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Muitos iranianos deixaram a capital Teerã após os ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel na manhã deste sábado. As autoridades da República Islâmica chegaram a enviar mensagens de texto à população incentivando cidadãos a deixarem a capital iraniana. A insegurança e o medo se espalharam para outros países da região, atingidos por ataques do Irã em retaliação.
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“Em vista das operações conjuntas lançadas pelos Estados Unidos e o regime sionista contra Teerã e outras cidades importantes, se possível e mantendo a calma, dirijam-se a outras cidades”, dizem as mensagens de texto recebidas pelos residentes e vistas por jornalistas da AFP.
Num vídeo publicado pela rede Al Jazeera, um repórter anda pelas ruas de Teerãm mostrando a situação da capital iraniana durante os bombardeios. Ao fundo, é possível ouvir barulhos sequenciais de explosões. Enquanto imagens de edifícios em chamas pela cidade aparecem na tela, o jornalista descreve a situação como “muito crítica” e conta que iranianos temem uma escalada maior dos ataques pelo país.
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AFP
Todas as universidades do país foram fechadas por ordem do governo. Imagens da AFP mostram milhares de iranianos reunidos nas rodovias para deixar Teerã, formando grandes congestionamentos nas vias que servem como rotas de saída da cidade. A emissora estatal IRIB informou que algumas rotas ao norte e ao sul da capital foram transformadas em vias de sentido único devido ao tráfego intenso, enquanto outras foram completamente bloqueadas.
Enquanto isso, dezenas de apoiadores do governo iraniano, em motocicletas, desfilaram no sábado por uma avenida de Teerã, tocando música marcial e agitando a bandeira da República Islâmica, informaram jornalistas da AFP. O comboio de cerca de 50 pessoas percorreu a extensa Avenida Valiasr, normalmente movimentada, mas praticamente deserta neste sábado após a sequência de ataques aéreos contra o país persa.
Manifestantes se reúnem com bandeiras nacionais iranianas durante um protesto em apoio ao governo e contra os ataques dos EUA e de Israel em frente a uma mesquita em Teerã, em 28 de fevereiro de 2026.
ATTA KENARE / AFP
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o Estreito de Ormuz, uma via navegável vital para o transporte de petróleo e gás, está inseguro devido aos ataques dos EUA e de Israel e, portanto, foi fechado para navios no sábado, informou a mídia local.
“A Guarda Revolucionária alertou vários navios de que, devido à atmosfera de insegurança ao redor do estreito por causa da agressão militar dos EUA e de Israel e das respostas do Irã, não é seguro passar pelo estreito neste momento”, informou a agência de notícias Tasnim. “Com a suspensão da passagem de navios e petroleiros pelo Estreito de Ormuz, o estreito foi basicamente fechado.”
Figuras políticas linha-dura iranianas ameaçaram fechar o estreito em caso de um ataque dos EUA, mas nenhuma decisão oficial foi tomada até o momento.
Relatos de moradores publicados pelo Wall Street Journal mostram que ainda há muitos iranianos divididos sobre o que fazer diante dos novos ataques. Algumas esperavam que a diplomacia fosse amenizar a crise, com as negociações que vinham sendo realizadas entre EUA e Irã para firmar um novo acordo nuclear.
— As pessoas têm sentimentos contraditórios. Algumas estão felizes porque acham que será curto, como a guerra de 12 dias, e não veem outra maneira de confrontar o governo. Outras estão preocupadas — disse um morador de Teerã ao WSJ.
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Israelenses seguem protocolos
Em Israel, o silêncio que fazia parte do cotidiano desde o início do cessar-fogo na Faixa de Gaza, assinado em outubro do ano passado, foi interrompido pelas sirenes de alerta pouco depois das 8h (horário local). O barulho que prepara as pessoas para um possível ataque fez com que israelenses pulassem da cama e corressem para abrigos.
Apesar do aviso, segundo a imprensa israelense, o estabelecimento de Defesa de Israel havia ativado as sirenes para alertar as pessoas sobre o início da campanha de ataques contra o Irã e a fim de prepará-las para a ameaça esperada de mísseis — como fez no início da guerra de 12 dias de junho de 2025.
