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O príncipe Harry afirmou que os sacrifícios feitos por tropas da Otan no Afeganistão “merecem ser tratados com verdade e respeito”, ao comentar as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que minimizaram a atuação de forças aliadas no conflito. Após afirmar que tropas da Otan teriam ficado “um pouco afastadas da linha de frente” durante a guerra no país, o americano vem sendo criticado por líderes britânicos e veteranos europeus.
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Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, o duque de Sussex, que serviu no Afeganistão, lembrou que a Otan acionou o Artigo 5º do tratado pela primeira e única vez após os ataques de 11 de setembro de 2001, o que obrigou os países-membros a apoiar militarmente os Estados Unidos.
— Isso significou que todas as nações aliadas estavam comprometidas a se unir aos Estados Unidos no Afeganistão, em defesa da nossa segurança comum. Os aliados atenderam a esse chamado — afirmou.
Segundo informações da BBC, Harry destacou sua experiência pessoal no conflito e lembrou as perdas sofridas pelo Reino Unido, que teve 457 militares mortos ao longo da guerra.
— Eu servi lá. Fiz amigos para a vida inteira. E perdi amigos lá. Milhares de vidas foram transformadas para sempre. Mães e pais enterraram filhos e filhas. Crianças ficaram sem um dos pais. Famílias seguem carregando esse custo — disse.
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Segundo ele, esses sacrifícios devem ser reconhecidos em nome da união em torno da diplomacia e da paz.
O príncipe Harry foi enviado duas vezes ao Afeganistão durante seus dez anos de carreira militar. Ele concluiu o treinamento em 2006, tornando-se segundo-tenente em um regimento da Cavalaria da Guarda do Exército britânico. No ano seguinte, treinou como controlador aéreo avançado conjunto da Força Aérea Real (RAF) e, posteriormente, tornou-se piloto de helicóptero Apache.
Em 2008, foi deslocado secretamente para o Afeganistão por dez semanas, mas acabou retirado da missão após reportagens da imprensa revelarem sua localização. Em 2012, voltou ao país como copiloto e artilheiro de um helicóptero Apache.
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Em seu livro Spare, Harry relatou ter matado 25 combatentes do Talibã durante o conflito.
“Não foi um número que me encheu de orgulho, mas também não me causou vergonha”, relata na obra.
Mesmo após deixar o serviço ativo, o príncipe segue atuando em iniciativas de apoio a veteranos de guerra.
Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira sanções contra nove navios da chamada “frota fantasma” do Irã, acusada por Washington de sustentar as exportações ilegais de petróleo do país e de financiar a repressão aos protestos que sacudiram Teerã nas últimas semanas. A medida ocorre em paralelo ao aumento da presença militar americana no Golfo Pérsico e a ameaças reiteradas do presidente americano, Donald Trump, que diz acompanhar a situação “de perto”.
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O Departamento do Tesouro mirou nove navios e seus respectivos proprietários que, de acordo com autoridades americanas, “transportaram, em conjunto, petróleo e derivados iranianos no valor de centenas de milhões de dólares para mercados estrangeiros”. Algumas das empresas sancionadas têm sede nos Emirados Árabes Unidos, na Índia e em Omã.
“As sanções miram um componente crucial de como o Irã gera os recursos que utiliza para reprimir o próprio povo”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em comunicado.
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Ainda segundo o Tesouro, as receitas dessas vendas são desviadas para financiar grupos “terroristas regionais”, programas de armamentos e serviços de segurança.
A medida ocorre no momento em que um grupo de direitos humanos com sede nos Estados Unidos afirmou ter confirmado a morte de mais de 5 mil pessoas durante a repressão aos protestos que abalaram o Irã, acrescentando que a maioria das vítimas eram manifestantes mortos pelas forças de segurança. Na última quarta-feira, Teerã, no seu primeiro balanço oficial, afirmou que 3.117 pessoas morreram.
As manifestações eclodiram no final do ano passado contra a crise econômica, mas rapidamente se transformaram em um grande movimento contra o regime teocrático no poder desde a Revolução Islâmica, em 1979. A mobilização, no entanto, perdeu força diante da repressão do governo, que também determinou um apagão de internet sem precedentes.
Trump ainda não ordenou ataques contra o Irã, e sua decisão final permanece incerta. Mas as discussões em Washington mostram que Trump não descartou punir Teerã pelo assassinato de manifestantes. Na última terça-feira, quando foi perguntado se os EUA ainda poderiam atacar o Irã, Trump observou que o regime acatou os alertas de Washington e cancelou os planos de enforcar 837 pessoas na semana passada.
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— Teremos que ver o que acontece com o Irã — afirmo o presidente, na ocasião.
O conselheiro de segurança nacional e secretário de Estado, Marco Rubio, conversou na segunda-feira sobre o Irã com o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan Al Saud, cujo apoio seria necessário em uma campanha aérea contra o Irã.
A Casa Branca também precisa lidar com a questão de se o governo está preparado para realizar uma campanha militar prolongada que pode durar semanas ou meses, caso os manifestantes no Irã voltem às ruas e peçam proteção a Trump.
Pressão financeira ou militar?
Alguns funcionários levantaram questões internas sobre o objetivo político de ataques ao Irã neste momento. Trump está ciente de que qualquer ação militar ocorreria muito depois de ele ter prometido aos manifestantes que “a ajuda está a caminho” e que provavelmente não seria tão rápida quanto a operação que depôs o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro .
Alguns assessores sugeriram o uso de meios não militares para repreender o Irã, como ajudar os manifestantes a coordenar ações online ou anunciar novas sanções contra o regime.
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A pressão financeira dos EUA “funcionou porque, em dezembro, a economia deles entrou em colapso”, disse o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na terça-feira, no Fórum Econômico Mundial, na Suíça.
— É por isso que as pessoas foram às ruas. Isso é estratégia econômica, sem confrontos armados, e as coisas estão caminhando de forma muito positiva por aqui — afirmou Bessent.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (23) que muita gente por “falta de vergonha na cara” defende o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A declaração foi durante cerimônia em Maceió, Alagoas, para a entrega de 1.337 moradias do Minha Casa, Minha Vida no município e para celebrar a marca de 2 milhões de contratações do programa desde 2023, meta estabelecida pelo governo para este terceiro mandato de Lula.

