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Ataques realizados na madrugada de quarta-feira destruíram o que parece ser uma instalação de abastecimento de água potável na costa sul do Irã, próxima ao Estreito de Ormuz, segundo uma análise do New York Times. Por volta do horário dos bombardeios, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou em uma publicação na rede social X que havia conduzido ataques perto do estreito “com munições de precisão lançadas por caças da Força Aérea e da Marinha dos EUA”.
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A mídia estatal iraniana informou que os EUA atingiram estruturas de armazenamento de água, e uma autoridade local afirmou que o fornecimento foi interrompido para mais de 20 mil pessoas que vivem em uma cidade e em vilarejos próximos. As temperaturas na região ultrapassaram os 38°C nesta semana.
Uma imagem de satélite comercial registrada na manhã de 9 de junho mostra duas pequenas estruturas de abastecimento de água no vilarejo de Bemani. Ambas possuem tubulações azul-claro, típicas de sistemas de distribuição de água, assim como sua localização — em uma colina fora da área habitada. As construções correspondem à descrição dos dois reservatórios que, de acordo com Abdolhamid Hamzehpour, chefe da autoridade provincial de água, foram destruídos.
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Segundo Hamzehpour, os dois reservatórios de concreto tinham capacidade para armazenar 500 e 2.000 metros cúbicos de água, respectivamente, e abasteciam a cidade de Kuhestak e dez vilarejos do distrito de Bemani. Além dos tanques, equipamentos mecânicos do sistema de distribuição também ficaram completamente fora de operação após serem atingidos.
Vídeos divulgados na quarta-feira por veículos de imprensa iranianos, incluindo a mídia estatal e a autoridade provincial de água, mostram que o telhado da menor das construções desabou.
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A instalação maior ao lado continua de pé, mas imagens mostram um pequeno buraco de impacto no centro do telhado. O New York Times confirmou a autenticidade das imagens comparando os elementos visíveis ao redor com imagens de referência do local.
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Uma foto de fragmentos que, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, foram recuperados no local mostrou restos identificados por pesquisadores do Open Source Munitions Portal — um banco de dados de fragmentos de armamentos documentados em zonas de conflito — como pertencentes a uma bomba GBU-39.
A imagem, divulgada pela agência iraniana Mehr, mostra o telhado do reservatório de água potável desabado após ter sido fortemente danificado
Reprodução / X
Uma análise da CNN também apontou que os fragmentos divulgados pela agência semioficial iraniana Mehr parecem ser de uma bomba da série GBU-39, segundo especialistas em armamentos ouvidos pela emissora.
A GBU-39, uma pequena bomba planadora guiada de precisão da classe de 250 libras (cerca de 113 quilos), é compatível com os danos observados nas imagens do edifício atingido: um buraco limpo perfurando o telhado e danos limitados da explosão ao redor.
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As duas construções ficam fora do vilarejo, e não há outras infraestruturas nas proximidades imediatas. Atingir edifícios isolados e acertar o centro de um telhado são considerados fortes indícios de um ataque de precisão. Em mensagem de texto, um porta-voz do Comando Central afirmou estar ciente dos relatos de danos à instalação, mas não forneceu mais informações.
À CNN, o especialista em armamentos Trevor Ball afirmou que a localização isolada da instalação torna improvável uma falha de guiagem da munição.
— É possível que tenha havido um erro na escolha deste edifício como alvo específico, mas uma falha da munição é muito improvável — afirma.
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Não está claro se os EUA atingiram deliberadamente as instalações de água ou se sabiam o que havia nos edifícios.
Atacar intencionalmente infraestrutura civil pode constituir crime de guerra sob o direito internacional. As Convenções de Genebra também protegem instalações de abastecimento de água e outras estruturas indispensáveis à sobrevivência da população civil.
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Embora os EUA tenham afirmado que os ataques tiveram como alvo instalações militares, incluindo sistemas de defesa aérea e radares próximos ao Estreito de Ormuz, autoridades iranianas sustentam que estruturas civis de abastecimento de água foram atingidas diretamente.
Hamzehpour disse que caminhões-pipa móveis foram enviados para abastecer os moradores enquanto equipes construíam uma linha emergencial de distribuição que contornasse os reservatórios danificados. Segundo ele, essa alternativa provisória foi concluída em menos de 12 horas.
(Com New York Times)

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (10), uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece condições diferenciadas para a aposentadoria de agentes comunitários de saúde e de combate à endemia.

Protocolada em 2021, pelo então deputado federal Dr. Leonardo (Republicanos-MT), com o apoio de outros parlamentares, a PEC nº 14/21 estipula que os agentes com 25 anos de exercício na atividade e de contribuição previdenciária possam se aposentar ao completar 57 anos de idade, no caso de mulheres, e 60 anos, no caso de homens.

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Além da aposentadoria especial, o texto reconhece que o exercício das duas funções é essencial e exclusivo de Estado, o que, na prática, limita a contratação de mão de obra terceirizada.

A proposta já tinha sido aprovada pela Câmara dos Deputados. Agora, com o aval da CCJ, que analisou a constitucionalidade da iniciativa, a matéria seguirá para o plenário do Senado, onde será discutida e votada em dois turnos. Se aprovada, a PEC também definirá uma assistência financeira da União para o custeio dos novos benefícios, que serão estendidos para agentes indígenas de saneamento e de saúde.

Relator do texto aprovado, o senador Irajá (PSD-TO) manifestou-se a favor do mérito da proposta, que classificou como “oportuna e socialmente justificada”. Em seu parecer, o parlamentar destacou – sobre os impactos financeiros para estados, municípios e União – que a PEC prevê “transições, estabelece assistência financeira complementar da União para compensar aumento de despesas nos regimes próprios e aporte ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social [RGPS], em razão das aposentadorias concedidas com fundamento na emenda”.  

