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A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), a Proposta de Emenda à Constituição que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Foram registrados 44 votos favoráveis e 18 contrários à matéria.

No entanto, a medida ainda passará por um longo processo, até que possa de fato se tornar lei. O projeto não segue de forma imediata para votação em plenário da Casa. 

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O próximo passo é a criação de uma Comissão Especial temporária por ato da Mesa Diretora da Câmara, que analisará o mérito da proposta. Nessa comissão, os parlamentares poderão realizar audiências públicas, sugerir modificações adicionais ao texto e votar o relatório final.

Caso seja aprovado pela Comissão Especial, o texto será encaminhado para deliberação no Plenário da Câmara dos Deputados. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a aprovação exige o apoio mínimo de três quintos dos deputados (308 dos 513 parlamentares), em dois turnos de votação. Se aprovada nessas etapas, a matéria segue para o Senado Federal, onde passará por rito semelhante.

Histórico

Apresentada originalmente em maio de 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) e outros parlamentares, a PEC 32/2015 visava estabelecer a “plena maioridade civil e penal aos 16 anos de idade”. Desde a sua apresentação, a proposta permaneceu sob análise na CCJ para a verificação de sua constitucionalidade.

A PEC teve, pelo menos, três relatores diferentes nestes 11 anos e chegou a ser arquivada pela mesa diretora em 2019. O debate do texto foi intensificado nos últimos meses. No final de maio, o relator atual da proposta na comissão, deputado Coronel Assis (PL-MT), concluiu a leitura de seu parecer favorável à admissibilidade jurídica da matéria. A votação final na CCJ ocorreu após a rejeição de requerimentos de adiamento apresentados por parlamentares da oposição.

Mudanças no texto

Embora o projeto original propusesse uma maioridade plena (civil e penal), o relator apresentou um substitutivo que preserva as regras cíveis atuais.

Com isso, os direitos políticos e a maioridade civil dos jovens não são afetados. O alistamento eleitoral e o exercício do voto continuam facultativos aos 16 anos e obrigatórios somente a partir dos 18 anos de idade.

Durante a tramitação na CCJ, deputados favoráveis ao projeto argumentaram que a medida atende a demandas sociais por segurança pública e responsabilização penal. Por outro lado, parlamentares contrários sustentaram que a redução da maioridade penal viola direitos fundamentais previstos na Constituição e defenderam o foco em políticas públicas educacionais.

 