Sem citar o nome do banqueiro Daniel Vorcaro, foi a primeira vez que Lula se pronunciou sobre o escândalo envolvendo o Banco Master. 

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“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú. Um cidadão que deu um desfalque de quase R$ 40 bilhões nesse país”, afirmou o presidente se referindo aos recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que serão usados para pagar os credores.

“Então, companheiros, e tem gente que defende porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara neste país”, completou.

Durante a cerimônia, o presidente citou resultados do seu terceiro governo, como a queda na inflação, que em outubro do ano passado atingiu o menor patamar em 27 anos, e o aumento no número de empregos, com 5 milhões com carteira assinada no acumulado desde 2023.

Lula disse que 2026 será o ano da comparação e que vai comparar as realizações de seus três anos de governo, com as dos governos dos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro.

“Tivemos dois anos de reconstrução, porque encontramos esse país desmantelado”, disse, acrescentando que “esse ano vamos fazer o ano da comparação”. 

“Vamos comparar cada coisa que fizemos nesses três anos com o governo Temer e o Bolsonaro que, juntos, são quase oito anos de governo. Vamos comparar quem mais cuidou das estradas, quem fez mais estradas, quem mais cuidou da saúde, quem fez mais universidades, mais institutos federais, quem colocou mais estudantes nas universidades”, discursou.

Lula alertou que as pessoas devem tomar cuidado com as fake news espalhadas, principalmente nas redes sociais.

“A gente sabe que a mentira voa e a verdade anda. Não podemos permitir que a mentira volte a governar”, afirmou. “Não passem mentira para frente, aprendam a distinguir o que é verdade e o que é mentira. Esse país precisa acabar com o ódio e a gente precisa voltar a ter mais fraternidade, amor, a ser mais amigo dos nossos amigos”, concluiu.

O presidente fez um apelo para que os homens se envolvam no combate da violência contra as mulheres. Lula lembrou que o número de casos de feminicídio no país é alto e que é preciso enfrentar o problema.

“Eu quero dizer para os homens, somos nós homens que temos que ter coragem e dignidade de assumir a defesa da luta contra a violência voltada para as mulheres. Porque quem é violento somos nós. Você não tem histórico de mulher batendo no marido, mas todo dia aparece homem querendo matar a mulher, a namorada” disse.

Ambulâncias

O presidente Lula também entregou sete ambulâncias para o estado de Alagoas, para a renovação da frota do Samu. Do total de veículos, três serão destinados ao município de Arapiraca, duas para Maceió, uma para União dos Palmares e uma para Penedo.

Alagoas também recebeu 17 Unidades Odontológicas Móveis (UOM) do Ministério da Saúde. 

“Quando eu pensei em fazer o programa Brasil Sorridente, eu imaginava exatamente isso, que a gente tivesse um monte de ambulância móvel, que pudesse percorrer os lugares da cidade onde moram as pessoas mais necessitadas, que não podem pagar”, disse Lula.

