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Pelo menos 175 pessoas, a maioria provavelmente crianças, morreram em um ataque a uma escola primária feminina no sul do Irã, na cidade de Minab, próxima ao estratégico estreito de Ormuz, no último sábado, informaram autoridades de saúde e a mídia estatal iraniana. Autoridades do país afirmam que o bombardeio fez parte da operação lançada no sábado por Israel em cooperação com os Estados Unidos, mas o exército israelense negou a acusação. Até o momento, não há autoria confirmada do ataque e nem explicação oficial sobre o incidente. Diversos vídeos e fotos verificados pelo New York Times mostraram que pelo menos metade da escola de dois andares foi destruída na explosão.
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A escola fica ao lado de uma base naval pertencente à força militar mais poderosa do Irã, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC). Imagens de satélite analisadas pelo Times mostram que, em 2013, o prédio da escola fazia parte da base. Estradas davam acesso a outras áreas da base e ligavam o prédio da escola atingido no sábado. Mas, em setembro de 2016, imagens de satélite mostram que o mesmo prédio havia sido isolado por muros e não estava mais conectado à base.
Dezenas de pessoas morreram em ataque a uma escola no sul do Irã
Atacar intencionalmente uma escola, hospital ou outra estrutura civil é um crime de guerra, e ataques indiscriminados também violam a lei. Mesmo que as escolas sejam usadas para fins militares, a lei exige que as partes armadas evitem ou minimizem os danos a civis e à infraestrutura civil, de acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Citando, em parte, o ataque à escola, o Centro para Civis em Conflito (Center for Civilians in Conflict), uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington dedicada a minimizar os danos a civis em guerras, pediu no domingo “desescalada imediata, máxima contenção e ação urgente para proteger civis e infraestrutura civil”.
Malala Yousafzai, ativista paquistanesa pelos direitos das mulheres e a pessoa mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz, disse nas redes sociais no sábado que estava “com o coração partido e horrorizada” com o ataque. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o ataque à escola “não ficará sem resposta”.
A Unesco, agência das Nações Unidas para a educação e a cultura, condenou o ataque, afirmando em um comunicado nas redes sociais no domingo:
“O assassinato de alunos em um local dedicado ao aprendizado constitui uma grave violação da proteção concedida às escolas pelo direito internacional humanitário”.
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Outros vídeos de testemunhas compartilhados pela mídia iraniana e verificados pelo NYT mostraram colunas escuras de fumaça saindo de dois prédios dentro da base naval, indicando que ela havia sido alvo da onda de ataques israelenses e americanos de sábado. O exército israelense não respondeu aos pedidos de comentários do Times no domingo.
— Estamos cientes dos relatos sobre danos a civis resultantes de operações militares em andamento — disse o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, no sábado, destacando que a proteção de civis era “da maior importância”. — Levamos esses relatos a sério e estamos investigando-os.
O ataque no meio da manhã na escola Shajarah Tayyebeh foi um dos dois ataques que aparentemente atingiram escolas no sábado. Outro ataque aparentemente atingiu a Escola Secundária Hedayat na capital do Irã, Teerã, perto da Praça 72, no distrito de Narmak, segundo a mídia local e grupos de direitos humanos.
Dois estudantes morreram nesse ataque, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRNA), com sede nos EUA, que se concentra no Irã. Um porta-voz da Sociedade do Crescente Vermelho afirmou no sábado que quase 750 pessoas ficaram feridas e mais de 200 morreram em ataques ocorridos em 24 províncias, de acordo com informações da mídia estatal iraniana.
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As buscas por sobreviventes nos escombros da escola Shajarah Tayyebeh, no sul do país, terminaram no domingo, segundo Mohammad Radmehr, governador de Minab, conforme noticiado pela mídia estatal iraniana. Aparentemente, este foi o ataque mais mortal desde o início dos bombardeios conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciados no sábado.
Nas imagens compartilhadas nas redes sociais é possível ver que partes do prédio ainda se projetavam dos escombros, com fragmentos de murais coloridos visíveis no que antes eram as paredes da escola. Carteiras estavam cobertas de destroços.
Em outros vídeos verificados pelo NYT há equipes de resgate da Cruz Vermelha ao lado de famílias vasculhando desesperadamente os escombros, que estavam repletos de livros e mochilas escolares cobertos de sangue e cinzas. Num deles, equipes de resgate apareciam recuperando um braço decepado dos escombros.
As vítimas foram colocadas em sacos para cadáveres no local, onde uma multidão de pessoas se aglomerava entre ambulâncias e equipes de resgate.
— O incidente na escola de Minab não se compara a nenhum outro — disse Pirhossein Kolivand, chefe do Crescente Vermelho do Irã, em um vídeo publicado nas redes sociais no domingo, classificando o ataque como “um incidente único e amargo”. — Nem mesmo em Gaza houve um número tão grande de estudantes mortos simultaneamente.
(Com New York Times)
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta segunda-feira que a autorização dada no dia anterior para o uso de bases britânicas pelos Estados Unidos não representa a entrada formal do país na ofensiva ao lado de Israel e dos EUA, mas foi uma decisão tomada “para evitar que o Irã dispare mísseis por toda a região” e cause a morte de civis. Após a autorização, uma base aérea britânica foi atingida por um drone iraniano no Chipre e outros dois foram interceptados.
