O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reagiu com indignação às declarações de Donald Trump de que tropas da Otan teriam ficado “um pouco afastadas da linha de frente” durante a guerra no Afeganistão. A fala do presidente dos Estados Unidos provocou forte reação no Reino Unido e entre veteranos que serviram no conflito, além de críticas de familiares de militares mortos, que veem as afirmações como uma tentativa de minimizar o sacrifício de forças aliadas.
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Segundo o jornal The Guardian, em entrevista à Fox News na última quinta-feira, Trump questionou a utilidade da aliança militar, sugerindo que países da Otan não estariam dispostos a responder caso os Estados Unidos precisassem de assistência militar.
— Nunca precisamos deles. Eles vão dizer que enviaram algumas tropas ao Afeganistão… e enviaram, sim, mas ficaram um pouco atrás, um pouco fora da linha de frente — afirmou.
A reação política no Reino Unido foi rápida. O porta-voz oficial de Starmer disse que Trump “errou ao minimizar o papel das tropas da OTAN, incluindo as forças britânicas, no Afeganistão após os ataques de 11 de setembro aos EUA”.
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O porta-voz ainda acrescentou que 457 militares britânicos morreram no Afeganistão, ao longo dos 20 anos de conflito, e que muitos outros ficaram feridos, com “centenas” sofrendo “ferimentos que mudaram suas vidas em decorrência do serviço prestado ao lado dos EUA e de nossos aliados”. O país foi o aliado com o segundo maior número de mortes depois dos Estados Unidos.
— Estamos extremamente orgulhosos de nossas forças armadas, e seu serviço e sacrifício jamais serão esquecidos — ressaltou.
De acordo com o jornal britânico, ao todo, 3.486 soldados da Otan morreram ao longo dos 20 anos de conflito no Afeganistão, sendo 2.461 militares americanos. O Canadá registrou 165 mortes, incluindo civis.
‘Insulto’ às famílias
Para críticos, a declaração de Trump foi incômoda não apenas por desconsiderar esse histórico, mas também por reviver questionamentos sobre sua própria história: durante a guerra do Vietnã, ele evitou o serviço militar, sob a justificativa de ter sido diagnosticado com esporões ósseos nos calcanhares, alegação que sempre gerou dúvidas.
No Parlamento, Emily Thornberry, presidente da comissão de Relações Exteriores, descreveu as palavras de Trump como “muito mais do que um erro” e “um insulto” às famílias dos mortos, lembrando em entrevistas que tropas britânicas sempre estiveram ao lado dos americanos quando convocadas.
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Segundo a BBC, outros membros do Parlamento falaram sobre as condições reais de combate enfrentadas pelas forças aliadas, ressaltando que não havia uma linha de frente tradicional e que os riscos e sacrifícios foram substanciais e contínuos.
O Ministro da Saúde e Assistência Social, Stephen Kinnock, considera os comentários do presidente americano como “decepcionantes” e “errados”.
— Muitos soldados britânicos e muitos soldados de outros aliados europeus da OTAN deram suas vidas em apoio às missões americanas, missões lideradas pelos Estados Unidos em lugares como o Afeganistão e o Iraque — disse ele à Sky News.
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A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, também condenou as falas de Trump e as classificou como “um completo absurdo”.
— Tropas britânicas, canadenses e da OTAN lutaram e morreram ao lado dos EUA durante 20 anos. Isso é um fato, não uma opinião. Seu sacrifício merece respeito, não descrédito — afirmou Badenoch.
Lucy, a mãe do soldado britânico mais jovem a ser morto no Afeganistão, diz que a declaração do presidente “remove a crosta de feridas que nunca cicatrizaram”. O fuzileiro William Aldridge, de Bromyard, Herefordshire, tinha 18 anos quando morreu em uma explosão de bomba enquanto tentava salvar seus companheiros em 2009.
— As famílias daqueles que foram perdidos nesse conflito vivem o trauma todos os dias. Não estou apenas profundamente ofendida, estou profundamente enojada — disse ela à BBC.