“Esse desenho busca compatibilizar a valorização da categoria com a responsabilidade federativa na execução do SUS”, diz Irajá, no parecer.

A aprovação da PEC se soma a duas decisões do Senado, nesta quarta-feira, que impactam o Orçamento da União: a aprovação do uso do Fundo Social (FS) do Pré-Sal para financiar o pagamento de dívidas de produtores rurais ocasionadas por eventos climáticos adversos ou impactos econômicos negativos, em razão de conflitos geopolíticos internacionais, e ainda a aprovação de um projeto de lei (PL) que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662, por 20 horas de trabalho semanal.

*Com informações da Agência Senado

Um pescador norte-americano viralizou nas redes sociais após capturar acidentalmente um tubarão-branco em uma praia da ilha de Nantucket, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. As imagens mostram o momento em que ele monta sobre o animal para retirar o anzol e, em seguida, o arrasta de volta ao mar.
O responsável pela captura é Elliot Sudal, pescador experiente que atua há 13 anos na região. Segundo ele, o tubarão-branco, estimado entre 2,1 e 2,4 metros de comprimento e cerca de 136 quilos, mordeu a isca enquanto ele pescava na costa sul de Nantucket no último domingo.
As gravações mostram Sudal puxando o animal para a faixa de areia, removendo rapidamente o anzol e devolvendo-o ao oceano. De acordo com o pescador, todo o procedimento levou aproximadamente 15 segundos. Veja o vídeo do momento:
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Pescador monta em tubarão-branco para tirar anzol e devolvê-lo ao mar após tê-lo pescado
Reprodução | Instagram
Sudal afirmou que já capturou mais de mil tubarões-das-areias e centenas de tubarões-escuros ao longo dos anos, mas nunca havia fisgado um tubarão-branco.
— De forma alguma eu estava tentando capturar esse tubarão-branco. Você não controla o que pega sua isca — declarou ao site local Nantucket Current.
Ao perceber a nadadeira peitoral do animal durante o recolhimento da linha, o pescador identificou que se tratava de um tubarão-branco e disse ter compreendido imediatamente a gravidade da situação.
— Precisava soltá-la de forma rápida e segura. É uma criatura incrível. Fiquei honrado por ter a oportunidade de interagir com ela — afirmou.
Segundo autoridades e veículos locais, a pesca de tubarões a partir da praia ainda é permitida em Nantucket, uma das poucas localidades da região onde a prática continua autorizada. No entanto, a captura intencional de tubarões-brancos é ilegal em Massachusetts, já que a espécie é protegida. Quando ocorre uma captura acidental, o animal deve ser libertado imediatamente.
O caso chamou atenção também porque, segundo Sudal, foi a primeira vez que ele fisgou um tubarão-branco após enfrentar cerca de 2 mil tubarões durante sua trajetória como pescador de costa. O animal foi visto nadando normalmente em direção a águas mais profundas após a soltura.
Raros eventos de alcance global hoje em dia não contam com a China num papel de protagonista. Dos poucos, talvez o mais proeminente deles seja a Copa do Mundo de futebol, que dá a largada hoje. Incapaz de classificar sua seleção para um Mundial desde 2002, a China tem que se contentar em ser um fator de peso econômico fora das quatro linhas, figurando entre os grandes patrocinadores do evento. Isso se repete este ano, com algumas diferenças.
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Na Copa do Catar, em 2022, havia quatro empresas chinesas entre os maiores patrocinadores. Neste Mundial 2026, o número caiu para três. O montante total investido é mais ou menos o mesmo da última edição, US$ 1,4 bilhão. A mudança é na atuação chinesa, que não se limita a anúncios e patrocínio. Num movimento natural de sua evolução como potência industrial, o domínio chinês se faz presente na tecnologia do torneio. Um exemplo é a Hisense, líder na fabricação de TVs, que fornece os equipamentos de checagem do VAR.
Outra foi a escolha da Lenovo como parceira principal da Fifa nas operações de inteligência artificial do torneio. Cada um dos 1.248 atletas inscritos no mundial terá um avatar hiperrealista feito pela empresa de computação chinesa, que servirá para auxiliar as decisões do VAR. Durante as partidas, os avatares estarão sincronizados com câmeras e sensores da Lenovo. Quando o VAR produzir um veredicto para o árbitro, o sistema poderá gerar uma reconstrução em 3D da jogada.
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Sede da Copa junto com o México e o Canadá, os Estados Unidos impõem restrições à entrada de várias firmas de tecnologia chinesas em suas fronteiras. Só não tiveram como anular a operação da Hisense e da Lenovo no VAR. Ambas já estiveram sob investigação nos EUA por suspeitas variadas, mas ainda não foram alvo de acusações mais sérias, como as surgidas esta semana. O Departamento de Defesa divulgou uma lista de firmas chinesas que teriam ligações com as Forças Armadas do país. Ela inclui gigantes do setor privado, como a empresa de comércio eletrônico Alibaba e a fabricante de veículos elétricos BYD. O governo chinês negou qualquer vínculo militar com elas.
O anúncio do Pentágono confirmou como é frágil a trégua entre EUA e China estabelecida na recente visita do presidente Donald Trump a Pequim. Pelo menos não há o risco de um mal-estar como o que tem cercado a seleção do Irã, que tem sua estreia marcada para o dia 15 na Califórnia, mas que foi vetada de ficar concentrada nos EUA e vai dormir no México. Sem poder ver seu time nacional na competição, os fãs chineses também tem menos incentivo para ir à Copa, principalmente para partidas nos EUA, devido ao temor de hostilidades.
