Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou na quinta-feira a criação do Escritório de Resposta Oficial da República Argentina, um perfil na rede social X com o objetivo de “desmentir os meios de comunicação” contra sua gestão. A medida soma mais um capítulo ao histórico de confronto que Milei tem com boa parte da imprensa, e que manifesta através de insultos, denúncias judiciais e, inclusive, um lema: “Não odiamos os jornalistas o suficiente”, resumido na sigla NOLSALP.
NYT: Argentina está em negociações avançadas para se tornar destino de deportações dos EUA
À la Trump: Governo Milei anuncia dura reforma migratória, com expulsões e novas exigências para obtenção de cidadania
“Para desmascarar mentiras e operações da mídia. Fim”, escreveu Milei, na quinta-feira, em sua conta no X, na qual compartilhou a primeira publicação do escritório.
Em sua primeira postagem, a conta explica que “foi criada para desmentir ativamente a mentira, sinalizar falsidades concretas e deixar em evidência as operações da mídia e da casta política”. “Vamos combater a desinformação dando mais informação, tudo o contrário do que os setores políticos vinculados à esquerda fazem quando governam, em que buscam censurar os opositores tanto na mídia tradicional quanto nas redes sociais”.
O comunicado não deu detalhes de como vai funcionar, nem quem vai administrar a conta, ou se implicará a criação de uma nova subestrutura dentro do governo. Sobre sua missão, o escritório assegurou que não busca “impor um olhar”, mas “que os cidadãos possam distinguir fatos de operações e dados de relatos”.
Apesar dessas alegações, o novo escritório esclareceu que “o direito à liberdade de expressão é sagrado”.
Initial plugin text
‘Mecanismos de vigilância’
A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa, na sigla em espanhol) expressou, em um comunicado nesta quinta, sua “preocupação” com a nova conta oficial no X. “O Estado, em todo o caso, é mais uma fonte de informação, não o árbitro da verdade pública”, disse a Adepa, que advertiu sobre o risco de que ferramentas como estas se transformem em “mecanismos de vigilância”.
O primeiro caso de acusação sobre coberturas identificadas como “falsas” foi de um artigo publicado no portal do jornal argentino Clarín sobre um programa social do Ministério de Capital Humano.
Um relatório da ONG Human Rights Watch publicado na quarta-feira alertou para a “retórica hostil” de Milei e seus funcionários para “estigmatizar os jornalistas”.
Desde que chegou à Presidência, em dezembro de 2023, o discurso de Milei tem entre seus alvos preferidos os meios de comunicação e os “jornalistas lixo”, que em sua opinião são “90%” dos trabalhadores da imprensa. Entre suas primeiras decisões presidenciais, Milei suspendeu a publicação de ações do governo em veículos de comunicação e fechou a agência pública de notícias Télam.
Nos últimos dois anos, ele denunciou vários jornalistas por “calúnias e injúrias” e apontou pelo nome outras dezenas de comunicadores.
Com um objetivo similar ao do Escritório de Resposta Oficial, o governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump, de quem Milei é admirador e aliado fiel, lançou, em dezembro passado, o portal Media Bias para “expor fake news”.
Com AFP e La Nación.
A modelo espanhola Cristina Pérez Galcenco, de 21 anos, foi encontrada sem vida nesta terça-feira em sua residência em Caleta de Vélez, na província de Málaga, sul da Espanha. A informação foi confirmada por fontes próximas à família à veículos e agências de notícias do país europeu. A jovem, que faleceu por causas naturais, era filha do ex-jogador Nacho Pérez, que atuou em diversos clubes da primeira divisão espanhola entre 1999 e 2014. Ela começou a desfilar aos 14 anos.
Polícia detém menino de 12 anos por suspeita de envolvimento em assassinato de adolescente na Alemanha
Mãe acusa polícia nos EUA pela morte de menino de 3 anos em ação durante sequestro; entenda
Nascida em Lanzarote, Cristina mudou-se ainda bebê para Lugones, nas Astúrias, onde viveu com a família. Foi nessa região que iniciou sua trajetória no mundo da moda, tornando-se presença frequente da Pasarela Campoamor, tradicional evento realizado anualmente no Teatro Campoamor, em Oviedo, na mesma região. A administração do desfile publicou uma nota de pesar pela morte da jovem em seu perfil no Instagram.
Initial plugin text
Segundo o jornal La Nueva España (LNE), o velório da modelo será realizado a partir das 17h desta sexta-feira, no tanatório Puente Nora, na cidade de Lugones. O funeral está marcado para o sábado, 7 de fevereiro, na igreja paroquial de San Félix de Lugones, na mesma localidade.
Ao longo da carreira, Cristina Pérez Galcenco participou de importantes eventos internacionais. Desfilou na Mercedes-Benz Fashion Week Madrid e integrou semanas de moda em cidades como Paris e Milão. Também trabalhou em campanhas publicitárias para marcas como Stradivarius e apresentou coleções para grifes de renome, entre elas Versace e Louis Vuitton. Chegou a passar alguns meses trabalhando na China e tinha como grande sonho tornar-se “anjo” da Victoria’s Secret.
