto apenas com as roupas do corpo e poucos itens pessoais. Segundo a ação, a falta de acesso a vestuário adequado em meio ao inverno rigoroso suíço teria contribuído para o agravamento de seu quadro psicológico.
Durante sua permanência no país europeu, o passageiro afirma ter sido internado em três hospitais psiquiátricos, somando mais de um mês de internação. Sem seguro de saúde, recebeu posteriormente uma cobrança superior a US$ 50 mil do sistema de saúde suíço. Ele relata ainda dificuldades para comprar roupas suficientes no país devido à valorização do franco suíço frente ao dólar.
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Antes da piora de seu estado de saúde, KR diz ter tentado diversas vezes entrar em contato com a American Airlines para localizar a bagagem. Ele utilizava dispositivos de localização Apple AirTag nas malas e compartilhava as informações de localização com a companhia, mas alega que nenhuma providência foi tomada com base nesses dados. Uma das peças de bagagem só foi localizada e devolvida em abril de 2024, quando foi enviada à Suíça. Cerca de uma semana depois, o passageiro retornou aos Estados Unidos.
Em geral, companhias aéreas orientam passageiros com bagagem extraviada a comprar itens essenciais por conta própria, com possibilidade de reembolso posterior. O procedimento, porém, tem limitações, como a indefinição do que são gastos considerados razoáveis e a necessidade de o cliente dispor de recursos imediatos.
Em voos internacionais, a compensação por bagagem atrasada ou perdida é regulada pela Convenção de Montreal, que estabelece um limite máximo de responsabilidade de 1.519 Direitos Especiais de Saque — o equivalente a cerca de US$ 2.175 (aproximadamente R$ 11 mil) por passageiro.
Apesar disso, KR tenta reivindicar US$ 4.700 (cerca de R$ 25 mil) referentes à bagagem, valor correspondente ao teto previsto para voos domésticos nos Estados Unidos. Como a viagem tinha caráter internacional, mesmo com um trecho interno, prevalece o limite inferior definido pela convenção internacional.
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu, nesta terça-feira, que seja realizada uma investigação independente depois que um agente de imigração dos Estados Unidos matou a tiros uma mulher na cidade de Minneapolis, na semana passada.
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Renee Good foi morta ao volante de seu veículo por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), durante uma operação anti-imigrantes.
Após sua morte, o presidente americano Donald Trump afirmou que o policial provavelmente agiu em legítima defesa, uma versão contestada pela oposição democrata local, que se apoiou em vídeos do incidente.
— De acordo com a legislação internacional sobre direitos humanos, o uso intencional da força letal só pode ser permitido como último recurso contra um indivíduo que represente uma ameaça iminente à vida — declarou à imprensa em Genebra o porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Jeremy Laurence.
O porta-voz insistiu na “necessidade de uma investigação rápida, independente e transparente sobre a morte” de Renee Good, que tinha 37 anos.
Sua morte desencadeou uma onda de manifestações em todo o país no último fim de semana, em lugares como Minneapolis, Nova York, Los Angeles e Boston.
Foto de Renee Good é colada em poste, no local em que ela foi morta por agente do ICE
David Guttenfelder/The New York Times
Mesmo assim, o governo americano anunciou no domingo o envio de “centenas” de agentes federais a Minneapolis.
— Instamos todas as autoridades a tomar medidas para reduzir as tensões e se abster de qualquer incitação à violência — exigiu Laurence.
A cidade de Minneapolis e o estado de Minnesota anunciaram, na segunda-feira, que processaram o governo de Donald Trump após suas operações contra a migração.
Illinois, outro estado democrata alvo da ofensiva anti-imigração de Trump — sobretudo em Chicago —, iniciou na segunda-feira um procedimento judicial similar.

Os dois filhos do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975, foram reconhecidos como anistiados políticos pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Além de receberem um pedido oficial de desculpas do Estado brasileiro, Ivo e André Herzog serão indenizados em R$ 100 mil cada.

