Um dia após elevar a expectativa pelo fim da guerra com Irã ao afirmar que um acordo tinha sido “em grande parte negociado” com Teerã, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez um breve recuo neste domingo ao apontar que o país não pretende “se precipitar” para alcançar termos finais sem que os objetivos específicos americanos sejam atingidos. A declaração do republicano acompanha a linha de autoridades americanas e iranianas, que foram mais cautelosas sobre negociações que continuam em andamento — com gargalos ainda não superados, incluindo o futuro do Estreito de Ormuz e do programa nuclear iraniano.
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“As negociações estão progredindo de forma ordenada e construtiva, e eu informei aos meus representantes que não se precipitarem em um acordo, porque o tempo está a nosso favor”, escreveu Trump em uma publicação em seu perfil na rede social Truth Social. “O bloqueio [americano, a portos iranianos] permanecerá em pleno vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado. Ambos os lados devem agir com calma e garantir que tudo esteja correto. Não pode haver erros!”.
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A expectativa em torno da assinatura de um acordo aumentou no sábado, quando Trump descreveu, após uma reunião com líderes de países árabes, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e o Paquistão, que media o diálogo entre Washington e Teerã, que as negociações tinham avançado e que a maior parte de um acordo já tinha sido acertada. O secretário de Estado Marco Rubio e autoridades do Irã, incluindo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, também deram declarações otimistas, com o iraniano chegando a mencionar um memorando de 14 pontos em fase final de preparação.
Embora Trump tenha dito no sábado que as negociações ainda não tinham sido concluídas, uma onda de manifestações irrompeu nos EUA, com republicanos e democratas questionando sobre os termos acordados, em meio a relatos truncados sobre o escopo das negociações. Entre as manifestações em público e de fontes iranianas e americanas em anonimato, relatos divergentes sobre a reabertura total do Estreito de Ormuz, o desbloqueio de bens iranianos no exterior e a inclusão ou não do programa nuclear da nação persa nas negociações repercutiram em Washington.
Os senadores republicanos Ted Cruz e Lindsey Graham, assim como o secretário de Estado de Trump no primeiro mandato, Mike Pompeo, criticaram abertamente os termos debatidos em público, como a suposta liberação de verba ao Irã e o novo prazo de cessar-fogo (mencionado como um período de 30 a 60 dias) para só então discutir o tema nuclear. Em entrevista à Fox News, o senador democrata Chris Van Hollen disse neste domingo ter a “sensação de que este acordo nos levará de volta ao status quo pré-guerra”.
Em outra publicação na Truth Social durante a tarde de domingo, Trump rebateu críticos. O presidente voltou a afirmar que os termos não haviam sido definidos, chamou os opositores de “perdedores” e criticou as negociações durante o governo de Barack Obama — que levaram ao acordo nuclear com o Irã, do qual Trump retirou os EUA em seu primeiro mandato.
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“Se eu fizer um acordo com o Irã, será um acordo bom e adequado, não como aquele feito por Obama, que deu ao Irã enormes quantias de DINHEIRO e um caminho claro e aberto para a obtenção de armas nucleares. Nosso acordo é exatamente o oposto, mas ninguém o viu ou sabe do que se trata. Ele ainda nem foi totalmente negociado. Portanto, não deem ouvidos aos perdedores, que criticam algo que desconhecem completamente. Ao contrário daqueles que me antecederam e que deveriam ter resolvido este problema há muitos anos, eu não faço maus negócios!”, escreveu.
Em viagem à Índia, Rubio comentou sobre o momento atual das negociações. Ele disse a repórteres que o governo americano estava pronto para abrir “negociações muito sérias” sobre o programa nuclear iraniano caso Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz, sinalizando que o governo estaria disposto a aceitar um acordo provisório. Assim como Trump, o republicano apontou que o acordo não era tão iminente quanto as declarações de sábado fizeram parecer.
— Não se pode resolver algo relacionado a armas nucleares em 72 horas, de improviso — disse Rubio em uma breve entrevista no domingo em Nova Délhi. — O estreito precisa ser reaberto imediatamente, e então iniciaremos, dentro de parâmetros acordados, negociações muito sérias sobre o enriquecimento de urânio, sobre o urânio altamente enriquecido e sobre a promessa do Irã de nunca possuir armas nucleares.
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Líderes iranianos foram mais discretos sobre o andamento das negociações. Um funcionário do governo americano ouvido pelo New York Times afirmou que os EUA acreditam que o líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, endossou o esboço geral do plano, mas ainda não há um documento específico para ele assinar. O processo poderia levar dias. Em uma declaração nas redes sociais, Baghaei evocou o passado da nação persa após a declaração inicial de Trump sobre o acordo, fazendo referência a disputas entre a Pérsia e o Império Romano.
“Na mente romana, Roma era o centro indiscutível do mundo. No entanto, os iranianos destruíram essa ilusão; quando Marcus Julius Philippus (Felipe, o Árabe) marchou para o leste contra a Pérsia, a campanha não resultou em vitória romana — terminou em uma paz estabelecida nos termos sassânidas: o imperador teve que chegar a um acordo!”, escreveu Baghaei em uma publicação na rede social X no sábado.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou sua primeira declaração oficial sobre o potencial acordo entre EUA e Irã neste domingo, afirmando que ele e Trump concordaram que qualquer acordo deveria obrigar Teerã a desmantelar suas instalações nucleares e remover o urânio enriquecido do país.
