Guerra no Oriente Médio: Acompanhe a cobertura completa
Guerra no Oriente Médio cresce com múltiplos fronts e ataques entre Israel e Hezbollah; ações do Irã aumentam tensão com Europa
Os serviços de emergência detalharam que, dos 19 feridos, um teve lesões moderadas enquanto os demais sofreram ferimentos leves, resultantes do impacto direto do míssil. Um levantamento da rede Al Jazeera aponta que, do início do confronto contra o Irã até a manhã desta segunda-feira, ao menos dez pessoas morreram em Israel e outras centenas ficaram feridas.
A maior parte dos mortos em Israel estava num abrigo antibombas público atingido por um míssil balístico iraniano na cidade de Beit Shemesh, no Centro de Israel, neste domingo. As autoridades israelenses identificaram nesta manhã os irmãos Sarah Bitton, de 13 anos, Avigail Bitton, de 15, e Yaakov Bitton, de 16, como as últimas três das nove vítimas do bombardeio, que deixou outros 60 feridos.
Uma investigação inicial das Forças de Defesa de Israel (IDF) concluiu que o abrigo antibombas atendia aos padrões oficiais de segurança. Segundo as IDF, a maioria das pessoas que estavam no local não morreu. O caso reacendeu o debate sobre o sistema de defesa aérea do país (veja detalhes mais abaixo). Enquanto isso, Israel afirma ter mobilizado 110 mil reservistas desde o início do conflito contra o Irã e se preparado para desdobramentos “em múltiplas frentes”.
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“Antes da campanha, a Diretoria de Operações conduziu um processo aprofundado de preparação para o combate ao longo de vários meses”, declararam as Forças, que citaram ainda preparativos junto ao Exército dos EUA e o reforço comandos regionais.
No sábado à noite, outra vítima morreu após ser atingida por estilhaços na região de Tel Aviv, onde ao menos 40 edifícios sofreram danos, segundo o jornal Haaretz. Os ataques também atingiram diretamente forças americanas. De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos, três soldados morreram e cinco ficaram gravemente feridos após um ataque iraniano contra posições militares no Kuwait.
O Irã afirmou no sábado ter iniciado uma “primeira onda” de retaliação com mísseis e drones contra Israel, em resposta aos bombardeios conduzidos por forças americanas e israelenses. Em comunicado, os Guardiões da Revolução disseram que a ofensiva foi direcionada aos “territórios ocupados”, em referência a Israel. A escalada rapidamente atingiu outros países do Oriente Médio.
Explosões continuam sendo registradas pelo terceiro dia consecutivo no Irã, em Israel e em diferentes pontos da região. A ofensiva levou Teerã a cumprir uma promessa reiterada nas últimas semanas: retaliar mirando instalações militares americanas e alvos ligados a Israel na região. Um levantamento da Al Jazeera indica que, até a manhã desta segunda, ao menos 12 países já haviam sido atingidos direta ou indiretamente pela escalada militar.
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O novo conflito com o Irã marca um teste decisivo para o sofisticado sistema de defesa antimísseis de Israel, estruturado em múltiplas camadas e reconhecido por proteger a população contra ameaças aéreas. A guerra cresceu em extensão, entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, com as confirmações dos ataques trocados pelas Forças Armadas do Estado judeu e o Hezbollah, grupo libanês aliado de Teerã por meio do “Eixo da Resistência”, e do bombardeio de drones iranianos a uma base do Reino Unido no Chipre — país insular na fronteira geográfica e cultural entre Ásia e Europa.
Após a guerra de 12 dias travada em junho do ano passado, os estoques de interceptadores de mísseis balísticos israelenses foram significativamente reduzidos, aumentando a preocupação com a capacidade de resposta em caso de novos ataques. O mesmo ocorreu com o arsenal americano de mísseis antibalísticos lançados da terra e do mar, que funcionou como um escudo adicional crucial para Israel.
O sistema de defesa de Israel
Embora o sistema Domo de Ferro seja talvez o componente mais conhecido da defesa aérea israelense, ele é projetado para interceptar foguetes de curto alcance, como os disparados pelo Hamas. Outros sistemas são mais relevantes em conflitos com o Irã ou com o Hezbollah, no Líbano.
O sistema David’s Sling, ou Funda de Davi, intercepta mísseis de médio a longo alcance que não atingem altitudes muito elevadas. Já o Arrow 3, desenvolvido em conjunto pela Boeing e pela Israel Aerospace Industries (IAI), é empregado contra mísseis balísticos de longo alcance, interceptando-os acima da atmosfera terrestre.
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Em operação desde 2011, Israel conta com um sistema antimísseis conhecido como Domo de Ferro, que já interceptou milhares de foguetes disparados de Gaza. O sistema de defesa foi projetado para deter em pleno ar mísseis que adentrem o território israelense. Os dispositivos inimigos são detectados por meio de um radar, e o sistema rapidamente calcula se o foguete deve cair em uma área habitada ou atingir uma infraestrutura importante. Caso represente uma ameaça, mísseis são disparados para atingir o artefato inimigo.