Vídeo: Creche de Los Angeles é investigada após funcionária arremessar sapato em criança com deficiência
A morte precoce da modelo causou comoção no setor da moda. Pelas redes sociais, a organização da Pasarela Campoamor prestou homenagem publicando imagens de Cristina desfilando, acompanhadas apenas pelo símbolo de uma pomba. Profissionais que conviveram com ela destacaram sua postura e personalidade. Uma professora de sua antiga escola a descreveu como alguém “com gesto muito amável” e sempre “muito carinhosa”.
A fotógrafa Xana de Jesús lamentou a perda: “Só posso dizer aos pais e à família que uma estrela brilha eternamente em nossos corações”, disse ao LNE. “Cris, você sempre foi e sempre será uma referência e um exemplo a seguir tanto na sua carreira de modelo quanto como pessoa. Fui afortunada por conhecê-la e trabalhar com você”.
O cabeleireiro Manuel Mon também prestou tributo: “Hoje nos despedimos com enorme tristeza de uma pessoa muito especial para nós. Nos deixou cedo demais uma luz jovem e cheia de sensibilidade que fez parte da nossa história”. Ele acrescentou: “Mais do que seu talento diante das câmeras e nas passarelas, lembraremos de sua doçura, de seu profissionalismo e da forma tão autêntica com que dava vida a cada peça”.
Cristina Pérez Galcenco conciliou os estudos com a prática da ginástica rítmica durante a infância e a adolescência, antes de dedicar-se integralmente à moda. Descrita por amigos e colegas como dedicada e sensível, deixou uma carreira promissora interrompida de forma repentina, gerando grande consternação entre familiares, amigos e profissionais do setor.
Após críticas dos dois principais partidos políticos dos EUA, a Casa Branca removeu um vídeo conspiratório sobre as eleições que mostrava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. A publicação, feita na noite de quinta-feira na rede Truth Social, desencadeou uma reação ampla, que incluiu críticas de democratas e também de republicanos. A postagem foi condenada como racista por adversários políticos e levou aliados do presidente a pedir a remoção do conteúdo.
Grammy: Trump ameaçou processar apresentador após piada sobre Epstein durante cerimônia
Após ameaças de Trump: Papa expressa ‘grande preocupação’ com ‘aumento das tensões’ entre Cuba e EUA
— Um funcionário da Casa Branca publicou o conteúdo erroneamente. A postagem foi retirada do ar — disse um representante do governo à AFP.
Mais cedo, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia minimizado a repercussão negativa e classificado as reações ao vídeo como uma “indignação falsa”. Ela afirmou que o material foi retirado de “um vídeo de meme da internet que retrata o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão”.
O vídeo, com cerca de um minuto, promovia teorias da conspiração sobre a eleição presidencial de 2020 e inclui, por aproximadamente um segundo, imagens em que os rostos de Barack e Michelle Obama são sobrepostos a corpos de macacos, ao som da música “The Lion Sleeps Tonight”. A gravação fazia parte de uma sequência de postagens do presidente que reiteram falsas alegações de que o pleito foi roubado. Até as primeiras horas da manhã desta sexta-feira, a publicação havia recebido milhares de “curtidas” na rede social do presidente.
Líderes democratas classificaram o conteúdo como racista. O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, escreveu no X que Trump é “vil, desequilibrado e maligno” e afirmou: “Todo e qualquer republicano deve denunciar imediatamente a repugnante intolerância” do republicano. Em outra publicação, chamou o presidente de “doente”. As críticas foram ecoadas pelo Gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom — apontado como possível candidato democrata à Presidência em 2028 e um dos críticos mais proeminentes de Trump —, que escreveu:
“Comportamento asqueroso por parte do Presidente. Cada republicano deve denunciá-lo. Agora”, publicou.
Initial plugin text
u
Ben Rhodes, ex-alto assessor de segurança nacional e confidente próximo de Barack Obama, também condenou as imagens. Em publicação no X, ele escreveu: “Que isso assombre Trump e seus seguidores racistas: os americanos do futuro vão abraçar os Obama como figuras queridas, enquanto estudarão Trump como uma mancha em nossa história.”
Fotos: Trump instala placas na Casa Branca com ofensas contra Biden e Obama
As críticas, porém, não se limitaram à oposição. O republicano Tim Scott, da Carolina do Sul, aliado de Trump e único senador negro do partido, condenou a postagem e pediu sua remoção: “Rezo para que seja falso, porque é a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”, escreveu ele nas redes sociais, em manifestação vista como rara dentro do Partido Republicano. Além de senador, Scott preside a Comissão Nacional Republicana Senatorial, responsável por coordenar a estratégia da sigla para manter a maioria no Senado nas eleições de meio de mandato.