Os veículos irão para os seguintes municípios: Arapiraca; Batalha; Campo Grande; Coqueiro Seco; Estrela de Alagoas; Maribondo; Monteirópolis: Olho D’água do Casado; Olivença; Palmeira dos Índios; Piranhas; Santana do Ipanema; Santana do Mundaú; São José da Tapera; Senador Rui Palmeira; Teotônio Vilela e União dos Palmares.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reagiu com indignação às declarações de Donald Trump de que tropas da Otan teriam ficado “um pouco afastadas da linha de frente” durante a guerra no Afeganistão. A fala do presidente dos Estados Unidos provocou forte reação no Reino Unido e entre veteranos que serviram no conflito, além de críticas de familiares de militares mortos, que veem as afirmações como uma tentativa de minimizar o sacrifício de forças aliadas.
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Segundo o jornal The Guardian, em entrevista à Fox News na última quinta-feira, Trump questionou a utilidade da aliança militar, sugerindo que países da Otan não estariam dispostos a responder caso os Estados Unidos precisassem de assistência militar.
— Nunca precisamos deles. Eles vão dizer que enviaram algumas tropas ao Afeganistão… e enviaram, sim, mas ficaram um pouco atrás, um pouco fora da linha de frente — afirmou.
A reação política no Reino Unido foi rápida. O porta-voz oficial de Starmer disse que Trump “errou ao minimizar o papel das tropas da OTAN, incluindo as forças britânicas, no Afeganistão após os ataques de 11 de setembro aos EUA”.
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O porta-voz ainda acrescentou que 457 militares britânicos morreram no Afeganistão, ao longo dos 20 anos de conflito, e que muitos outros ficaram feridos, com “centenas” sofrendo “ferimentos que mudaram suas vidas em decorrência do serviço prestado ao lado dos EUA e de nossos aliados”. O país foi o aliado com o segundo maior número de mortes depois dos Estados Unidos.
— Estamos extremamente orgulhosos de nossas forças armadas, e seu serviço e sacrifício jamais serão esquecidos — ressaltou.
De acordo com o jornal britânico, ao todo, 3.486 soldados da Otan morreram ao longo dos 20 anos de conflito no Afeganistão, sendo 2.461 militares americanos. O Canadá registrou 165 mortes, incluindo civis.
‘Insulto’ às famílias
Para críticos, a declaração de Trump foi incômoda não apenas por desconsiderar esse histórico, mas também por reviver questionamentos sobre sua própria história: durante a guerra do Vietnã, ele evitou o serviço militar, sob a justificativa de ter sido diagnosticado com esporões ósseos nos calcanhares, alegação que sempre gerou dúvidas.
No Parlamento, Emily Thornberry, presidente da comissão de Relações Exteriores, descreveu as palavras de Trump como “muito mais do que um erro” e “um insulto” às famílias dos mortos, lembrando em entrevistas que tropas britânicas sempre estiveram ao lado dos americanos quando convocadas.
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Segundo a BBC, outros membros do Parlamento falaram sobre as condições reais de combate enfrentadas pelas forças aliadas, ressaltando que não havia uma linha de frente tradicional e que os riscos e sacrifícios foram substanciais e contínuos.
O Ministro da Saúde e Assistência Social, Stephen Kinnock, considera os comentários do presidente americano como “decepcionantes” e “errados”.
— Muitos soldados britânicos e muitos soldados de outros aliados europeus da OTAN deram suas vidas em apoio às missões americanas, missões lideradas pelos Estados Unidos em lugares como o Afeganistão e o Iraque — disse ele à Sky News.
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A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, também condenou as falas de Trump e as classificou como “um completo absurdo”.
— Tropas britânicas, canadenses e da OTAN lutaram e morreram ao lado dos EUA durante 20 anos. Isso é um fato, não uma opinião. Seu sacrifício merece respeito, não descrédito — afirmou Badenoch.
Lucy, a mãe do soldado britânico mais jovem a ser morto no Afeganistão, diz que a declaração do presidente “remove a crosta de feridas que nunca cicatrizaram”. O fuzileiro William Aldridge, de Bromyard, Herefordshire, tinha 18 anos quando morreu em uma explosão de bomba enquanto tentava salvar seus companheiros em 2009.
— As famílias daqueles que foram perdidos nesse conflito vivem o trauma todos os dias. Não estou apenas profundamente ofendida, estou profundamente enojada — disse ela à BBC.
‘Pagamos com sangue’
A cobertura da BBC também aponta que, além do Reino Unido, outros aliados da Otan e veteranos que serviram no conflito reagiram negativamente às declarações. Vale lembrar que a aliança respondeu de forma coletiva após o 11 de setembro, com milhares de tropas de diversos países atuando no Afeganistão até a retirada em 2021.
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Em entrevista à Reuters, Roman Polko, general polonês aposentado e ex-comandante das forças especiais que serviu no Afeganistão e no Iraque, disse esperar um pedido de desculpas pela declaração de Trump, que teria cruzado “uma linha vermelha”.
— Pagamos com sangue por essa aliança. Sacrificamos verdadeiramente nossas próprias vidas — acrescentou o ex-comandante.
O veterano Andy Reid afirma que é “muito desrespeitoso” dizer que os soldados da OTAN não estavam na linha de frente do conflito. O cabo, que perdeu as pernas e o braço direito ao pisar num dispositivo explosivo improvisado (IED) enquanto servia no Afeganistão em 2009, afirma que os soldados britânicos “fizeram o sacrifício supremo”.
— Não passa um dia sem que sintamos algum tipo de dor física ou mental, refletindo sobre esse conflito — disse à BBC.
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O ministro das forças armadas e deputado trabalhista, Al Carns, que serviu em várias missões no Afeganistão, afirma que os comentários de Trump sobre as tropas da OTAN são uma “verdadeira vergonha” e “completamente ridículos”.