Quatro pessoas morreram e outras 38 foram hospitalizadas após consumirem uma tequila supostamente adulterada em uma festa de 15 anos realizada no estado de Guanajuato, no México. Entre os mortos estão o pai e o tio da aniversariante. O caso ocorreu no último sábado a comunidade de Puerto de Valle, no município de Salamanca, e é investigado pelas autoridades locais.
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Logo após a festa, os convidados começaram a apresentar sintomas graves, incluindo vômitos, dores de cabeça e visão turva, enquanto outros chegaram a ficar inconscientes. Inicialmente, familiares acreditaram que se tratava apenas dos efeitos do consumo excessivo de álcool, mas a gravidade do quadro levou diversas pessoas a procurarem atendimento médico.
De acordo com os veículos locais Periódico Correo e AM, as vítimas fatais foram identificadas como Sanjuana González, de 36 anos, José Guadalupe Ramblás, de 33, José Antonio Cárdenas, de 39 — pai da aniversariante —, e Martín Robles, de 28 anos, tio da jovem.
Ramblás, que jogava futebol, foi homenageado pela Liga De Fútbol Valtierrilla em uma publicação no Facebook.
— Mais sinceras condolências à família Ramblas pelo falecimento de José Guadalupe Ramblas López. Que familiares e amigos encontrem em breve resignação e conforto diante dessa perda — diz a publicação.
Liga De Fútbol Valtierrilla homenageou jogador Jose Guadalupe Ramblas López, morto após consumir tequila supostamente adulterada no México
Reprodução | Facebook
Dos 38 intoxicados, 28 foram atendidos em um hospital de Salamanca, enquanto os demais foram encaminhados para outras unidades de saúde da região. Até o início desta semana, seis pessoas continuavam internadas. Entre os pacientes estavam dois adolescentes de 15 e 16 anos, segundo o jornal Reforma.
Familiares das vítimas cobram esclarecimentos sobre a origem da bebida e responsabilização dos envolvidos. O Ministério Público do estado de Guanajuato abriu uma investigação para determinar se a tequila consumida na festa era falsificada ou contaminada e identificar quem forneceu o produto. Até o momento, as autoridades não divulgaram conclusões sobre a causa exata das mortes.
O chefe da Nasa, Jared Isaacman, defendeu nesta quarta-feira a composição da tripulação da terceira missão do programa Artemis, que busca levar seres humanos de volta à Lua, formada exclusivamente por homens. O anúncio de uma tripulação 100% masculina gerou questionamentos e críticas sobre uma possível interferência política, já que, desde seu retorno à Casa Branca, o presidente Donald Trump ordenou que as agências federais eliminassem iniciativas relacionadas à diversidade e inclusão.
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Isaacman, porém, ressaltou nas redes sociais que a seleção da tripulação “não está ligada a decisões políticas”. “O Escritório de Astronautas designa a tripulação que oferece à missão a melhor possibilidade de cumprir seus objetivos”, afirmou, acrescentando que fatores como perfil, experiência e disponibilidade dos astronautas são levados em consideração.
A terceira fase do programa Artemis III consistirá em testar a espaçonave Orion e realizar manobras de encontro e acoplamento com módulos de pouso lunar. Ela não incluirá uma viagem à Lua.
A tripulação anunciada na terça-feira inclui os astronautas americanos Randy Bresnik, Andre Douglas e Frank Rubio, além do italiano Luca Parmitano, o primeiro europeu a participar de uma missão Artemis.
Promessa de diversidade
A Nasa prometeu levar à Lua uma mulher e uma pessoa negra. No ano passado, porém, a Nasa retirou de algumas de suas páginas na internet referências a esse compromisso e, de forma mais ampla, à diversidade. Isso não significa necessariamente que a promessa tenha sido abandonada, mas ela deixou de ser explicitamente mencionada.
Isaacman afirmou que aqueles que levantam essa preocupação talvez não conheçam bem a forma como as tripulações são organizadas e lembrou que já há astronautas em treinamento específico para a Lua que se encaixariam melhor em futuras missões de alunissagem.
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‘Testemunha passiva’
Em fevereiro, a Nasa anunciou que, em vez de ir à Lua, como previsto originalmente para a Artemis III, a missão serviria como um voo de teste para demonstrar a capacidade de encontro e acoplamento com pelo menos um módulo de pouso lunar em órbita baixa da Terra. Essa mudança prepara o terreno para duas tentativas de pouso na Lua pela Nasa em 2028, durante as missões Artemis IV e V.
Apesar do otimismo, especialistas expressam ceticismo quanto à viabilidade de fazê-lo até 2028.