O grupo Republicans Against Trump (Republicanos Contra Trump), crítico frequente do presidente nas redes, escreveu: “Não há limite”.
Após mortes em Minnesota: Obama diz que valores dos EUA estão sob ataque e acusa governo Trump de querer escalar caos
Segundo a primeira versão da Casa Branca, no entanto, o trecho com os Obama foi retirado de um vídeo mais longo, difundido anteriormente por um criador de memes conservadores. Nele, Trump é retratado como um leão, enquanto líderes democratas aparecem como diferentes animais. O vídeo termina com os personagens se curvando diante do republicano.
Imagens de IA
A representação dos Obama como macacos perpetua um estereótipo racista promovido por traficantes de escravizados e segregacionistas, que usaram essa caracterização para desumanizar pessoas negras e justificar linchamentos e outras atrocidades. Trump tem histórico de fazer comentários depreciativos sobre pessoas de cor, mulheres e imigrantes, e, desde seu retorno à Presidência, o republicano e sua administração têm zombado com frequência ou feito acusações falsas contra Obama.
Obama é o único presidente negro da História dos Estados Unidos e apoiou Kamala Harris, adversária de Trump, nas eleições presidenciais de 2024. Trump lançou sua própria carreira política ao promover a teoria da conspiração racista e falsa conhecida como “birther”, segundo a qual o democrata, que nasceu no Havaí, mentia sobre ter nascido nos EUA. O republicano mantém há muito tempo uma rivalidade com Obama, que foi presidente de 2009 a 2017, demonstrando especial ressentimento pela popularidade do democrata e pelo fato de ele ter recebido o Nobel da Paz.
Guga Chacra: Trump, Obama e Bush pai
Na campanha de 2024, Trump afirmou que imigrantes estavam “envenenando o sangue do nosso país”, linguagem semelhante à usada por Adolf Hitler para desumanizar judeus na Alemanha nazista. Durante seu primeiro mandato na Casa Branca, Trump se referiu a um grupo de países em desenvolvimento, majoritariamente negros, como “países de merda”. Inicialmente, ele negou ter usado o termo, mas admitiu em dezembro de 2025 que o havia dito.
Desde que voltou à Casa Branca, o presidente e seus aliados têm intensificado o uso de memes e vídeos, inclusive produzidos com inteligência artificial, para atacar adversários políticos. As publicações costumam ser defendidas por assessores como conteúdo humorístico, enquanto críticos apontam desinformação e ataques de cunho racial.
No ano passado, divulgou um vídeo produzido com IA que mostrava Barack Obama sendo preso no Salão Oval e aparecendo atrás das grades com um macacão laranja. Mais tarde no mesmo ano, publicou um clipe criado com IA do líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries — que é negro —, com um bigode falso e um chapéu de charro. Jeffries classificou a imagem como racista.
Em 2025: Departamento de Justiça dos EUA anuncia força-tarefa para investigar governo Obama
Em seu segundo mandato, Trump vem sendo criticado por adversários por liderar uma ofensiva contra programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Uma das primeiras decisões do governo foi encerrar todos os programas federais de DEI, incluindo políticas de diversidade nas Forças Armadas, que o presidente classificou como “woke”. A medida também levou à retirada, das bibliotecas de academias militares, de dezenas de livros que tratam da história da discriminação nos EUA.
Os programas federais de combate à discriminação surgiram a partir da luta pelos direitos civis na década de 1960, liderada principalmente por afro-americanos, em defesa da igualdade e da justiça após séculos de escravidão. A abolição formal, em 1865, foi seguida por outras formas institucionais de racismo. (Com AFP e New York Times)
Equipes de resgate estão em busca de seis mineiros presos em uma mina de carvão ilegal no centro da Colômbia, após uma explosão, embora as autoridades suspeitem que eles possam estar mortos. Os mineiros ficaram presos sob os escombros nesta quinta-feira em Guachetá, uma cidade a cerca de 100 km de Bogotá, onde a mineração é uma importante fonte de renda.
Leia também: homem sobrevive após passar 25 minutos submerso em lago congelado ao tentar tirar selfie nos EUA
Paquistão: explosão em mesquita xiita mata ao menos 31 pessoas na capital
Os socorristas detectaram altos níveis de gás metano e tiveram que suspender temporariamente as operações até a manhã seguinte.
“Tudo nos leva a crer que eles não estão vivos”, já que os socorristas não conseguiram fornecer oxigênio aos mineiros, disse o governador do departamento de Cundinamarca, Jorge Emilio Rey, à Blu Radio.
Initial plugin text
Do lado de fora da mina, em meio a uma densa floresta de pinheiros, parentes dos mineiros aguardavam, sentados no chão e envoltos em ponchos, no frio típico desta região andina, observaram repórteres da AFP.
