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O ex-diretor do FBI, James Comey, foi acusado de ameaçar a vida do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira o secretário de Justiça interino Todd Blanche. O novo caso teve origem numa publicação nas redes sociais de maio passado que mostrava conchas numa praia da Carolina do Norte. Comey, um crítico ferrenho de Trump, também é acusado de fazer uma ameaça de morte interestadual contra o presidente, disse Blanche a repórteres.
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“Ele publicou uma fotografia na rede social Instagram que mostrava conchas do mar dispostas em um padrão que formava o número ’86 47’, o que um destinatário razoável familiarizado com as circunstâncias interpretaria como uma séria expressão de intenção de prejudicar o Presidente dos Estados Unidos”, diz a acusação.
Segundo a rede americana CNN, na gíria, “86” pode significar eliminar ou descartar algo, enquanto Trump é o 47º presidente. Comey, por sua vez, afirmou apenas que se tratava de uma “formação de conchas incrível” na legenda da postagem, vista durante um passeio na praia.
A acusação foi formalizada no Distrito Leste da Carolina do Norte e um mandado de prisão foi expedido contra Comey por um funcionário do tribunal. As acusações podem levar a uma pena de prisão de até 10 anos.
— Ao longo do último ano, este departamento instaurou dezenas de processos envolvendo ameaças contra todos os tipos de indivíduos — disse Blanche. — Levamos esses casos a sério. Cada um deles.
*Em atualização.

O Senado aprovou nesta terça-feira (28) o projeto de Lei (PL) que cria o Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência contra a Mulher (CNVM). A matéria agora segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pelo projeto, será criado um banco de dados com informações de pessoas condenadas definitivamente por crimes como feminicídio, estupro, assédio, lesão corporal, perseguição e violência psicológica. 

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Caberá à União gerenciar as informações que serão compartilhadas entre órgãos de segurança pública federais, estaduais e do Distrito Federal.

Entre as informações que poderão constar da lista estão nome, dados de documentos pessoais, filiação, fotografia, impressões digitais, endereço e o crime cometido, sendo garantido o sigilo da identidade da vítima.

De autoria da deputada Silvye Alves (união-GO), o projeto foi aprovado nas comissões de Direitos Humanos (CDH) e de Constituição e Justiça (CCJ).

A relatora do projeto na CDH, senadora Augusta brito (PT-CE), destacou que, apesar da criação de normas e políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres, os crimes têm aumentado.

Segundo a senadora, a criação do CNVM, com caráter sancionador e preventivo, pode auxiliar ainda mais no enfrentamento desse tipo de violência.

“A perspectiva de ter seu nome incluído nesse cadastro pode ter efeito dissuasório sobre parte dos potenciais agressores. Isso trará algum alento às vítimas, que poderão ter um pouco mais de tranquilidade sabendo que seus agressores estarão sob maior vigilância”, afirmou.

