Movimento separatista, petróleo e Trump: por que Alberta, província rica do Canadá, se tornou centro de discussões
‘É roubo’: 700 artistas, entre nomes como Scarlett Johansson e Cate Blanchett, apoiam campanha contra uso de IA
Os protestos, que começaram em dezembro passado devido às dificuldades econômicas e se transformaram em um movimento mais amplo contra o regime, parecem ter sido amplamente reprimidos, inclusive com o uso de força letal. Agora, o governo está concentrando seus esforços na perseguição aos manifestantes, realizando novas prisões e reforçando a presença policial nas escolas.
Tem sido difícil apurar exatamente o que aconteceu durante os protestos, em grande parte porque o governo cortou a internet e restringiu as comunicações. Nos últimos dias, em breves momentos de conexão, alguns detalhes começaram a surgir.
Número de mortos
Na semana passada, o Conselho de Segurança Nacional do país divulgou um número oficial de 3.117 mortos. Esse número é inferior à contagem mais recente da agência de notícias Human Rights Activist News Agency, sediada nos EUA, que até o momento verificou 6.479 mortes — incluindo 118 crianças. O processo de verificação está em andamento e é provável que o número de mortos aumente.
Os estudantes, especialmente nas universidades, têm estado na vanguarda das lutas por mudanças democráticas no Irã, inclusive na revolução que derrubou a monarquia e deu origem à República Islâmica em 1979. Em resposta, o governo iraniano invadiu campi universitários, prendeu estudantes e, por vezes, os proibiu completamente de frequentar o ensino superior.
Um sindicato de professores iranianos, que vem monitorando a situação das crianças afetadas pela repressão do governo, condenou o que descreveu como o “assassinato de estudantes e professores” e a “securitização da educação”. O grupo exigiu a libertação imediata dos detidos.
Segundo o sindicato dos professores, não se tem notícias de algumas crianças desde a prisão. Em dezenas de relatos compartilhados em um canal do Telegram, o sindicato publicou fotos e descrições de crianças que teriam sido presas ou mortas. O New York Times não conseguiu verificar essas informações de forma independente.
Jovens espancados e baleados
Asal, uma jovem de 20 anos que participou dos protestos em Karaj, disse ter presenciado muitos adolescentes, com cerca de 15 e 16 anos, sendo espancados e baleados nas ruas. Ela falou sob condição de anonimato por medo de represálias.
— Estávamos presos em uma rua quando, de repente, uma adolescente, talvez de 17 ou 18 anos, tocou no meu ombro e gritou: ‘Ei, tem um raio laser verde no seu corpo. Eles estão te mirando’ — disse Asal em uma mensagem de voz. — Momentos depois, essa garota foi baleada. Não sei onde ela foi atingida, mas ela caiu no chão, coberta de sangue.
EUA X Irã
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump ameaçou o Irã com ação militar e incitou os manifestantes. Ele pediu uma nova liderança no país e, recentemente, concentrou-se nas ambições nucleares do país, afirmando na semana passada que uma “enorme armada” estava a caminho do Irã e que os Estados Unidos estavam preparados para atacar com “rapidez e violência”.
O Irã prometeu retaliar contra quaisquer ataques americanos e, na sexta-feira, seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse que o país não negociará com os Estados Unidos a menos que Trump pare de ameaçá-lo.