A diferença no horário tampouco ajuda. A maioria das partidas da Copa será disputadas quando na China o relógio estiver marcando entre duas e dez da manhã. Este foi um dos argumentos da estatal CCTV para vencer a queda de braço com a Fifa na negociação pelo pagamento dos direitos de transmissão dos jogos. No fim das contas, a estatal fechou um pacote que inclui também a Copa de 2030 e as Copas femininas de 2027 e 2031 pela bagatela de US$ 60 milhões (R$ 310 milhões), um desconto de 80% em relação à pedida inicial.
A dificuldade em montar uma seleção competitiva capaz de emplacar um Mundial é motivo de frustração permanente para os torcedores chineses, em meio a problemas dentro e fora de campo. Há três semanas, uma nova onda de punições baixou sobre profissionais ligados ao esporte acusados de corrupção e manipulação de resultados. Um total de 65 pessoas levaram suspensões, sendo que 17 foram banidas do futebol. Está longe de ser novidade. Não faz muito tempo, caíram em escândalos semelhantes o técnico da seleção principal e o presidente da Associação de Futebol.
O sonho de ter uma equipe nacional competitiva já levou o time nacional a ter mais de cinco brasileiros na escalação, que trocaram seu passaporte pelo chinês para poderem representar o país. Hoje, só um brasileiro joga na seleção chinesa, o atacante Serginho Soler, do Beijing Guoan, maior clube da capital. Há alguns dias, ‘Sai Erjiniao’, como ele é conhecido no país, marcou seu primeiro gol com a camisa chinesa num amistoso em que a China derrotou Cingapura por 2 a 1.
Na falta de jogadores com a camisa do país, o principal representante da China nos gramados da Copa 2026 será um juiz. Ma Ning, 46, conhecido como “o rei dos cartões” pelo estilo rigoroso no apito, virou celebridade, com milhares de seguidores nas redes sociais do país. As redes se encheram de comentários de torcedores frustrados, muitos sem perder a ironia ao dizer que Ma estará como o resto dos chineses, apenas assistindo ao Mundial.
Alguns buscaram resignação em metáforas geopolíticas. Afinal, ter uma marca chinesa nos equipamentos do VAR e um árbitro durão no apito se encaixa na imagem de fiador da estabilidade como potência responsável, num mundo em estado de turbulência e desordem. Pode funcionar como discurso político. Mas é um prêmio de consolação chocho para os desiludidos torcedores do país, órfãos de uma representação competitiva na Copa desde 2002.
Pesquisadores descobriram no oceano Índico o maior cemitério de baleias já identificado no mundo, com cerca de 500 esqueletos, alguns deles com até 5,3 milhões de anos de antiguidade, segundo um estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira (10).
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Corredor de fósseis
Distribuídas ao longo de um corredor de 1.200 milhas a oeste da Austrália, essas carcaças de cetáceos sustentam todo um ecossistema, no qual muitos organismos podem ser desconhecidos para a ciência, de acordo com o estudo.
Os cientistas acreditam que tantas baleias morreram nessa área porque ela é uma importante zona de alimentação. Além disso, trata-se de uma fossa em forma de V que canaliza as carcaças para as profundezas marinhas.
Trata-se de uma “descoberta realmente única”, afirma o paleontólogo americano Stephen Godfrey, que a compara à identificação, em 1977, de fontes hidrotermais repletas de vida no fundo dos oceanos.
Uma nova espécie de baleia, embora extinta, também foi identificada entre os quase 500 esqueletos encontrados a até 7.000 metros de profundidade ao longo de um corredor de ossos de 1.200 quilômetros no Oceano Índico, a oeste da Austrália
DIVULGAÇÃO / TENDÊNCIA GLOBAL, IDSSE / AFP
“O fóssil mais antigo, assim como muitos crânios mais recentes, mostra que as ‘quedas de baleias’ se acumularam neste local de forma ininterrupta durante pelo menos cinco milhões de anos”, escreveu ele em um artigo publicado juntamente com o estudo da Nature.
Já se sabia que, quando as baleias morrem, seus corpos afundam até o fundo dos oceanos e alimentam a fauna das profundezas, em um fenômeno conhecido como “queda de baleias”.
Descoberta surpreendente
Mas os cientistas ficaram “estupefatos” ao compreender a dimensão da descoberta, disse à AFP o principal autor do estudo, Xiaotong Peng, da Academia Chinesa de Ciências, que acessou o local a bordo de um pequeno submarino.
“Descobrir uma necrópole de tal magnitude foi totalmente inesperado. A extensão da distribuição, a profundidade e a variedade de idades superam tudo o que imaginávamos”, explicou o pesquisador.
Em 2023, os cientistas chineses realizaram 32 imersões a bordo do submersível Fendouzhe nessa região do oceano Índico, denominada Diamantina.
Osso de baleia no maior cemitério de baleias conhecido do mundo, descoberto pelo submersível chinês Fendouzhe
DIVULGAÇÃO / TENDÊNCIA GLOBAL, IDSSE / AFP
“Os ecossistemas florescentes que vimos nos deram uma perspectiva completamente diferente do ambiente ao redor”, disse Peng Zhou, coautor do estudo.
Ao redor dos esqueletos, foram encontrados organismos como medusas, ofiúros, parentes das estrelas-do-mar, vermes-zumbis e moluscos bivalves.
A maioria dos 485 fósseis de cetáceos registrados pertence à família das baleias-de-bico, incluindo uma espécie até então desconhecida e atualmente extinta.
Com base no número de fósseis encontrados, os autores estimam que mais de 10 milhões de esqueletos possam estar espalhados pelo fundo do oceano na região de Diamantina.

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, na noite dessa quarta-feira (10), um projeto de lei (PL) que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662, por 20 horas de trabalho semanal.

De autoria da senadora Daniella Ribeiro (PSD/PB), o PL nº 1.365/202 também reajusta de 20% para 50% o adicional por trabalho noturno e as horas extras; assegura um intervalo de dez minutos de descanso a cada 90 minutos trabalhados e determina que a chefia de serviços médicos e odontológicos só seja ocupada por profissionais das respectivas áreas.