— Acho que eu e a maioria das pessoas diríamos que não é uma data realista — disse ao New York Times Casey Dreier, chefe de política espacial da Sociedade Planetária.
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NASA / AFP
Segundo Dreier, o envolvimento de empresas privadas, como a Blue Origin e a SpaceX, permite que o plano de voltar à Lua seja realizado a um custo muito menor do que durante a era Apollo — mas também significa que as aspirações lunares da agência estão em grande parte à mercê dos caprichos de dois bilionários, Elon Musk e Jeff Bezos.
— É muita potência e muita esperança depositadas em apenas duas pessoas para fornecer uma capacidade que é realmente essencial para um objetivo nacional — disse ele. — A Nasa é uma testemunha passiva do seu próprio destino.
Nem a SpaceX nem a Blue Origin concluíram o desenvolvimento de um módulo de pouso lunar. Os foguetes que deveriam levar esses módulos à Lua também não estão prontos: a Starship da SpaceX sofreu repetidas falhas durante voos de teste, e o New Glenn da Blue Origin explodiu e danificou a única plataforma de lançamento da empresa em maio. Essas circunstâncias podem muito bem atrasar a meta da Nasa de pousar na Lua em 2028. Fatores externos, como mau tempo ou paralisações governamentais, também podem afetar esse cronograma.
“É irrealista”, escreveu Phil McAlister, ex-diretor da divisão espacial comercial da Nasa, em um e-mail. “Ao mesmo tempo, não vou dizer que é impossível.”
Pousar na Lua sempre foi difícil, mesmo para missões não tripuladas. Em 2023, a Rússia tentou seu primeiro pouso lunar desde a década de 1970, mas a espaçonave colidiu com a superfície. Uma espaçonave japonesa, transportando dois veículos exploradores, pousou de cabeça para baixo na Lua em 2024. A Intuitive Machines, uma empresa privada com sede em Houston, pousou um veículo que tombou de lado no ano passado.
A China, por outro lado, tem tido um sucesso notável com os pousos na Lua. Ela enviou veículos exploradores à superfície lunar em 2013 e 2019, e coletou amostras de poeira lunar do lado visível em 2020 e do lado oculto em 2024. O país planeja levar humanos à Lua até 2030.
Com AFP e New York Times.
O governo da Índia convocou o representante dos EUA no país depois que três marinheiros indianos foram dados como desaparecidos após um ataque americano contra o petroleiro onde eles trabalhavam no Golfo de Omã, na noite de terça-feira. Segundo com o Pentágono, o navio tentava romper o bloqueio imposto aos portos iranianos, e “não cumpriu as ordens das forças americanas”.
“Dos 24 tripulantes indianos a bordo, 21 foram resgatados até o momento e 3 estão desaparecidos”, afirmou a Chancelaria em nota, na qual também criticou a ação contra o petroleiro M/T Settebello, de bandeira de Palau. “Reiteramos nosso apelo pela imediata redução das tensões e pela conclusão das negociações em andamento para uma solução diplomática, de modo que a paz e a estabilidade possam retornar à região.”
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O encarregado de negócios da Embaixada dos EUA na Índia, Jason Meeks, também foi convocado pela Chancelaria indiana em protesto, embora não tenha ocorrido uma queixa formal pelos canais diplomáticos.
Em comunicado, o Comando Central dos EUA, responsável pelas operações no Oriente Médio, relatou que, na noite de terça-feira, o Settebello foi atingido por “munições de precisão na casa de máquinas do navio, depois que a tripulação falhou repetidamente em cumprir as instruções das forças americanas” perto da costa de Omã.
Pouco depois, a embarcação emitiu um alerta pelo rádio, relatando um incêndio a bordo. A Marinha omanense ajudou no resgate dos tripulantes. As primeiras informações diziam que duas pessoas estavam mortas, enquanto uma terceira estava desaparecida, números atualizados por Nova Délhi. A bordo havia 28 tripulantes, sendo que 24 eram indianos.
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Embora não figure em listas internacionais de sanções, o M/T Settebello — que também navegou sob o nome Hana — é citado como uma das embarcações da “frota fantasma” usada pelos iranianos para transportar burlar bloqueios e embargos ao petróleo e gás. De acordo com o portal Maritime Executive, responsáveis pelo navio dizem que ele estava parado perto da costa de Omã, aguardando instruções, mas os militares dos EUA rejeitam a versão. Dentre as centenas de navios parados nos arredores de Ormuz devido ao fechamento, um número considerável carrega petróleo iraniano aguardando compradores.