“Eles trabalharam a noite toda” no resgate, disse Alveiro Aguillón, comandante do corpo de bombeiros local. O governador Rey afirmou que a mina aparentemente “tinha ordens de fechamento” das autoridades reguladoras, mas continuou operando sem as licenças necessárias.
Acidentes em minas na Colômbia são frequentes e muitas vezes fatais, especialmente em minas de carvão e minas ilegais ou artesanais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio público à primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, dois dias antes das eleições legislativas antecipadas, marcadas para este domingo. Segundo a BBC, a manifestação, feita em uma publicação na rede Truth Social nesta sexta-feira, rompe a tradição de cautela dos líderes americanos em pleitos estrangeiros e ocorre em um momento de instabilidade diplomática no Leste Asiático.
Premier japonesa: ascensão de Sanae Takaichi confirma guinada ainda mais conservadora do país
Tensões regionais: fala de premier japonesa sobre Taiwan retoma animosidade histórica entre China e Japão
Primeira mulher a liderar o governo japonês, a líder ultranacionalista busca consolidar a maioria conservadora, apostando em seu bom desempenho nas pesquisas de opinião para impulsionar os resultados de seu Partido Liberal Democrático (PLD, nacionalista de direita).
A coalizão governista, que detém uma pequena maioria na Câmara baixa e busca ampliar sua base de apoio, deve ultrapassar facilmente as 233 cadeiras na Câmara Baixa segundo as pesquisas. Com seu aliado, o Partido da Inovação, a coalizão poderia ultrapassar 300 das 465 cadeiras, quase dois terços do total.
Na oposição, a Aliança Reformista Centrista, que inclui o Partido Democrático Constitucional (PDC) e o antigo aliado do PLD, o Komeito, pode perder metade de suas 167 cadeiras.
‘Diplomacia dos pandas’: Japão terá que devolver à China únicos exemplares restantes no país; entenda
“Os resultados são muito importantes para o futuro do país. A primeira-ministra Takaichi já provou ser uma líder forte, poderosa e sábia, que realmente ama seu país”, escreveu Trump, afirmando ainda que ela “não decepcionará o povo japonês”. O gesto reforça a aproximação entre os dois governos em um contexto de disputas comerciais, tensões de segurança e deterioração das relações entre Japão e China.
Embora raras, intervenções desse tipo não são inéditas na trajetória política de Trump. Nos últimos meses, ele também manifestou apoio ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.
A aproximação com Washington tem sido uma estratégia central de Takaichi desde que assumiu o cargo, em outubro, após vencer a disputa interna em seu partido e garantir apoio no Parlamento. No mês passado, ela convocou eleições antecipadas visando obter um mandato popular direto.
A relação bilateral ganhou novo impulso após negociações comerciais em julho, quando o Japão concordou em investir US$ 550 bilhões (cerca de R$ 2,86 trilhões) nos Estados Unidos. Em contrapartida, o governo americano reduziu tarifas de importação que inicialmente poderiam chegar a 25% para 15%.
Initial plugin text
Poucos dias após assumir o cargo, Takaichi recebeu Trump em Tóquio com honras militares completas, em uma visita marcada por forte simbolismo político. Em um dos momentos mais emblemáticos, a premier apareceu ao lado do presidente americano a bordo do porta-aviões USS George Washington, em imagens amplamente divulgadas internacionalmente.
Além do alinhamento econômico, os dois líderes compartilham posições semelhantes na área de defesa. Trump tem pressionado aliados a ampliar seus gastos militares, posição defendida também por Takaichi, em meio ao debate interno no Japão sobre a necessidade de reforçar a capacidade de autodefesa do país.
Durante a visita, os governos assinaram acordos sobre o fornecimento de terras raras e divulgaram um documento que descreve uma nova “era de ouro” nas relações bilaterais. Takaichi elogiou o papel de Trump na diplomacia internacional, especialmente no Oriente Médio, enquanto o presidente americano afirmou ter ficado “extremamente impressionado” com a primeira-ministra.
Pacto: Japão e EUA selam acordo para expandir cooperação em mísseis e exercícios militares
Trump também afirmou estar “ansioso” para receber Takaichi na Casa Branca em 19 de março, sinalizando que sua administração vê a líder japonesa como uma parceira estratégica.
Apelo popular nas redes
Conservadora ferrenha e admiradora de Margaret Thatcher, Takaichi, de 64 anos, é popular especialmente entre os jovens e se tornou um fenômeno nas redes sociais.
Sua retórica incisiva sobre imigração também pode ter diminuído o espaço para o partido populista Sanseito, que defende uma política de “Japão Primeiro”.
— A linguagem que ela usa é fácil de entender — observa Mikitaka Masuyama, do Instituto Nacional de Estudos Políticos.
Forte massa de ar frio: nevascas incomuns deixam 30 mortos no Japão; vídeos e fotos
O antecessor de Takaichi, Shigeru Ishiba, “refletia muito, mas falava como um acadêmico”, completa.
Nova escalada