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Se nenhum senador apresentar recurso para que a proposta seja votada pelo plenário do Senado, ela seguirá para análise da Câmara dos Deputados. Se aprovadas, as novas regras valerão para os profissionais dos setores público e privado.

No caso do setor privado, o novo piso será reajustado anualmente, com base na inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Já os municípios, estados e o Distrito Federal poderão aplicar outros indicadores, conforme a legislação local.

Segundo cálculos do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, só na rede pública federal, a medida acarretará, em 2027, um impacto de cerca de R$ 7,7 bilhões para os cofres públicos.

Relator da proposta, o senador Fernando Dueire (PSD-PE) classificou a medida como uma “reparação histórica”. Em seu parecer, ele argumenta que a valorização financeira dos médicos é condição necessária para o êxito de políticas de interiorização desses profissionais. A senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) afirmou que o piso atualmente praticado é insuficiente para a categoria.

Em nota, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, comemorou a aprovação, classificando-a como uma conquista histórica para a categoria, ao avançar no sentido de atualizar a legislação em vigor, que estabelece o piso dos médicos correspondente a três salários mínimos de 2022.

“O Senado analisou e reconheceu que os médicos brasileiros merecem um salário digno. Essa aprovação representa o reconhecimento da importância dos profissionais para o sistema de saúde e para a sociedade brasileira. Trata-se de uma medida de valorização profissional e de justiça”, afirmou.

A aprovação do PL se somou a outras duas decisões de ontem, do Senado, que impactam o Orçamento da União: a aprovação do uso do Fundo Social (FS) do Pré-Sal para financiar o pagamento de dívidas de produtores rurais ocasionadas por eventos climáticos adversos ou impactos econômicos negativos em razão de conflitos geopolíticos internacionais e a aprovação de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.