Desde a imposição do bloqueio aos portos e navios iranianos, em abril, o Comando Central dos EUA afirma ter “desabilitado” oito embarcações que, garantem os militares, descumpriram ordens para mudar de rota. A medida é uma das apostas do Pentágono para impor custos elevados a Teerã, e forçar um acerto mais palatável ao governo do presidente Donald Trump. Mas até agora, não há qualquer sinal de fissura na cúpula do regime.
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O ataque ao Settebello foi o segundo em menos de 24 horas na região do Golfo de Omã. Na noite de segunda-feira, o M/T Marivex, também de bandeira de Palau e presente na lista de sanções dos EUA, foi atacado em águas internacionais, sob alegação de que estava a caminho do Irã. A bordo havia 24 tripulantes indianos, resgatados pela Marinha de Omã e repetindo o roteiro da terça-feira.
Os bloqueios na região do Estreito de Ormuz — pelos EUA e pelo Irã —, ligados à guerra lançada por Trump em fevereiro, produziram um dos maiores choques do setor de energia em décadas. Até agora, os esforços internacionais pela liberação da passagem, por onde transitavam 20% das exportações globais de petróleo e gás, foram ineficazes, e parecem depender de um complicado acerto entre Teerã e Washington. Neste contexto, os ataques a navios civis são um complicador difícil de ignorar.
“Condeno veementemente qualquer ato de qualquer parte que coloque em risco a vida dos marítimos e a segurança da navegação internacional. Isso é simplesmente inaceitável”, disse, em comunicado, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional, ligada à ONU, nesta quarta-feira. “Todas as ações que afetam a navegação internacional devem respeitar integralmente o direito internacional e a segurança da vida no mar. A proteção dos marítimos é uma responsabilidade compartilhada que deve permanecer primordial.”
Mais conhecido pela Sagrada Família, o arquiteto espanhol Antoni Gaudí pode se tornar santo da Igreja Católica. Enquanto seu processo de canonização avança no Vaticano, o catalão é homenageado nesta quarta-feira, data que marca os 100 anos de sua morte, com uma missa celebrada pelo Papa Leão XIV na basílica de Barcelona — na qual ele dedicou grande parte da vida e que, apesar da grande fama, ainda não terminou de ser construída.
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Atualmente, Gaudí está na etapa de “Venerável”, um dos estágios iniciais do processo de canonização da Igreja Católica. Em abril de 2025, o Papa Francisco, que morreu dias depois, reconheceu oficialmente suas “virtudes heroicas”, concedendo-lhe esse título e colocando o arquiteto catalão formalmente no caminho para a santidade.
A causa de Gaudí é antiga. Movimentos em favor de sua beatificação existem desde a década de 1990, e o processo formal avançou ao longo dos anos com a análise de sua vida espiritual, de seus escritos e de testemunhos sobre sua devoção religiosa. O Vaticano considera que o arquiteto transformou sua atividade profissional em uma forma de testemunho de fé, especialmente nos últimos anos de vida, quando se dedicou quase exclusivamente à construção da Sagrada Família.
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Nascido em 1852 em uma família católica de caldeireiros no sul da Catalunha, Gaudí tornou-se um dos arquitetos mais requisitados da Barcelona de sua época. Importantes burgueses e empresários logo passaram a encomendar projetos ao jovem de temperamento forte e fascinado pela natureza, que já havia chamado atenção durante seus anos de universidade. Mas uma série de mortes de pessoas próximas levou o arquiteto a realizar um jejum extremo em 1894.
Sua fé saiu fortalecida daquela crise e, a partir de então, Gaudí adotou um estilo de vida austero, quase místico, no qual alguns seguidores acreditaram reconhecer traços de santidade.
— Não é que Gaudí fosse um bon vivant, mas ainda vivia ligado a coisas muito humanas, como a vaidade e a ambição. E então, naquele momento, ele começa a colocar o próprio eu depois de Deus — disse Armand Puig Tàrrech, sacerdote e teólogo que participou da elaboração do documento de 1,7 mil páginas entregue ao Vaticano para solicitar sua beatificação.
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Dono de um temperamento difícil que nunca conseguiu domar, Gaudí, que permaneceu solteiro durante toda a vida, detestava bajuladores e até mesmo se recusava a posar para fotografias, segundo relatam seus biógrafos — um contraste enorme com os milhões de pessoas que visitam suas obras todos os anos e transformaram seu nome em uma marca altamente lucrativa para o turismo de massa em Barcelona.
— O milagre mais evidente para mim é que ele criou um edifício que todo mundo quer conhecer — avaliou Gijs van Hensbergen, autor de uma das biografias de Gaudí. — Ateus, budistas e pessoas de todo o mundo vêm a Barcelona para ver esse edifício milagroso.