A declaração de Trump tem impacto que vai além do eleitorado japonês e é interpretada como um recado direto à China. As relações entre Pequim e Tóquio atravessam um de seus momentos mais delicados em mais de uma década, agravadas por disputas territoriais e pelo tema sensível de Taiwan.
Em novembro, Takaichi irritou o governo chinês ao afirmar que o Japão poderia reagir com suas Forças de Autodefesa caso a China atacasse Taiwan, ilha autogovernada reivindicada por Pequim. A premier se recusou posteriormente a recuar da declaração.
A China respondeu aconselhando seus cidadãos a não viajarem para o Japão, reforçando seus controles comerciais e organizando exercícios aéreos conjuntos com a Rússia ao redor do arquipélago japonês.
Leia mais: australiana morre após mochila ficar presa em teleférico durante temporada de trabalho no Japão
Segundo Yee Kuang Heng, da Universidade de Tóquio, as tensões poderiam diminuir em caso de uma vitória esmagadora, já que “a China reconhece sua força e pode considerar que possui mais resiliência do que o previsto, e que terá de ser levada em consideração”.
O apoio de Trump ocorre um dia após uma conversa telefônica entre o presidente americano e o líder chinês, Xi Jinping. Segundo o presidente americano, ambos reconhecem a importância de manter uma relação estável. Xi, por sua vez, classificou Taiwan como “a questão mais importante” do vínculo bilateral e pediu prudência dos EUA no fornecimento de armas à ilha, segundo a imprensa estatal chinesa.
Pesquisas indicam ampla vantagem de Takaichi na eleição deste domingo. Ainda assim, analistas avaliam que sua liderança será testada na condução da economia japonesa, que enfrenta crescimento lento, e no equilíbrio da relação com Washington, seu principal aliado em segurança, e com Pequim, seu maior parceiro comercial.
Um dos “participantes-chave” por trás do ataque de 11 de setembro de 2012 à missão dos EUA em Benghazi, que deixou quatro americanos mortos, incluindo o embaixador Chris Stevens, foi preso, disseram autoridades nesta sexta-feira. A secretária de Justiça Pam Bondi afirmou que o suspeito foi levado para os Estados Unidos e responderá por homicídio e outros crimes.
Relembre: Ataque a consulado em Benghazi derruba estrutura da CIA na Líbia
Processo diplomático: EUA e Irã concluem primeira rodada de conversas em Omã com avaliação positiva e acerto para novas tratativas
Além de Stevens, também foram mortos o funcionário do Departamento de Estado, Sean Smith, e os soldados da força especial da Marinha, Glen Doherty e Tyrone Woods.
— Hoje, tenho orgulho de anunciar que o FBI prendeu um dos principais participantes do ataque em Benghazi — disse Bondi em uma entrevista coletivana qual também estava presente o diretor do FBI, Kash Patel. — Nunca nos esquecemos desses heróis e nunca deixamos de buscar justiça por esse crime contra nossa nação.
Segundo a rede americana CNN, Zubayar al-Bakoush chegou ao estado da Virgínia na manhã desta sexta-feira e deve responder por acusações de assassinato, terrorismo e incêndio criminoso. Indiciado há 11 anos, ele teve o processo mantido em sigilo até ser preso, afirmou a procuradora federal Jeanine Pirro, cujo gabinete ficará responsável pela acusação.
Ao ser perguntado se houve algum envolvimento estrangeiro na prisão de al-Bakoush, Patel afirmou que a operação foi realizada “em toda a área interinstitucional aqui, e é claro que estamos trabalhando com parceiros no exterior”, sem dar mais detalhes.
A rede americana Fox News transmitiu o que afirmou ser imagens exclusivas da chegada de Bakoush a uma base militar na Virgínia, nos arredores de Washington. Nas imagens, um senhor idoso de cabelos grisalhos tem dificuldade para descer uma escadaria de um avião e é colocado em uma maca, onde permanece tremendo de frio.
Initial plugin text
O ataque de 11 de setembro de 2012 ao consulado dos EUA ocorrey na segunda maior cidade da Líbia e foi atribuído a um grupo jihadista ligado à al-Qaeda, o Ansar al-Sharia. Na ocasião, militantes islâmicos armados com armas automáticas e granadas invadiram o complexo americano em um momento em que o país norte-africano rico em petróleo estava mergulhado em uma guerra civil.
Eles incendiaram o prédio, matando Stevens e Smith por inalação de fumaça, e depois atacaram também um anexo da CIA onde Doherty e Woods morreram.
O ataque, o primeiro a vitimar um embaixador americano desde 1979, chocou profundamente os Estados Unidos e causou uma tempestade política para o governo do então presidente Barack Obama.
O Departamento de Estado, então chefiado por Hillary Clinton, foi acusado por seus adversários políticos de erros fatais e negligência em relação ao derramamento de sangue, que ocorreu 11 anos após os ataques de 11 de setembro da al-Qaeda.
Os Estados Unidos já condenaram pelo menos dois líbios por envolvimento no ataque a Benghazi. Ahmed Abu Khatallah foi condenado a 22 anos de prisão em 2018 e Mustafa al-Imam foi condenado a quase 20 anos em 2020. E, em 2015, os EUA mataram Ali Awni al-Harzi, comandante do Estado Islâmico envolvido no atentado.
Com AFP.