‘Pagamos com sangue’
A cobertura da BBC também aponta que, além do Reino Unido, outros aliados da Otan e veteranos que serviram no conflito reagiram negativamente às declarações. Vale lembrar que a aliança respondeu de forma coletiva após o 11 de setembro, com milhares de tropas de diversos países atuando no Afeganistão até a retirada em 2021.
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Em entrevista à Reuters, Roman Polko, general polonês aposentado e ex-comandante das forças especiais que serviu no Afeganistão e no Iraque, disse esperar um pedido de desculpas pela declaração de Trump, que teria cruzado “uma linha vermelha”.
— Pagamos com sangue por essa aliança. Sacrificamos verdadeiramente nossas próprias vidas — acrescentou o ex-comandante.
O veterano Andy Reid afirma que é “muito desrespeitoso” dizer que os soldados da OTAN não estavam na linha de frente do conflito. O cabo, que perdeu as pernas e o braço direito ao pisar num dispositivo explosivo improvisado (IED) enquanto servia no Afeganistão em 2009, afirma que os soldados britânicos “fizeram o sacrifício supremo”.
— Não passa um dia sem que sintamos algum tipo de dor física ou mental, refletindo sobre esse conflito — disse à BBC.
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O ministro das forças armadas e deputado trabalhista, Al Carns, que serviu em várias missões no Afeganistão, afirma que os comentários de Trump sobre as tropas da OTAN são uma “verdadeira vergonha” e “completamente ridículos”.
— O mundo se uniu em apoio aos EUA. Nossas agências, nossas forças, nossos políticos, todos nós nos unimos, ombro a ombro, e respondemos — afirma ele em um vídeo postado no X na sexta-feira, acrescentando que derramou sangue, suor e lágrimas com seus colegas americanos e que “nem todos voltaram para casa”.
Outro veterano, que esteve 36 anos nas forças armadas, incluindo 22 anos nas forças especiais, e preferiu ser identificado como Vic, diz estar “bastante revoltado” com os comentários de Trump. Segundo ele, o serviço no Afeganistão incluiu “coordenar ações com os americanos”.
— Dizer que não estávamos na linha de frente é uma mentira completa — afirma ele à BBC.
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— Nunca precisamos deles. Eles vão dizer que enviaram algumas tropas ao Afeganistão… e enviaram, sim, mas ficaram um pouco atrás, um pouco fora da linha de frente — afirmou.
A reação política no Reino Unido foi rápida. O porta-voz oficial de Starmer disse que Trump “errou ao minimizar o papel das tropas da OTAN, incluindo as forças britânicas, no Afeganistão após os ataques de 11 de setembro aos EUA”.
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O porta-voz ainda acrescentou que 457 militares britânicos morreram no Afeganistão, ao longo dos 20 anos de conflito, e que muitos outros ficaram feridos, com “centenas” sofrendo “ferimentos que mudaram suas vidas em decorrência do serviço prestado ao lado dos EUA e de nossos aliados”. O país foi o aliado com o segundo maior número de mortes depois dos Estados Unidos.
— Estamos extremamente orgulhosos de nossas forças armadas, e seu serviço e sacrifício jamais serão esquecidos — ressaltou.
De acordo com o jornal britânico, ao todo, 3.486 soldados da Otan morreram ao longo dos 20 anos de conflito no Afeganistão, sendo 2.461 militares americanos. O Canadá registrou 165 mortes, incluindo civis.
‘Insulto’ às famílias
Para críticos, a declaração de Trump foi incômoda não apenas por desconsiderar esse histórico, mas também por reviver questionamentos sobre sua própria história: durante a guerra do Vietnã, ele evitou o serviço militar, sob a justificativa de ter sido diagnosticado com esporões ósseos nos calcanhares, alegação que sempre gerou dúvidas.
No Parlamento, Emily Thornberry, presidente da comissão de Relações Exteriores, descreveu as palavras de Trump como “muito mais do que um erro” e “um insulto” às famílias dos mortos, lembrando em entrevistas que tropas britânicas sempre estiveram ao lado dos americanos quando convocadas.