Vista geral da Basílica da Sagrada Família, obra de Antoni Gaudí, em Barcelona, antes da visita do Papa Leão XIV à Espanha
Lluis Gene/AFP

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Mais de um século de história
Em 19 de março de 1882, o bispo Urquinaona lançou a pedra fundamental do templo em Barcelona. O projeto, inicialmente concebido pelo arquiteto diocesano Francisco de Paula del Villar, seguia as diretrizes neogóticas da época: janelas ogivais, contrafortes, arcobotantes e uma torre sineira pontiaguda. Divergências sobre o custo dos materiais, no entanto, levaram à substituição de del Villar, em 1883, por um jovem que começava a se destacar em seu tempo.
Profundamente ambicioso e devoto católico, Gaudí tinha dois objetivos declarados ao assumir o projeto, segundo o historiador da arte e biógrafo Gijs van Hensbergen:
— Criar, antes de tudo, uma Bíblia em pedra, que é a Sagrada Família. Mas também corrigir todos os erros dos estilos arquitetônicos anteriores — disse Hensbergen à BBC.
Para isso, Gaudí voltou os olhos a uma das maravilhas do mundo antigo: o Arco de Taq-i Kisra, construído entre os séculos III e VI d.C. na antiga Ctesifonte, região do atual Iraque. A estrutura é um dos primeiros exemplos do chamado arco catenário, que distribui por igual o peso e as tensões de tração da construção. Com esse princípio, projetou as colunas da nave principal, que se ramificam como árvores e sustentam tanto o próprio peso quanto o das 18 torres do edifício.
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As grandes igrejas neogóticas da época dependiam de arcobotantes, estruturas de pedra projetadas das paredes superiores para níveis mais baixos, para sustentar seus tetos abobadados. Gaudí as considerava “muletas” para edifícios incapazes de suportar seu próprio peso. Sua alternativa exigiu décadas de pesquisa e domínio matemático:
tenárias para encontrar as formas mais eficientes. É uma forma extremamente elegante e, ao mesmo tempo, funcional. Ela se sustenta sozinha — explicou à rede britânica Liam Duff, engenheiro estrutural da empresa Arup, hoje envolvido nas obras da basílica.
Invenções divinas
Para Gaudí, a solução não era apenas técnica. Ele acreditava que a gravidade e o arco catenário eram invenções divinas e, por isso, via na estrutura um motivo recorrente de homenagem a Deus como o grande arquiteto. Em 1914, passou a dedicar-se exclusivamente ao templo e, quase dez anos depois, em 1925, viu concluída a única torre que terminaria em vida: a sineira de São Barnabé, na Fachada da Natividade. No ano seguinte, morreu atropelado enquanto se dirigia à igreja.
A obra continuou sob a direção de seu discípulo Domènec Sugranyes, mas passou por sobressaltos. Em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, a Sagrada Família foi vandalizada. Plantas e fotografias foram queimadas, e os modelos de gesso de Gaudí, destruídos. A reconstrução foi possível graças ao material salvo da oficina do arquiteto e ao que havia sido publicado anteriormente em plantas e fotografias.
Foi somente a partir de 1939, sob a direção de Francesc de Paula Quintana, que as obras foram retomadas. Cinco gerações já haviam acompanhado o avanço da construção quando, em 2005, a Fachada da Natividade e a cripta foram declaradas Patrimônio Mundial pela Unesco. Em 2010, o Papa Bento XVI (1927-2022) consagrou a basílica para o culto religioso e a elevou à categoria de basílica menor.
Sagrada Família de Barcelona é considerada a igreja mais alta do mundo, tendo recentemente tomado o recorde da Catedral de Ulm, na Alemanha
Lluis Gene/AFP