Dez organizações da sociedade civil enviaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um pedido de vetos integrais a dois projetos de lei, já aprovados pelo Congresso, que criam a licença compensatória para servidores da Câmara dos Deputados e do Senado.

Segundo as associações, a institucionalização desse benefício — o chamado “penduricalho” — levará ao pagamento de valores extra-teto, com elevação de gastos públicos e possível efeito cascata na administração pública.

Notícias relacionadas:

O mecanismo da licença indenizatória permite, se implementado, conceder a servidores da Câmara licença de até um dia para cada três trabalhados, limitada a dez dias por mês. No caso do Senado, a proporção varia de um dia a cada dez e um a cada três dias de exercício.

Segundo o projeto aprovado, os dias não usufruídos podem ser pagos em dinheiro e sem a necessidade de incidência de imposto de renda ou contribuição previdenciária.

Nessa quinta-feira (5), o ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Flávio Dino publicou decisão que suspende o pagamento de verbas indenizatórias sem previsão expressa em lei. Segundo as entidades, o pedido de veto que fizeram a Lula ganha importância ainda maior a partir do pedido do ministro, uma vez que a sanção desses projetos inviabilizaria o alcance da decisão do membro do STF.

Para as associações civis, a sanção da lei seria um retrocesso e traria de volta práticas já abolidas no passado, como a licença-prêmio por assiduidade, por exemplo.

Ainda segundo as organizações civis, órgãos do Judiciário e do Ministério Público, por meio de resoluções internas, têm esse tipo de benefício. De acordo com levantamento feito pela Transparência Brasil e República.org, o Judiciário pagou, em 2024, R$ 1,2 bilhão com licença-compensatória a 10,7 mil magistrados.

A coalizão de entidades que pediu o veto a Lula é formada pela República.org, Transparência Brasil, Associação Fiquem Sabendo, Centro de Liderança Pública, Livres, Movimento Brasil Competitivo, Movimento Orçamento Bem Gasto, Movimento Pessoas à Frente, Plataforma Justa e Transparência Internacional – Brasil.