*Com informações da Agência Senado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou nesta terça-feira o chanceler alemão, Friedrich Merz, após seus comentários de que o Irã está “humilhando” Washington na mesa de negociações sobre a guerra.
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“O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acha que está tudo bem que o Irã tenha uma arma nuclear. Ele não sabe do que está falando!”, escreveu Trump em uma publicação na rede Truth Social.
De acordo com Merz, Washington entrou no conflito sem definir objetivos claros e agora enfrenta obstáculos para encerrar os combates. As declarações foram feitas na segunda-feira, durante uma visita a uma escola em Marsberg, no oeste da Alemanha.
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— É evidente que os americanos não têm nenhuma estratégia. E o problema com esse tipo de conflito é sempre que não basta entrar, é preciso também sair — disse o chanceler alemão.
— Vimos isso de forma muito dolorosa na Guerra do Afeganistão [2001–2021] durante 20 anos. Vimos isso no Guerra do Iraque. Portanto, tudo isso é, como eu disse, no mínimo, pouco refletido — acrescentou.
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Merz afirmou que não via “uma saída” para os EUA, “sobretudo levando em conta que os iranianos estão negociando, evidentemente, com muita habilidade, ou, com muita habilidade, não negociando”.
— Ali, uma nação inteira está sendo humilhada pelos dirigentes iranianos, especialmente pela chamada Guarda Revolucionária Islâmica — afirmou, em alusão ao exército ideológico da República Islâmica.
O chanceler ainda reiterou que a Alemanha defende o fim rápido do conflito, diante dos impactos crescentes sobre a economia global.
Berlim integra uma coalizão liderada por Reino Unido e França para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz após a tentativa de estabelecimento de um cessar-fogo permanente. Segundo Merz, o governo alemão se ofereceu para enviar navios caça-minas para ajudar a desobstruir a rota.
A visita de Estado do Rei Charles III e da Rainha Camilla aos Estados Unidos começou com um momento inesperado na Casa Branca. Mal haviam chegado na segunda-feira quando o presidente Donald Trump mencionou o atentado recente e também o presidente russo Vladimir Putin durante a conversa inicial.
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Em entrevista ao site New York Post, a especialista em leitura labial Nicola Hickling explicou que Trump iniciou a conversa dizendo: “Esse tiroteio…”. Ao que o rei teria respondido com certo desconforto: “Prefiro não ficar aqui por muito tempo” e “Sinto que não deveria estar aqui”.
De acordo com a mesma fonte, Trump perguntou se ele estava bem antes de acrescentar: “Não é uma coisa boa”. Ele então continuou: “Eu não estava preparado, mas agora estou”, antes de se referir diretamente à Rússia.
“Estou falando com Putin agora”, disse o presidente. “Ele quer guerra”. Charles tentou encerrar a conversa dizendo: “Falaremos sobre isso mais tarde”; no entanto, Trump teria insistido: “Tenho a impressão de que… se ele fizer o que disse, vai dizimar a população.” O rei teve que reiterar: “Em outra ocasião.”
A conversa acabou se voltando para assuntos mais formais, como um projeto de salão de baile na Casa Branca. “Dá para ver através dali”, comentou Trump. “Direto para o salão de baile. Gostaria de ver?” Ao que Charles respondeu: “Tenho certeza de que o senhor nos mostrará.” O presidente respondeu: “É verdade, o senhor tem razão.”
Em seguida, os dois casais entraram na residência oficial. “Por onde vamos?”, perguntou o rei, e Trump indicou: “Por aqui.” Lá dentro, eles compartilharam um tradicional chá da tarde britânico com pequenos sanduíches e sobremesas.
Mais tarde, os monarcas participaram de uma grande recepção na residência do embaixador britânico, onde várias figuras públicas estavam presentes.
O mergulhador olímpico Tom Daley comentou: “Tricotar é a minha forma de expressar toda a minha criatividade, atenção plena e meditação, e o Rei já experimentou muitas vezes.”
Daley acrescentou: “Ele disse que tentou tricotar quando tinha oito anos e não era muito bom nisso, mas que poderia retomar a prática; ele sabe que é muito benéfico para a saúde mental. Mas eu quero tentar reinseri-la no currículo escolar, e talvez ele possa me ajudar a conseguir isso.”
A visita oficial de Carlos III e Camilla durará quatro dias e inclui eventos importantes, como um discurso ao Congresso e um jantar de estado na Casa Branca. Eles também visitarão o Memorial do 11 de Setembro em Nova York, como parte de sua agenda.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta terça-feira (28) que a comissão especial que analisará a Proposta de Emenda à Constituição 221/19 (PEC), que trata da redução da jornada de trabalho no país, será instalada nesta quarta-feira (29)

Motta informou ainda que o deputado Alencar Santana (PT-SP) será o presidente do colegiado e que a relatoria caberá ao deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

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Ao anunciar a instalação do colegiado, Motta revelou que conversou com o presidente e o relator da comissão para conduzir o debate ouvindo os trabalhadores, empresários, Judiciário, governo, pesquisadores e universidades.

Ele entende que ouvir a sociedade é “para que ao final a Câmara tenha a construção do melhor texto possível para podermos conceder à classe trabalhadora do nosso país, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial”.

Motta frisou ainda que um maior período de descanso dará mais qualidade de vida ao trabalhador. Esse tempo poderá ser utilizado para o convívio familiar, cuidar da saúde e momentos de lazer. 

“Nós imaginamos que com essa redução nós vamos aumentar a produtividade, porque o trabalhador estará muito mais disposto quando estiver em ambiente de trabalho para colaborar, para poder servir ao seu trabalho, para poder, de certa forma, desempenhar melhor a sua função”, avalia Motta.

Hugo Motta disse que conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que as duas casas possam afinar a tramitação da proposta. 

A expectativa do presidente da Câmara é que o texto seja votado na comissão e no plenário ainda em maio.

“Aqui na Câmara vamos nos dedicar para que, até o final do mês de maio, a matéria possa ser votada na comissão especial quanto no plenário da casa”, disse.

Comissão

A comissão especial será composta de 37 membros titulares e igual número de suplentes. Pelo regimento, a comissão terá o prazo de até 40 sessões para proferir seu parecer. 

O presidente do colegiado, Alencar Santana, também disse que vai haver um debate amplo sobre o tema.

“Vamos trabalhar para que a gente possa entregar um bom relatório, que garanta ali a expectativa dos trabalhadores brasileiros que estão ansiosos pela aprovação dessa PEC, da redução da jornada”, disse.

“Logicamente, ouvindo amplos setores da sociedade brasileira, setores econômicos, setores empresariais, o governo, ministros que estão envolvidos na pauta, os deputados e outros setores sociais que vão participar ativamente dessa comissão”, acrescentou.

Santana disse que o tempo para a análise da proposta é apertado e que o colegiado deverá realizar entre duas a três reuniões por semana para debater a matéria.

“Vamos aprová-la no mês de maio, mês do trabalhador brasileiro, e vamos fazer uma homenagem ao trabalhador aprovando esse texto”, disse Santana.