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, advertiu nesta quarta-feira Cuba para que não adquira nem busque acesso a armamentos que possam representar uma ameaça ao território americano. A declaração foi feita durante visita à base militar dos EUA na Baía de Guantánamo. A viagem, anunciada de forma inesperada na véspera, ocorre em meio ao aumento da pressão de Washington sobre Havana, com a imposição de sanções a dirigentes cubanos e medidas que restringem o acesso do país ao petróleo.
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— Seria imprudente que o governo de Cuba tentasse adquirir ou obter acesso a tipos de armas que pudessem alcançar esta base ou o território dos Estados Unidos — declarou Hegseth aos militares, acrescentando que uma iniciativa desse tipo significaria que Cuba estaria “abrindo a porta para um confronto” que não teria condições de sustentar.
Nas últimas semanas, veículos de imprensa americanos divulgaram informações sobre uma suposta compra, por parte de Havana, de 300 drones militares. Os equipamentos poderiam ser utilizados contra a base de Guantánamo ou até mesmo contra a Flórida, situada a cerca de 150 quilômetros da costa cubana. Autoridades americanas disseram ao site Axios que Cuba adquiriu drones de ataque da Rússia e do Irã desde 2023 e busca ampliar esse arsenal.
O governo cubano rejeitou as acusações, com o chanceler Bruno Rodríguez afirmando que Washington está construindo “um dossiê fraudulento para justificar a guerra econômica impiedosa contra o povo cubano e uma eventual agressão militar”.
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A visita de Hegseth ocorre após uma série de contatos entre autoridades dos dois países. No fim de maio, o principal general americano responsável pelas operações na América Latina esteve em Guantánamo, onde se reuniu com comandantes militares cubanos. Duas semanas antes, o diretor da CIA, John Ratcliffe, visitou Havana para encontros com autoridades locais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também tem buscado utilizar a base de Guantánamo como centro de detenção para migrantes deportados.
Discurso às tropas
Vestindo uniforme camuflado, Hegseth fez um discurso aos soldados da base, instalada em 1903 e transformada em um dos principais pontos de atrito entre Washington e Havana após a Revolução Cubana de 1959.
— O que acontecer no futuro de Cuba está nas mãos do presidente dos Estados Unidos — afirmou, destacando que espera que os dois países possam desenvolver uma relação mais próxima no futuro. — Esperamos muito em breve nos tornar amigos da liderança de Cuba. Por enquanto, vamos ver o que acontece.
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As declarações foram recebidas com aplausos em diversos momentos pelos militares presentes. Hegseth afirmou ainda que cabe ao governo cubano decidir quais reformas pretende implementar.
— Cuba tem que tomar decisões sobre que tipo de reformas quer empreender. Não cabe a mim tomar essa decisão por eles.
Operações contra o narcotráfico
Durante a visita, o secretário de Defesa também mencionou as operações conduzidas pelo Pentágono no Caribe e no Pacífico contra embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico. Segundo o texto original, essas ações resultaram na morte de cerca de 210 pessoas desde setembro.
— Estamos caçando essas pessoas da mesma forma que caçamos a al-Qaeda e o ISIS no Oriente Médio: as mesmas redes, a mesma inteligência e as mesmas capacidades — afirmou.
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Especialistas e representantes da ONU têm criticado essas operações, classificando-as como execuções extrajudiciais.