— O mundo se uniu em apoio aos EUA. Nossas agências, nossas forças, nossos políticos, todos nós nos unimos, ombro a ombro, e respondemos — afirma ele em um vídeo postado no X na sexta-feira, acrescentando que derramou sangue, suor e lágrimas com seus colegas americanos e que “nem todos voltaram para casa”.
Outro veterano, que esteve 36 anos nas forças armadas, incluindo 22 anos nas forças especiais, e preferiu ser identificado como Vic, diz estar “bastante revoltado” com os comentários de Trump. Segundo ele, o serviço no Afeganistão incluiu “coordenar ações com os americanos”.
— Dizer que não estávamos na linha de frente é uma mentira completa — afirma ele à BBC.
A Unicef anunciou, nesta sexta-feira (23), à AFP que conseguiu levar para a Faixa de Gaza cadernos, lápis, marcadores e outros utensílios de desenho, no primeiro fornecimento de material recreativo para crianças, em mais de dois anos neste território palestino.
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“Desde 15 de janeiro, 5.168 kits de atividade recreativa foram autorizados a entrar, destinados a mais de 375 mil crianças, entre elas, mil crianças com deficiência”, informa o Fundo das Nações Unidas para a Infância em um comunicado.
Estes fornecimentos ocorrem em momentos em que as autoridades israelenses impõem restrições à entrada de bens no território palestino devido, segundo elas, a preocupações com a segurança.
Desde o início da guerra, desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, as organizações humanitárias presentes em Gaza denunciam obstáculos maiores ao transporte dos bens necessários às suas operações de ajuda, inclusive material destinado a atividades para crianças.
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Questionado pela AFP, o órgão do Ministério de Defesa israelense que supervisiona as atividades civis nos territórios palestinos (Cogat) disse que, por enquanto, não pode comentar.
O anúncio da Unicef ocorre após os Estados Unidos anunciarem, em meados de janeiro, o lançamento da fase 2 do plano de paz do presidente americano Donald Trump para Gaza, em meio a uma frágil trégua, em vigor desde outubro.
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A detenção de uma criança de 5 anos, o assassinato de Renee Good, as prisões durante protestos e o uso recorrente da força contra civis ampliaram a indignação pública e expuseram controvérsias na condução da ofensiva do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em Minneapolis, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos. Convocações para atos contra o ICE circulam nas redes sociais, e uma manifestação é esperada no centro da cidade nesta sexta-feira. Diante disso, o vice-presidente americano, JD Vance, pediu para “baixar a temperatura” após dias de tensão.
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Milhares de agentes do ICE estão destacados em Minneapolis como parte da campanha do presidente Donald Trump contra a imigrantes em situação irregular. A cidade tem sido palco de protestos cada vez mais intensos desde o último dia 7, quando Renee Good foi morta a tiros por um agente do ICE durante uma operação na cidade. O policial que disparou, Jonathan Ross, não foi suspenso nem acusado de qualquer crime. Trump e integrantes de seu governo defenderam a ação como legítima defesa.
Agentes federais deixam a cena onde Renee Nicole Good foi morta a tiros por um agente em Minneapolis, durante uma operação de imigração que tem provocado protestos na cidade
David Guttenfelder/The New York Times
Nesta sexta-feira, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com o que chamou de “abusos rotineiros” das autoridades americanas contra imigrantes e refugiados e instou o governo dos EUA a “encerrar práticas que estão destruindo famílias”.
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Diversos políticos do Partido Democrata também criticaram a operação que resultou na detenção de uma criança na última terça-feira. O vice-presidente JD Vance confirmou na quinta que Liam Conejo Ramos, de 5 anos, foi detido, mas afirmou que os agentes tentaram protegê-lo depois que o pai do menino “fugiu” durante a ação.
— O que acham que deveria acontecer? Deveriam deixar um menino de cinco anos morrendo de frio? — questionou Vance, acrescentando que “a falta de cooperação” das autoridades locais dificulta os esforços do ICE e aumenta as tensões.
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Acusado pela oposição de ter “jogado lenha na fogueira” ao defender o agente envolvido na morte de Renee Good, Vance viajou a Minneapolis para se reunir com agentes do ICE e, segundo ele, “baixar a temperatura”. O vice-presidente atribuiu a escalada da violência durante as operações à falta de cooperação da polícia local.
Montagem com Renee Nicole Good ao lado do momento em que os disparos ocorreram
Divulgação/GoFundMe / Captura de tela/Redes sociais
— Sim, vocês podem se manifestar, mas façam isso de forma pacífica — disse Vance aos moradores da cidade, que protestam diariamente contra as ações do ICE.
Governado por democratas, Minnesota entrou com um pedido judicial para restringir as operações do ICE no estado. Uma audiência sobre o tema está marcada para a próxima segunda-feira. Na última terça-feira, o governador de Minnesota, Tim Walz, e outras seis autoridades estaduais foram intimados pela Justiça como parte de uma investigação sobre possível obstrução da aplicação da lei federal durante os protestos contra a presença de agentes de imigração. A investigação, que marcou uma escalada no confronto entre o governo Trump e líderes democratas locais, teve início após declarações de Walz criticando a atuação do ICE e da Patrulha de Fronteira no estado.
‘Mentirosos compulsivos’
O congressista democrata Joaquín Castro rejeitou a explicação de Vance e classificou as autoridades de Segurança Interna dos EUA como “mentirosos compulsivos”. Ele afirmou que sua equipe não conseguiu localizar o menino, que, segundo relatos, foi levado com o pai para um centro de detenção em San Antonio, no Texas.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também criticou o governo federal, acusando-o de tratar crianças “como criminosos”.