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A portaria que reconhece os dois irmãos como anistiados foi publicada na edição de segunda-feira (12) do Diário Oficial da União, pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo.


Brasília (DF), 05/02/2025 - Clarice Herzog.  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Clarice Herzog é esposa do jornalista Vladimir Herzog. Ela foi anistiada em 2024 – Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Em 2024, foi concedida a condição de anistiada política à Clarice Herzog. A decisão amplia o processo de reparação já reconhecido pelo Estado em relação à família Herzog”, justificou, em nota, o ministério.

Conselheira da Comissão de Anistia e relatora de Ivo e André Herzog, Gabriela de Sá explica que o reconhecimento da anistia política dos filhos de Vladimir representa uma reparação histórica de um período que causou traumas intergeracionais.

“É importante destacar que são considerados anistiados políticos todas as pessoas que sofreram atos institucionais, complementares ou de exceção na sua totalidade. Isso quer dizer que, quando se impõe restrições à convivência familiar, estamos lidando com uma medida de exceção que viola diretamente os direitos dos filhos e filhas de quem foi perseguido politicamente”, justificou.

Segundo ela, a análise da documentação que consta nos requerimentos de anistia política mostra o quanto os irmãos “foram afetados desde a infância pelas disputas em torno das diferentes versões sobre as circunstâncias do assassinato de seu pai”.

“Sobretudo, à ostensiva exposição do registro de Vladimir Herzog sem vida na cela do DOI-CODI, em São Paulo, ressaltando a necessidade de reconhecer as violações de direitos humanos que diretamente atingiram os irmãos, durante a época da ditadura”, complementou a conselheira.

