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O governo da Groenlândia aconselhou, na quarta-feira, que moradores tenham suprimentos suficientes para cinco dias em caso de crise, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, declarava aos líderes europeus que não usaria a força militar para tomar o território semiautônomo dinamarquês. A Groenlândia afirmou ter publicado as orientações de preparação para crises, que não menciona Trump, em resposta aos repetidos cortes de energia e com o objetivo de “reforçar a segurança da população e garantir que a preparação geral da sociedade seja ainda maior”. Tentando transmitir calma após o anúncio, o governo da ilha ártica esclareceu que começou a preparar o documento no ano passado. Apesar disso, groenlandeses já articulam opções em caso de um ataque americano ao território. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) classificou como vitória da mobilização da categoria o anúncio do reajuste do piso salarial nacional do magistério para 2026, definido em medida provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para este ano, o valor será elevado em 5,4%, passando de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, válido para profissionais da rede pública de educação básica de todo o país, com jornada de 40 horas semanais. O percentual representa um ganho real de 1,5% acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, que foi de 3,9%.

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Para a presidente da CNTE, Fátima Silva, a conquista precisa ser celebrada, mas ela apontou dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, que põe o Brasil entre os países que pior remuneram os professores, o que mostra o problema estrutural da categoria.

“Mesmo assim, a conquista de um piso com ganho real representa um avanço importante, fruto da mobilização da categoria e da luta permanente pela valorização da educação pública”, afirmou, em nota publicada pela entidade.

De acordo com a CNTE, o critério de reajuste foi amplamente debatido no âmbito do Fórum Permanente do Piso, com base nos princípios da previsibilidade e da sustentabilidade orçamentária. Ainda segundo a entidade, as organizações representativas dos secretários estaduais e municipais de educação concordaram com a proposta, “reforçando o caráter pactuado, responsável e federativo da decisão”.

O piso salarial é o valor mínimo que professores devem ganhar no Brasil. A legislação determina a recomposição anual do valor. A norma define que o piso será atualizado a partir da soma do INPC do ano anterior e de 50% da média da variação percentual da receita real, com base no INPC, relativa à contribuição de estados, Distrito Federal e municípios ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), realizada nos cinco anos anteriores ao ano da atualização. A lei também fixa que o percentual estabelecido nunca poderá ser inferior à inflação do ano anterior, medida pelo INPC.

Prefeitos reagem

Responsáveis pelos pagamentos dos salários em âmbito municipal, os prefeitos reclamaram do valor do reajuste. Em nota, o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, manifestou inconformidade com a decisão. Segundo ele, o impacto estimado será de até R$ 8 bilhões aos cofres municipais.

“É inaceitável que, após anos de silêncio diante de reajustes elevados e ilegais — como os de 33,24% em 2022, e de 14,95% em 2023 —, agora, quando o índice sinaliza 0,37%, o governo federal se mobilize para editar uma MP sob o argumento de ‘injustiça’ no cálculo. Essa incoerência fere a lógica da gestão pública responsável e evidencia o uso político de um instrumento que deveria ser técnico e estável”, apontou.

Para a CNM, entidade que representa os municípios de pequeno porte, aumentos reais nos vencimentos devem ser negociados entre o governo de cada município e o respectivo quadro do magistério, “pois dependem das condições fiscais e orçamentárias dos entes locais e dos limites de despesas com pessoal pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”.

Na semana passada, a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que representa cerca de 400 municípios com mais de 80 mil habitantes, já havia apontado preocupação com o reajuste. A entidade se manifestou após reunião entre os ministro da Educação, Camilo Santana, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, com prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que presidente a FNP.

“Antes do encontro, a FNP encaminhou ofício ao ministro manifestando preocupação com o anúncio da edição da Medida Provisória. No documento, assinado pelo prefeito Pedro Almeida (Passo Fundo/RS), presidente da Comissão Permanente de Educação da entidade, a FNP reafirma seu compromisso com a valorização dos profissionais da educação, mas destaca que qualquer alteração no piso deve considerar a capacidade fiscal dos municípios e vir acompanhada de responsabilidade orçamentária”, disse, em nota.