O governo Trump, por sua vez, não apresentou provas que demonstrem que todas as embarcações atingidas estavam efetivamente envolvidas em atividades de tráfico. Ainda assim, Washington sustenta perante o Congresso que possui autoridade para agir preventivamente, utilizando procedimentos semelhantes aos empregados por administrações anteriores em países como Iêmen e Somália contra suspeitos de terrorismo.
Todos os animais de um pequeno zoológico e centro de recreação infantil morreram após um incêndio de grandes proporções destruir o Jungle Box, atração familiar localizada na cidade de Buntingford, no condado de Hertfordshire, na Inglaterra, na madrugada de quarta-feira. As informações foram publicadas pelo site britânico The Sun. As causas do incêndio ainda são desconhecidas. Uma investigação foi aberta para determinar o que provocou o fogo.
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Entre os animais que não sobreviveram estavam suricatas, corujas, iguanas, tartarugas gigantes e uma cobra de 4,8 metros de comprimento. O espaço também funcionava como área de interação com animais exóticos para crianças e famílias.
O incêndio começou por volta das 3h da manhã no Parque Industrial Watermill, onde fica o estabelecimento. Dez caminhões do Corpo de Bombeiros foram mobilizados para combater as chamas, que consumiram grande parte do prédio.
Imagens divulgadas pelos bombeiros locais mostram a destruição causada pelo fogo. Uma densa coluna de fumaça preta podia ser vista à distância. Inaugurado em junho do ano passado, o Jungle Box reunia um parque infantil com brinquedos macios, um mini zoológico e áreas destinadas ao contato próximo entre visitantes e animais.
Incêndio no pequeno zoológico na cidade de Buntingford, na Inglaterra
Divulgação / Bombeiros de Hertfordshire
Apesar dos esforços das equipes de emergência, nenhum dos animais que estavam dentro do prédio conseguiu sobreviver. Não houve registro de feridos entre funcionários, visitantes ou moradores da região.
Em comunicado, o chefe assistente do Corpo de Bombeiros de Hertfordshire, Darren Cook, lamentou a tragédia.
— Durante a madrugada, recebemos chamados para um incêndio de grandes proporções no Jungle Box, em Buntingford. As equipes trabalharam arduamente para conter o fogo e impedir que ele se espalhasse para unidades vizinhas. Gostaria de agradecer a todos os bombeiros pelo profissionalismo e dedicação, assim como aos colegas da central de atendimento pela calma e eficiência. Podemos confirmar que vários animais estavam dentro do prédio no momento do incêndio e não sobreviveram — afirmou ao The Sun .
A tragédia também gerou comoção entre comerciantes da região. Em uma publicação nas redes sociais, o estabelecimento vizinho The Spud Twins lamentou a perda.
— Estamos absolutamente devastados pelos nossos amigos do Jungle Box Soft Play. Se alguém tinha uma visita ou festa agendada, entraremos em contato em breve — publicou a empresa.
Nas redes sociais, moradores e frequentadores do local também manifestaram tristeza pela morte dos animais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou nesta quarta-feira a onda de protestos que ocorrem no momento no México com os atos que atingiram o Brasil em junho de 2013 e sugeriu que pode haver interferência estrangeira nas mobilizações.
Durante discurso em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, Lula falou sobre a influência das “narrativas” na disputa política.
— Agora mesmo no México está acontecendo um pouco daquilo que aconteceu aqui em 2013. Todo mundo está lembrando que a reivindicação de R$ 0,20 de aumento do transporte foi o pretexto para extrema direita tomar conta das ruas utilizando verde e amarelo. Às vezes, acho que tem o dedo de alguém, às vezes nem é mexicano.
Lula revelou que vai conversar por telefone na tarde desta quarta-feira com a presidente do México, Claudia Sheinbaum.