Erfan Soltani, um manifestante de 26 anos detido em meio à onde de protestos no Irã, que já duram mais de duas semanas e deixaram centenas de mortos, deverá ser executado nesta quarta-feira, segundo a Organização Hengaw para os Direitos Humanos. A família de Soltani, que foi preso na última quinta-feira, foi informada sobre a execução, embora não tenha recebido nenhuma informação sobre quando o julgamento ocorreu nem sobre quais são as acusações contra ele.
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— Nunca testemunhamos um caso avançar tão rapidamente — afirmou Awyar Shekhi, da organização, à rede britânica BBC. — O governo está usando todas as táticas que conhece para suprimir as pessoas e espalhar medo.
Pode levar algum tempo até que se conheça a real dimensão do derramamento de sangue ocorrido em meio ao apagão da internet, imposto pelo regime também na última quinta-feira como forma de repressão — mas iranianos que conseguiram ligar para fora do país estão relatando a parentes no exterior níveis terríveis de mortes e destruição.
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De acordo com a BBC, a cidade de Rasht, na costa do Mar Cáspio, foi descrita por um morador como irreconhecível.
— Tudo está queimado pelo fogo — disse.
Estimativas mais conservadoras apontam que cerca de 650 pessoas morreram — embora uma autoridade iraniana ouvida em anonimato pela Reuters nesta terça-feira tenha falado em 2 mil mortos. Sem informações atualizadas sobre os acontecimentos no solo por conta do apagão de internet, muitos grupos internacionais, como a Iran Human Rights, com sede na Noruega, têm divulgado números oficiais, de casos que conseguiram confirmar que houve mortes e prisões, e projeções. Na segunda-feira, a organização falou em estimativas de até 6 mil mortos e 10 mil detidos.
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Desde 28 de dezembro, os atos se intensificaram e se espalharam por mais de 100 cidades e vilas em todas as 31 províncias do Irã, de acordo com grupos de direitos humanos. Apesar do bloqueio quase total da internet, que dificulta a comunicação e a verificação das informações, imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram centenas de pessoas nas ruas, além de incêndios em equipamentos públicos e corpos enfileirados dentro de sacos do lado de fora de hospitais.
A crise crescente, que começou como um protesto contra problemas econômicos no final do ano passado, representa o que alguns especialistas consideram um dos maiores desafios às autoridades desde a Revolução Islâmica, em 1979. As manifestações rapidamente se transformaram em um movimento de contestação ao regime teocrático que governa o Irã há quase cinco décadas.
A França registrou mais óbitos do que nascimentos em 2025 pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, indicou nesta terça-feira (13) o instituto nacional de estatística Insee, em meio a debates sobre a queda da natalidade.
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Em 1º de janeiro de 2026, 69,1 milhões de pessoas viviam na França, um aumento de 0,25% em relação ao ano anterior devido apenas à migração (+176.000 pessoas), segundo esse organismo oficial.
O crescimento natural ou vegetativo, que corresponde à diferença entre nascimentos e óbitos, foi negativo: -6.000. Essa situação se deve a dois fatores: o recuo da natalidade e o avanço das mortes.
“O que surpreende é até que ponto, em poucos anos, o crescimento natural diminuiu devido à rápida queda dos nascimentos”, destacou Sylvie Le Minez, chefe da unidade de estudos demográficos e sociais do Insee, em coletiva de imprensa.
Cerca de 645.000 bebês nasceram em 2025, 2,1% a menos que no ano anterior, o que corresponde ao menor número desde o fim da Segunda Guerra Mundial pelo quarto ano consecutivo. A queda é mais acentuada em relação a 2010: menos 24%.
Paralelamente, 651.000 pessoas faleceram, alta de 1,5% em relação a 2024 devido principalmente à epidemia de gripe de inverno, segundo o Insee. Também se deve à chegada da geração “baby boomer” à idade de risco.
A preocupação com os nascimentos paira há anos. Em 2024, o presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, defendeu um “reforço demográfico”, baseado em impulsionar a natalidade melhorando a licença parental e combatendo a infertilidade.
Para os demógrafos, dificuldades para ter filhos incluem encontrar um trabalho estável, acesso à moradia, incerteza sobre a mudança climática, além de conciliar vida profissional e familiar.
Em 2023, a França era o segundo país da União Europeia (UE) com a maior taxa de fecundidade: 1,66 filho por mulher, atrás apenas da Bulgária (1,81), segundo dados do escritório europeu de estatística Eurostat.
Em 2025, o Insee fixou esse índice em 1,56 filho por mulher na França,
Uma mulher de 40 anos foi indiciada no Alabama após um disparo acidental dentro de casa matar um menino de dois anos. Segundo autoridades do condado de Blount, Evelyn Etress responde por homicídio culposo, abuso infantil agravado e crimes relacionados a drogas depois que uma das crianças que estavam na residência encontrou uma arma carregada e atirou, atingindo fatalmente o pequeno Noah.