Comissão

A comissão foi criada  na sexta-feira (24) após a proposta ter a sua admissibilidade aprovada, por unanimidade em votação simbólica, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na quarta-feira (22). 

O colegiado analisará duas propostas de redução na jornada de trabalho. A primeira, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais. A transição se daria ao longo de 10 anos.

A outra proposta, apensada, a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê uma escala de 4 dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

Na prática, as PEC acabam com a escala de 6 dias de trabalho por 1 de descanso (6×1). Se aprovadas na comissão especial, irão depois para votação no plenário.

As duas propostas ganharam força com o movimento Vida Além do Trabalho, que busca o fim da escala 6×1 para melhorar a saúde mental e a qualidade de vida dos trabalhadores. 

Governo

Como a tramitação de PEC pode se estender, e diante da tentativa da oposição de barrar a emenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, na semana passada, o projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.

O PL precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.

O governo federal anunciou a suspensão por 200 dias de 3,4 milhões de multas registradas por falta de pagamento da tarifa do pedágio eletrônico do modelo free flow (pedágio eletrônico sem cancelas), que deveriam ter sido quitadas em até 30 dias após a passagem pela rodovia estadual ou federal.

No prazo de 200 dias, os motoristas deverão regularizar os débitos atrasados.  Quem pagar as tarifas até 16 de novembro, também poderá recuperar os cinco pontos perdidos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). 

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Em entrevista coletiva, na sede do Ministério dos Transportes, em Brasília, o ministro Guilherme Boulos defendeu que a suspensão temporária das multas é uma questão de justiça porque muitos dos motoristas multados nesse período não tinham a devida informação sobre como pagar o pedágio do tipo free flow ou mesmo sabiam que estavam sendo tarifados.


Brasília (DF), 28/04/2026 - O ministro da secretaria-geral da presidência, Guilherme Boulos, durante cerimônia para divulgação das regras de transição para a implementação do pedágio eletrônico (free flow) em todo o país. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Guilherme Boulos durante cerimônia para divulgação das regras de transição para a implementação do pedágio eletrônico – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Boulos reforçou que uma inovação tecnológica deve beneficiar o cidadão, não causar prejuízo a ele. 

“Ninguém em sã consciência troca uma tarifa de R$ 5 por uma multa de quase R$ 200. Nós estamos falando aqui de 40 vezes mais. As pessoas acabaram sendo multadas porque, às vezes, não sabiam que teriam que ter a tag [no veículo] ou não sabiam que aquilo era um pedágio. E isso acaba levando a uma ideia de pegadinha.”

Durante os 200 dias, também está vetada a aplicação de novos autos de infração pelo não pagamento de tarifas de pedágio eletrônico.

A partir de 17 de novembro, os usuários com tarifas em aberto terão que arcar com os valores do pedágio e da multa por atraso no pagamento.

Ajustes

As autoridades também comunicaram o prazo de 100 dias dado às empresas que administram os pedágios eletrônicos nas rodovias para que ajustem seus sistemas; concluam a padronização e a integração de dados com o Sistema Nacional de Trânsito (SNT); e sinalizem corretamente os pórticos de cobrança eletrônica nas rodovias, em áreas não urbanas.

As concessionárias responsáveis pelas vias precisam garantir que o motorista saiba exatamente quando passou por um pórtico de cobrança e qual o valor da tarifa, por meio de informações disponibilizadas para consultas diretamente nos canais (sites e aplicativos) dessas empresas.

O secretário Nacional de Trânsito do Ministério dos Transportes, Adrualdo de Lima Catão, explicou que o governo reconhece que o cidadão não pode ser punido por falta de pagamento do pedágio se o sistema das concessionárias não for claro, transparente ou integrado.

“O governo está dando a solução tecnológica para essa necessidade de transparência com esse prazo de 100 dias. Após isso, todos os problemas elencados tendem a ser resolvidos, atendendo ao direito do cidadão.”

Cobrança na CNH Digital

Outro anúncio feito nesta terça-feira é de que as informações sobre passagens e débitos de pedágio eletrônico serão centralizadas no aplicativo CNH do Brasil, criado pelo Ministério dos Transportes, e que representa a evolução da Carteira Digital de Trânsito (CDT).

O objetivo principal é possibilitar o acesso às informações necessárias para o pagamento das tarifas em um único ambiente digital, a partir da integração dos sistemas das concessionárias.

No aplicativo digital, o usuário poderá consultar todos os registros de pedágio eletrônico do seu veículo, os valores pendentes, as formas e locais de pagamento do free flow, independentemente da rodovia, da concessionária ou da rodovia em que transitar (federal, estadual ou municipal).

O CNH do Brasil está disponível em lojas de aplicativos para ser baixado em dispositivos móveis. O Ministério dos Transportes afirma que o aplicativo conta com mais de 70 milhões de usuários ativos.