O Papa Leão XIV abençoa, nesta quarta-feira, a enorme nova torre da basílica da Sagrada Família, em Barcelona, a igreja mais alta do mundo e um dos monumentos mais famosos da Espanha, após visitar uma prisão e a Abadia de Montserrat, símbolo da identidade religiosa catalã. O Pontífice chegou à obra-prima modernista ainda inacabada de Antoni Gaudí exatamente um século após a morte do venerado arquiteto, um católico devoto cujo processo de canonização está em andamento no Vaticano.
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Ao chegar ao monumento, por volta das 14h15 (horário de Brasília), o Pontífice foi recebido pelo rei da Espanha, Felipe VI, e pela rainha consorte, Letizia Ortiz Rocasolano. Uma jovem cega detalhou a construção da nova torre, inaugurada durante a cerimônia de hoje, para o Papa por meio de uma experiência tátil, tocando uma maquete do projeto.
Na sequência, Leão XIV foi apresentado ao interior da basílica, e se pôs de joelhos na cripta, onde estão os restos mortais de Gaudí. O arquiteto foi enterrado na capela dedicada a Nossa Senhora do Carmem
Leão XIV, de 70 anos, americano com cidadania peruana, visitou esta manhã a prisão de Brians, a 40 km de Barcelona, onde disse aos detentos que “o passado não condena o futuro” e recebeu presentes de dois deles, um dos quais quebrou o protocolo e o abraçou.
Mais tarde, o Papa chegou de helicóptero à espetacular Abadia de Montserrat, na montanha de mesmo nome, onde foi recebido por uma multidão entusiasmada, como tem sido costume em toda a sua viagem à Espanha, que começou no sábado.
Assim como fez na terça-feira em Barcelona, Leão XIV misturou catalão e espanhol em seu discurso em Montserrat, um local emblemático da cultura e da história desta região do nordeste da Espanha, onde o sentimento nacionalista é forte.
Na noite de terça-feira, o Papa recebeu uma calorosa recepção ao participar de uma vigília no Estádio Olímpico de Barcelona, onde manteve sua tradição de abençoar bebês trazidos pelo público.
O Pontífice, líder espiritual dos 1,4 bilhão de católicos do mundo, tem buscado revitalizar a Igreja na Espanha, um tradicional reduto católico onde a prática religiosa tem declinado drasticamente nas últimas décadas.
Em Madri, onde esteve de sábado a terça-feira, ele fez um discurso inédito ao Parlamento espanhol, celebrou uma missa no coração da capital para 1,5 milhão de pessoas e teve um breve encontro com o astro porto-riquenho Bad Bunny.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC nº 32/15) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil.

A PEC recebeu 44 votos favoráveis e 18 contrários. O aval da comissão representa o primeiro passo da tramitação da proposta, que agora seguirá para análise de uma comissão especial antes de ser votada em dois turnos, no Plenário da Casa.

A aprovação do parecer favorável do relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), ocorreu após mais de duas horas de intenso debate. Para o relator, a medida é juridicamente viável, não viola as chamadas cláusulas pétreas da Constituição Federal, nem tratados internacionais.

A conclusão de Assis foi rebatida por deputados contrários à iniciativa, que argumentam que os direitos da infância e da juventude são cláusulas pétreas que não podem ser alteradas salvo com uma nova constituinte.  

“Esta é uma cláusula pétrea da Constituição. Ou seja, só pode ser modificada com uma nova Constituição. E não estamos aqui falando de uma nova Constituição, mas sim de alterar a atual, modificando uma cláusula que não pode ser alterada”, alegou o deputado Tadeu Veneri (PT-PR), para quem a PEC, se aprovada no Congresso Nacional, será barrada no STF.

“Não podemos iludir a população de que isto vai prosperar. Não vai. Vai chegar no STF e vai parar. E teremos feito um grande debate apenas com cunho eleitoral”, acrescentou Veneri.

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