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De acordo com o xerife Mark Moon, a polícia foi acionada por volta das 10h (horário local) de quarta-feira (7) para atender a um chamado de disparos de arma de fogo. No local, os agentes encontraram a criança com um ferimento de bala na cabeça, ainda com vida. Apesar dos esforços dos paramédicos, o menino foi levado ao hospital e não resistiu.
Arma ao alcance de crianças
Segundo informações divulgadas pelo site Law & Crime, Etress era o único adulto na casa no momento do ocorrido, onde estavam seis crianças. Três delas brincavam no quarto principal quando um forte estrondo foi ouvido. A mulher relatou que correu até o cômodo e encontrou o filho ferido e uma pistola guardada dentro de um armário.
Em entrevista coletiva, a promotora do condado de Blount, Pamela Casey, detalhou que estavam na residência Noah, duas meninas de 4 anos, uma de 8, uma de 9 e um adolescente de 13 anos. Ela afirmou que as investigações indicam que o disparo foi feito por outra pessoa e não pela própria vítima. “O projétil atravessou o crânio da criança, passou pela parede, atingiu o teto e depois caiu no sofá”, descreveu.
Embora nenhuma outra criança tenha se ferido, a promotoria informou que pelo menos quatro armas de fogo foram encontradas em locais de fácil acesso. Casey fez um apelo público aos pais sobre os riscos de manter armamentos sem segurança em casa. “Crianças não distinguem uma arma real de um brinquedo. Em segundos, um mal-entendido pode se transformar em tragédia”, afirmou.
A promotora acrescentou que o pai das crianças é um criminoso condenado que recebeu um indulto há cerca de um ano, o que o autorizava legalmente a possuir armas, segundo a emissora WBRC. Etress permanece detida sob fiança fixada em US$ 90 mil.
Pesquisadores portugueses identificaram os primeiros casos confirmados de infecção pelo fungo Candida auris em Portugal, microrganismo resistente a medicamentos e considerado uma ameaça emergente à saúde pública mundial. O estudo, liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), analisou oito casos registrados em 2023 em um hospital da região Norte e reforça a necessidade de vigilância hospitalar rigorosa.
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Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Journal of Fungi, em outubro de 2025. Em comunicado enviado à SIC Notícias, a FMUP destaca que, embora três pacientes com infecção invasiva tenham evoluído para óbito, “nenhuma das três mortes esteve exclusivamente associada à infecção, mas sim a comorbidades severas dos doentes”.
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NYT
A coordenadora do estudo, a professora Sofia Costa de Oliveira, ressalta a importância da integração entre universidades, centros de pesquisa e hospitais.
“É fundamental que as instituições dedicadas ao ensino e à investigação se articulem com os hospitais e Unidades Locais de Saúde, no sentido de uma investigação translacional integrada, de modo a reforçar a capacidade de resposta a desafios emergentes em saúde pública com base em evidência”, afirma.
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Segundo a pesquisadora, o Candida auris é um fungo de transmissão hospitalar, não comunitária, cuja relevância está ligada à facilidade de disseminação em unidades de saúde e à resistência a alguns antifúngicos.
“A sua relevância em saúde pública está associada principalmente à facilidade de transmissão em unidades de cuidados de saúde e à resistência a alguns antifúngicos, o que justifica uma vigilância reforçada”, diz.
A detecção precoce é apontada como essencial para conter surtos. “A detecção precoce de colonização ou infecção em doentes em risco permite uma intervenção mais eficaz e limita a propagação nos serviços de saúde. As medidas de controle de infecção, como a higiene rigorosa das mãos, a desinfecção de superfícies e equipamentos e a vigilância laboratorial, são cruciais para reduzir a transmissão”, conclui Sofia Costa de Oliveira.
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A Candida auris é uma levedura capaz de colonizar a pele e causar infecções invasivas, sobretudo em pacientes com doenças graves, submetidos a procedimentos invasivos ou ao uso de antibióticos e imunossupressores. O fungo não é transmitido pelo ar, mas por contato direto entre pacientes, profissionais de saúde ou por superfícies e equipamentos contaminados. Sua capacidade de resistir a múltiplos antifúngicos e de persistir no ambiente hospitalar dificulta o controle.
Atualmente, o microrganismo está presente em cerca de 60 países, em vários continentes. Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) alertou para a rápida propagação do fungo em hospitais europeus. De acordo com o órgão, entre 2013 e 2023 foram registrados mais de 4 mil casos na União Europeia e no Espaço Econômico Europeu, com “um salto significativo” em 2023, quando 1.346 casos foram notificados em 18 países.