O Times of Israel publicou que o serviço de ambulância Magen David Adom disse que um homem na casa dos 50 anos ficou levemente ferido no norte de Israel durante os ataques depois de cair em um buraco criado por fragmentos de mísseis. Outras pessoas também receberam tratamento por terem se machucado ao cair enquanto corriam para se abrigar ou por ansiedade aguda com a situação.
O Comando da Frente Doméstica — uma unidade das Forças Armadas israelenses responsável por proteger a população civil, gerenciar emergências e coordenar buscas e resgates — anunciou que grandes reuniões de pessoas foram proibidas no país.
Enquanto alguns israelenses se amontoavam em diversos abrigos pelo país, moradores de várias cidades, incluindo Givatayim, Herziliya, Holon, Hadera e Givat Olga, reclamaram de abrigos antibombas públicos trancados, de acordo com relatos divulgados pela imprensa israelense.
Segundo as autoridades locais, a instrução do Comando da Frente Interna para abrir os abrigos só chegou na manhã deste sábado, o que impediu que muitos municípios tivessem tempo de abri-los antes que os alarmes soassem.
O Aeroporto Ben Gurion, principal aeroporto internacional do país, também anunciou que interromperia as operações até pelo menos segunda-feira, deixando inúmeros israelenses presos no exterior e estrangeiros presos em Israel, já que a situação do espaço aéreo permanece incerta. Hospitais e unidades de saúde entraram no modo de emergência, movendo pacientes para complexos subterrâneos.
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Insegurança regional
Uma série de ataques iranianos — em resposta aos EUA e Israel — também provocou caos em outros países no Golfo Pérsico, destruindo a imagem de tranquilidade tão valorizada pelos governantes ricos desta região petrolífera. Mísseis riscaram o céu límpido do deserto enquanto colunas de fumaça subiam das bases americanas em Manama, capital do Bahrein, e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), e poderosas explosões sacudiam as janelas dos arranha-céus de Dubai.
Duas testemunhas viram uma explosão na famosa ilha artificial de Dubai, The Palm, onde as autoridades relataram quatro feridos. Uma testemunha disse ter visto uma coluna de fumaça preta subindo de um hotel na ilha e ouvido ambulâncias correndo para o local. No Catar, dezenas de pessoas fugiram em pânico quando um míssil caiu em um bairro residencial, explodindo em uma bola de fogo ao atingir a rua.
Em Abu Dhabi, capital dos EAU, jogadores de golfe que desfrutavam de uma partida tranquila ficaram atônitos ao ver dezenas de projéteis riscando o céu. As monarquias do Golfo têm se esforçado para se manterem fora dos conflitos do Oriente Médio, confiando em sua estabilidade para atrair negócios, comércio e turismo.
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Esses aliados fiéis dos EUA também cultivam cuidadosamente seu relacionamento com o Irã, seu poderoso vizinho xiita. A Arábia Saudita, uma potência rival, restabeleceu relações com Teerã em 2023, após uma ruptura de sete anos.
Dada a sua reputação de calma, os ataques repentinos de sábado contra bases militares americanas causaram grande comoção entre as diversas populações do Golfo, em grande parte compostas por expatriados.
Na capital do Bahrein, Manama, os moradores foram evacuados às pressas do distrito de Juffair, onde fica a base da Quinta Frota da Marinha dos EUA, atingida durante o ataque.
— Quando ouvimos os sons, gritamos de medo — disse Jana Hassan, uma estudante de 15 anos que visitava uma amiga na região. — Não sabíamos o que fazer… Nunca vou esquecer o som daquelas explosões.
Em Dubai, o centro comercial do Oriente Médio, lar do arranha-céu mais alto do mundo, o Burj Khalifa, os moradores olhavam fixamente para o céu enquanto mísseis o cruzavam.
— Foi um estrondo alto e depois uma explosão — disse à AFP um morador, que pediu para não ser identificado.
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Caos em Teerã
O caos e a incerteza se instalaram na capital iraniana à medida que detonações atingiam a cidade densamente povoada, segundo relatos de testemunhas ouvidas pelo The New York Times.