*Com informações da Agência Senado

O El Niño já está em curso e pode se tornar um dos mais intensos já registrados. A confirmação foi feita nesta quinta-feira pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), que alertou para a possibilidade de o fenômeno atingir força histórica nos próximos meses e agravar eventos climáticos extremos em diversas partes do planeta.
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Caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico próximo à linha do Equador, o El Niño altera padrões climáticos em escala global. Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de que o episódio alcance intensidade suficiente entre o fim do outono e o início do inverno do Hemisfério Norte — entre novembro e dezembro no Brasil — para figurar entre os maiores eventos observados desde o início dos registros modernos, em 1950.
Meteorologistas afirmam que o fenômeno deverá elevar ainda mais as temperaturas de um planeta já aquecido pelas emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis. As projeções indicam que este El Niño poderá rivalizar ou até superar o episódio de 1997, que esteve associado a bilhões de dólares em prejuízos causados por ondas de calor, enchentes, secas, tornados e incêndios florestais.
— As águas profundas e quentes associadas ao El Niño trazem muito calor adicional para a superfície, alimentando uma série de eventos extremos em várias regiões do mundo — afirmou Abby Frazier, cientista do clima da Universidade Clark, à Associated Press, acrescentando que os impactos podem se tornar graves em pouco tempo.
Por sua vez, o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o fenômeno como um “alerta climático urgente”.
— As condições de El Niño vão jogar mais combustível no fogo de um mundo em aquecimento — disse Guterres em uma mensagem em vídeo.
Efeitos por região
Os efeitos do fenômeno variam de acordo com a região. No Atlântico, o El Niño costuma reduzir, embora não eliminar, a atividade da temporada de furacões. No Pacífico, ocorre o contrário: a atividade tende a aumentar. Com isso, a costa leste dos Estados Unidos e os estados banhados pelo Golfo do México podem enfrentar uma temporada menos intensa, enquanto o Havaí e outras ilhas ficam mais expostos a riscos.
Em algumas regiões, o fenômeno pode trazer benefícios. Cientistas afirmam que áreas do Oriente Médio afetadas por secas prolongadas poderão receber mais chuva. Em outros lugares, porém, os riscos aumentam.
Partes da costa oeste da América do Sul, onde os primeiros episódios de El Niño foram identificados há décadas, costumam registrar chuvas intensas, enchentes e verões excepcionalmente quentes durante o fenômeno. Na Índia, especialistas projetam ondas de calor mais severas, enquanto a Austrália pode enfrentar condições favoráveis a secas, incêndios florestais e temperaturas elevadas.
No nordeste da África, a expectativa é de uma mudança brusca nas condições climáticas, com a transição de períodos de seca intensa para chuvas potencialmente perigosas, segundo Muhammad Azhar Ehsan, cientista do clima da Universidade Columbia e especialista em El Niño. Nos Estados Unidos, o fenômeno costuma provocar tempestades mais intensas e volumes maiores de chuva no Sul do país. Ao mesmo tempo, tende a favorecer parte da produção agrícola, afirmou Jon Gottschalck, chefe de operações do Centro de Previsão Climática da NOAA.
Sinais monitorados
Apesar de alguns impactos positivos localizados, cientistas alertam que as temperaturas mais elevadas associadas ao fenômeno podem afetar a economia. Marshall Burke, economista climático da Universidade Stanford, afirmou que há evidências de que o crescimento econômico dos Estados Unidos desacelera em períodos com temperaturas acima da média. Diversos pesquisadores projetam que 2027 poderá se tornar o ano mais quente já registrado, em razão dos efeitos retardados deste El Niño.
— Temos evidências bastante claras de que a economia americana cresce mais lentamente quando as temperaturas ficam acima do normal — disse Burke.
Somado a isso, a escassez de fertilizantes causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz está afetando agricultores, e o aumento dos preços da energia por causa das guerras na Ucrânia e no Irã está corroendo os orçamentos dos países.
— Poderíamos ver um aumento da pobreza, da desnutrição, dos conflitos, do endividamento e de todos os efeitos em cascata — disse Laurie Laybourn, que lidera a Strategic Climate Risks Initiative, um centro de estudos com sede no Reino Unido.
A intensidade dos impactos também depende da velocidade com que o fenômeno se desenvolve. Em geral, episódios de El Niño se formam durante o verão, atingem seu pico no fim do outono ou início do inverno e enfraquecem na primavera seguinte. No entanto, a equipe de Ehsan prevê que este episódio poderá alcançar seu pico um ou dois meses antes do habitual, com base nos sinais observados nas últimas semanas. Gabriel Vecchi, cientista do clima da Universidade Princeton, afirmou que episódios muito fortes também tendem a durar mais tempo.
Entre os sinais monitorados pelos especialistas está o avanço de águas mais quentes em direção à superfície do Pacífico. Segundo Vecchi, os indicadores têm sido tão consistentes que diferentes centros de previsão vêm apontando para um El Niño excepcionalmente intenso, algo incomum para esta época do ano, quando as projeções costumam apresentar maior divergência.
Frazier e outros cientistas afirmam que o aquecimento global favorece a ocorrência de episódios mais fortes de El Niño. Ainda assim, ela ressalta que é cedo para afirmar se este evento específico está diretamente relacionado às mudanças climáticas causadas pela atividade humana. Mesmo antes de sua confirmação oficial, o fenômeno já vinha recebendo apelidos como “super El Niño” e “Godzilla”.
— Em vez de sentir medo, podemos pedir às pessoas que se preparem — afirmou Ehsan.
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Reprodução
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Lições da história
Se a História oferece alguma lição, é a de que eventos intensos de El Niño, como o que começou em 1877, impactam fragilidades preexistentes. O daquele ano provocou condições de seca extrema em várias partes do mundo, incluindo Brasil, sul da África e China. Poucos lugares foram tão atingidos quanto o sul da Índia, com relatos da época descrevendo pessoas extremamente magras tentando sobreviver comendo raízes e até vendendo filhos que não conseguiam sustentar.
Porém, apesar de todo o poder da natureza, fatores criados pelo homem provavelmente elevaram o número de mortos, que acabou chegando à casa das dezenas de milhões. Na época, a Índia estava sob domínio colonial britânico, e o historiador Mike Davis, em seu livro de 2001, “Holocaustos do final da Era Vitoriana”, retrata o Império Britânico priorizando seus interesses ao manter enormes exportações de grãos da Índia, mesmo enquanto a população morria de fome.
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Naquele tempo, ninguém fazia ideia de por que as chuvas das monções haviam falhado. Cientistas do século XIX teorizavam uma ligação com a redução da atividade das manchas solares.