A princesa consorte da Noruega, Mette-Marit, afirmou na sexta-feira que “lamenta profundamente” sua amizade com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein e a situação em que colocou a Coroa, em comunicado divulgado pelo palácio real.
Casada com o príncipe herdeiro Haakon desde 2001, Mette-Marit teve seu nome citado em novos documentos sobre Epstein publicados há uma semana pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o que levanta questionamentos sobre a possibilidade de um dia se tornar rainha.
— Lamento profundamente minha amizade com Jeffrey Epstein. É importante para mim pedir desculpas a todos aqueles a quem decepcionei (…) Também lamento a situação em que coloquei a família real, especialmente o rei e a rainha — disse.
O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, havia solicitado explicações sobre o conteúdo dos numerosos e-mails trocados com Epstein, condenado em 2008 e que se suicidou na prisão em 2019.
Paris é ‘boa para adultério’
Parte das mensagens indica elevado grau de confiança entre ambos. Em 2012, quando Epstein afirmou estar em Paris “procurando esposa”, a princesa respondeu que a capital francesa é “boa para o adultério, mas que as escandinavas (são) melhores esposas”.
O palácio real informou que “a princesa deseja falar sobre o que ocorreu e dar explicações detalhadas”.
“No momento, não está em condições de fazê-lo. A princesa se encontra em uma situação muito difícil”, acrescentou a instituição.
Mette-Marit, de 52 anos, já havia manifestado no domingo pesar por seus contatos com Epstein e por não ter verificado seus antecedentes.
A divulgação dos e-mails ocorre em um período turbulento para a princesa. Seu filho, Marius Borg Høiby, de uma relação anterior ao casamento com Haakon, está sendo julgado desde terça-feira por 38 acusações, entre elas quatro estupros e episódios de violência contra ex-parceiras.
A princesa também sofre de uma forma rara de fibrose pulmonar, doença incurável, e possivelmente terá de se submeter a um transplante.
No mais recente gesto de apoio à Dinamarca e à Groenlândia — mais uma vez alvo de interesse do presidente americano, Donald Trump, desde o início de seu segundo mandato —, Canadá e França anunciaram que abrirão consulados diplomáticos na capital da ilha semiautônoma nesta sexta-feira. A decisão foi tomada em meio a pressões recentes dos Estados Unidos para garantir o controle do território dinamarquês.
Guga Chacra: Caracas, Teerã, Groenlândia e Minnesota
Contexto: População da Groenlândia lamenta não ser ouvida em negociações sobre futuro da ilha
A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, viajou a Nuuk para inaugurar o consulado canadense. Segundo autoridades, a missão também poderá reforçar a cooperação em áreas como a crise climática e os direitos dos inuítes. Anand foi acompanhada pela governadora-geral do Canadá, Mary Simon, que é indígena.
Na véspera, Anand se reuniu na Dinamarca com o chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, e publicou nas redes sociais que “como nações árticas, o Canadá e o Reino da Dinamarca estão trabalhando juntos para fortalecer a estabilidade, a segurança e a cooperação em toda a região”. O Canadá havia prometido abrir um consulado na Groenlândia em 2024 — antes das recentes declarações de Trump sobre uma possível tomada do território —, e a inauguração formal foi adiada desde novembro devido ao mau tempo.
Já o Ministério das Relações Exteriores francês informou que Jean-Noël Poirier assumirá o cargo de cônsul-geral, tornando a França o primeiro país membro da União Europeia (UE) a estabelecer um consulado-geral na Groenlândia. Poirier, que já atuou anteriormente como embaixador francês no Vietnã, ficará “encarregado de trabalhar para aprofundar projetos de cooperação já existentes com a Groenlândia nas áreas cultural, científica e econômica, além de fortalecer os laços políticos com as autoridades locais”, afirmou o ministério.
— O primeiro item da agenda será ouvir os groenlandeses, permitir que expliquem detalhadamente sua posição e, de nossa parte, confirmar nosso apoio, tanto quanto eles e o lado dinamarquês desejarem — disse Poirier à AFP antes de partir rumo a Nuuk.
Entenda a presença de Rússia e China na região: Otan e Dinamarca concordam em reforçar segurança do Ártico
A França afirma que a decisão de abrir o consulado foi tomada durante visita do presidente Emmanuel Macron à Groenlândia, em junho passado, quando ele expressou a “solidariedade” da Europa com a ilha e criticou as ambições americanas sobre o território. Diante da retórica de Trump sobre o território, Macron já acusou os EUA de tentar subordinar a Europa por meio de uma política de tarifas “inaceitáveis” e disse desejar que um exercício da Otan, a aliança militar do Ocidente, fosse realizado na Groenlândia.
Trump anunciou em janeiro que imporia novas tarifas à Dinamarca e a outros sete países europeus que se opuseram aos seus apelos para que os Estados Unidos assumissem o controle da Groenlândia, mas recuou abruptamente depois de afirmar que havia sido alcançado um “marco” para um acordo sobre o acesso ao território rico em minerais, com a ajuda do secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Poucos detalhes desse acordo vieram a público.
Na semana passada, começaram negociações técnicas entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia para a elaboração de um acordo de segurança para o Ártico. Embora os dois últimos tenham afirmado compartilhar preocupações com a segurança no Ártico, ambos os governos deixaram claro que soberania e integridade territorial são uma “linha vermelha” nas discussões com Washington.
— De certa forma, é uma vitória para os groenlandeses ver dois aliados abrindo representações diplomáticas em Nuuk — afirmou Jeppe Strandsbjerg, cientista político da Universidade da Groenlândia. — Há grande apreço pelo apoio contra o que Trump tem dito.
Sem Dinamarca e Groenlândia à mesa: EUA e Otan discutem futuro da ilha com foco na defesa do Ártico e em direitos de mineração
Para analistas, a iniciativa tem dimensão política mais ampla. Segundo Ulrik Pram Gad, especialista no Ártico do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, a abertura dos consulados envia uma mensagem clara aos EUA. Para o especialista, o gesto é “uma forma de dizer a Trump que sua agressividade contra a Groenlândia e a Dinamarca não é uma questão apenas desses dois atores”, envolvendo “também aliados europeus e o Canadá”.
— É um pequeno passo, parte de uma estratégia na qual estamos tornando esse problema europeu. As consequências não são apenas dinamarquesas; são europeias e globais — disse Christine Nissen, analista de segurança e defesa do think tank Europa.
Segundo especialistas, os novos consulados também reforçam o reconhecimento da crescente autonomia da Groenlândia, prevista na Lei de Autogoverno de 2009, e ampliam seus canais diretos de diálogo internacional. Os postos diplomáticos francês e canadense responderão às embaixadas dos dois países em Copenhague.
A Groenlândia mantém relações diplomáticas com a União Europeia desde 1992, com os Estados Unidos desde 2014 e com a Islândia desde 2017. A Islândia abriu um consulado em Nuuk em 2013, enquanto os EUA reabriram sua missão na capital groenlandesa em 2020. A Comissão Europeia inaugurou um escritório no território em 2024.
(Com AFP)
Bruno Spada /Câmara dos Deputados
Alfredo Gaspar: é absurdo que bancos com irregularidades atuem no INSS

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que o rombo causado por irregularidades em empréstimos consignados a aposentados e pensionistas pode ser ainda maior do que o dos descontos associativos nos benefícios.

A afirmação foi feita na quinta-feira (5) durante depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller, à comissão.

“Nos descontos associativos, o rombo foi de R$ 6 bilhões, R$ 7 bilhões. Aqui [nos empréstimos consignados], não sabemos nem mensurar o tamanho do rombo, porque não tem quem fiscalize. A gente tem que ter regras claras para o sistema financeiro”, disse Alfredo Gaspar.

Ele ressaltou que o INSS não tem pessoal suficiente para fiscalizar todos os contratos e que a fiscalização é feita hoje por amostragem.

De acordo com Gaspar, as irregularidades envolvem até mesmo bancos considerados “limpos”, e a CPMI precisa propor mudanças para aumentar a fiscalização desses empréstimos.