Ali, um empresário que vive na capital iraniana, contou por mensagem de texto que estava no escritório com diversos funcionários quando ouviram duas explosões, seguidas pelo sobrevoo de caças. Segundo ele, empregados saíram correndo e gritando do prédio. Ele, assim como outros moradores, pediu para não ter o nome completo divulgado por temer pela própria segurança.
No bairro arborizado e de alto padrão de Mirdamad, o morador Hamidreza Zand relatou ter visto ao menos dez caças sobrevoando a região enquanto pessoas corriam para as ruas e alguns motoristas abandonavam carros em meio ao trânsito congestionado. Ao fundo, sirenes de ambulâncias ecoavam enquanto outros residentes tentavam buscar seus filhos nas escolas.
“Corri para a escola para buscar minha filha no ensino fundamental. As meninas estavam escondidas debaixo da escada e chorando”, disse Ali Zeinalipoor, contatado por um repórter por meio da rede social Clubhouse. “A diretora não sabia o que tinha acontecido — todos estavam com muito medo.”
Do telhado de seu apartamento no bairro de Velenjak, no norte de Teerã, Golshan Fathi afirmou ter visto uma segunda leva de aviões de combate.
“As pessoas estão no telhado olhando para o céu e apontando para baixo. É possível ouvir mulheres gritando. Alguns dos meus vizinhos estão correndo para seus carros”, disse. “Parece que estamos em um filme.”
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Na região de Pasdaran, onde fica um grande complexo da Guarda Revolucionária iraniana, moradores relataram múltiplas explosões que chegaram a estremecer janelas.
“Meus filhos estão chorando e assustados, estamos todos encolhidos no banheiro, não sabemos o que fazer. Isso é aterrorizante”, escreveu por mensagem Esfandiar, engenheiro que vive na área.
À medida que surgiam relatos de explosões em outras cidades do país, as comunicações começaram a falhar. Uma moradora chamada Mahsa disse que deixava Pasdaran sem conseguir avisar familiares para onde estava indo.
Quando Israel lançou ataques surpresa contra o Irã em junho passado, os alvos foram principalmente instalações militares e nucleares, além de operações em Teerã que resultaram na morte de integrantes do alto comando militar. Já os bombardeios deste sábado pareceram muito mais amplos, incluindo alvos políticos como o Ministério da Inteligência, o Judiciário e o complexo fechado de Pasteur, onde normalmente residem o presidente e o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, segundo moradores e veículos locais.
Os ataques ocorrem em um momento delicado para o país, cujo governo promoveu no mês passado uma repressão violenta para conter protestos nacionais que exigiam o fim do regime clerical.
Nem todos os iranianos, porém, reagiram com indignação às colunas de fumaça que se erguiam após as explosões. Arian, morador do distrito de Ekteban, a oeste da capital, afirmou que alguns parentes comemoraram os bombardeios. Segundo ele, era possível ouvir pessoas do lado de fora do prédio gritando “Vida longa ao xá”, em referência ao monarca deposto na revolução de 1979 que levou a República Islâmica ao poder.
Enquanto aviões de guerra lançavam ataques pelo país, o presidente Donald Trump divulgou um vídeo dirigido aos iranianos afirmando que “a hora da sua liberdade está próxima” e pedindo que se levantassem contra o governo assim que os bombardeios cessassem. Alguns iranianos ironizaram o apelo.
“A única coisa em que estamos pensando agora é em chegar a um lugar seguro”, afirmou Laleh, advogada e mãe de dois filhos, em entrevista por telefone. “Ninguém está pensando em protestar neste momento.”
(Com AFP e NYT)

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Pelo menos 57 pessoas foram presas neste sábado durante confrontos entre a polícia e manifestantes que bloqueavam as vias de acesso a La Paz. Os bolivianos fecharam as estradas em protesto contra o governo e exigindo aumentos salariais, informou a Defensoria Pública. As forças de segurança tentam dispersar os manifestantes com gás lacrimogêneo e retomar o fornecimento de alimentos e suprimentos médicos à capital administrativa.
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Desde o início de maio, trabalhadores, agricultores, professores, indígenas e transportadores exigem aumentos salariais, estabilização econômica, o fim da privatização de empresas estatais e até mesmo a renúncia do presidente de centro-direita, Rodrigo Paz.