O ministro dos Transportes, George Santoro, que também preside o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), afirmou que a padronização da informação representa uma virada regulatória, colocando o usuário no centro do sistema.

“Qualquer motorista terá as informações centralizadas na Senatran [Secretaria Nacional de Trânsito] e poderá acessar, pela CNH do Brasil, os registros de passagem e as formas de pagamento, independentemente da concessão ou do estado por onde trafegou”, afirmou.


Brasília (DF), 28/04/2026 - O ministro dos Transportes, George Santoro, durante cerimônia para divulgação das regras de transição para a implementação do pedágio eletrônico (free flow) em todo o país. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 George Santoro diz que a padronização da informação representa uma virada regulatória, colocando o usuário no centro do sistema – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ressarcimento

Caso o motorista já tenha realizado o pagamento de multa de trânsito e, ao mesmo tempo, o pagamento da tarifa de pedágio correspondente dentro do prazo previsto de 200 dias, o usuário poderá entrar com o pedido de ressarcimento do valor da multa.

O usuário deverá recorrer junto ao órgão de fiscalização de cada unidade da federação responsável pela autuação e, no processo, deverá comprovar o pagamento da tarifa de pedágio.

Multa

Se o motorista passar por um pórtico sem TAG e não efetuar o pagamento em até 30 dias, a conduta é configurada como infração de trânsito pelo Artigo 209-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) como “evasão de pedágio”.

A penalidade é classificada como grave e gera multa de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

Ao todo, o sistema do Ministério dos Transportes contabiliza mais de 3,4 milhões de infrações de trânsito por não pagamento dentro do prazo. No sistema free flow, cada passagem por um pórtico sem o devido pagamento gera uma infração individual.

Do total de infrações, somente os estados registraram os seguintes números:

  • Rio Grande do Sul: 1.196.465 multas (34,05%)
  • São Paulo: 802.842 multas (34,05%)
  • Minas Gerais: 62.541 multas (1,78%)
  • Mato Grosso: 269 multas (0,01%)

Mais de 90% de todas estas infrações de trânsito não foram pagas e os condutores estão inadimplentes.

Trechos com pedágio eletrônico

No Brasil, o sistema opera em trechos nos seguintes trechos de rodovias concedidas:

  • BR-381/MG – concessionária Nova 381 S.A.;
  • BR-262/MG – Way-262 – concessionária da Rodovia BR-262/MG S.A.;
  • BR-116/SP-RJ – concessionária do Sistema Rodoviário Rio-São Paulo (RioSP);
  • BR-364/RO – concessionária Nova 364;
  • BR-277/PR – concessionária EPR Iguaçu; 
  • BR-369/PR – concessionária EPR Paraná;
  • SP-099 (Contorno Sul da Tamoios) – concessionária Tamoios;
  • SP-333 – concessionária Ecovias Noroeste Paulista;
  • SP-326 – concessionária Ecovias Noroeste Paulista;
  • MG-459 – concessionária EPR Sul de Minas.

Tecnologia free flow


Caeté (MG), 26/09/2025 - BR-381 começa a cobrança em sistema free flow neste sábado. Foto: Nova381/Divulgação

Free flow da BR-381  – Nova381/Divulgação

A tecnologia free flow permite a cobrança de pedágio eletrônico em rodovias. O sistema utiliza pórticos metálicos instalados sobre a pista, equipados com sensores, câmeras de alta definição e antenas. A identificação ocorre de duas formas principais:

​•etiqueta eletrônica (TAG): a antena no pórtico lê o adesivo colado no pára-brisa do veículo. O valor é debitado automaticamente da conta do usuário junto à operadora;

​• leitura de placas do veículo por meio de câmeras. Se o motorista não possui uma TAG, ele deve pagar o pedágio em canais digitais da concessionária (site, app ou WhatsApp) no prazo de até 30 dias.

O pedágio eletrônico evita que o motorista pare em praças de pedágio físicas ou mesmo interrompa o tráfego e pode representar justiça tarifária, pois permite a implementação do pagamento por quilômetro rodado.

Em sistemas tradicionais de cobrança física, o motorista paga o valor cheio mesmo que saia da rodovia logo após a praça.

Matéria alterada às 17h para corrigir informação enviada pelo Ministério dos Transportes.