Um quadro muito mais claro surgiu na década de 1960, quando Jacob Bjerknes, meteorologista da Universidade da Califórnia em Los Angeles, reuniu as peças do quebra-cabeça das consequências globais da interação entre oceano e atmosfera no Pacífico. Séculos antes, peruanos haviam percebido que, às vezes, peixes tropicais apareciam inesperadamente em suas costas por volta do Natal, um fenômeno que acabou recebendo o nome de “El Niño”, ou “o menino Jesus” em espanhol. Bjerknes fez a conexão: o aquecimento do Pacífico observado pelos peruanos estava, na verdade, alterando padrões climáticos no mundo inteiro.
Navios perto do porte El Callao, em Lima, em 2023
Ernesto Benavides/AFP
— Aquela foi uma revelação revolucionária — disse Michael McPhaden, cientista sênior da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). — Ele [Bjerknes] abriu um novo universo de estudos.
Na década de 1980, cientistas já estavam em embarcações no meio do Pacífico ancorando boias que permitiam um monitoramento mais preciso da temperatura do oceano. Paralelamente, pesquisadores procuravam pistas sobre o papel do El Niño na história humana, estudando amostras de anéis de árvores, recifes de coral e diários de bordo de marinheiros, criando uma linha do tempo rudimentar de seus episódios mais intensos.
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Quebra-cabeças sem peças
Os registros não eram precisos o suficiente para medir eventos passados com certeza. Ainda assim, eles levaram a especulações sobre o papel do El Niño ao longo da História, incluindo a hipótese de que um evento no fim do século XVIII possa ter contribuído para as falhas nas colheitas que ajudaram a desencadear levantes na Revolução Francesa. No caso de 1877, que atingiu a Índia de forma severa, a documentação é melhor, mas ainda envolve muitas conjecturas.
“Trabalhar com dados da temperatura da superfície do mar do século XIX é como montar um quebra-cabeça com muitas peças faltando”, escreveu Boyin Huang, oceanógrafo da NOAA.
Os eventos são medidos observando-se os níveis de temperatura em uma vasta área retangular do Pacífico central. Em um fenômeno moderado, as temperaturas podem subir cerca de 1°C acima da média de longo prazo. Mas, nos maiores eventos dos últimos 50 anos — os que começaram em 1982, 1997 e 2015 — as temperaturas ultrapassaram em mais de 2°C o padrão normal. Cada um desses episódios teve impacto econômico global.
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Neste ano, muitas previsões indicam que a temperatura pode subir inéditos 3°C. Mesmo o El Niño de 1877, segundo as melhores estimativas, não alcançou essa magnitude.
— Vários modelos agora mostram uma chance real de um evento recorde — disse Zeke Hausfather, pesquisador da Berkeley Earth. — Mas ainda é cedo para ter certeza.
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Arun Sankar/AFP
Na Índia, que tende a ficar mais seca, o governo já realizou reuniões preparatórias. Vimal Mishra, professor do Instituto Indiano de Tecnologia de Gandhinagar, afirmou que seu país não enfrenta riscos na mesma escala de mais de um século atrás.
— Se em um ano as monções falharem, não veremos fome — disse Mishra, citando o sistema público de distribuição da Índia, que garante acesso a produtos básicos a preços subsidiados.
Mishra estudou as grandes fomes da Índia e traça uma linha direta entre a fome da década de 1870 e as medidas preventivas que a Índia toma hoje.
— Isso nos dá uma ideia de como estar mais bem preparados — disse ele. — Mostra qual é o pior cenário possível.
(Com New York Times)
O governo britânico condenou nesta quinta-feira uma segunda noite de violência anti-imigração na Irlanda do Norte, marcada por confrontos entre manifestantes e a polícia, incêndios e ataques contra pessoas de minorias étnicas. Segundo as autoridades, 12 policiais ficaram feridos e 16 pessoas foram presas durante os episódios de distúrbios. Os confrontos ocorreram após um ataque a faca registrado na segunda-feira em Belfast, a capital, ter deixado um homem gravemente ferido.
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Um vídeo do incidente circulou amplamente nas redes sociais e mostra um homem golpeando repetidamente outro que está caído no chão. A vítima, identificada como Stephen Ogilvie, perdeu um olho e permanece hospitalizada em condição estável. Diante de manifestações violentas que se seguiram na região, o ministro britânico responsável pela Irlanda do Norte, Hilary Benn, classificou os acontecimentos como “violência racista” e denunciou um “clima de medo” imposto a pessoas que foram intimidadas e expulsas de suas casas por causa da cor da pele.
— Se você está atacando pessoas com base na cor da pele, como mais isso poderia ser descrito? Isso é banditismo racista, não há nenhuma dúvida sobre isso — afirmou Benn à emissora Sky News.
A família da vítima, por sua vez, divulgou um comunicado pedindo privacidade e agradecendo às pessoas que prestaram socorro durante o ataque. Os familiares afirmaram que a rápida intervenção de moradores ajudou a salvar a vida de Ogilvy e agradeceram aos profissionais dos serviços de emergência e aos médicos e enfermeiros envolvidos. E pediram, por fim, que a população rejeite a violência:
“Estamos cientes das tensões e das discussões sobre protestos após este incidente. Queremos deixar absolutamente claro que os distúrbios ocorridos durante a noite não são bem-vindos, e que o protesto pacífico é o único caminho a seguir”, escreveram. “Temos muitos migrantes que dão uma contribuição valiosa ao nosso país. (…) Não queremos que esta tragédia seja usada para dividir as pessoas ou alimentar a hostilidade”.
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O suspeito, identificado como Hadi Alodid, foi acusado de tentativa de homicídio, porte de faca em local público e ameaças de morte contra um funcionário do sistema público de saúde britânico. Em audiência na quarta-feira no Tribunal de Magistrados de Belfast, ele teve a prisão preventiva mantida por quatro semanas. Alodid participou da sessão por videoconferência e contou com a assistência de um intérprete de árabe. A polícia local informou que as motivações do ataque ainda não são conhecidas, mas descartou a hipótese de terrorismo.
‘Comportamento violento’
Na noite de quarta-feira, dezenas de manifestantes encapuzados enfrentaram a tropa de choque em Glengormley, ao norte de Belfast. Tijolos, pedras e coquetéis molotov foram lançados contra as forças de segurança, que responderam com canhões de água.
Um veículo do Departamento de Infraestrutura foi incendiado perto da rotatória de Sandyknowes. Manifestantes também tentaram incendiar um imóvel abandonado e atearam fogo a contêineres de lixo. Em Derry, a polícia informou que objetos foram incendiados na Ardmore Road. Outro grupo tentou chegar ao Chimney Corner, hotel que já foi utilizado para abrigar solicitantes de asilo, mas foi impedido pela polícia.
— Esse comportamento violento de uma minoria de arruaceiros não será tolerado — disse o vice-chefe da Polícia da Irlanda do Norte, Ryan Henderson, repudiando os responsáveis pelos confrontos. — Pelo contrário, estavam determinados a praticar violência. Vamos levá-los à Justiça, e sei que o Judiciário da Irlanda do Norte está pronto para aplicar longas penas àqueles que levam desordem às nossas ruas.
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Na quarta-feira, diversas famílias precisaram deixar suas casas sob proteção policial. O chefe da polícia local, Jon Boutcher, afirmou que entre os resgatados havia um bebê de apenas dois meses. Policiais retiraram famílias de diferentes comunidades para levá-las a locais seguros, disse, ressaltando que “não há justificativa” para os episódios registrados e que os responsáveis serão tratados de acordo com a lei.
— Resgatamos muitas famílias. E, alías, não eram apenas famílias de comunidades étnicas minoritárias; [mas] de diversas comunidades que acabaram envolvidas nesse comportamento repugnante da noite passada — disse, antes de ser questionado sobre este ser o terceiro ano consecutivo de episódios de violência no país. — Isso vai passar.
Autoridades britânicas atribuem parte da mobilização online a figuras da extrema direita, como o ativista Tommy Robinson e o proprietário da rede social X, Elon Musk, que compartilharam conteúdos relacionados ao ataque. Figuras de partidos de extrema direita, como o Reform UK, de Nigel Farage, e o Restore Britain, de Rupert Lowe, atribuíram os acontecimentos às políticas migratórias do governo trabalhista.
‘Terror e medo’
Benn informou que a polícia da Irlanda do Norte receberá reforços da polícia da Escócia, incluindo equipes com cães para auxiliar no controle da ordem pública. Segundo ele, os distúrbios deixaram pessoas de minorias étnicas vivendo em “terror e medo”.
— Recebemos relatos de pessoas sendo paradas em seus carros para que lhes perguntassem qual era sua nacionalidade a caminho do trabalho, e isso é completamente inaceitável.
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Uma enfermeira foi perseguida e intimidada enquanto se dirigia ao Hospital Ulster para trabalhar na noite de quarta-feira, segundo a entidade responsável pela unidade. A instituição informou que ela insistiu em cumprir seu turno apesar das ameaças. A principal mesquita do país também fechou as portas pela primeira vez desde sua fundação, em 1978. Seu presidente, Mohammed Arshed, afirmou que a comunidade nunca havia enfrentado problemas semelhantes.
As manifestações violentas ocorreram principalmente em bairros unionistas, predominantemente protestantes e favoráveis à permanência da Irlanda do Norte no Reino Unido. Alguns participantes dos protestos afirmaram que suas preocupações estão relacionadas ao aumento da imigração. Brendan, encanador de 50 anos que participou de uma manifestação, disse à AFP ser contrário à violência, mas justificou os protestos pela gravidade do ataque.
— Já tivemos violência suficiente aqui durante 30 ou 40 anos, com bombas e assassinatos.
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Ainda na quarta, a ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, condenou os ataques contra famílias que nada tinham a ver com o caso, destacando que crianças e jovens famílias ficaram sem casa após os episódios. Além disso, denunciou o “racismo” por trás da violência e acusou aqueles que, nas redes sociais, “instrumentalizaram o medo legítimo que as pessoas sentem diante dos acontecimentos”.
Long também declarou que o debate sobre o status migratório do suspeito era irrelevante para a avaliação do crime e afirmou que o homem possuía situação migratória regularizada e autorização para permanecer no Reino Unido por cinco anos. Enquanto isso, a vice-primeira-ministra da Irlanda do Norte, Emma Little-Pengelly, afirmou que grupos envolvidos nos confrontos estão tentando explorar preocupações legítimas da população.
— O que alguns desses grupos que querem criar esse tipo de desordem e violência estão tentando fazer é manipular uma preocupação genuína de muitas pessoas, assim como a frustração de muitas pessoas.
‘Holofote perigoso’
A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, classificou os ataques contra residências como “covardia repugnante” e afirmou que não existe justificativa para os episódios. Ela também descreveu o ataque a faca como “hediondo e errado”, mas alertou para tentativas de usar o caso para atacar pessoas inocentes que vivem e trabalham na região.
Já o premier britânico, Keir Starmer, afirmou que as cenas registradas em Belfast foram “chocantes e completamente inaceitáveis”. No X, ele disse que estava claro que pessoas foram alvo por causa de sua origem e afirmou que os responsáveis pelos atos de violência sentirão “todo o peso da lei”. Starmer acrescentou que conversou com líderes locais, além de representantes da polícia e dos serviços de emergência.
A deputada Claire Hanna, líder do Partido Social-Democrata e Trabalhista, comparou os acontecimentos a uma “perseguição baseada em raça”. Segundo ela, houve relatos de homens percorrendo bairros para identificar e expulsar estrangeiros. A parlamentar do Sinn Féin Deirdre Hargey afirmou que mensagens divulgadas nas redes sociais incentivaram protestos e ajudaram a mobilizar pessoas para as ruas.
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A polícia enfrentou críticas após inicialmente informar que o suspeito seria originário da Somália. Posteriormente, as autoridades corrigiram a informação e esclareceram que ele é sudanês. Suleiman Abdulahi, líder comunitário que trabalha com refugiados na Irlanda do Norte, afirmou que o erro colocou a comunidade somali sob um “holofote muito perigoso” e contribuiu para alimentar a violência contra inocentes.
Entre 19h e 23h59 de quarta-feira, o Serviço de Bombeiros e Resgate da Irlanda do Norte recebeu 82 chamadas de emergência. As equipes atenderam 33 ocorrências em Belfast, Mallusk, Glengormley e Portadown, incluindo incêndios em veículos, caminhões, residências, prédios abandonados e contêineres industriais de lixo.
(Com AFP, Bloomberg e New York Times)
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington lançará fortes ataques contra o Irã na noite desta quinta-feira, e que vai assumir o controle do setor petrolífero do país, assim como fez com a Venezuela, mencionando a tomada da Ilha de Kharg, um estratégico terminal para distribuição do combustível produzido por Teerã. A declaração do presidente americano acontece em um momento em que os países voltaram a trocar ataques na região, aprofundando a crise e afetando países alheios ao conflito.
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“Os Estados Unidos atacarão o Irã (cuja Marinha, Força Aérea, radares, defesas aéreas e todas as outras formas de defesa, juntamente com a maior parte de sua capacidade ofensiva, DESAPARECERAM!), COM MUITA FORÇA ESTA NOITE”, escreveu Trump naTruth Social. “Em algum momento num futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera e assumiremos o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela, o que está se mostrando ótimo tanto para a Venezuela quanto para os Estados Unidos”.
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Trump tem repetidamente afirmado que atacaria a ilha de Kharg durante a guerra, intensificando suas ameaças para tentar forçar o Irã a concordar com suas exigências de encerrar o programa nuclear. O Irã tem consistentemente desafiado as ameaças do republicano, e não cedeu mesmo quando meios militares abrigados na ilha estratégica foram atingidos.
Fontes americanas ouvidas pelo New York Times afirmaram que os ataques lançados pelos EUA na quarta-feira miraram sobretudo radares, sistemas de defesa antiaérea e estações de controle de drones próximos ao Estreito de Ormuz, indicando uma tentativa de degradar a capacidade do país em detectar movimentações perto da rota. Ainda assim, analistas apontam que o presidente americano tem escolhas difíceis a fazer.
A avaliação de observadores externos é de que os EUA estão com estoques perigosamente baixos de armas de longo alcance. Uma tomada da ilha de Kharg, acrescentam, envolveria um risco substancial de baixas americanas, e a maioria dos conselheiros de Trump se opõe a uma operação terrestre em grande escala para tentar derrubar o governo iraniano.
No caso da Venezuela, citado por Trump, a influência americana sobre o setor do petróleo do país não foi alcançado diretamente e apenas por força militar. Apesar da operação em janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro do poder, Washington encontrou na vice-presidente Delcy Rodríguez uma voz “dialoguista” dentro do chavismo, que aceitou condições impostas por Washington para se manter no poder.
Em uma entrevista por telefone ao programa “Fox & Friends” após a publicação on-line, Trump foi mais hesitante sobre até onde pretende ir no ataque contra o Irã.
— Minha preferência sempre foi tomar a Ilha de Kharg — disse o presidente americano. — Não sei se os EUA têm estômago para isso. Acho que eles gostariam de nos ver voltar para casa.
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Agência Espacial Europeia via AFP
Escalada de tensões
Os EUA ampliaram a pressão no Oriente Médio desde o começo da semana. As Forças Armadas do país confirmaram um ataque a um terceiro navio-petroleiro no Golfo Pérsico, por supostamente tentar furar o bloqueio americano a portos iranianos. Três marinheiros de nacionalidade indiana morreram em decorrência dos ataques americanos às embarcações civis, em meio à mais recente troca de hostilidades.
Em um comunicado nesta quinta, o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou ter realizado um ataque contra o petroleiro Jalveer, de bandeira de Guiné-Bissau, acusando uma tentativa de cruzar o Golfo de Omã com petróleo iraniano. A confirmação veio pouco depois do Ministério das Relações Exteriores da Índia acusar os EUA de atacarem a embarcação, a terceira com tripulação indiana a ser alvejada nos últimos dias. Além do Jalveer, foram atingidos os cargueiros Marivex e Settebello — este último, onde três tripulantes foram mortos.
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Centcom
Délhi convocou o vice-chefe da missão da Embaixada dos EUA na capital indiana para apresentar um “forte protesto” pelo ataque que vitimou os trabalhadores. A Marinha Mercante indiana descreveu as mortes dos nacionais indianos como uma “perda irreparável”.
A retomada dos ataques cruzados entre EUA e Irã e a confirmação de dano entre civis de países alheios ao conflito provocaram uma forte reação de atores internacionais, que pediram contenção. A China revelou “sérias preocupações” com a recente escalada, enquanto Rússia e Turquia pediram para que os dois países retomassem os esforços de paz. No mesmo sentido, a Arábia Saudita pediu uma desescalada e a volta do diálogo intermediado por Catar e Paquistão. Um porta-voz da diplomacia paquistanesa, no entanto, deu uma declaração afirmando ser “difícil permanecer otimista” diante das agressões renovadas.
A trégua entre Washington e Teerã, que foi desrespeitada em diversos momentos ao longo dos últimos meses, foi quebrada pela última vez na terça-feira, quando a Casa Branca acusou os militares iranianos de derrubarem um helicóptero americano perto da costa de Omã. Em resposta, o Pentágono autorizou disparos contra o território iraniano, que danificaram infraestruturas civis, incluindo centrais do sistema de abastecimento de água, que afetaram 200 mil pessoas.
Imagens divulgadas pelo Comando Central dos EUA em 11 de junho mostram nova onda de ataques contra o Irã
Divulgação/Comando Central dos EUA/AFP
O Irã retaliou com ataques contra posições americanas em países do Golfo, que a liderança em Teerã já havia afirmado considerar alvos legítimos em meio às hostilidades. A Guarda Revolucionária do Irã disse ter atingido alvos na Jordânia e no Bahrein, além de ter disparado contra posições no Kuwait. As autoridades do regime deram declarações em tom combativo nesta quinta.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã emitiu um comunicado nesta quinta-feira afirmando que o cessar-fogo com os EUA se tornava “praticamente irrelevante” considerando os últimos fatos, enquanto a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico — agência criada pelo regime iraniano no intuito de supervisionar o Estreito de Ormuz — afirmou que o tráfego pela via marítima ficaria completamente bloqueado até nova ordem.
“Devido às tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região e ao anúncio feito na noite de ontem pelas Forças Armadas iranianas, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até nova ordem”, anunciou a agência, que anteriormente havia aberto a possibilidade de tráfego de navios, desde que em coordenação com Teerã. (Com AFP e NYT)
Uma explosão registrada na madrugada desta quinta-feira no condado de Xing’an, na região autônoma de Guangxi Zhuang, no sul da China, deixou sete mortos e 17 feridos, segundo informações divulgadas pelas autoridades locais. As causas do incidente ainda são desconhecidas e seguem sob investigação policial.
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De acordo com um comunicado da polícia, a explosão ocorreu por volta da 1h40, no horário local, na Rua Lingxiang, em Xing’an.
Após o incidente, autoridades da cidade de Guilin e do próprio condado de Xing’an se deslocaram até a área atingida para coordenar as operações de resgate e prestar apoio às equipes mobilizadas no local.
As ações contam com a participação da polícia, do Corpo de Bombeiros, de profissionais de saúde e de equipes especializadas em resposta a emergências.
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Segundo as autoridades, quatro varreduras completas já foram realizadas na área afetada pela explosão.
Os 17 feridos foram encaminhados para hospitais da região. De acordo com os órgãos locais, todos apresentam quadro estável e não correm risco de morte.
As operações de busca, atendimento às vítimas e avaliação dos danos permanecem em andamento.
Investigação tenta esclarecer o que provocou a explosão
A polícia continua trabalhando para identificar a causa exata do incidente. As investigações preliminares descartaram a hipótese de que a explosão tenha sido provocada por um vazamento em um gasoduto, uma das possibilidades inicialmente consideradas pelas autoridades. Até o momento, porém, a origem da explosão que atingiu o condado de Xing’an não foi oficialmente determinada.
O caso segue sob apuração enquanto equipes de emergência permanecem mobilizadas na região afetada.

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