Para os pesquisadores, o desafio agora é avançar no entendimento da resistência do fungo. “A caracterização dos mecanismos envolvidos na resistência à terapêutica antifúngica é fundamental para investigar alternativas farmacológicas mais eficazes. O próximo passo será explorar o impacto real das novas mutações detectadas na progressão da infecção e na resistência antimicrobiana da Candida auris, de forma a tentar controlar esta ameaça global para a saúde”, defende a professora.
O trabalho contou ainda com a participação de pesquisadores da FMUP, da Universidade do Porto, da ULS São João e de outros centros de investigação, reforçando o alerta para a necessidade de resposta coordenada diante de uma ameaça crescente nos sistemas de saúde.
O entendimento do chavismo na Venezuela passa forçosamente pela compreensão de como os militares nele se encaixam. É importante ressaltar que a ampliação do papel dos militares no país não começa com o chavismo, mas com ele recebe forte impulso. Nos anos 1970, o Plano Andrés Bello introduziu à formação militar o nível universitário, enfatizando a importância das Forças Armadas na política, sociedade e desenvolvimento econômico, o que levou muitos deles —incluindo Hugo Chávez — a defender os militares à frente da modernização e mudança social do país.
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A Constituição de 1999 eliminou o papel não-deliberativo das Forças Armadas e ampliou seu escopo. Com o agora ex-presidente Nicolás Maduro, os militares passaram a ocupar cada vez mais ministérios. Em 2014, 25% de seu Gabinete era composto por militares, segundo o pesquisador Pablo Uchoa, da University College London. Em 2023, último ano em que a ONG Control Ciudadano compilou tais números, aproximadamente 40% de seus ministros (13 de 33) eram militares.
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Com Chávez, os militares eram responsáveis pela distribuição de alimentos no âmbito de programas sociais. Com Maduro, a Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) passou a administrar setores como indústrias, portos, alfândegas, transporte, habitação, infraestrutura, atividades extrativistas, energia e a distribuição de itens essenciais.
Com a crise econômica de 2014, que levou à escassez em 2016, Maduro criou o programa de distribuição de alimentos por meio dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (Clap), no qual ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, supervisionava a distribuição e comercialização de alimentos, medicamentos e produtos de higiene — itens que à época valiam ouro no mercado paralelo.
Presidente Nicolás Maduro (dir.) assiste a exercícios militares em campo de treinamento em Caracas
Zurimar Campos/ Presidência da Venezuela/ AFP
Na gestão Maduro, militares passaram também a compor o conselho de administração de mais de 100 empresas de capital aberto ou parcialmente aberto, de um total de 925, e foram criadas mais de 20 empresas das Forças Armadas em áreas como bancos, logística, agricultura, mineração, petróleo e gás, segundo relatório de 2021 da Transparency International.
Um exemplo é a Companhia Anônima Militar de Indústrias Mineiras, Petrolíferas e de Gás, criada em 2016 para atividades de mineração, petróleo e gás. A empresa, nas mãos da Fanb, parece crucial para os objetivos declarados de Trump, de controlar o setor petrolífero venezuelano.
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Além do entranhamento no Estado e na economia venezuelana, o chavismo continua sendo uma força política importante. Para quem o vê de fora, não passa de um projeto político populista autoritário, que enterrou a democracia venezuelana. Mas o chavismo é também o principal movimento de massas da Venezuela, responsável pela maior transformação de sua história recente.
Quando Chávez chegou ao poder, em 1999, a taxa de pobreza beirava os 50%, segundo a ONU, e sete em cada dez venezuelanos não tinham carteira de identidade. Passaram a tê-la com a chamada Misión Identidad, um dos mais de 30 programas sociais que o chavismo criou.
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Pode parecer estranho os venezuelanos terem eleito Chávez, um militar, outsider da política que havia tentado derrubar o então presidente Carlos Andrés Pérez em 1992, por meio de um golpe. Mas a Venezuela pré-Chávez era uma democracia muito defeituosa, marcada por uma competição política restrita, na qual Ação Democrática e Copei se revezaram na Presidência ao longo de quatro décadas.
O chavismo rompeu com isso. Apoiado em divisas petroleiras e programas sociais, Chávez reduziu a pobreza para 25,4% em 2012, cenário revertido desde 2014, mas que deixou um legado. Para quem viu a vida melhorar, o chavismo é um divisor de águas. É por isso que Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis, afirma que o chavismo tem apoio fixo de 25% do eleitorado, não importa o que aconteça.
Por ora, imaginar uma Venezuela pós-Maduro ainda é exercício de futurologia. Mas fica claro que, depois de 27 anos, acabar com o chavismo não será simples. Movimentos de massas, como o fascismo, não terminaram com a queda de um líder. Por que o chavismo seria diferente
*Pesquisadora sênior do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (Nupri-USP) e professora de Relações Internacionais da Faap

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