O sistema de radar é capaz de detectar foguetes entre 4 e 70 km de distância. Já os mísseis podem defender uma área de 150 km². Segundo Israel, o sistema tem 90% de eficiência. O infográfico abaixo mostra em etapas o funcionamento do sistema:
Infográfico mostra em etapas como funciona o Domo de Ferro, sistema de defesa de Israel
Arte O Globo
O C-Dome é a versão naval do Domo de Ferro e utiliza os mesmos interceptores. Ele complementa o sistema de defesa aérea de múltiplas camadas de Israel em relação ao Arrow-3, que é projetado para interceptar mísseis balísticos fora da atmosfera terrestre.
Domo de Ferro: Videográfico mostra como funciona o sistema de defesa de Israel
“O C-Dome garante proteção abrangente para as embarcações e uma alta probabilidade de acerto contra um amplo espectro de ameaças modernas: marítimas e costeiras”, diz a empresa, chamada Rafael Advanced Defense Systems, em seu site. Consiste em três componentes: interceptores TAMIR, uma unidade modular de lançamento vertical (VLU) e um componente de comando e controle (C2). Ao utilizar o radar de vigilância do navio para detectar e rastrear ameaças, a necessidade de um radar dedicado é eliminada.
Arrow 2 e 3
Esse sistema antimísseis foi desenvolvido em cooperação com os Estados Unidos com o objetivo de interceptar mísseis de médio e longo alcance. O Arrow 3 não revida ataques de aeronaves militares ou lançadores de artilharia, mas sim os mísseis que voam mais alto, sendo capaz de derrubá-los no espaço, em uma altitude que destruiria qualquer ogiva bélica não convencional com segurança. O alcance estimado do Arrow 3 é de aproximadamente 2.400 km ou mais, dependendo do alvo e da trajetória do míssil. Já o Arrow 2 tem um alcance de cerca de 90 km a 150 km.
Decolagem de um míssil do Arrow 3
Reprodução
Em operação desde 2000, o programa de desenvolvimento dos sistema Arrow é estimado em mais de US$ 2 bilhões. O sistema é desenvolvido e fabricado pela Israel Aerospace Industries (IAI) em colaboração com a fabricante de aeronaves americana Boeing. Seu alcance é muito superior ao do sistema americano de defesa antiaérea Patriot e ao do sistema IRIS-T.
David’s Sling
Esse é um sistema de defesa antimísseis desenvolvido por Israel para interceptar mísseis de médio e longo alcance (até 300 km), além de foguetes pesados e mísseis balísticos táticos, complementando a atuação do Domo de Ferro e o sistema Arrow.
O sistema usa um míssil interceptador chamado Stunner, que tem tecnologia avançada para detectar e destruir ameaças com grande precisão. O Stunner é um míssil de dois estágios, isto é, ele pode mudar de curso durante o voo, tornando-o mais eficaz contra alvos que manobram.
Também foi desenvolvido em uma parceria entre a empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems e a empresa americana Raytheon.
Iron Beam
O Iron Beam é um sistema de defesa a laser em desenvolvimento por Israel para interceptar e destruir ameaças aéreas, como foguetes, mísseis de curto alcance, drones e morteiros. Ele utiliza um laser de alta energia em vez de mísseis tradicionais para neutralizar tais ameaças, sendo uma alternativa muito mais econômica e eficaz para a defesa aérea de curto alcance.
Como o sistema é baseado em lasers, ele é praticamente invisível, e os ataques não geram ruídos ou explosões visíveis. O sistema também foi desenvolvido pela empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems e vem sendo testado desde meados de 2010.
Um feixe de laser do sistema, diz o governo israelense, tem o diâmetro de uma moeda e é “incrivelmente preciso”, superando os efeitos de distorção do vento e da temperatura atmosférica.
Sistema Patriot
O Sistema Patriot é um sistema de defesa aérea de longo alcance desenvolvido pelos Estados Unidos, amplamente utilizado para interceptar mísseis balísticos táticos, mísseis de cruzeiro e aeronaves inimigas, sendo o equipamento mais antigo do sistema de defesa antimísseis de Israel. Montados em caminhões, para serem transportados facilmente, cada sistema é capaz de conter quatro interceptadores de mísseis. Nos círculos militares, eles são vistos como um cobertor de segurança, destinado a proteger uma população, tropas ou até edifícios de ataques.
Sistema de defesa aérea Patriot durante um treinamento nos arredores de Constanta, na Romênia
Daniel MIHAILESCU / AFP)
Os mísseis Patriot tornaram-se conhecidos a partir da guerra do Golfo Pérsico em 1991, quando uma série deles derrubou diversos mísseis Scud iraquianos em defesa de Israel. Ele é capaz de detectar, rastrear e identificar alvos em distâncias de até 160 km.