A federação também reforçou a necessidade de previsão de aporte de recursos da União para custear eventuais aumentos que extrapolem os parâmetros atualmente previstos em lei, e pontuou que o reajuste do piso poderia comprometer o equilíbrio fiscal dos entes locais.

As remunerações dos profissionais da educação básica são pagas por prefeituras e estados a partir de recursos do Fundeb, bem como de complementações da União. Por ser uma MP, a medida tem validade imediata, mas precisará ser confirmada pelo Congresso Nacional.

A medida provisória será publicada na próxima edição do Diário Oficial da União (DOU), nesta quinta-feira (22).

Uma comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos deve votar, nesta quarta-feira, a abertura de um processo contra Bill e Hillary Clinton por desacato ao Congresso, por se recusarem a depor na investigação sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
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A Comissão de Supervisão da Câmara, liderada pelos republicanos, está analisando duas resoluções que acusam o ex-presidente e a ex-secretária de Estado democrata de desobedecerem intimações emitidas há uma semana para comparecerem pessoalmente perante os investigadores.
Se aprovadas, as medidas seguirão para a Câmara dos Representantes, também controlada pelos republicanos, que decidirá se citará formalmente os Clinton por desacato e os encaminhará ao Departamento de Justiça para um possível processo criminal.
Congressistas estão analisando como as autoridades administraram investigações anteriores sobre Epstein, cuja morte em 2019 na prisão, enquanto aguardava julgamento por acusações de exploração sexual de menores, foi considerada suicídio.
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Os Clinton alegam que a investigação está sendo usada para atacar adversários políticos do presidente Donald Trump, que foi amigo de Epstein anos atrás e não foi convocado para depor.
Trump passou meses tentando impedir a divulgação de arquivos relacionados a Epstein. O presidente e seus funcionários do Departamento de Justiça são acusados pelos democratas de acobertamento por terem divulgado apenas uma parte dos arquivos do caso que uma lei exigia que fossem tornados públicos há mais de um mês.
Nem Trump, nem os Clinton foram acusados de conduta criminosa relacionada a Epstein. Mas os republicanos argumentam que os laços passados do casal democrata com Epstein, incluindo o uso do avião particular de Epstein por Bill Clinton no início dos anos 2000, justificam um depoimento presencial sob juramento.
Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein, se apresentará em 9 de fevereiro à Comissão de Supervisão da Câmara, anunciou nesta quarta-feira seu presidente, o republicano James Comer.
Maxwell, que atualmente cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico de pessoas para exploração sexual, exercerá seu direito de permanecer em silêncio, acrescentou Comer, citando seus advogados.
Com o restabelecimento gradual das comunicações no Irã, após dias de bloqueio da internet durante os protestos contra o regime, começam a vir à tona os perfis de algumas das vítimas da repressão conduzida pelas autoridades. De acordo com a mídia estatal iraniana, 3.117 pessoas morreram desde o início das manifestações, deflagradas no mês passado em meio à crise econômica e reprimidas com violência letal, segundo ativistas.
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Um comunicado da Fundação de Veteranos e Mártires do Irã, citado pela televisão estatal, afirmou que 2.427 pessoas do total de mortos, incluindo integrantes das forças de segurança, são consideradas “mártires” segundo o islamismo e descritos como vítimas “inocentes”.
As autoridades iranianas classificaram o movimento de contestação como um incidente “terrorista”, marcado por “distúrbios” supostamente incentivados pelos Estados Unidos.
Por outro lado, grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que milhares de manifestantes foram mortos a tiros pelas forças de segurança.
A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, diz ter verificado a morte de 3.428 manifestantes pelas mãos das forças de segurança, mas alerta que o número real pode ser maior. Segundo a entidade, algumas estimativas indicam que “entre 5 mil e 20 mil manifestantes podem ter sido assassinados”.
De acordo com a instituição, a maioria dos mortos era formada por homens jovens, embora mulheres e menores de idade também estejam entre as vítimas.
As organizações que monitoram o número de vítimas afirmam que os esforços para determinar uma cifra precisa foram seriamente prejudicados pelo bloqueio da internet imposto pelas autoridades iranianas.
A Netblocks, organização especializada em cibersegurança, afirma que essa obstrução das comunicações já dura mais de 300 horas.
A Fundação de Veteranos e Mártires, organização financiada pelo Estado, afirma ainda que muitos dos mortos “eram transeuntes” que morreram baleados durante os protestos.
O texto também sustenta que “alguns eram manifestantes que foram atingidos por tiros disparados por elementos terroristas organizados infiltrados na multidão”, sem apresentar provas ou detalhes.
Perfil das vítimas
Com a suspensão parcial do bloqueio da internet no país, histórias individuais começam a circular, revelando a diversidade de perfis atingidos pela repressão: profissionais liberais, artistas, trabalhadores autônomos e estudantes.
Uma dessas vítimas é Negin Ghadimi, de 28 anos, formada em engenharia biotecnológica. Segundo relato de uma fonte próxima da família à IHR, Negin participava de uma manifestação em Tonekabon, na província de Mazandaran, quando foi baleada pelas forças de segurança.
Durante a dispersão do protesto, após o uso de gás lacrimogêneo, ela se separou do pai, que tentou convencê-la a deixar o local. “Por que deveríamos voltar? Do que você tem medo?”, teria respondido antes de ser atingida por um disparo. Ferida no lado do corpo, morreu antes de conseguir chegar a um hospital.
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Outro caso é o de Reza Eskandarpour, carpinteiro de 37 anos e dono de uma oficina em Teerã. Segundo a IHR, ele foi morto no dia 8 de janeiro, no oeste da capital, ao tentar socorrer um amigo baleado durante um protesto. Reza foi atingido por seis tiros disparados por um atirador posicionado no topo de um prédio próximo.
No enterro, realizado no cemitério Behesht Zahra, familiares entoaram slogans contra o governo. De acordo com uma fonte, agentes de segurança apagaram imagens da cerimônia dos celulares da família.
Entre as mulheres mortas, está Sara Behboodi, de 45 anos, montanhista experiente que havia escalado alguns dos principais picos do Irã. Ela morreu baleada na cidade de Rasht, uma das regiões que concentraram protestos mais intensos, segundo a IHR.
Imagens divulgadas pelo site IranWire mostram Sara sorrindo no topo do monte Kamal, no noroeste do país, dias antes de sua morte.
Na cidade vizinha de Lahijan, Sanam Pourbabayi, professora de violino, também foi morta durante a repressão, de acordo com a ONG Hengaw, igualmente sediada na Noruega. Após sua morte, um vídeo em que ela aparece tocando violino ao lado de um guitarrista passou a circular nas redes sociais.
A ONG Hengaw afirma que ao menos 33 mulheres foram mortas desde o início das manifestações, entre elas uma mulher grávida e mães de crianças pequenas.
Apesar dos números divulgados oficialmente, entidades de direitos humanos alertam que a dimensão real da repressão pode ser significativamente maior, dificultada pelo controle estatal da informação e pelo bloqueio prolongado da internet no país.
(Com AFP)
Com o restabelecimento gradual das comunicações no Irã, após dias de bloqueio da internet durante os protestos contra o regime, começam a vir à tona os perfis de algumas das vítimas da repressão conduzida pelas autoridades. De acordo com a mídia estatal iraniana, 3.117 pessoas morreram desde o início das manifestações, deflagradas no mês passado em meio à crise econômica e reprimidas com violência letal, segundo ativistas.
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Por outro lado, grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que milhares de manifestantes foram mortos a tiros pelas forças de segurança.
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A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, diz ter verificado a morte de 3.428 manifestantes pelas mãos das forças de segurança, mas alerta que o número real pode ser maior. Segundo a entidade, algumas estimativas indicam que “entre 5 mil e 20 mil manifestantes podem ter sido assassinados”.
De acordo com a instituição, a maioria dos mortos era formada por homens jovens, embora mulheres e menores de idade também estejam entre as vítimas.
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O texto também sustenta que “alguns eram manifestantes que foram atingidos por tiros disparados por elementos terroristas organizados infiltrados na multidão”, sem apresentar provas ou detalhes.
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Uma dessas vítimas é Negin Ghadimi, de 28 anos, formada em engenharia biotecnológica. Segundo relato de uma fonte próxima da família à IHR, Negin participava de uma manifestação em Tonekabon, na província de Mazandaran, quando foi baleada pelas forças de segurança.
Durante a dispersão do protesto, após o uso de gás lacrimogêneo, ela se separou do pai, que tentou convencê-la a deixar o local. “Por que deveríamos voltar? Do que você tem medo?”, teria respondido antes de ser atingida por um disparo. Ferida no lado do corpo, morreu antes de conseguir chegar a um hospital.
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Outro caso é o de Reza Eskandarpour, carpinteiro de 37 anos e dono de uma oficina em Teerã. Segundo a IHR, ele foi morto no dia 8 de janeiro, no oeste da capital, ao tentar socorrer um amigo baleado durante um protesto. Reza foi atingido por seis tiros disparados por um atirador posicionado no topo de um prédio próximo.
No enterro, realizado no cemitério Behesht Zahra, familiares entoaram slogans contra o governo. De acordo com uma fonte, agentes de segurança apagaram imagens da cerimônia dos celulares da família.
Entre as mulheres mortas, está Sara Behboodi, de 45 anos, montanhista experiente que havia escalado alguns dos principais picos do Irã. Ela morreu baleada na cidade de Rasht, uma das regiões que concentraram protestos mais intensos, segundo a IHR.
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Na cidade vizinha de Lahijan, Sanam Pourbabayi, professora de violino, também foi morta durante a repressão, de acordo com a ONG Hengaw, igualmente sediada na Noruega. Após sua morte, um vídeo em que ela aparece tocando violino ao lado de um guitarrista passou a circular nas redes sociais.
A ONG Hengaw afirma que ao menos 33 mulheres foram mortas desde o início das manifestações, entre elas uma mulher grávida e mães de crianças pequenas.
Apesar dos números divulgados oficialmente, entidades de direitos humanos alertam que a dimensão real da repressão pode ser significativamente maior, dificultada pelo controle estatal da informação e pelo bloqueio prolongado da internet no país.
(Com AFP)
Moradores da Groenlândia passaram a usar o humor ácido nas redes sociais para provocar o governo dos Estados Unidos usando o que chamam de “cultura americana”. Em vídeos que circulam principalmente no TikTok, groenlandeses encenam o comportamento associado a dependentes de fentanil, droga sintética que está no centro da crise de overdoses nos EUA. As postagens ocorrem em meio à tensão crescente no território ártico diante das declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de o país assumir o controle da ilha.
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Um dos conteúdos que ganhou repercussão foi publicado por Inunnguaq Christian Poulsen, morador de Nuuk, capital da Groenlândia. No vídeo, ele aparece ao lado de uma mulher reproduzindo, na neve, a chamada “postura do fentanil” — também conhecida como fenty lean ou “posição zumbi”. Ambos ficam curvados para frente, com os braços soltos, a cabeça baixa e os joelhos dobrados, simulando o estado semiconsciente frequentemente associado ao uso da droga.
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A gravação foi legendada como “Levando a cultura americana para a Groenlândia”, numa referência direta à crise de opioides que afeta os Estados Unidos e às imagens que se tornaram comuns nas redes sociais, mostrando grupos de usuários em vias públicas, inclinados para frente e aparentemente desorientados.
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Em dezembro, a droga foi classificada por Trump como uma “arma de destruição em massa”, o que estimulou ações de combate a organizações criminosas e narcotraficantes internacionais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em publicação nas redes sociais que está abandonando sua ameaça de impor tarifas a aliados europeus como parte de uma campanha de pressão para obter o controle da Groenlândia. Trump escreveu nas redes sociais que havia chegado a um “esboço” não especificado de um acordo envolvendo a Groenlândia e a região ártica em geral durante uma reunião com Mark Rutte, secretário-geral da Otan. O líder republicano havia anunciado a imposição de uma tarifa adicional de até 35% sobre os países contrários ao seu projeto de anexação da ilha semiautônoma ligada à Dinamarca.
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O anúncio de Trump ocorreu horas depois de ele ter dito a líderes europeus em Davos, na Suíça, que não aceitaria nada menos do que a posse da Groenlândia pelos Estados Unidos — ao mesmo tempo em que retirava a ameaça de invasão. O presidente americano havia prometido graves consequências econômicas e de segurança para a Europa caso não conseguisse o que queria.
Na terça-feira, o republicano havia aumentado suas ameaças e provocações às vésperas de sua participação do Fórum Econômico Mundial, em Davos, e o Parlamento Europeu reagiu com o anúncio de suspensão da ratificação do acordo de comércio assinado com Washington em julho passado, que removeria tarifas sobre produtos industriais dos EUA.
Aplicando forte pressão sobre oponentes à anexação da Groenlândia, Trump anunciou dias atrás tarifas de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro — e que podem aumentar para 25% em junho, até que aceitem a anexação — o que levou a reações fortes na Europa. Além da suspensão da ratificação, a União Europeia discute a imposição de tarifas retaliatórias aos EUA no valor de 93 bilhões de euros (R$ 580 bilhões), assim como restrições ao acesso de empresas americanas ao bloco europeu.
Ao chegar a Davos nesta quarta-feira, Trump descartou o uso da força para incorporar a Groenlândia, mas reiterou que apenas Washington teria condições de garantir a segurança da ilha. Na publicação realizada em sua rede social Truth Social, o presidente americano afirmou ainda que o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e outros funcionários continuariam liderando as negociações sobre a Groenlândia. Rutte e os líderes da Dinamarca também não divulgaram detalhes. A Otan não respondeu imediatamente a um pedido de comentário no New York Times.
Em entrevista à CNBC, Trump afirmou ter chegado a um “conceito de acordo” envolvendo a Groenlândia, mas ofereceu poucos detalhes, além de descrever a duração do acordo como “eterna”. Questionado por um repórter da CNN se o acordo que ele estava negociando com os líderes europeus ainda envolvia a posse da Groenlândia pelos EUA, Trump hesitou, olhando para cima enquanto pensava no que dizer, antes de afirmar:
— É um acordo de longo prazo. É o acordo de longo prazo definitivo. (…) Não há prazo limite. É um acordo para sempre — respondeu.
A declaração do líder republicano indica que Rutte teria conseguido diminuir a tensão com Trump após dias de ameaças e insultos contra líderes europeus que resistiam à sua expansão territorial. Independentemente dos detalhes de qualquer acordo, a decisão do presidente de recuar na imposição de novas tarifas elevadas sobre países europeus ocorreu dias depois de os mercados financeiros reagirem negativamente à perspectiva de uma escalada comercial de retaliação entre os dois países. Alguns analistas acreditavam que uma batalha prolongada ameaçava prejudicar a economia dos EUA, e não apenas os países que Trump vinha pressionando em relação à Groenlândia.
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No entanto, não foi a primeira vez que o presidente recuou de seus planos tarifários, especialmente após uma forte reação do mercado. Desde o início de sua guerra comercial, ele tem adotado uma postura intermitente em relação a algumas de suas tarifas mais punitivas.
Em discurso que reacendeu tensões com aliados europeus, o líder republicano evocou a Segunda Guerra Mundial para afirmar que Copenhague foi incapaz de defender o território no passado e insistiu na abertura imediata de negociações para a compra da região, que classificou como estratégica em um cenário global de crescentes ameaças militares. O americano não poupou palavras ao classificar a Dinamarca como “ingrata” e declarar que sua ambição em relação à ilha é “pequena” se comparada a “tudo o que os EUA fizeram” pela aliança militar do Ocidente (Otan).
Mais cedo, dirigindo-se a uma sala repleta de chefes de Estado, bilionários e outros líderes mundiais, Trump afirmou repetidamente que os Estados Unidos precisavam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ele declarou que somente os EUA são fortes o suficiente para defender a Groenlândia de ameaças externas e que defendê-la só faria sentido se os Estados Unidos fossem os donos da ilha.
Ele pediu “negociações imediatas” para discutir a transferência da propriedade do território para os EUA e ridicularizou os países europeus, dizendo que eles estão irreconhecíveis em relação à sua antiga beleza e dependentes dos Estados Unidos.
— Sem nós, a maioria dos países nem funciona — disse Trump.
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O dia sintetizou a abordagem do presidente americano em seu segundo mandato em relação ao poder global e à formulação de políticas: alternando entre coagir e humilhar aliados outrora próximos na busca de um objetivo que ele parece considerar uma peça fundamental de seu legado.
— Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, onde seríamos, francamente, imparáveis — afirmou Trump. — Mas eu não farei isso. Essa é provavelmente a declaração mais importante, porque as pessoas pensavam que eu usaria a força. Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia.
Poucos instantes depois, porém, Trump fez ameaças explícitas e implícitas aos líderes europeus caso não atendessem aos seus desejos. Ele lembrou à plateia que havia imposto unilateralmente taxas sobre as importações para os Estados Unidos provenientes de países da Europa e de outros continentes, tendo já ameaçado aumentar as tarifas sobre a Dinamarca e outros países europeus que defendem a soberania dinamarquesa sobre a ilha.
Como costuma acontecer em suas delicadas relações com Trump, alguns líderes europeus reagiram ao que consideraram o ponto mais positivo do discurso — sua promessa de não enviar tropas — e expressaram esperança de que pudessem chegar a um acordo sobre o futuro da Groenlândia.
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Rasmus Jarlov, presidente da comissão de Defesa do Parlamento dinamarquês, disse em entrevista que “já ouvimos coisas muito piores” de Trump.
— Fico feliz que ele esteja descartando o uso da força militar — disse Jarlov. — Não vi em seu discurso de hoje uma escalada. Ele insiste que quer a Groenlândia, mas isso não é novidade. É claro que continuamos insistindo que não vamos entregar a Groenlândia.
O discurso do presidente americano, no entanto, deixou pouca margem para concessões. Muitos líderes europeus têm afirmado que não podem aceitar ceder a Groenlândia aos Estados Unidos, mas também dizem estar abertos a quase qualquer outro acordo que expanda a presença americana na região. Na quarta-feira, Trump disse, novamente, que isso não seria suficiente.
— É preciso que os proprietários defendam isso — afirmou. Um instante depois, acrescentou: — Quem diabos quer defender um contrato de licença ou um arrendamento?
(Com New York Times)
A Noruega não participará do “Conselho de Paz” proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está frustrado com o país nórdico por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, anunciou o gabinete do primeiro-ministro norueguês nesta quarta-feira. O “Conselho de Paz” idealizado por Trump tinha inicialmente o objetivo declarado de supervisionar a reconstrução de Gaza após a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas.
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Mas o esboço da “carta”, que concede amplos poderes a Donald Trump, revela uma iniciativa muito mais abrangente: contribuir para a resolução de conflitos armados em todo o mundo. Isso o tornaria um substituto da ONU.
“A proposta dos EUA levanta uma série de questões que exigem um diálogo mais profundo com os Estados Unidos”, disse Kristoffer Thoner, secretário de Estado vinculado ao gabinete do primeiro-ministro norueguês, em mensagem transmitida à AFP. “Portanto, a Noruega não aderirá às disposições propostas para o Conselho de Paz e, consequentemente, não participará da cerimônia de assinatura em Davos”, acrescentou.
A Noruega é defensora do multilateralismo, especialmente dentro das estruturas da ONU, e frequentemente intervém como mediadora em conflitos.
“Para a Noruega, é importante que esta proposta seja enquadrada em estruturas já existentes, como a ONU, e dentro dos nossos compromissos internacionais”, afirmou Thoner.
O secretário de Estado enfatizou, contudo, que o seu país “compartilha o objetivo do presidente Trump de estabelecer uma paz duradoura na Ucrânia, em Gaza e outras situações”.
“A Noruega continuará a sua estreita cooperação com os Estados Unidos e outros parceiros em prol da paz”, afirmou.
A decisão norueguesa surge depois de Trump ter afirmado, no início desta semana, que não se sente mais obrigado a pensar “apenas na paz” porque não recebeu o Nobel da Paz, que foi atribuído à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado. O primeiro-ministro do país nórdico, Jonas Gahr Støre, lembrou a Trump que não é o governo norueguês que atribui o Prêmio Nobel da Paz, mas sim um comitê independente.
Pelo menos 11 palestinos, incluindo três jornalistas e dois adolescentes, foram mortos nesta quarta-feira em uma série de ataques de forças israelenses na Faixa de Gaza, informou o Ministério da Saúde palestino, em mais um episódio de violência que desafia um cessar-fogo frágil mediado pelos Estados Unidos desde outubro de 2025.
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Munir al-Bursh, diretor-geral do ministério, disse ao jornal Al Jazeera que os jornalistas que foram mortos quando o veículo em que estavam foi atingido por um ataque aéreo israelense trabalhavam para o Comitê Egípcio de Ajuda a Gaza, responsável por supervisionar as ações de socorro do Egito no território. Eles documentavam a situação de um acampamento de deslocados.
Os mortos foram identificados como Anas Ghunaim, Abdul Ra’ouf Shaath e Mohammad Qeshta. Shaat, segundo relatos, colaborava regularmente com a Agence France-Presse, embora no momento do ataque não estivesse em missão oficial da agência.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) alegaram ter identificado “elementos que operavam um drone afiliado ao Hamas” na área do ataque que matou os jornalistas, e afirmaram que o ataque foi preciso. A declaração, contudo, não apresentou evidências públicas detalhadas e foi contestada pela mídia local e pelo Sindicato de jornalistas palestinos.
O episódio ocorre enquanto o cessar-fogo mediado pelos EUA se mostra cada vez mais instável, com frequentes relatos de disparos e confrontos isolados que violam os termos de trégua negociados em outubro. Desde o início da trégua, centenas de civis continuaram a morrer em incidentes variados, inclusive em confrontos e ataques aéreos, segundo balanços de autoridades de Gaza.
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Grupos de defesa da liberdade de imprensa alertam para o alto número de jornalistas mortos na guerra em Gaza desde outubro de 2023, ressaltando os riscos enfrentados por repórteres que cobrem o conflito. Relatórios de organizações internacionais colocam o número de profissionais de mídia mortos na região em níveis elevados, com dezenas registrados apenas nos últimos anos de conflito.
Adolescentes entre as vítimas
Em outra frente da violência, dois adolescentes de 13 anos também morreram. Em um dos casos, em um ataque com drone na região de Bureij, que também matou mais dois homens, sendo um deles, seu pai.
O outro jovem foi morto por disparos de tropas israelenses enquanto recolhia lenha na cidade oriental de Bani Suheila, informou o Hospital Nasser ao receber o corpo. Em vídeo que circula nas redes sociais, o pai de Moatsem al-Sharafy aparece chorando sobre o corpo do filho em uma cama de hospital.
A mãe do menino, Safaa al-Sharafy, disse à Associated Press que ele saiu para buscar lenha para que ela pudesse cozinhar.
— Ele saiu de manhã, com fome — afirmou, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Disse que iria rápido e voltaria.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da solenidade de encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nesta sexta-feira (23), às 15h, em Salvador.

O evento reúne cerca de 3 mil camponeses de todo o país, no Parque de Exposições Agropecuárias da capital baiana, para discutir os rumos da luta por reforma agrária no Brasil e as estratégias da organização na defesa da produção de alimentos saudáveis e desenvolvimento sustentável no campo.

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Aliado histórico de Lula, o MST tem sido crítico das ações do governo na agricultura familiar, especialmente em relação ao assentamento de novas famílias em áreas desapropriadas.

“O que o governo Lula tem feito, mais uma vez, são regularizações de famílias em assentamentos antigos, inflando o número de famílias assentadas como se fossem novos lotes. O que não significa avanços na quantidade de hectares de terras destinadas para reforma agrária”, diz o movimento em texto publicado em sua página na internet no mês passado, com um balanço do ano de 2025.

“Atualmente, o MST ainda conta com 100 mil famílias acampadas que, somadas aos outros movimentos populares, chegam a 142 mil em todo país, com cadastros no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), à espera da reforma agrária”, complementa.

No ano passado, o governo promoveu a entrega de 12,2 mil novos lotes distribuídos em 385 mil hectares de terra em 24 estados do país, para famílias de agricultores sem-terra em 138 assentamentos. As entregas fazem parte do programa Terra da Gente, que prevê o assentamento de 295 mil famílias em novas áreas até o fim de 2026.

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