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De acordo com Starmer, o Reino Unido acatou, no domingo, o pedido dos Estados Unidos para utilizar bases britânicas com o objetivo de interceptar mísseis iranianos “ainda na origem”. Segundo ele, França e Alemanha também estariam dispostas a permitir operações americanas a partir de seus territórios, com o objetivo de neutralizar a capacidade de lançamento de mísseis do Irã.
— O Reino Unido não está em guerra — reiterou o secretário de Estado encarregado do Oriente Médio, Hamish Falconer, à BBC.
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É a primeira vez que um país da União Europeia sofre um ataque desde o início da guerra no Oriente Médio no sábado, quando bombardeios atingiram o Irã. A base de Akrotiri, território de ultramar do Reino Unido desde a independência de Chipre em 1960, é a maior da força aérea britânica fora de seu país, com mais de 3.500 trabalhadores, disponibilidade de escolas, centro médico, igrejas e outras instalações.
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O porta-voz do governo do Chipre, Konstantinos Letymbiotis, disse nesta segunda-feira que solicitará garantias ao Reino Unido de que a base atingida pelo Irã “não seja utilizada com outros fins que não sejam humanitários”. Após os bombardeios, familiares dos funcionários da base foram enviados para residências próximas como “medida de precaução”. Segundo o Ministério da Defesa britânico, a base segue com operações dentro da normalidade e com seus funcionários posicionados.
Um dos dois principais aeroportos do país, Pafos, também foi esvaziado. Cerca de sessenta voos com destino e procedência de Pafos e Lárnaca tiveram que ser cancelados.
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda-feira que Teerã agradece o posicionamento do governo brasileiro, que condenou a ofensiva inicial dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano. Segundo ele, a manifestação de Brasília demonstra valorização da soberania, da integridade territorial e dos direitos humanos.
— Nós recebemos a declaração e comunicados do governo Lula e agradecemos a condenação do ato de agressão. Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos — destacou.
Nekounam afirmou que o país já decidiu dar continuidade às respostas militares e que não haverá limites para as retaliações enquanto as agressões persistirem.
— Entramos nessa guerra por estarmos firmes e por ser nosso direito. Nós fomos atacados e estamos nos defendendo. Não há nenhuma limitação e restrição sobre nossas respostas e retaliações conforme os ataques da parte dos EUA e do regime sionista, nós vamos responder da mesma altura. Se formos atacados vamos responder de forma firme — afirmou o embaixador.
O diplomata também declarou que Teerã só interromperá suas ações quando houver recuo das forças americanas e israelenses.
— Até que quem nos atacou recue, continuaremos nossos atos de defesa — disse.
Nekounam classificou como “ataque criminoso” o bombardeio que, segundo ele, matou mais de 170 meninas em uma escola. O embaixador afirmou que o episódio tornou inevitável uma resposta de grande escala.
Negociações nucleares paralisadas
O diplomata disse que a retomada das negociações sobre o acordo nuclear — prevista para Viena — foi interrompida após os novos ataques. Ele acusou os EUA de usar as conversas como “farsa” e de buscar mudança do regime iraniano. Segundo ele, Teerã havia esclarecido as questões levantadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) antes da escalada militar.
Relação com o Brasil e possíveis efeitos econômicos
Nekounam afirmou que espera que a guerra não afete o comércio com o Brasil, incluindo insumos agrícolas. Ele disse que não há relatos de brasileiros entre as vítimas e que a embaixada mantém diálogo regular com o Itamaraty sobre a situação no país.
O embaixador também reforçou que os ataques iranianos têm como alvo “bases militares dos EUA e centros do regime sionista”, não os países vizinhos — um recado após queixas regionais sobre os riscos de expansão do conflito.
— Quando uma base militar é usada para atacar nosso país, claramente será atacada e terá respostas. As nossas relações com nossos países vizinhos e irmãos estão mantidas, mas, como mencionou nosso ministros de Relações Exteriores, esses países precisam pressionar os países donos dessas bases militares a desativá-las — disse.
O embaixador também afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz — corredor por onde passa grande parte do petróleo transportado no mundo — não foi uma surpresa para Teerã. Segundo ele, a liderança iraniana já havia avisado que qualquer ofensiva contra o país poderia desencadear uma crise de alcance regional. Para o diplomata, o bloqueio é consequência direta da decisão dos Estados Unidos e de Israel de iniciar os ataques.
O que aconteceu
O conflito começou no sábado, quando Estados Unidos e Israel realizaram uma série de bombardeios contra alvos estratégicos no Irã, alegando ameaça do programa nuclear iraniano. A ofensiva provocou um choque político imediato: o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, morreu após ser atingido, fato confirmado pela TV estatal. Também perderam a vida o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, e o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh.
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e outros pontos da região, sinalizando que a reação não ficaria restrita ao próprio território. A troca de ataques elevou rapidamente o número de vítimas e levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo, aumentando a preocupação global com o conflito.
A guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã no fim de semana ganhou novos contornos nesta segunda-feira e se espalhou pelo Oriente Médio e além. O Hezbollah, no Líbano, entrou diretamente no conflito, uma base aérea britânica em Chipre foi atingida por um drone iraniano e ataques também foram registrados no Golfo, ampliando o alcance da ofensiva. Abaixo, um infográfico do GLOBO mostra os locais atingidos desde o início dos ataques.
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As Forças Armadas de Israel informaram ter iniciado novos bombardeios contra Teerã. Na capital iraniana, repórteres da AFP ouviram explosões no terceiro dia da ofensiva conjunta americano-israelense. Em Beirute, no Líbano, detonações também foram registradas na cidade, marcando a entrada formal do Hezbollah nos confrontos.

Diante da escalada, as monarquias do Golfo também ameaçaram retaliar. Uma refinaria de petróleo na Arábia Saudita foi tomada por chamas, o Catar anunciou a suspensão da produção de gás natural liquefeito (GNL), petroleiros foram atacados na costa de Omã e os preços da energia dispararam nos mercados internacionais.
No Kuwait, fumaça preta foi vista saindo do complexo da embaixada dos Estados Unidos, enquanto o Irã prosseguia com ataques lançados em retaliação à campanha americana e israelense que matou o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Uma base americana e uma usina de energia também foram alvos no país.
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Durante os confrontos, três caças F-15 dos EUA foram abatidos por fogo amigo. Os pilotos e oficiais de armamento sobreviveram. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que, em meio a combates que incluíam aeronaves iranianas, mísseis balísticos e drones, as defesas aéreas do Kuwait atingiram por engano os aviões americanos.
Em Teerã, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, afirmou que o Irã “se defenderá independentemente dos custos e fará os inimigos se arrependerem de seu erro de cálculo”. O governo de Donald Trump, por sua vez, também declarou que manterá a ofensiva. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que não há tropas americanas em solo iraniano até o momento, mas sinalizou a possibilidade de expansão.
— Iremos tão longe quanto for necessário — afirmou.
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A mídia iraniana informou que Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, de 79 anos, esposa de Khamenei, morreu na segunda-feira em decorrência dos ferimentos sofridos no ataque que matou o líder supremo e vários comandantes iranianos de alto escalão três dias antes.
A capital iraniana apresentava cenário de esvaziamento. Muitos moradores deixaram a cidade, enquanto outros, com malas nas mãos, se preparavam para partir. Nas ruas em grande parte desertas, predominavam veículos de entrega de comida. No bazar de Tajrish, clientes se apressavam para comprar frutas e pão em algumas poucas lojas ainda abertas.
Fora do Irã, um drone iraniano atingiu a pista de uma base da Força Aérea do Reino Unido em Akrotiri, em Chipre. O governo cipriota anunciou a evacuação do principal aeroporto da cidade de Pafos e da área ao redor da instalação britânica. Segundo um porta-voz, outros dois drones que tinham como alvo a base foram neutralizados a tempo.
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A Grécia informou o envio de fragatas e caças para ajudar a proteger Chipre, país-membro da União Europeia. Desde sábado, Israel e Estados Unidos realizam ataques contra alvos em todo o território iraniano. Explosões também foram registradas em Dubai, no Bahrein e no Iraque, ampliando o alcance regional do conflito.
O tráfego aéreo nos principais centros de conexão do Oriente Médio foi interrompido, afetando milhares de passageiros. Dubai anunciou que seus aeroportos seriam parcialmente reabertos ainda na segunda-feira, após o cancelamento de voos ao longo do fim de semana.
No Líbano, os bombardeios desencadearam uma nova rodada de confrontos entre Israel e o Hezbollah. O grupo apoiado pelo Irã lançou foguetes, e as forças israelenses responderam com ataques aéreos. O chefe do Exército de Israel, Eyal Zamir, afirmou que a campanha só será encerrada quando “não apenas o Irã sendo atingido, mas com o Hezbollah sofrendo um golpe devastador”.
— Nossa mensagem é clara e ecoa por todo o Oriente Médio: atacaremos todos os líderes e facções terroristas que se levantarem para nos prejudicar.
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Com o Líbano sendo arrastado para o conflito, o primeiro-ministro Nawaf Salam anunciou a proibição imediata de todas as atividades de segurança e militares do Hezbollah, classificando-as como ilegais. Em Beirute, explosões voltaram a ser ouvidas, enquanto no sul do país moradores deixavam suas casas após o anúncio de novos ataques israelenses.
No Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, três navios foram atacados no domingo, após o Irã advertir embarcações a não cruzarem a área. A rápida expansão dos confrontos não indica sinais de contenção. A AFP informou que não conseguiu verificar de forma independente os números de mortos divulgados por fontes iranianas.
Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, instaram os iranianos a derrubar o governo em Teerã. Desde a Revolução Islâmica de 1979, que depôs o xá apoiado pelo Ocidente, o regime iraniano é considerado inimigo declarado de Israel e dos Estados Unidos.
(Com AFP)

A principal autoridade de segurança do Irã adotou um tom desafiador nesta segunda-feira, criticando o presidente Donald Trump por alimentar “fantasias delirantes” sobre o impacto de uma guerra em expansão que já atingiu mais de meia dúzia de países no Oriente Médio. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, também negou reportagens segundo as quais os novos líderes do Irã estariam buscando negociar com Washington.
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“Trump mergulhou a região no caos com suas ‘fantasias delirantes’ e agora teme mais baixas entre as tropas americanas”, escreveu Larijani em uma série de publicações inflamadas na rede social X. “O Irã, ao contrário dos Estados Unidos, se preparou para uma guerra longa.”
Ele acusou o presidente americano de ter entrado em um conflito que prejudicou os interesses dos EUA e serviu aos objetivos de Israel, que vem atacando duramente inimigos regionais desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro contra o país.
“TRUMP TRAIU O ‘AMERICA FIRST’ PARA ADOTAR O ‘ISRAEL FIRST’”, afirmou em outra publicação, imitando o estilo do presidente dos EUA ao escrever em letras maiúsculas. “É realmente muito triste que ele esteja sacrificando recursos e vidas americanas para promover as ambições expansionistas ilegítimas de Netanyahu”, acrescentou.
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Larijani era um confidente de confiança do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morto nos primeiros bombardeios do ataque conjunto entre Estados Unidos e Israel no sábado. Segundo algumas autoridades iranianas, Larijani, aos 67 anos, teria comandado o país nos bastidores no período que antecedeu a guerra.
Em janeiro, Larijani foi alvo de sanções de Washington por seu papel de liderança na repressão mortal a protestos nacionais contra o governo. Ele supervisionava as mais recentes negociações nucleares entre EUA e Irã, que foram abruptamente interrompidas quando Estados Unidos e Israel lançaram o ataque conjunto no sábado.
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Desde então, EUA e Israel atingiram mais de 2.000 alvos no Irã, incluindo bases militares e armamentos. O Irã retaliou com salvas de mísseis e drones que atingiram Israel, vários Estados árabes do Golfo, o Iraque vizinho, Chipre e uma via marítima estratégica.
Em entrevista ao New York Times, Trump afirmou que a operação durará “quatro ou cinco semanas” e previu mais baixas, além dos quatro militares americanos mortos em combate.
Larijani vinha sendo visto como um pragmático disposto a fechar um acordo com Washington. Mas, nesta segunda-feira, ele republicou um resumo de uma reportagem do Wall Street Journal que afirmava que ele teria proposto a retomada das negociações, com o comentário: “Não negociaremos com os Estados Unidos.”
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O “pensamento ilusório” de Trump arrastaria toda a região para uma guerra desnecessária, escreveu ele nas redes sociais, acrescentando que o presidente americano “está, com razão, preocupado com mais baixas americanas”.

Cerca de 19 mil eleitores de três cidades cearenses foram às urnas nesse domingo eleger os novos ocupantes para os cargos de prefeito e vice-prefeito. Choró, Potiretama e Senador Sá realizaram as primeiras eleições suplementares de 2026 em razão da perda dos mandatos dos candidatos a prefeito e vice-prefeito, eleitos em 2024.

Paulo George de Sousa Saraiva do PSB, foi eleito prefeito de Choró, tendo Francisco Elcimar Lusia Ribeiro, o Cimar, do mesmo partido, como vice. Já em Potiretama, Solange Holanda Campelo Balbino, do PT, foi eleita prefeita junto com Rogério Barbosa Diogenes, seu vice-prefeito na chapa.

A cidade de Senador Sá teve chapa única no pleito. Os eleitores optaram por eleger Sabrina Morais Lopes, do PP, conhecida como Sabrina do Bel como prefeita, junto com sua vice Maria Veriani Araújo Costa, a Professora Maria, também do PP, como vice. Os mandatos dos novos gestores vão até o dia 31 de dezembro de 2028.

Segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, já estão previstas mais cinco datas eleições suplementares ainda neste ano. Por enquanto, seis cidades brasileiras têm previsão de pleitos para eleger novos prefeitos e vice. No dia 12 de abril, Cabedelo, na Paraíba; Oiapoque, no Amapá, e os municípios gaúchos de Cachoeirinha e Viamão realizarão eleições suplementares. Já em 17 de maio, os eleitores de Itaú e Ouro Branco, no Rio Grande do Norte, voltarão às urnas.

A possibilidade de realização de Eleições Suplementares está prevista no Código Eleitoral brasileiro e ocorre quando a Justiça Eleitoral anula mais de 50% dos votos de uma eleição em razão do indeferimento do registro ou da cassação do diploma dos candidatos eleitos para os cargos de prefeito, governador ou presidente da República. A legislação também prevê a convocação de novas eleições nos casos em que a Justiça Eleitoral decida pelo indeferimento do registro, pela cassação do diploma ou pela perda do mandato em disputas majoritárias, independentemente do percentual de votos anulados.

Os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciados na manhã de sábado, atingiram o núcleo do poder do regime iraniano. Entre os mortos confirmados, estão o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o chefe dos serviços de inteligência da polícia iraniana, general Gholamreza Rezaian.
Desencadeada no sábado, ofensiva teve como alvo centenas de instalações militares e lideranças do regime de Teerã, segundo as Forças Armadas israelenses. De acordo com o porta-voz militar de Israel, brigadeiro-general Effie Defrin, diversas figuras-chave do regime foram mortas. O presidente do país, Masoud Pezeshkian, também estava entre os alvos, mas autoridades iranianas afirmam que ele não foi atingido.
A guerra cresceu em extensão entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, com as confirmações dos ataques trocados pelas Forças Armadas do Estado judeu e o Hezbollah, grupo libanês aliado de Teerã por meio do “Eixo da Resistência”, e do bombardeio de drones iranianos a uma base do Reino Unido no Chipre — país insular na fronteira geográfica e cultural entre Ásia e Europa.
Veja abaixo a lista de comandantes e autoridades atingidos:
Ali Khamenei, líder supremo do Irã
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei
Distribuição via AFP: KHAMENEI.IR
Segundo líder supremo do Irã depois da revolução de 1979 e a figura política mais importante do país depois do aiatolá Ruhollah Khomeini, o aiatolá Ali Khamenei morreu no sábado em ataques dos EUA e de Israel ao Irã, anunciou o presidente dos EUA, Donald Trump, deixando em aberto o seu processo de sucessão e o próprio futuro da República Islâmica. Mais tarde, as autoridades iranianas também confirmaram a morte, que desencadeou cenas opostas de luto e celebração no país e uma onda de protestos em diferentes partes do Oriente Médio, do sul da Ásia e da Europa.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã
Ali Shamkhani, ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, durante reunião em Teerã
Atta Kenare/AFP
A Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês) e a comunidade de inteligência de Israel vinham monitorando há meses os movimentos do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerã, a CIA recebeu a informação de que Khamenei teria uma reunião de cúpula com autoridades do regime teocrático em um complexo oficial em Teerã no sábado. A constatação que fez os aliados adaptarem e anteciparem planos que vinham sendo traçados a portas fechadas e lançarem o ataque à capital iraniana em plena luz do dia — uma “surpresa tática” que matou Khamenei e alguns de seus principais assessores, como um de seus principais conselheiros, Ali Shamkhani.
Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária Islâmica
Mohammad Pakpour durante parada militar em Teerã
AFP
O comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Pakpour, também foi morto no ataque à reunião de cúpula do Irã, rastreada pela inteligência americana.
Amir Nasirzadeh, ministro da Defesa do Irã
O ministro de Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh (ao centro), na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em Qingdao
Pedro Pardo / AFP
Amir Nasirzadeh, ministro da Defesa do Irã, também foi morto no ataque à reunião de cúpula do regime, rastreada pela inteligência americana.
Abdolrahim Mousavi, chefe do Exército iraniano
Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Abdolrahim Mousavi havia sido nomeado para o cargo por Khamenei dias depois dos ataques de Israel ao país, em junho do ano passado. De 2017 até este momento, ele servira como comandante-em-chefe do Exército iraniano, segundo a Al Jazeera. Também foi morto na reunião de cúpula do Irã.
Israel diz ter matado outras figuras influentes
Relatos da imprensa israelense indicam ainda que outras figuras influentes foram mortas na ofensiva, embora o Irã ainda não tenha confirmado tais perdas. É o caso de Ali Larijani, apontado como um dos possíveis sucessores de Khamenei e secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Também teriam sido visados Esmail Qaani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária, e Majid Mousavi, responsável pela Força Aérea da corporação e pela supervisão de ataques com mísseis balísticos.
Sayed Yahya Hamidi, apontado como vice-ministro da Inteligência
Reprodução/FBI
As Forças de Armadas de Israel (FDI) anunciaram ainda ter eliminado dois integrantes de alto escalão do Ministério da Inteligência do Irã durante o ataque inicial da operação militar denominada “Leão Rugindo” (chamada de Fúria Épica pelos EUA). Entre os mortos, de acordo com Israel, estão Sayed Yahya Hamidi, apontado como vice-ministro da Inteligência para assuntos relacionados a Israel, e Jalal Pour Hossein, descrito como chefe da divisão de espionagem do ministério. As autoridades iranianas não confirmaram a morte dessas autoridades.
O Exército israelense também anunciou nesta segunda-feira que matou o chefe da inteligência do Hezbollah, Hussein Moukalled, em um ataque em Beirute no domingo, em meio à retomada das hostilidades com o grupo armado libanês.
Como era a cúpula iraniana antes da ofensiva de EUA e Israel:
Infográfico mostra o alta escalão iraniano e os membros mortos nos ataques
Arte GLOBO
O presidente francês Emmanuel Macron anunciou nesta segunda-feira o aumento do número de ogivas nucleares do país, naquilo que chamou de esquema de dissuasão nuclear avançado proposto pela França. Segundo ele, oito países concordaram em participar da proposta francesa, com a presença de nações como Reino Unido, Alemanha e Polônia.
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Macron anunciou também que o país irá ampliar seu arsenal nuclear, com aumento do número de ogivas nucleares. De acordo com o presidente, esta é uma iniciativa que visa promover a “proteção da Europa”. O esquema incluirá nações como Países Baixos, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca, que poderão acolher as “forças aéreas estratégicas” francesas. Macron afirmou que a estratégia é “espalhar-se por todo o continente europeu” para assim “complicar os cálculos dos adversários”.
— Devemos reforçar nossa dissuasão nuclear diante das múltiplas ameaças e devemos considerar nossa estratégia de dissuasão em todo o continente europeu, com pleno respeito à nossa soberania — disse Macron.
Hoje, o país liderado por Macron possui o quarto maior arsenal nuclear do planeta, com um total de 290 ogivas nucleares. A base de Ile Longue abriga os quatro submarinos de mísseis balísticos da França – Le Triomphant, Le Temeraire, Le Vigilant e Le Terrible.
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— Uma modernização do nosso arsenal é essencial. Por isso, ordenei um aumento no número de ogivas nucleares em nosso arsenal — afirmou o presidente francês.
Reflexos da guerra na Europa
A expansão das consequências da guerra chegou até mesmo à Europa. Segundo o presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, nesta segunda um drone iraniano caiu em uma base que o Reino Unido mantém na ilha do Mediterrâneo.
Em comunicado, França, Reino Unido e Alemanha disseram que podem tomar “medidas defensivas” para proteger seus interesses e os de seus aliados da região. Ainda segundo o comunicado, as medidas seriam suficientes para “destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones”. Na manhã de segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, insistiu que a França está disposta a “participar” do conflito em defesa de seus aliados na região.
No terceiro dia consecutivo de bombardeios contra os países do Golfo que abrigam bases dos Estados Unidos, responsáveis pelo ataque coordenado com Israel contra a República Islâmica no último sábado, o Irã mirou uma central elétrica e um complexo de tratamento de gás no Catar nesta segunda-feira. A Arábia Saudita, que condenou os “ataques iranianos flagrantes e covardes” no final de semana, também informou que um “incêndio limitado” na refinaria de Ras Tanura foi controlado nesta segunda. Os ataques não provocaram vítimas.
Guerra no Oriente Médio: Acompanhe a cobertura completa
Contexto: Catar suspende a produção de gás natural após ataque
Escalada de tensão com a Europa: Guerra no Oriente Médio cresce com múltiplos fronts e ataques entre Israel e Hezbollah
Segundo o Ministério da Defesa do Catar, dois drones iranianos — que teriam como alvo a região de Riad e a Província Oriental — atacaram as instalações, mas foram “interceptados com sucesso”. A empresa estatal de energia, então, suspendeu a produção de gás natural liquefeito após os ataques.
“Devido a ataques militares contra as instalações operacionais da QatarEnergy na Cidade Industrial de Ras Laffan e na Cidade Industrial de Mesaieed, no Catar, a QatarEnergy interrompeu a produção de gás natural liquefeito (GNL) e de produtos associados”, afirmou a empresa, em um comunicado.
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De acordo com a empresa, os locais atingidos foram Ras Laffan — a principal unidade de produção de gás natural liquefeito do país, que fica a 80 km ao norte da capital — e o reservatório de água de uma usina elétrica em Mesaieed, outra base crucial para a produção de gás natural, 40 km ao sul de Doha.
O preço do gás europeu, que já registrava uma forte alta na manhã de segunda-feira, subiu mais de 50% após o anúncio da suspensão da produção de GNL.
O Catar é um dos maiores produtores mundiais de gás natural liquefeito, ao lado de Estados Unidos, Austrália e Rússia. O país compartilha com o Irã a maior reserva de gás natural do mundo.
Guerra ampliada
Para vingar a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários dirigentes da República Islâmica, Teerã lançou mísseis contra diversos países do Oriente Médio, incluindo aqueles que abrigam bases americanas. Um levantamento divulgado pela rede catari Al Jazeera indica que, até a manhã desta segunda-feira, ao menos 12 países já haviam sido atingidos direta ou indiretamente pela escalada militar.
Os confrontos e ataques já alcançaram Irã, Israel, Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Chipre. Em muitos casos, os projéteis foram interceptados por sistemas de defesa aérea, mas ainda assim houve mortos, feridos e danos a infraestrutura civil e militar.
O mapa dos ataques retaliatórios do Irã contra Israel, bases militares dos Estados Unidos e países do Golfo
Arte O Globo
No Bahrein, mísseis atingiram a área onde está o quartel-general da 5ª Frota da Marinha dos EUA, em Juffair. Um trabalhador asiático morreu depois que destroços de um míssil interceptado caíram sobre uma embarcação em manutenção. Já no Iraque, ataques envolvendo posições ligadas a milícias apoiadas por Teerã deixaram dois combatentes mortos e cinco feridos, segundo autoridades locais e fontes do grupo Kataib Hezbollah.
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Outros países registraram interceptações e danos pontuais. A Jordânia afirmou ter derrubado dezenas de drones e mísseis que cruzaram seu espaço aéreo. Em Omã, ataques com drones e um incidente envolvendo um petroleiro deixaram cinco pessoas feridas. No Catar, projéteis atingiram a base aérea de Al Udeid, que abriga forças americanas, e deixaram ao menos 16 feridos.
Na Arábia Saudita, ataques tiveram como alvo áreas próximas a instalações estratégicas, incluindo regiões com infraestrutura petrolífera, embora não haja registro de vítimas. Nos Emirados Árabes Unidos, ao menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após destroços de mísseis e drones caírem em áreas residenciais em Abu Dhabi e Dubai.
O Líbano também entrou na lista de países afetados após ataques aéreos israelenses que, segundo o Ministério da Saúde local, mataram ao menos 31 pessoas e feriram quase 150. Em paralelo, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes e drones contra uma base militar perto de Haifa, no norte de Israel.