Em uma das mensagens nas redes sociais, Trump descreveu neste domingo que a relação com o Irã tinha se tornado mais “profissional” e “produtivo”. Pouco antes, o presidente havia publicado uma foto gerada por IA de um drone americano atacando uma embarcação iraniana, com a legenda “adios”. (Com NYT e AFP)
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A expectativa em torno da assinatura de um acordo aumentou no sábado, quando Trump descreveu, após uma reunião com líderes de países árabes, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e o Paquistão, que media o diálogo entre Washington e Teerã, que as negociações tinham avançado e que a maior parte de um acordo já tinha sido acertada. O secretário de Estado Marco Rubio e autoridades do Irã, incluindo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, também deram declarações otimistas, com o iraniano chegando a mencionar um memorando de 14 pontos em fase final de preparação.
Embora Trump tenha dito no sábado que as negociações ainda não tinham sido concluídas, uma onda de manifestações irrompeu nos EUA, com republicanos e democratas questionando sobre os termos acordados, em meio a relatos truncados sobre o escopo das negociações. Entre as manifestações em público e de fontes iranianas e americanas em anonimato, relatos divergentes sobre a reabertura total do Estreito de Ormuz, o desbloqueio de bens iranianos no exterior e a inclusão ou não do programa nuclear da nação persa nas negociações repercutiram em Washington.
Os senadores republicanos Ted Cruz e Lindsey Graham, assim como o secretário de Estado de Trump no primeiro mandato, Mike Pompeo, criticaram abertamente os termos debatidos em público, como a suposta liberação de verba ao Irã e o novo prazo de cessar-fogo (mencionado como um período de 30 a 60 dias) para só então discutir o tema nuclear. Em entrevista à Fox News, o senador democrata Chris Van Hollen disse neste domingo ter a “sensação de que este acordo nos levará de volta ao status quo pré-guerra”.
Em outra publicação na Truth Social durante a tarde de domingo, Trump rebateu críticos. O presidente voltou a afirmar que os termos não haviam sido definidos, chamou os opositores de “perdedores” e criticou as negociações durante o governo de Barack Obama — que levaram ao acordo nuclear com o Irã, do qual Trump retirou os EUA em seu primeiro mandato.
Para Entender: O que se sabe sobre o acordo entre EUA e Irã que Trump diz estar ‘em grande parte negociado’
“Se eu fizer um acordo com o Irã, será um acordo bom e adequado, não como aquele feito por Obama, que deu ao Irã enormes quantias de DINHEIRO e um caminho claro e aberto para a obtenção de armas nucleares. Nosso acordo é exatamente o oposto, mas ninguém o viu ou sabe do que se trata. Ele ainda nem foi totalmente negociado. Portanto, não deem ouvidos aos perdedores, que criticam algo que desconhecem completamente. Ao contrário daqueles que me antecederam e que deveriam ter resolvido este problema há muitos anos, eu não faço maus negócios!”, escreveu.
Em viagem à Índia, Rubio comentou sobre o momento atual das negociações. Ele disse a repórteres que o governo americano estava pronto para abrir “negociações muito sérias” sobre o programa nuclear iraniano caso Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz, sinalizando que o governo estaria disposto a aceitar um acordo provisório. Assim como Trump, o republicano apontou que o acordo não era tão iminente quanto as declarações de sábado fizeram parecer.
— Não se pode resolver algo relacionado a armas nucleares em 72 horas, de improviso — disse Rubio em uma breve entrevista no domingo em Nova Délhi. — O estreito precisa ser reaberto imediatamente, e então iniciaremos, dentro de parâmetros acordados, negociações muito sérias sobre o enriquecimento de urânio, sobre o urânio altamente enriquecido e sobre a promessa do Irã de nunca possuir armas nucleares.
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Líderes iranianos foram mais discretos sobre o andamento das negociações. Um funcionário do governo americano ouvido pelo New York Times afirmou que os EUA acreditam que o líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, endossou o esboço geral do plano, mas ainda não há um documento específico para ele assinar. O processo poderia levar dias. Em uma declaração nas redes sociais, Baghaei evocou o passado da nação persa após a declaração inicial de Trump sobre o acordo, fazendo referência a disputas entre a Pérsia e o Império Romano.
“Na mente romana, Roma era o centro indiscutível do mundo. No entanto, os iranianos destruíram essa ilusão; quando Marcus Julius Philippus (Felipe, o Árabe) marchou para o leste contra a Pérsia, a campanha não resultou em vitória romana — terminou em uma paz estabelecida nos termos sassânidas: o imperador teve que chegar a um acordo!”, escreveu Baghaei em uma publicação na rede social X no sábado.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou sua primeira declaração oficial sobre o potencial acordo entre EUA e Irã neste domingo, afirmando que ele e Trump concordaram que qualquer acordo deveria obrigar Teerã a desmantelar suas instalações nucleares e remover o urânio enriquecido do país.
Em uma das mensagens nas redes sociais, Trump descreveu neste domingo que a relação com o Irã tinha se tornado mais “profissional” e “produtivo”. Pouco antes, o presidente havia publicado uma foto gerada por IA de um drone americano atacando uma embarcação iraniana, com a legenda “adios”. (Com NYT e AFP)