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A ex-vice-presidente Kamala Harris se somou às críticas. “Liam Ramos é apenas uma criança. Deveria estar em casa com sua família, não sendo usado como isca pelo ICE e mantido em um centro de detenção no Texas”, escreveu Harris no X.
Imagem manipulada
Também na quinta-feira, três pessoas foram detidas durante um protesto contra o ICE em uma igreja de Minnesota. A procuradora-geral dos Estados Unidos informou que entre os presos está a advogada Nekima Levy Armstrong, acusada de interromper um culto religioso enquanto protestava contra a ofensiva migratória. Em entrevista à rede americana CNN, Armstrong afirmou que o governo Trump tenta “transformar uma manifestação pacífica e não violenta em crime”.
Foto modificada foi publicada no perfil da Casa Branca
Reprodução | X
A prisão ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de imagens manipuladas da advogada nas redes sociais. Na manhã de quinta, a secretária de Segurança Nacional dos EUA, Kristi Noem, publicou uma foto de Armstrong com expressão serena. Cerca de 30 minutos depois, a Casa Branca compartilhou a mesma imagem, desta vez alterada digitalmente para mostrá-la chorando, com a boca aberta e lágrimas escorrendo pelo rosto.
Questionada pela rede britânica BBC sobre a publicação, a Casa Branca direcionou pedidos de esclarecimento a uma postagem no LinkedIn do vice-diretor de comunicações, Kaelan Dorr. “A aplicação da lei continuará. Os memes continuarão. Agradeço a atenção ao assunto” escreveu Door, em uma aparente defesa da manipulação.
(Com AFP)
Uma tempestade de inverno com “temperaturas congelantes”, que começa a se formar nesta sexta-feira, deve levar uma combinação de granizo, chuva congelante e neve a cerca de dois terços dos Estados Unidos continentais nos próximos dias, do Texas e das Grandes Planícies, no centro do país, até os estados do Meio-Atlântico e do nordeste. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, na sigla em inglês), mais de 160 milhões de pessoas podem ser afetadas pelos riscos típicos do clima, como estradas cobertas de neve e interrupções no fornecimento de energia provocadas pelo acúmulo de gelo nas redes elétricas.
Contexto: Tempestade Fern pode atingir metade da população dos EUA, com temperaturas de até -46°C
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A tempestade, apelidada de Fern, está emergindo das Montanhas Rochosas do Sul e levará neve esparsa para o Colorado e o Novo México, antes de seguir sobre as Planícies do Sul, abrangendo áreas como Kansas, Oklahoma e o Panhandle do Texas, que já decretou estado de emergência. A cidade de Nova York, capital financeira dos Estados Unidos e a área urbana mais populosa do país, pode receber até 30 centímetros de neve, informou o The Weather Channel.
“Essa onda de frio ártico será acompanhada por ventos fortes, criando sensações térmicas perigosas, com temperaturas potencialmente caindo abaixo de -46°C nas Planícies do Norte”, segundo o NWS.
No sábado, a tempestade deve se espalhar ainda mais pelo Texas e pelos estados de Arkansas e Tennessee, antes de avançar para o Centro-Oeste. Ainda no mesmo dia, espera-se que chegue ao norte do Alabama, Geórgia e Carolinas. Locais mais ao norte vão enfrentar a neve, enquanto áreas ao sul devem receber uma mistura de chuva congelante e granizo.
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Já no próximo domingo, as temperaturas extremamente baixas se deslocarão ao Vale do Ohio e ao nordeste, acrescentou o NWS. Meteorologistas também alertaram que mais de 30 centímetros de neve podem cair na região do Atlântico Médio. Canais meteorológicos dos EUA transmitiram previsões apocalípticas de “gelo paralisante” e nevascas recordes, além de chuva congelante que pode danificar linhas de energia e árvores.
Na próxima segunda-feira, a neve diminuirá no nordeste, à medida que o ar frio se instala após a tempestade, desde as Planícies do Sul até a Nova Inglaterra.
O que é preocupante nessa tempestade
Embora seja provável que a tempestade traga todos os perigos climáticos de inverno possíveis, os dois principais efeitos esperados são o acúmulo generalizado de neve e gelo.
Até 30 centímetros de neve: Os meteorologistas preveem que a tempestade trará principalmente neve — mais de 30 centímetros em muitos casos — por uma ampla faixa do país, desde as Planícies do Sul, passando pelo Vale do Ohio, até o Meio-Atlântico e o nordeste. Eles alertaram que a neve pode interromper o transporte público e causar atrasos e baixa visibilidade nas estradas e aeroportos.
Acúmulo de gelo: São esperadas chuvas congelantes e granizo desde o centro do Texas, atravessando o Arkansas, passando por grande parte do sudeste e chegando ao sul da Virgínia. O gelo pode se acumular em árvores e linhas de energia, com possibilidade de extensos cortes de energia.
O que ainda é incerto
A trajetória exata da tempestade permanecia incerta, com a possibilidade de que ela oscilasse um pouco mais para o norte ou para o sul dos Estados Unidos. Qualquer uma dessas opções poderia alterar drasticamente os efeitos previstos.
Também é incerto onde a linha divisória entre neve e chuva congelante seria traçada. Os modelos computacionais têm dificuldade em determinar até que ponto ao sul o ar frio necessário para a formação de neve chegaria.
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A linha divisória atravessa estados como o Arkansas, e se o ar frio não chegar suficientemente ao sul, alguns dos locais onde os meteorologistas preveem neve podem receber chuva congelante ou granizo. Se o ar frio se deslocar mais para o sul, alguns locais onde se previa chuva congelante podem receber neve.
Quão frio ficará