Durante a reunião, o relator afirmou ter feito um levantamento na Secretaria Nacional do Consumidor sobre os bancos com mais reclamações e irregularidades e encontrou as seguintes instituições: C6 Consignado, PicPay, Santander, Crefisa, BMG, Agibank, Daycoval, PAN, Master e Facta.

Apesar de ter apresentado pedidos para chamar à CPMI os presidentes de todos eles, C6, PicPay, Crefisa e Santander foram “blindados” e não tiveram os pedidos aprovados, afirmou Gaspar. Ele informou que reapresentará os requerimentos.

INSS
Por sua vez, Gilberto Waller disse que, desde o ano passado, o INSS criou normas para tornar mais rigoroso o processo de autorização e fiscalização dos consignados. Ele assumiu o instituto em abril de 2025, após as denúncias sobre fraudes em descontos associativos.

A convocação do gestor para depor foi pedida em dois requerimentos, um deles (REQ 395/25) apresentado pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG).

No pedido, o senador afirmou que o depoimento poderia esclarecer as medidas adotadas desde a posse do depoente e identificar responsabilidades administrativas da atual gestão.

Foco
Os trabalhos da CPMI, que começaram focados nos descontos de mensalidades de associações e sindicatos nos benefícios previdenciários, têm se direcionado, na fase atual, para os empréstimos consignados.

Entre as irregularidades citadas por parlamentares, estão empréstimos a crianças e a pessoas que já morreram, além de cobranças abusivas de juros não previstos e de serviços (como clubes de benefícios) em valores que chegavam perto de 20% do valor do consignado.

“O consignado é um dinheiro necessário para complementar a aposentadoria, mas sem que os aposentados sejam enganados”, declarou Carlos Viana.

Questionamentos
O senador Izalci Lucas (PL-DF) perguntou a Gilberto Waller por que os mecanismos de controle do INSS não detectaram anomalias já nos primeiros meses, se os descontos eram feitos em massa, de forma padronizada e sem nenhuma preocupação em esconder essas fraudes.

Waller respondeu que a fiscalização dos consignados não existia e começou apenas em abril de 2025. Hoje esse controle é feito por ferramentas de inteligência, e os mecanismos de fiscalização estão sendo aprimorados, afirmou. Entre as mudanças, está a obrigatoriedade de que os bancos paguem uma auditoria externa sobre esses contratos.

A partir de maio de 2025, acrescentou o gestor, o INSS criou normas para tornar mais rigoroso o processo de autorização desse tipo de empréstimo, com a exigência da biometria, e não apenas login e senha.

Outra ação, disse Waller, foi restringir ao aplicativo do INSS, por meio de biometria, o desbloqueio de benefícios para obter consignados. A iniciativa se deu após reclamações de fraudes.

Uma apuração do próprio INSS detectou que mais de 150 mil benefícios tinham sido desbloqueados por ação de servidores do INSS, o que não é mais possível.

Atualmente, segundo o gestor, são 65,35 milhões de contratos de crédito consignado firmados com 44 milhões de aposentados e pensionistas, que resultam na liberação mensal de R$ 5,45 bilhões na economia.

Alfredo Gaspar, por sua vez, disse que Gilberto Waller, que ocupou o cargo de corregedor-geral da União entre 2019 e 2023, tinha o dever de apurar as irregularidades.

“E sabe quem era o responsável por essa apuração? O corregedor, a não ser que eu esteja enganado. Isso, para mim, tem nome. Para mim, isso se chama prevaricação. Agora, prevaricação só existe dolosamente. Se realmente o senhor não tomou conhecimento e se há essa falta de conexão entre os órgãos de fiscalização, para mim, isso mostra o tamanho do estrago do país”, disse o relator da CPMI.

De acordo com o depoente, a Corregedoria-Geral da União não faz fiscalizações, e sim cuida de questões disciplinares quando recebe as informações de indícios de irregularidades praticadas por servidores ou instituições privadas.

Banco Master
Durante o depoimento, Gilberto Waller informou que o Banco Master mantém mais de 324 mil contratos de crédito consignado com segurados do instituto, dos quais 251 mil não apresentavam comprovação regular.

A identificação das irregularidades levou o órgão a decidir pela não renovação do acordo de cooperação técnica com a instituição financeira ainda em setembro de 2025, antes mesmo da liquidação do banco.

O presidente do INSS também relatou à comissão que, diante da liquidação do Banco Master, o instituto decidiu suspender os repasses mensais à massa liquidante e bloquear os valores correspondentes.

Além disso, o órgão concedeu prazo de 15 dias para que a instituição financeira apresente a comprovação regular dos contratos, sob pena de cancelamento do crédito consignado e devolução dos valores bloqueados aos segurados. Esse prazo termina em 12 de fevereiro.

Sobre o programa Meu INSS Vale Mais — que permitia antecipar até R$ 450 do benefício do INSS para despesas essenciais, sem juros ou taxas —, Waller afirmou que o programa foi suspenso em maio de 2025 e extinto definitivamente em agosto do mesmo ano, devido a denúncias de cobranças indevidas. O produto era operado pelo PicPay.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress