— Nós recebemos a declaração e comunicados do governo Lula e agradecemos a condenação do ato de agressão. Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos — destacou.
Nekounam afirmou que o país já decidiu dar continuidade às respostas militares e que não haverá limites para as retaliações enquanto as agressões persistirem.
— Entramos nessa guerra por estarmos firmes e por ser nosso direito. Nós fomos atacados e estamos nos defendendo. Não há nenhuma limitação e restrição sobre nossas respostas e retaliações conforme os ataques da parte dos EUA e do regime sionista, nós vamos responder da mesma altura. Se formos atacados vamos responder de forma firme — afirmou o embaixador.
O diplomata também declarou que Teerã só interromperá suas ações quando houver recuo das forças americanas e israelenses.
— Até que quem nos atacou recue, continuaremos nossos atos de defesa — disse.
Nekounam classificou como “ataque criminoso” o bombardeio que, segundo ele, matou mais de 170 meninas em uma escola. O embaixador afirmou que o episódio tornou inevitável uma resposta de grande escala.
Negociações nucleares paralisadas
O diplomata disse que a retomada das negociações sobre o acordo nuclear — prevista para Viena — foi interrompida após os novos ataques. Ele acusou os EUA de usar as conversas como “farsa” e de buscar mudança do regime iraniano. Segundo ele, Teerã havia esclarecido as questões levantadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) antes da escalada militar.
Relação com o Brasil e possíveis efeitos econômicos
Nekounam afirmou que espera que a guerra não afete o comércio com o Brasil, incluindo insumos agrícolas. Ele disse que não há relatos de brasileiros entre as vítimas e que a embaixada mantém diálogo regular com o Itamaraty sobre a situação no país.
O embaixador também reforçou que os ataques iranianos têm como alvo “bases militares dos EUA e centros do regime sionista”, não os países vizinhos — um recado após queixas regionais sobre os riscos de expansão do conflito.
— Quando uma base militar é usada para atacar nosso país, claramente será atacada e terá respostas. As nossas relações com nossos países vizinhos e irmãos estão mantidas, mas, como mencionou nosso ministros de Relações Exteriores, esses países precisam pressionar os países donos dessas bases militares a desativá-las — disse.
O embaixador também afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz — corredor por onde passa grande parte do petróleo transportado no mundo — não foi uma surpresa para Teerã. Segundo ele, a liderança iraniana já havia avisado que qualquer ofensiva contra o país poderia desencadear uma crise de alcance regional. Para o diplomata, o bloqueio é consequência direta da decisão dos Estados Unidos e de Israel de iniciar os ataques.
O que aconteceu
O conflito começou no sábado, quando Estados Unidos e Israel realizaram uma série de bombardeios contra alvos estratégicos no Irã, alegando ameaça do programa nuclear iraniano. A ofensiva provocou um choque político imediato: o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, morreu após ser atingido, fato confirmado pela TV estatal. Também perderam a vida o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, e o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh.
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e outros pontos da região, sinalizando que a reação não ficaria restrita ao próprio território. A troca de ataques elevou rapidamente o número de vítimas e levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo, aumentando a preocupação global com o conflito.









