Apesar de histórico de falha em nave, Nasa se prepara para missão que levará astronautas mais longe da Terra do que nunca; entenda
A cápsula será lançada pelo Space Launch System (SLS), o foguete mais potente já construído. Segundo a agência americana, a Orion também deverá desempenhar papel central em missões futuras mais ambiciosas, incluindo viagens tripuladas a Marte.
Projetada para missões de exploração profunda, a Orion oferece espaço habitável para até quatro astronautas por até 21 dias, de forma autônoma, sem necessidade de acoplamento a outra nave durante o voo.
O módulo de tripulação da Orion foi desenvolvido para suportar condições extremas do espaço e do retorno à Terra. A estrutura conta com um vaso de pressão formado por sete peças de liga de alumínio, soldadas para criar uma cápsula leve, resistente e hermética.
Cápsula pode levar quatro astronautas por até 21 dias em missão autônoma
Reprodução/Nasa
A parte inferior da nave, que enfrenta as maiores temperaturas na reentrada, é protegida por um escudo térmico de cinco metros de diâmetro, capaz de suportar cerca de 2.760 °C — aproximadamente metade da temperatura da superfície do Sol. O escudo é feito de blocos do material Avcoat, que se desgasta de forma controlada, dissipando o calor para longe da cabine.
As laterais cônicas da cápsula, conhecidas como backshell, são revestidas por 1.300 placas de proteção térmica de fibra de sílica, responsáveis por isolar a nave tanto do frio do espaço quanto do calor intenso da reentrada atmosférica.
Interior pensado para longas missões
Por dentro, a Orion foi projetada para garantir funcionalidade e segurança à tripulação:
Alojamento: inclui tanques de água potável, sistema para aquecer alimentos e um compartimento de higiene com vaso sanitário compacto. Em caso de tempestades de radiação, os astronautas podem se proteger em compartimentos reforçados no piso da cápsula.
Capacidade: quatro assentos ajustáveis, projetados para acomodar cerca de 99% da população humana.
Estrutura interna: o piso é sustentado por uma estrutura de alumínio conhecida como “espinha dorsal”, onde ficam fixados os assentos e os compartimentos de armazenamento.
Cápsula pode levar quatro astronautas por até 21 dias em missão autônoma
Reprodução/Nasa
Módulo de serviço europeu
A Orion conta ainda com o módulo de serviço fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA), considerado o “centro de força” da espaçonave. Instalado abaixo do módulo de tripulação, ele é responsável por:
Propulsão: 33 motores de diferentes tamanhos, incluindo o motor principal, que permite manobras em órbita lunar e o retorno à Terra;
Energia: quatro painéis solares com cerca de 15 mil células, responsáveis por converter luz solar em eletricidade;
Controle térmico: radiadores e trocadores de calor que mantêm astronautas e equipamentos em temperaturas seguras;
Consumíveis: armazenamento de água, oxigênio e nitrogênio para a tripulação.
Pouco antes da reentrada na atmosfera terrestre, o módulo de serviço se separa da nave. Apenas o módulo de tripulação retorna à Terra ao final de cada missão.
Cápsula pode levar quatro astronautas por até 21 dias em missão autônoma
Reprodução/Nasa
Paraquedas e controle ambiental
A Orion pode ser comandada pela tripulação por meio de três telas digitais, cerca de 60 interruptores físicos e controles manuais de rotação e translação. A nave também conta com sistemas essenciais:
Controle ambiental: remove dióxido de carbono e umidade, mantendo o ar limpo, além de regular temperatura e pressão;
Paraquedas: após a atmosfera reduzir a velocidade da nave de cerca de 40 mil km/h para 523 km/h, um conjunto de 11 paraquedas desacelera a cápsula até aproximadamente 32 km/h, garantindo um pouso seguro.







