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— Um funcionário da Casa Branca publicou o conteúdo erroneamente. A postagem foi retirada do ar — disse um representante do governo à AFP.
Mais cedo, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia minimizado a repercussão negativa e classificado as reações ao vídeo como uma “indignação falsa”. Ela afirmou que o material foi retirado de “um vídeo de meme da internet que retrata o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão”.
O vídeo, com cerca de um minuto, promovia teorias da conspiração sobre a eleição presidencial de 2020 e inclui, por aproximadamente um segundo, imagens em que os rostos de Barack e Michelle Obama são sobrepostos a corpos de macacos, ao som da música “The Lion Sleeps Tonight”. A gravação fazia parte de uma sequência de postagens do presidente que reiteram falsas alegações de que o pleito foi roubado. Até as primeiras horas da manhã desta sexta-feira, a publicação havia recebido milhares de “curtidas” na rede social do presidente.
Líderes democratas classificaram o conteúdo como racista. O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, escreveu no X que Trump é “vil, desequilibrado e maligno” e afirmou: “Todo e qualquer republicano deve denunciar imediatamente a repugnante intolerância” do republicano. Em outra publicação, chamou o presidente de “doente”. As críticas foram ecoadas pelo Gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom — apontado como possível candidato democrata à Presidência em 2028 e um dos críticos mais proeminentes de Trump —, que escreveu:
“Comportamento asqueroso por parte do Presidente. Cada republicano deve denunciá-lo. Agora”, publicou.
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Ben Rhodes, ex-alto assessor de segurança nacional e confidente próximo de Barack Obama, também condenou as imagens. Em publicação no X, ele escreveu: “Que isso assombre Trump e seus seguidores racistas: os americanos do futuro vão abraçar os Obama como figuras queridas, enquanto estudarão Trump como uma mancha em nossa história.”
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As críticas, porém, não se limitaram à oposição. O republicano Tim Scott, da Carolina do Sul, aliado de Trump e único senador negro do partido, condenou a postagem e pediu sua remoção: “Rezo para que seja falso, porque é a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”, escreveu ele nas redes sociais, em manifestação vista como rara dentro do Partido Republicano. Além de senador, Scott preside a Comissão Nacional Republicana Senatorial, responsável por coordenar a estratégia da sigla para manter a maioria no Senado nas eleições de meio de mandato.
O grupo Republicans Against Trump (Republicanos Contra Trump), crítico frequente do presidente nas redes, escreveu: “Não há limite”.
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Segundo a primeira versão da Casa Branca, no entanto, o trecho com os Obama foi retirado de um vídeo mais longo, difundido anteriormente por um criador de memes conservadores. Nele, Trump é retratado como um leão, enquanto líderes democratas aparecem como diferentes animais. O vídeo termina com os personagens se curvando diante do republicano.
Imagens de IA
A representação dos Obama como macacos perpetua um estereótipo racista promovido por traficantes de escravizados e segregacionistas, que usaram essa caracterização para desumanizar pessoas negras e justificar linchamentos e outras atrocidades. Trump tem histórico de fazer comentários depreciativos sobre pessoas de cor, mulheres e imigrantes, e, desde seu retorno à Presidência, o republicano e sua administração têm zombado com frequência ou feito acusações falsas contra Obama.
Obama é o único presidente negro da História dos Estados Unidos e apoiou Kamala Harris, adversária de Trump, nas eleições presidenciais de 2024. Trump lançou sua própria carreira política ao promover a teoria da conspiração racista e falsa conhecida como “birther”, segundo a qual o democrata, que nasceu no Havaí, mentia sobre ter nascido nos EUA. O republicano mantém há muito tempo uma rivalidade com Obama, que foi presidente de 2009 a 2017, demonstrando especial ressentimento pela popularidade do democrata e pelo fato de ele ter recebido o Nobel da Paz.
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Na campanha de 2024, Trump afirmou que imigrantes estavam “envenenando o sangue do nosso país”, linguagem semelhante à usada por Adolf Hitler para desumanizar judeus na Alemanha nazista. Durante seu primeiro mandato na Casa Branca, Trump se referiu a um grupo de países em desenvolvimento, majoritariamente negros, como “países de merda”. Inicialmente, ele negou ter usado o termo, mas admitiu em dezembro de 2025 que o havia dito.
Desde que voltou à Casa Branca, o presidente e seus aliados têm intensificado o uso de memes e vídeos, inclusive produzidos com inteligência artificial, para atacar adversários políticos. As publicações costumam ser defendidas por assessores como conteúdo humorístico, enquanto críticos apontam desinformação e ataques de cunho racial.
No ano passado, divulgou um vídeo produzido com IA que mostrava Barack Obama sendo preso no Salão Oval e aparecendo atrás das grades com um macacão laranja. Mais tarde no mesmo ano, publicou um clipe criado com IA do líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries — que é negro —, com um bigode falso e um chapéu de charro. Jeffries classificou a imagem como racista.
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Em seu segundo mandato, Trump vem sendo criticado por adversários por liderar uma ofensiva contra programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Uma das primeiras decisões do governo foi encerrar todos os programas federais de DEI, incluindo políticas de diversidade nas Forças Armadas, que o presidente classificou como “woke”. A medida também levou à retirada, das bibliotecas de academias militares, de dezenas de livros que tratam da história da discriminação nos EUA.
Os programas federais de combate à discriminação surgiram a partir da luta pelos direitos civis na década de 1960, liderada principalmente por afro-americanos, em defesa da igualdade e da justiça após séculos de escravidão. A abolição formal, em 1865, foi seguida por outras formas institucionais de racismo. (Com AFP e New York Times)