Enquanto essa tempestade atravessa o país, uma massa de ar frio vinda do Canadá se espalhará pelos dois terços orientais dos Estados Unidos durante o fim de semana e no início da próxima semana. Das planícies ao nordeste, as comunidades enfrentarão “temperaturas extremamente baixas e sensação térmica perigosamente fria”, de acordo com o NWS.
A sensação térmica em Dakota do Norte pode chegar a -50 graus, enquanto sensações térmicas abaixo de zero podem se estender pelas planícies do sul, por partes do vale do Mississippi e até o Médio Atlântico.
Pode até ser perigoso dentro de casa. Se a tempestade causar cortes de energia generalizados, as pessoas podem acabar enfrentando o frio sem o sistema de aquecimento.
O papel das mudanças climáticas
A combinação entre chuva congelante, gelo e neve é resultado da colisão de uma massa de ar frio vinda do Ártico com o ar quente e úmido da região central dos Estados Unidos. O ar frio está sendo empurrado para o sul pelo vórtice polar, uma faixa de ar de alta altitude e movimento rápido que normalmente circula o Ártico. Ocasionalmente, ele se estende em um formato oval, enfraquece e permite que uma massa de ar frio se espalhe para o sul, atravessando a América do Norte.
Judah Cohen, pesquisador científico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), afirmou que as temperaturas mais elevadas no Ártico causaram o derretimento do gelo marinho nos mares de Barents e Kara, ao norte da Noruega e da Rússia. Com menos cobertura de gelo, o oceano está liberando mais calor na atmosfera, criando um padrão climático que leva a ondas de frio extremo na América do Norte.
Um homem foi condenado na Espanha a 36 anos de prisão pelo assassinato de duas irmãs e de um irmão septuagenários, em vingança pelo não pagamento de uma dívida contraída a partir de um golpe amoroso na internet.
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A sentença, à qual a AFP teve acesso nesta sexta-feira, impõe ao cidadão paquistanês Dilawar Hussain uma pena de 12 anos de prisão por cada um dos três homicídios, com a atenuante de “alteração psíquica”.
Na decisão, que ainda cabe recurso, fica comprovado que Hussain espancou os três irmãos até a morte com um “objeto perigoso” na casa das vítimas e, horas depois, retornou ao local para tentar queimar os corpos.
Os fatos ocorreram no município madrilenho de Morata de Tajuña em 17 de dezembro de 2023, e os corpos foram descobertos algumas semanas depois, após vizinhos alertarem que não viam as vítimas havia algum tempo.
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El País
‘Golpe amoroso’
As mulheres se endividaram para enviar dinheiro a dois falsos militares norte-americanos supostamente lotados no Afeganistão, um deles usando a imagem de Wesley Clark, ex-comandante supremo da Otan. Os golpistas fizeram as irmãs acreditarem que um dos falsos militares havia morrido e que o outro precisava de dinheiro para realizar os trâmites necessários para lhes repassar uma herança milionária.
Segundo a sentença, a dívida com Hussain — a quem haviam conhecido em sua loja de telefonia quando iam fazer transferências — cresceu até 60 mil euros (R$ 373 mil) devido a juros abusivos.
No início de 2023, uma das irmãs foi agredida com um martelo por Hussain, que foi condenado a dois anos de prisão, mas saiu em liberdade condicional poucos meses depois por não ter antecedentes criminais.
Já preso pelo assassinato dos três irmãos, ele foi acusado de um quarto homicídio: o de seu companheiro de cela, um detento búlgaro de 39 anos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira, pela primeira vez, que “está enviando uma grande força” da Marinha americana ao Golfo Pérsico para monitorar o Irã “de perto”. Em resposta, o comandante da Guarda Revolucionária, general Mohammad Pakpour, alertou “erros de cálculo” e afirmou que a força estava “com o dedo no gatilho”. As declarações acontecem uma semana depois de a imprensa americana revelar o deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque, que saíram do Mar da China Meridional em direção ao Oriente Médio. Trump ameaçou reiteradamente um ataque ao país em resposta à repressão do regime contra a onda de protestos, mas recuou após afirmar que Teerã havia suspendido as execuções de manifestantes.
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— Temos uma grande armada indo naquela direção e veremos o que acontece. É uma grande força indo em direção ao Irã — disse Trump a bordo do Air Force One, que o levava de Davos, na Suíça, onde aconteceu o Fórum Econômico Mundial, para Washington.
Além do porta-aviões e seu grupo de ataque, que inclui destróieres, caças e aeronaves de interferência eletrônica, os EUA enviaram 10 aviões de reabastecimento aéreo KC-135 para a Europa, rumo a bases no Oriente Médio. Washington, de fato, insiste com a mobilização militar na região. Segundo o jornal americano Wall Street Journal (WSJ), o presidente americano considera os ativos navais “decisivos”.
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— Eles sabem que temos muitos navios indo naquela direção por precaução. Preferiria que nada acontecesse, mas estamos acompanhando a situação de perto — acrescentou o presidente, reiterando que sua ameaça de usar a força contra havia levado a República Islâmica a suspender 837 execuções de manifestantes.
Outro comandante militar iraniano, o general Ali Abdollahi Aliabadi, alertou que, caso EUA ataquem, “todos os interesses, bases e centros de influência americanos” seriam “alvos legítimos” para as forças armadas iranianas.
Essa mobilização militar levou assessores do Pentágono e da Casa Branca a aprimorarem um conjunto de opções para Trump, incluindo algumas que visam derrubar o regime iraniano. Autoridades, ainda de acordo com o WSJ, também estão elaborando opções mais moderadas, que poderiam incluir ataques a instalações da Guarda Revolucionária Islâmica.
EUA enviaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque para o Golfo Pérsico
Fazry Ismail/AFP
As tensões entre os dois países, inimigos desde a revolução de 1979 que levou o clero xiita ao poder, permanecem muito elevadas. Trump, no entanto, não fechou as portas para o diálogo.
— O Irã quer conversar e nós conversaremos — declarou Trump às margens do Fórum Econômico Mundial.
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Com o anúncio da frota americana em direção ao Golfo, o comandante da Guarda Revolucionária, por sua vez, jogou lenha na fogueira.
Manifestantes queimam imagens do aiatolá Ali Khamenei em ato em Londres em apoio aos protestos no Irã
CARLOS JASSO / AFP
— [Estamos] mais preparados do que nunca, prontos para cumprir as ordens e medidas do líder supremo — alertou o general, referindo-se ao aiatolá Ali Khamenei, que o nomeou em junho para suceder Hossein Salami, morto em bombardeios israelenses.
A ‘precaução’ de Washington
Na região, os EUA têm oito bases permanentes e cerca de 12 instalações militares. E, para o governo Trump, elas precisam ser defendidas de uma possível retaliação de Teerã, como ameaçou o presidente do Parlamento iraniano no último dia 11, caso Trump ordene um ataque. Três dias depois da ameaça, alguns militares americanos e britânicos destacados em al-Udeid, no Catar, na maior base dos EUA no Oriente Médio, receberam ordens para deixar o local.
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Mas, segundo o WSJ, sistemas de defesa de médio alcance Patriot e de alta altitude Thaad já foram preparados para repelir qualquer contra-ataque iraniano, como aconteceu em junho do ano passado, durante a guerra de 12 dias entre Tel Aviv, Teerã e Washington.
Uma campanha aérea de maior escala no Irã, ainda de acordo com o WSJ, tenderia a empregar meios furtivos como F-35, bombardeiros B-2 e submarinos lançadores de mísseis de cruzeiro — sistemas usados no ataque americano de junho do ano passado contra instalações nucleares iranianas —, embora não haja indícios de deslocamento desses ativos para o Oriente Médio.
Caça da Força Aérea americana F-35: fabricação do avião depende do samário, que pertence ao grupo das terras-raras
Ore Huiying/Bloomberg
Autoridades disseram que Israel expressou ao governo Trump preocupações especificamente sobre suas próprias defesas caso o Irã atacasse o país, após ter esgotado seu estoque de interceptores durante a guerra de 12 dias com o Irã no ano passado. Após esse conflito, os EUA deslocaram um grupo de ataque de porta-aviões e algumas defesas aéreas para fora da região, enquanto Trump voltava sua atenção para a Venezuela e o Hemisfério Ocidental.
‘Temos que ver’
Trump ainda não ordenou ataques contra o Irã, e sua decisão final permanece incerta. Mas as discussões em Washington mostram que Trump não descartou punir Teerã pelo assassinato de manifestantes. Na última terça-feira, quando foi perguntado se os EUA ainda poderiam atacar o Irã, Trump observou que o regime acatou os alertas de Washington e cancelou os planos de enforcar 837 pessoas na semana passada.
— Teremos que ver o que acontece com o Irã — afirmo o presidente, na ocasião.
O conselheiro de segurança nacional e secretário de Estado, Marco Rubio, conversou na segunda-feira sobre o Irã com o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita , príncipe Faisal bin Farhan Al Saud , cujo apoio seria necessário em uma campanha aérea contra o Irã.
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A Casa Branca também precisa lidar com a questão de se o governo está preparado para realizar uma campanha militar prolongada que pode durar semanas ou meses, caso os manifestantes no Irã voltem às ruas e peçam proteção a Trump. Na última quarta-feira, as autoridades iranianas relataram 3.117 mortes, em seu primeiro balanço de vítimas durante os protestos. No entanto, grupos de direitos humanos afirmam que o número real de mortos é maior.
Pressão financeira ou militar?
Alguns funcionários levantaram questões internas sobre o objetivo político de ataques ao Irã neste momento. Trump está ciente de que qualquer ação militar ocorreria muito depois de ele ter prometido aos manifestantes que “a ajuda está a caminho” e que provavelmente não seria tão rápida quanto a operação que depôs o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro .
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Alguns assessores sugeriram o uso de meios não militares para repreender o Irã, como ajudar os manifestantes a coordenar ações online ou anunciar novas sanções contra o regime.
A pressão financeira dos EUA “funcionou porque, em dezembro, a economia deles entrou em colapso”, disse o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na terça-feira, no Fórum Econômico Mundial, na Suíça.
Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent
Adam Gray/Bloomberg
— É por isso que as pessoas foram às ruas. Isso é estratégia econômica, sem confrontos armados, e as coisas estão caminhando de forma muito positiva por aqui — afirmou Bessent.
(Com AFP)
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e a premier da Dinamarca, Mette Frederiksen, concordaram nesta sexta-feira que a Aliança Atlântica deve fortalecer a segurança no Ártico, após a mudança de posição do presidente dos EUA, Donald Trump, que retirou sua ameaça de tomar a Groenlândia pela força. A sinalização dos líderes europeus atende aos interesses de Trump, que aponta que China e Rússia expandem seus interesses na região — o que Pequim e Moscou negam, embora já tenham ampliando suas investidas estratégicas nos campos comercial e militar.
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“Concordamos que a Otan deve aumentar seu compromisso no Ártico. Defesa e segurança no Ártico são uma questão de preocupação para toda a aliança”, escreveu Frederiksen após uma reunião com Rutte em Bruxelas, em um comunicado divulgado à imprensa.
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A Groenlândia, um território semiautônomo da Dinamarca, virou o centro de uma crise entre os EUA e a parte europeia da Otan desde que Trump iniciou uma campanha para anexá-la, sob justificativa de que seria essencial para a segurança nacional e internacional, apontando para os interesses da China e da Rússia. Em certa altura, o presidente chegou a dizer que não descartaria uma tomada militar da região, mas recuou na quarta-feira, quando abriu espaço para negociações colaborativas.
China e Rússia negam categoricamente querer se apoderar do território groenlandês, mas desde a década de 2010, favorecida pelas mudanças climáticas, exploram a chamada Rota Oceânica Norte. Moscou também reforça suas capacidades militares no Ártico, onde posiciona bases a uma curta distância de territórios ocidentais — incluindo os EUA.
— A Rússia nunca ameaçou ninguém no Ártico. Mas acompanhamos de perto a evolução da situação […] reforçando a capacidade de combate das Forças Armadas e modernizando as infraestruturas militares — declarou o líder russo, Vladimir Putin, em março de 2025.
Disputa comercial e militar no Ártico
Arte/ O GLOBO
Após uma cúpula de emergência sobre o estado das relações transatlânticas — sem participação da Groenlândia ou da Dinamarca —, líderes europeus anunciaram que apresentarão em breve uma proposta de pacote de investimentos para a Groenlândia e destinarão parte do aumento dos gastos com segurança para o Ártico. Em uma coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou as medidas, parte de um plano para suavizar as relações com os EUA.
— A Comissão apresentará em breve um pacote substancial de investimentos — disse Von der Leyen, sem dar muitos detalhes. — Além dos investimentos, também pretendemos aprofundar a cooperação com os Estados Unidos e todos os parceiros sobre o importante tema da segurança no Ártico.
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Ainda de acordo com a líder do Executivo da UE, o bloco está em uma posição “melhor do que nas últimas 24 horas” após a reunião. Ela também revelou que a crise com a Groenlândia ensinou lições para lidar com os EUA sob Trump, e que a resposta inclui “firmeza, diálogo, preparação e união”.
Em uma declaração em separado, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, afirmou nesta sexta-feira que a Dinamarca e a Groenlândia também discutiriam a situação com os EUA — já que os países não fazem parte da UE. O chanceler afirmou que as conversas tomariam lugar “muito em breve”, mas que as datas não seriam anunciadas, pois era hora de “acalmar os ânimos”, após semanas de tensão elevada.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, após reunião entre líderes do bloco para discutir situação das relações transatlânticas
Nicolas Tucat/AFP
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Rota Oceânica Norte
A Rússia considera que o Ártico é fundamental para suas trocas comerciais com a Ásia, sobretudo para neutralizar os efeitos das sanções ocidentais sobre seus hidrocarbonetos, impostas após a invasão da Ucrânia em 2022. Moscou pretende desenvolver ao máximo a navegação pela “Rota Oceânica Norte”, que agora tornou-se mais viável devido ao degelo provocado pelas mudanças climáticas.
Esta rota, que beira as costas árticas da Rússia e fica longe da Groenlândia, permite aumentar o transporte de hidrocarbonetos russos em direção ao sudeste asiático, conectando os oceanos Atlântico, Pacífico e Ártico.
Rotas árticas em expansão: Derretimento de gelo na Groenlândia e no Oceano Ártico abrem caminhos navegáveis
Arte/ O GLOBO
Com essa finalidade, a Rússia é o único fabricante e operador de quebra-gelos de propulsão nuclear: navios gigantescos capazes de varrer os obstáculos de gelo encontrados nas águas e abrir caminho para os cargueiros.
Meses após o início da invasão da Ucrânia, as autoridades russas reafirmaram a vontade de desenvolver essa rota ao aprovar um plano de investimentos de cerca de US$ 23 bilhões (R$ 121,7 bilhões) até 2035. No momento, porém, o comércio por essa via continua caro e complexo. E seu volume está longe das centenas de milhões de toneladas de mercadorias que transitam todos os anos pelo Canal de Suez, por exemplo.
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Em 2025, foram transportadas 37 milhões de toneladas de mercadorias pela Rota Oceânica Norte, o que representa uma queda de 2,3% em um ano, segundo dados da agência Ria Novosti baseados em estatísticas oficiais.
A China, por sua vez, lançou em 2018 seu projeto de “Rota da Seda Polar”, uma variante ártica de sua iniciativa transnacional de infraestrutura, e aspira tornar-se uma “grande potência polar” até 2030. O gigante asiático chegou a estabelecer estações de pesquisa científica na Islândia e na Noruega. Além disso, empresas chinesas investiram em projetos como o de gás natural liquefeito russo e em uma linha ferroviária sueca.
Reforço das capacidades militares
Em 2021, Moscou anunciou ter construído uma pista de 3,5 km capaz de receber todos os tipos de aviões, incluindo bombardeiros com armas nucleares, no arquipélago de Terra de Francisco José, no extremo norte da Rússia. Em 2019, o exército russo também afirmou ter implantado baterias antiaéreas de última geração S-400 no Ártico e inaugurado uma nova base de radar no arquipélago de Nova Zembla. Em setembro de 2025, a Frota do Norte da Rússia, encarregada do Ártico, realizou novos exercícios militares que incluíram desembarques de tropas, além de disparos de navios e submarinos nucleares.
No Ártico, a presença militar chinesa, embora modesta, aumentou em colaboração com a Rússia desde 2022. Por exemplo, em 2024, bombardeiros russos e chineses realizaram uma patrulha conjunta na junção entre os continentes asiático e americano, próximo ao Alasca. A China também opera alguns quebra-gelos equipados com minissubmarinos de profundidade, capazes de mapear o leito marinho, o que pode ser útil para fins militares. O país também opera satélites de observação do Ártico. Pequim assegura que seus objetivos são científicos. (Com NYT e AFP)

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