Além disso, um drone iraniano atingiu uma pista de pouso em uma base militar britânica no Chipre, ampliando ainda mais o alcance geográfico do conflito.
(Com AFP)
Um novo ataque com míssil do Irã deixou 19 pessoas feridas em Be’er Sheva, no Sul de Israel. Com o impacto da explosão, uma cratera se formou no terreno do local, e muitos prédios foram danificados, segundo a polícia israelense. O comando do Distrito Sul afirmou ao jornal Haaretz que uma operação está em andamento para resgatar vítimas em dez prédios, num ação que deve levar várias horas em meio ao novo capítulo na escalada de tensões no Oriente Médio desencadeada após os ataques iniciados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, no sábado.
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Os serviços de emergência detalharam que, dos 19 feridos, um teve lesões moderadas enquanto os demais sofreram ferimentos leves, resultantes do impacto direto do míssil. Um levantamento da rede Al Jazeera aponta que, do início do confronto contra o Irã até a manhã desta segunda-feira, ao menos dez pessoas morreram em Israel e outras centenas ficaram feridas.
A maior parte dos mortos em Israel estava num abrigo antibombas público atingido por um míssil balístico iraniano na cidade de Beit Shemesh, no Centro de Israel, neste domingo. As autoridades israelenses identificaram nesta manhã os irmãos Sarah Bitton, de 13 anos, Avigail Bitton, de 15, e Yaakov Bitton, de 16, como as últimas três das nove vítimas do bombardeio, que deixou outros 60 feridos.
Uma investigação inicial das Forças de Defesa de Israel (IDF) concluiu que o abrigo antibombas atendia aos padrões oficiais de segurança. Segundo as IDF, a maioria das pessoas que estavam no local não morreu. O caso reacendeu o debate sobre o sistema de defesa aérea do país (veja detalhes mais abaixo). Enquanto isso, Israel afirma ter mobilizado 110 mil reservistas desde o início do conflito contra o Irã e se preparado para desdobramentos “em múltiplas frentes”.
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“Antes da campanha, a Diretoria de Operações conduziu um processo aprofundado de preparação para o combate ao longo de vários meses”, declararam as Forças, que citaram ainda preparativos junto ao Exército dos EUA e o reforço comandos regionais.
No sábado à noite, outra vítima morreu após ser atingida por estilhaços na região de Tel Aviv, onde ao menos 40 edifícios sofreram danos, segundo o jornal Haaretz. Os ataques também atingiram diretamente forças americanas. De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos, três soldados morreram e cinco ficaram gravemente feridos após um ataque iraniano contra posições militares no Kuwait.
O Irã afirmou no sábado ter iniciado uma “primeira onda” de retaliação com mísseis e drones contra Israel, em resposta aos bombardeios conduzidos por forças americanas e israelenses. Em comunicado, os Guardiões da Revolução disseram que a ofensiva foi direcionada aos “territórios ocupados”, em referência a Israel. A escalada rapidamente atingiu outros países do Oriente Médio.
Explosões continuam sendo registradas pelo terceiro dia consecutivo no Irã, em Israel e em diferentes pontos da região. A ofensiva levou Teerã a cumprir uma promessa reiterada nas últimas semanas: retaliar mirando instalações militares americanas e alvos ligados a Israel na região. Um levantamento da Al Jazeera indica que, até a manhã desta segunda, ao menos 12 países já haviam sido atingidos direta ou indiretamente pela escalada militar.
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O novo conflito com o Irã marca um teste decisivo para o sofisticado sistema de defesa antimísseis de Israel, estruturado em múltiplas camadas e reconhecido por proteger a população contra ameaças aéreas. A guerra cresceu em extensão, entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, com as confirmações dos ataques trocados pelas Forças Armadas do Estado judeu e o Hezbollah, grupo libanês aliado de Teerã por meio do “Eixo da Resistência”, e do bombardeio de drones iranianos a uma base do Reino Unido no Chipre — país insular na fronteira geográfica e cultural entre Ásia e Europa.
Após a guerra de 12 dias travada em junho do ano passado, os estoques de interceptadores de mísseis balísticos israelenses foram significativamente reduzidos, aumentando a preocupação com a capacidade de resposta em caso de novos ataques. O mesmo ocorreu com o arsenal americano de mísseis antibalísticos lançados da terra e do mar, que funcionou como um escudo adicional crucial para Israel.
O sistema de defesa de Israel
Embora o sistema Domo de Ferro seja talvez o componente mais conhecido da defesa aérea israelense, ele é projetado para interceptar foguetes de curto alcance, como os disparados pelo Hamas. Outros sistemas são mais relevantes em conflitos com o Irã ou com o Hezbollah, no Líbano.
O sistema David’s Sling, ou Funda de Davi, intercepta mísseis de médio a longo alcance que não atingem altitudes muito elevadas. Já o Arrow 3, desenvolvido em conjunto pela Boeing e pela Israel Aerospace Industries (IAI), é empregado contra mísseis balísticos de longo alcance, interceptando-os acima da atmosfera terrestre.
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Em operação desde 2011, Israel conta com um sistema antimísseis conhecido como Domo de Ferro, que já interceptou milhares de foguetes disparados de Gaza. O sistema de defesa foi projetado para deter em pleno ar mísseis que adentrem o território israelense. Os dispositivos inimigos são detectados por meio de um radar, e o sistema rapidamente calcula se o foguete deve cair em uma área habitada ou atingir uma infraestrutura importante. Caso represente uma ameaça, mísseis são disparados para atingir o artefato inimigo.
O sistema de radar é capaz de detectar foguetes entre 4 e 70 km de distância. Já os mísseis podem defender uma área de 150 km². Segundo Israel, o sistema tem 90% de eficiência. O infográfico abaixo mostra em etapas o funcionamento do sistema:
Infográfico mostra em etapas como funciona o Domo de Ferro, sistema de defesa de Israel
Arte O Globo
O C-Dome é a versão naval do Domo de Ferro e utiliza os mesmos interceptores. Ele complementa o sistema de defesa aérea de múltiplas camadas de Israel em relação ao Arrow-3, que é projetado para interceptar mísseis balísticos fora da atmosfera terrestre.
Domo de Ferro: Videográfico mostra como funciona o sistema de defesa de Israel
“O C-Dome garante proteção abrangente para as embarcações e uma alta probabilidade de acerto contra um amplo espectro de ameaças modernas: marítimas e costeiras”, diz a empresa, chamada Rafael Advanced Defense Systems, em seu site. Consiste em três componentes: interceptores TAMIR, uma unidade modular de lançamento vertical (VLU) e um componente de comando e controle (C2). Ao utilizar o radar de vigilância do navio para detectar e rastrear ameaças, a necessidade de um radar dedicado é eliminada.
Arrow 2 e 3
Esse sistema antimísseis foi desenvolvido em cooperação com os Estados Unidos com o objetivo de interceptar mísseis de médio e longo alcance. O Arrow 3 não revida ataques de aeronaves militares ou lançadores de artilharia, mas sim os mísseis que voam mais alto, sendo capaz de derrubá-los no espaço, em uma altitude que destruiria qualquer ogiva bélica não convencional com segurança. O alcance estimado do Arrow 3 é de aproximadamente 2.400 km ou mais, dependendo do alvo e da trajetória do míssil. Já o Arrow 2 tem um alcance de cerca de 90 km a 150 km.
Decolagem de um míssil do Arrow 3
Reprodução
Em operação desde 2000, o programa de desenvolvimento dos sistema Arrow é estimado em mais de US$ 2 bilhões. O sistema é desenvolvido e fabricado pela Israel Aerospace Industries (IAI) em colaboração com a fabricante de aeronaves americana Boeing. Seu alcance é muito superior ao do sistema americano de defesa antiaérea Patriot e ao do sistema IRIS-T.
David’s Sling
Esse é um sistema de defesa antimísseis desenvolvido por Israel para interceptar mísseis de médio e longo alcance (até 300 km), além de foguetes pesados e mísseis balísticos táticos, complementando a atuação do Domo de Ferro e o sistema Arrow.
O sistema usa um míssil interceptador chamado Stunner, que tem tecnologia avançada para detectar e destruir ameaças com grande precisão. O Stunner é um míssil de dois estágios, isto é, ele pode mudar de curso durante o voo, tornando-o mais eficaz contra alvos que manobram.
Também foi desenvolvido em uma parceria entre a empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems e a empresa americana Raytheon.
Iron Beam
O Iron Beam é um sistema de defesa a laser em desenvolvimento por Israel para interceptar e destruir ameaças aéreas, como foguetes, mísseis de curto alcance, drones e morteiros. Ele utiliza um laser de alta energia em vez de mísseis tradicionais para neutralizar tais ameaças, sendo uma alternativa muito mais econômica e eficaz para a defesa aérea de curto alcance.
Como o sistema é baseado em lasers, ele é praticamente invisível, e os ataques não geram ruídos ou explosões visíveis. O sistema também foi desenvolvido pela empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems e vem sendo testado desde meados de 2010.
Um feixe de laser do sistema, diz o governo israelense, tem o diâmetro de uma moeda e é “incrivelmente preciso”, superando os efeitos de distorção do vento e da temperatura atmosférica.
Sistema Patriot
O Sistema Patriot é um sistema de defesa aérea de longo alcance desenvolvido pelos Estados Unidos, amplamente utilizado para interceptar mísseis balísticos táticos, mísseis de cruzeiro e aeronaves inimigas, sendo o equipamento mais antigo do sistema de defesa antimísseis de Israel. Montados em caminhões, para serem transportados facilmente, cada sistema é capaz de conter quatro interceptadores de mísseis. Nos círculos militares, eles são vistos como um cobertor de segurança, destinado a proteger uma população, tropas ou até edifícios de ataques.
Sistema de defesa aérea Patriot durante um treinamento nos arredores de Constanta, na Romênia
Daniel MIHAILESCU / AFP)
Os mísseis Patriot tornaram-se conhecidos a partir da guerra do Golfo Pérsico em 1991, quando uma série deles derrubou diversos mísseis Scud iraquianos em defesa de Israel. Ele é capaz de detectar, rastrear e identificar alvos em distâncias de até 160 km.

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