O sargento das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos Gannon Ken Van Dyke se declarou inocente nesta terça-feira, durante audiência em um tribunal federal de Nova York, das acusações de ter lucrado mais de US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões) com apostas baseadas em informações confidenciais sobre a operação que levou à captura de Nicolás Maduro. A apresentação diante da Justiça marca um novo capítulo do caso, que investiga o uso indevido de dados sigilosos por um militar diretamente envolvido na missão.
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Van Dyke, de 38 anos, compareceu ao tribunal vestindo roupas civis e respondeu às acusações diante da juíza Margaret Garnett. Segundo a acusação, ele utilizou conhecimento privilegiado sobre a operação militar para realizar apostas em um mercado de previsões, obtendo ganhos expressivos pouco antes da captura de Maduro.
O militar teria investido cerca de US$ 32 mil (R$ 160 mil) em apostas relacionadas à situação política da Venezuela, incluindo previsões sobre a saída de Maduro do poder até o fim de janeiro. As apostas foram feitas entre o fim de dezembro e o início de janeiro, dias antes da operação militar que resultou na retirada do líder venezuelano do palácio presidencial em Caracas.
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Os promotores afirmam que Van Dyke participou do planejamento e da execução da operação, realizada na madrugada de 3 de janeiro sob intenso confronto armado. A ação resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que posteriormente foram levados para custódia sob autoridade dos Estados Unidos.
Nicolás Maduro após captura do líder venezuelano no dia 4 de janeiro de 2026
Reprodução
Segundo a acusação, o militar teria feito pelo menos 13 apostas utilizando informações às quais teve acesso por meio de seu trabalho nas Forças Especiais. Após o sucesso da operação, os valores apostados se multiplicaram, gerando um lucro superior a US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões).
O caso é considerado inédito pelas autoridades americanas por envolver, pela primeira vez, acusações criminais relacionadas ao uso de informações privilegiadas em mercados de previsão, plataformas onde usuários apostam em resultados de eventos políticos, econômicos e até culturais.
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Após receber os ganhos, Van Dyke teria transferido o dinheiro para um cofre de criptomoedas no exterior e, posteriormente, movimentado os valores para uma conta em uma corretora online recém-criada. Ainda segundo os investigadores, ele teria solicitado à plataforma a exclusão de sua conta após a repercussão do caso na imprensa.
A acusação também menciona uma fotografia publicada pelo militar logo após a operação. Na imagem, segundo os promotores, ele aparece no que parece ser o convés de um navio, ao amanhecer, vestindo uniforme militar e carregando um rifle, ao lado de outros integrantes das forças armadas — o que reforçaria sua participação direta na missão.
Van Dyke foi preso na última semana e responde a uma série de acusações, incluindo uso indevido de informações governamentais confidenciais para ganho pessoal, roubo de dados não públicos, fraude eletrônica, fraude de commodities e realização de transações financeiras ilegais. Ele chegou a comparecer anteriormente a um tribunal na Carolina do Norte e foi liberado após pagamento de fiança de US$ 250 mil (R$ 1,25 milhão).
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O caso também levantou preocupações em Washington sobre o crescimento das apostas envolvendo eventos geopolíticos. Após a prisão do militar, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a prática e afirmou que o mundo estaria se tornando “um cassino”, demonstrando preocupação com o uso desse tipo de plataforma.
Além disso, investigações paralelas apontam que outras movimentações suspeitas em mercados financeiros ocorreram antes de anúncios importantes relacionados a conflitos internacionais, ampliando o debate sobre o uso de informações privilegiadas por agentes públicos.
O embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Christian Turner, afirmou que a chamada “relação especial” de Washington não é com Londres, mas “provavelmente com Israel”. A declaração foi feita em fevereiro, durante uma conversa com estudantes britânicos em visita aos EUA, e veio à tona nesta semana, segundo a BBC.
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— Acho que há provavelmente um país que tem uma relação especial com os EUA, e esse país é provavelmente Israel — disse o diplomata, segundo um áudio vazado do encontro.
As falas ganharam repercussão no momento em que o Rei Charles III realiza uma visita de Estado aos EUA, em meio ao aumento das tensões internacionais envolvendo o Irã. O conteúdo foi revelado inicialmente pelo Financial Times.
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Apesar da declaração, Turner destacou que britânicos e americanos mantêm laços profundos. Segundo ele, os dois países compartilham “uma história profunda e afinidade”, sobretudo nas áreas de segurança e defesa, além de economias “muito próximas”.
— Há coisas que fazemos juntos que nenhum outro par de países faz — afirmou.
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Ainda assim, o embaixador indicou que a relação atravessa um momento de transformação.
— Certamente estamos no fim de uma era, e essa era está mudando — disse.
Para ele, a Europa precisará rever sua dependência estratégica dos EUA.
