O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que os os manifestantes iranianos que protestam contra o regime teocrático de Teerã deveriam continuar ocupando as ruas de todo o país, e os encorajou a tomar o controle das instituições governamentais e registrar os nomes de todos os “assassinos e abusadores” ligados ao regime, afirmando que “a ajuda está a caminho”.
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Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO – OCUPEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes PARE. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social, utilizando a sigla MIGA, em uma aparente tentativa de relacionar o tema ao MAGA (“Make America Great Again”, ou Faça a América Grande de Novo — trocando América por Irã).
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A manifestação de Trump ocorre um dia após o anúncio de tarifas adicionais de 25% sobre produtos de países que mantenham relações comerciais com o Irã, em meio aos relatos crescentes de uma repressão violenta dentro do país. O republicano havia dito no domingo que discutiria formas de agir na nação persa, após ter ameaçado “disparar” contra o Irã, caso o regime atacasse os manifestantes.
O presidente não especificou qual seria a forma da “ajuda” prometida, em uma mensagem que pareceu apoiar a derrubada do governo da República Islâmica — marcando uma mudança na postura dos EUA em relação ao dia anterior, quando a Casa Branca declarou que Trump não “tem medo” de um ataque militar ao Irã, mas que, por enquanto, está priorizando a diplomacia.
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O governo de Teerã, por sua vez, adotou uma ampla gama de medidas repressivas. O acesso à internet em todo o país foi cortado a mando da liderança política, a fim de dificultar a comunicação entre o que acusam de ser “terroristas” infiltrados contra o governo. Organizações de defesa de direitos humanos afirmam que o movimento impede o acompanhamento do que se passa no terreno em tempo-real — o que compromete uma visão confiável sobre o número de mortos e presos pelo regime. O bloqueio de internet ultrapassou 108 horas de duração nesta terça.
Uma autoridade iraniana, ouvida em anonimato nesta terça-feira pela Reuters, afirmou que ao menos 2 mil pessoas teriam morrido desde o início dos protestos, entre civis e forças de segurança do país. Ele culpou “terroristas” pela letalidade identificada — algo alinhado à narrativa das autoridades iranianas. Em um comunicado, o Gabinete do procurador de Teerã afirmou que um número não especificado de pessoas será acusado de “moharebeh”, ou “guerra contra Deus”, um termo da lei islâmica (sharia) que é considerado crime capital no Irã e amplamente utilizado no passado em casos de pena de morte.
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A repressão aos manifestantes provocou reações de diversos países. Na Europa, França, Reino Unido e Espanha, entre outros, convocaram os embaixadores iranianos para cobrar explicações e exigir que os seus direitos fossem respeitados. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que serão propostas sanções em resposta ao “assustador” número de mortos nos protestos.
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse estar “horrorizado” com a repressão aos protestos, pedindo o fim da matança de manifestantes e a restauração de todas as linhas de comunicação com os civis.
“O assassinato de manifestantes pacíficos deve parar, e rotular manifestantes como ‘terroristas’ para justificar a violência contra eles é inaceitável”, disse Turk em um comunicado, em que criticou o uso de “força bruta” pelo regime. “Este ciclo de violência horrível não pode continuar. O povo iraniano e suas reivindicações por justiça, igualdade e equidade devem ser ouvidas”. (Com AFP)
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