Não gostou do discurso: Trump retira convite ao premier canadense para participar do Conselho da Paz
Segundo a BBC, outros membros do Parlamento falaram sobre as condições reais de combate enfrentadas pelas forças aliadas, ressaltando que não havia uma linha de frente tradicional e que os riscos e sacrifícios foram substanciais e contínuos.
O Ministro da Saúde e Assistência Social, Stephen Kinnock, considera os comentários do presidente americano como “decepcionantes” e “errados”.
— Muitos soldados britânicos e muitos soldados de outros aliados europeus da OTAN deram suas vidas em apoio às missões americanas, missões lideradas pelos Estados Unidos em lugares como o Afeganistão e o Iraque — disse ele à Sky News.
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A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, também condenou as falas de Trump e as classificou como “um completo absurdo”.
— Tropas britânicas, canadenses e da OTAN lutaram e morreram ao lado dos EUA durante 20 anos. Isso é um fato, não uma opinião. Seu sacrifício merece respeito, não descrédito — afirmou Badenoch.
Lucy, a mãe do soldado britânico mais jovem a ser morto no Afeganistão, diz que a declaração do presidente “remove a crosta de feridas que nunca cicatrizaram”. O fuzileiro William Aldridge, de Bromyard, Herefordshire, tinha 18 anos quando morreu em uma explosão de bomba enquanto tentava salvar seus companheiros em 2009.
— As famílias daqueles que foram perdidos nesse conflito vivem o trauma todos os dias. Não estou apenas profundamente ofendida, estou profundamente enojada — disse ela à BBC.
‘Pagamos com sangue’
A cobertura da BBC também aponta que, além do Reino Unido, outros aliados da Otan e veteranos que serviram no conflito reagiram negativamente às declarações. Vale lembrar que a aliança respondeu de forma coletiva após o 11 de setembro, com milhares de tropas de diversos países atuando no Afeganistão até a retirada em 2021.
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Em entrevista à Reuters, Roman Polko, general polonês aposentado e ex-comandante das forças especiais que serviu no Afeganistão e no Iraque, disse esperar um pedido de desculpas pela declaração de Trump, que teria cruzado “uma linha vermelha”.
— Pagamos com sangue por essa aliança. Sacrificamos verdadeiramente nossas próprias vidas — acrescentou o ex-comandante.
O veterano Andy Reid afirma que é “muito desrespeitoso” dizer que os soldados da OTAN não estavam na linha de frente do conflito. O cabo, que perdeu as pernas e o braço direito ao pisar num dispositivo explosivo improvisado (IED) enquanto servia no Afeganistão em 2009, afirma que os soldados britânicos “fizeram o sacrifício supremo”.
— Não passa um dia sem que sintamos algum tipo de dor física ou mental, refletindo sobre esse conflito — disse à BBC.
Tensão: França quer ‘exercício da Otan’ na Groenlândia e afirma estar ‘disposta a contribuir’
O ministro das forças armadas e deputado trabalhista, Al Carns, que serviu em várias missões no Afeganistão, afirma que os comentários de Trump sobre as tropas da OTAN são uma “verdadeira vergonha” e “completamente ridículos”.
— O mundo se uniu em apoio aos EUA. Nossas agências, nossas forças, nossos políticos, todos nós nos unimos, ombro a ombro, e respondemos — afirma ele em um vídeo postado no X na sexta-feira, acrescentando que derramou sangue, suor e lágrimas com seus colegas americanos e que “nem todos voltaram para casa”.
Outro veterano, que esteve 36 anos nas forças armadas, incluindo 22 anos nas forças especiais, e preferiu ser identificado como Vic, diz estar “bastante revoltado” com os comentários de Trump. Segundo ele, o serviço no Afeganistão incluiu “coordenar ações com os americanos”.
— Dizer que não estávamos na linha de frente é uma mentira completa — afirma ele à BBC.