— Nós, na Europa, não podemos simplesmente depender de um guarda-chuva de segurança dos EUA — destacou.
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Turner também relatou ter feito um alerta direto ao governo britânico.
— Meu conselho ao meu primeiro-ministro é: “Não posso simplesmente tapar os ouvidos e dizer que é especial, que vai ficar tudo bem”. Precisamos trabalhar de forma muito clara para entender o que nós, Reino Unido, trazemos à mesa — ressaltou.
O diplomata demonstrou ainda desconforto com o próprio uso da expressão “relação especial”, tradicionalmente associada aos laços entre Londres e Washington.
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— “Relação especial” é uma expressão que tento não usar porque é bastante nostálgica, voltada para o passado, e carrega uma série de conotações — afirmou. Segundo ele, o termo tem sido cada vez menos utilizado por diplomatas, por ser considerado ultrapassado.
Em outro momento da conversa, Turner comentou o caso envolvendo o financista Jeffrey Epstein, classificando como “extraordinário” que o escândalo “não tenha atingido ninguém” nos EUA. Ele comparou a situação com o impacto no Reino Unido, onde a controvérsia “derrubou” Andrew Mountbatten-Windsor e o ex-diplomata Peter Mandelson.
Andrew nega qualquer irregularidade relacionada a Epstein. Já Mandelson pediu desculpas por manter contato com o financista e afirmou que só soube “a verdade sobre ele” após sua morte.
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Diante da repercussão, o Ministério das Relações Exteriores britânico (FCDO) afirmou que as declarações foram feitas em caráter privado e não representam a posição oficial do governo.
“Foram comentários informais feitos a um grupo de estudantes britânicos no início de fevereiro e certamente não refletem a posição do governo do Reino Unido”, disse a pasta em nota.
Diplomata de carreira, Turner assumiu o posto de embaixador em Washington em dezembro.
No primeiro discurso de um monarca britânico ao Congresso dos EUA no Século XXI, o rei Charles III defendeu a união entre dois aliados históricos, classificada de aliança “insubstituível e inquebrável” e de “uma das alianças mais importantes da História da humanidade”. Foi um dos pontos altos de uma viagem cercada de polêmicas, que tem entre seus objetivos aparar as arestas entre Londres e Washington neste segundo mandato do presidente Donald Trump.
— Nos encontramos em tempos de grande incerteza; em tempos de conflito da Europa ao Oriente Médio, que representam imensos desafios para a comunidade internacional e cujo impacto se faz sentir em comunidades por toda a extensão dos nossos próprios países. — afirmou Charles III, sob aplausos de uma plateia que reuniu parlamentares, integrantes do governo federal, das Forças Armadas, da Suprema Corte e de outros campos da sociedade dos EUA. — Quaisquer que sejam nossas diferenças, quaisquer que sejam as nossas divergências, permanecemos unidos em nosso compromisso de defender a democracia e proteger todo o nosso povo de qualquer mal.
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Segundo o monarca, a relação entre EUA e Reino Unido “foi nascida da disputa, mas nem por isso é menos forte”, referência ao passado colonial e à luta pela independência americana.
— Assim, talvez, com este exemplo, possamos entender que nossas nações são, de fato, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade, um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns nas quais nossa governança está enraizada até hoje — afirmou. — O vínculo de parentesco e identidade entre os Estados Unidos e o Reino Unido é inestimável e eterno; é insubstituível e inquebrável.
Em uma mesma parte do discurso, Charles III levantou dois temas frequentes nas queixas públicas de Trump: o primeiro, a crise climática (o monarca é um defensor de ações para conter o aquecimento global, negado pelo líder americano), com uma menção ao derretimento do gelo no Ártico.
— Nossa geração precisa decidir como lidar com o colapso de sistemas naturais críticos, que ameaça muito mais do que a harmonia e a diversidade essencial da natureza — disse, tratando a crise do clima como uma questão de segurança nacional e global.
O segundo, a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, da qual o republicano com frequência ameaça sair, especialmente depois da recusa dos países da organização em se juntarem à sua guerra contra o Irã.
— O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados são a essência da Otan, comprometidas com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, e mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. — declarou.
Em outro um tópico delicado, pediu que o mesmo apoio global dado aos EUA após os ataques de 11 de Setembro de 2001 seja oferecido “para a defesa da Ucrânia e do seu povo corajoso — para garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura”. Trump, ao contrário de seu antecessor, Joe Biden, jamais foi um entusiasta do apoio irrestrito a Kiev.
À maneira da realeza britânica, que se expressa mais nas entrelinhas do que nas aspas, Charles III citou uma fala do novelista irlandês Oscar Wilde — “Hoje em dia, temos praticamente tudo em comum com os Estados Unidos, exceto, é claro, o idioma!” —, e fez referência à tentativa de ataque contra um jantar de correspondentes na Casa Branca, no sábado, que teria Trump como alvo principal.
— Permitam-me afirmar com uma resolução inabalável: tais atos de violência nunca terão sucesso — declarou.
Mas ele também disse que “as palavras dos Estados Unidos têm peso”, quiçá uma menção indireta à verborragia trumpista em discursos, entrevistas, reuniões e redes sociais.
— Que nossos dois países se dediquem novamente um ao outro no serviço altruísta aos nossos povos e a todos os povos do mundo — afirmou, antes de exclamar que o caminho compartilhado por EUA e Reino Unido é de “reconciliação, renovação e parceria notável”, que fomentou “uma das alianças mais importantes da História da humanidade”.
Chá e problemas na relação
Charles III chegou aos EUA na segunda-feira, acompanhado pela rainha britânica, Camila, e foram recebidos por Trump e pela primeira-dama americana, Melania, em um chá privado na Casa Branca, seguido por uma visita ao apiário da sede do Poder Executivo do país.
Mais tarde, uma segunda cerimônia regada a chá, desta vez nos jardins da Embaixada do Reino Unido, que contou com a presença de vários integrantes do Gabinete de Trump. Mas além de um cardápio recheado de itens clássicos da hora do chá da sociedade britânica, como sanduíches de pepino e tortas de frutas, o mal-estar entre os dois países estava exposto aos comensais e aos que não foram convidados.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, sua relação com o premier britânico, Keir Starmer, passou por muitos altos e baixos, com desavenças claras sobre a defesa coletiva da Europa, o futuro da guerra na Ucrânia e, mais recentemente, o conflito lançado por EUA e Israel contra o Irã. O republicano jamais escondeu sua insatisfação com a falta de apoio europeu para a guerra, e mesmo as concessões feitas por Londres, como a permissão do uso de bases militares, não melhoraram a situação.
O caso Epstein, que atinge politicamente Trump e o premier britânico, além da própria família real, jogou ainda mais gasolina na fogueira, e houve cobranças para que Charles III se reunisse com as vítimas do financista. Os crimes não foram mencionados explicitamente no discurso desta terça, mas talvez nas entrelinhas.
— Em ambos os nossos países, é justamente o fato de termos sociedades vibrantes, diversas e livres que nos dá força coletiva, inclusive para apoiar as vítimas de alguns dos males que, tão tragicamente, existem em nossas sociedades hoje — disse o monarca.
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Por isso, a visita de Charles III soa como uma iniciativa de peso para tirar o elefante da sala. Trump tem uma fascinação herdada da mãe, Mary Anne (uma imigrante vinda da Escócia), pela família real britânica. Em fevereiro do ano passado, quando Starmer levou ao presidente americano uma carta do monarca, o republicano não escondeu a satisfação com as palavras e com o convite para uma visita de Estado. Para analistas, uma jogada de mestre em meio ao já caótico segundo mandato trumpista.
Horas antes de falar ao Congresso, Charles III e Camila foram recebidos por Trump com uma cerimônia formal na Casa Branca, com tropas em revista, disparos de canhão e uma banda marcial. Em rápidas declarações, o presidente evitou temas políticos, e disse que se sua mãe estivesse viva, “estaria colada na televisão”, antes de fazer uma revelação íntima.
— Também me lembro dela dizendo muito claramente: “Charles… olha, o pequeno Charles, ele é tão fofo”. Minha mãe tinha uma queda por Charles. Dá para acreditar? — afirmou o presidente.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o rei britânico, Charles III, entreolham-se durante recepção na Casa Branca
Aaron Chown/AFP
Em entrevista à rede CNN, o embaixador britânico nos EUA, Christian Turner, lembrou que esta não é a primeira visita de um monarca aos Estados Unidos em tempos de crise transatlântica. Ele citou a viagem de Elizabeth II em meio à Crise de Suez, nos anos 1950, e o encontro entre George VI e Franklin Roosevelt em Washington pouco antes do estouro da Segunda Guerra Mundial, quando Londres queria convencer os americanos a se juntarem contra o regime da Alemanha nazista.
— Nossos dois países já tiveram momentos em que as abordagens a questões internacionais foram diferentes — disse Turner. — Mas o rei está acima disso e é exatamente por isso que este é um momento para nos lembrarmos de que essa relação é profunda. Ela perdurará.
No primeiro discurso de um monarca britânico ao Congresso dos EUA no Século XXI, o rei Charles III defendeu a união entre dois aliados históricos, classificada de aliança “insubstituível e inquebrável”, pesar das recentes discordâncias entre os dois lados do Oceano Atlântico. Foi um dos pontos altos de uma viagem cercada de polêmicas, que tem entre seus objetivos aparar as muitas arestas entre Londres e Washington neste segundo mandato do presidente Donald Trump.
— Nos encontramos em tempos de grande incerteza; em tempos de conflito da Europa ao Oriente Médio, que representam imensos desafios para a comunidade internacional e cujo impacto se faz sentir em comunidades por toda a extensão dos nossos próprios países. — afirmou Charles III, sob aplausos de uma plateia que reuniu parlamentares, integrantes do governo federal, das Forças Armadas, da Suprema Corte e de outros campos da sociedade dos EUA. — Quaisquer que sejam nossas diferenças, quaisquer que sejam as nossas divergências, permanecemos unidos em nosso compromisso de defender a democracia e proteger todo o nosso povo de qualquer mal.
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Segundo o monarca, a relação entre EUA e Reino Unido “foi nascida da disputa, mas nem por isso é menos forte”, referência ao passado colonial e à luta pela independência.
— Assim, talvez, com este exemplo, possamos entender que nossas nações são, de fato, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade, um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns nas quais nossa governança está enraizada até hoje — afirmou. — O vínculo de parentesco e identidade entre os Estados Unidos e o Reino Unido é inestimável e eterno; é insubstituível e inquebrável.
Em uma mesma frase, Charles III levantou dois temas frequentes nas queixas públicas de Trump: o primeiro, a crise climática (o monarca é um defensor de ações para conter o aquecimento global, negado pelo líder americano), com a menção ao derretimento do gelo no Ártico; o segundo, a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, a qual o republicano com frequência ameaça abandonar.
— O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados são a essência da Otan, comprometidas com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, e mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. — declarou.
Em outro um tópico delicado, pediu que o mesmo apoio global dado aos EUA após os ataques de 11 de Setembro de 2001 seja oferecido “para a defesa da Ucrânia e do seu povo corajoso — para garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura”. Trump, ao contrário de seu antecessor, Joe Biden, jamais foi um entusiasta do apoio irrestrito a Kiev.
À maneira da realeza britânica, que fala mais nas entrelinhas do que nas aspas, Charles III citou uma fala do novelista irlandês Oscar Wilde — “Hoje em dia, temos praticamente tudo em comum com os Estados Unidos, exceto, é claro, o idioma!” —, e fez referência à tentativa de ataque contra um jantar de correspondentes na Casa Branca, no sábado, que teria Trump como alvo principal.
— Encontramo-nos também na sequência do incidente ocorrido não muito longe deste magnífico edifício, que procurou prejudicar a liderança da sua nação e fomentar um medo e uma discórdia ainda maiores. Permitam-me afirmar com uma resolução inabalável: tais atos de violência nunca terão sucesso — declarou.
Mas ele também disse que “as palavras dos Estados Unidos têm peso”, quiçá uma menção indireta à verborragia trumpista em discursos, entrevistas, reuniões e redes sociais. Ao final da fala, uma esperada salva de palmas, alguns apertos de mãos protocolares e nenhum sinal de divergências.
Chá e problemas na relação
Charles III chegou aos EUA na segunda-feira, acompanhado pela rainha britânica, Camila, e foram recebidos por Trump e pela primeira-dama americana, Melania, em um chá privado na Casa Branca, seguido por uma visita ao apiário da sede do Poder Executivo do país.
Mais tarde, uma segunda cerimônia regada a chá, desta vez nos jardins da Embaixada do Reino Unido, que contou com a presença de vários integrantes do Gabinete de Trump. Mas além de um cardápio recheado de itens clássicos da hora do chá da sociedade britânica, como sanduíches de pepino e tortas de frutas, o mal-estar entre os dois países estava exposto aos comensais e aos que não foram convidados.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, sua relação com o premier britânico, Keir Starmer, passou por muitos altos e baixos, com desavenças claras sobre a defesa coletiva da Europa, o futuro da guerra na Ucrânia e, mais recentemente, o conflito lançado por EUA e Israel contra o Irã. O republicano jamais escondeu sua insatisfação com a falta de apoio europeu para a guerra, e mesmo as concessões feitas por Londres, como a permissão do uso de bases militares, não melhoraram a situação. O caso Epstein, que atinge politicamente Trump e o premier britânico, além da própria família real, jogou ainda mais gasolina na fogueira, e houve cobranças para que Charles III se reunisse com as vítimas do financista.
Compra de propriedade: Rei Charles III investe R$ 26 milhões em gesto para Camilla e chama atenção
Por isso, a visita de Charles III soa como uma iniciativa de peso para tirar o elefante da sala. Trump tem uma fascinação herdada da mãe, Mary Anne (uma imigrante vinda da Escócia), pela família real britânica. Em fevereiro do ano passado, quando Starmer levou ao presidente americano uma carta do monarca, o republicano não escondeu a satisfação com as palavras e com o convite para uma visita de Estado. Para analistas, uma jogada de mestre em meio ao já caótico segundo mandato trumpista.
Horas antes de falar ao Congresso, Charles III e Camila foram recebidos por Trump com uma cerimônia formal na Casa Branca, com tropas em revista, disparos de canhão e uma banda marcial. Em rápidas declarações, o presidente evitou temas políticos, e disse que se sua mãe estivesse viva, “estaria colada na televisão”, antes de fazer uma revelação íntima.
— Também me lembro dela dizendo muito claramente: “Charles… olha, o pequeno Charles, ele é tão fofo”. Minha mãe tinha uma queda por Charles. Dá para acreditar? — afirmou o presidente.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o rei britânico, Charles III, entreolham-se durante recepção na Casa Branca
Aaron Chown/AFP
Em entrevista à rede CNN, o embaixador britânico nos EUA, Christian Turner, lembrou que esta não é a primeira visita de um monarca aos Estados Unidos em tempos de crise transatlântica. Ele citou a viagem de Elizabeth II em meio à Crise de Suez, nos anos 1950, e o encontro entre George VI e Franklin Roosevelt em Washington pouco antes do estouro da Segunda Guerra Mundial, quando Londres queria convencer os americanos a se juntarem contra o regime da Alemanha nazista.
— Nossos dois países já tiveram momentos em que as abordagens a questões internacionais foram diferentes — disse Turner. — Mas o rei está acima disso e é exatamente por isso que este é um momento para nos lembrarmos de que essa relação é profunda. Ela perdurará.

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