A operação, que envolve cerca de 3.500 agentes uniformizados, segundo a imprensa local, começou neste sábado às 2h em La Paz, na cidade vizinha de El Alto e na rodovia La Paz-Oruro (sul do país), onde o Exército informou ter desobstruído uma faixa da via.
“O monitoramento de direitos humanos da Defensoria Pública relata um total de 57 pessoas detidas, presas e apreendidas”, afirmou a instituição em um relatório divulgado ao meio-dia.
O porta-voz da Presidência da República, José Luis Gálvez, disse em uma coletiva de imprensa que a operação é “um esforço específico (…) para estabelecer um corredor humanitário diante de uma série de bloqueios que impediam o trânsito” para abastecer La Paz com alimentos, oxigênio para hospitais e medicamentos.
Segundo o governo, três pessoas morreram nos últimos dias por não conseguirem chegar a centros médicos devido aos bloqueios de estradas.
Durante a operação, “diversos pontos bloqueados foram reabertos” e “outros foram retomados” pelos manifestantes, disse Gálvez. Víctor Valderrama, chefe das Forças Armadas, garantiu à imprensa que nenhuma arma letal foi utilizada.
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Cidade sitiada
Com quase todas as vias de acesso fechadas, os preços de diversos alimentos perecíveis dispararam nos mercados de La Paz, sede dos poderes Executivo e Legislativo, na última semana. A Administração Rodoviária da Bolívia, estatal responsável pelas rodovias, relatou pelo menos 22 bloqueios de estradas em todo o país no sábado, a maioria no departamento de La Paz.
O governo implantou uma “ponte aérea” desde domingo, dia 10, para contornar os bloqueios e levar carne e verduras à cidade. A Argentina apoiará esse esforço, uma tática comum na Bolívia para lidar com esse tipo de pressão, com duas aeronaves militares Hércules, anunciou o governo.
Em uma declaração conjunta divulgada nesta sexta-feira, os governos de Argentina, Chile, Peru, Equador, Costa Rica, Paraguai, Panamá e Honduras expressaram sua preocupação com a “situação humanitária” do país.
Em meio à agitação, o governo Paz se reúne neste sábado em El Alto com um setor da Central Operária Boliviana (COB), o maior sindicato da Bolívia, para negociar uma saída para a crise e “pacificar o país”. Na quinta-feira, esse sindicato havia anunciado que suas reivindicações não foram atendidas e que exigia a renúncia do presidente.
Além de Raúl Castro: EUA miram queda de herdeiros do regime comunista de Cuba; falta de oposição é obstáculo
Caso Evo Morales
Agricultores leais ao ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019) também ocuparam neste sábado o aeroporto de Chimoré, na região produtora de coca de Chapare, em Cochabamba (centro da Bolívia), informou Mauricio Zamora, Ministro de Obras Públicas, em suas redes sociais.
Os manifestantes temem que Morales, que reside atualmente na região de Chapare e é procurado pela Justiça por um caso de suposto tráfico de crianças, seja capturado em breve. Na sexta-feira, ele denunciou um suposto plano envolvendo a DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos.
“Os EUA ordenaram ao governo de Rodrigo Paz que realizasse uma operação militar, com o apoio da DEA e do Comando Sul dos EUA, para me prender ou me matar”, escreveu Morales no X.
Imagens divulgadas por Zamora mostram um caminhão despejando entulho no portão e dezenas de pessoas carregando toras e galhos para a pista. O aeródromo, usado principalmente pela polícia e pelos militares, está inoperante desde 2024, após outro protesto ter danificado a infraestrutura.
Enquanto isso, uma marcha de apoiadores do primeiro presidente indígena da Bolívia partiu de Oruro rumo a La Paz, onde esperam chegar na segunda-feira para se juntar aos protestos.
A agência de defesa civil de Cuba publicou recentemente um “guia” para “proteger a população contra agressão militar”, segundo diversos sites de governos provinciais, em meio a uma crise crescente com os Estados Unidos. A publicação deste documento, que não foi noticiada nacionalmente pela mídia estatal, ocorre em um momento particularmente tenso na relação entre Washington e Havana, inimigos ideológicos há mais de seis décadas.
Além de Raúl Castro: EUA miram queda de herdeiros do regime comunista de Cuba; falta de oposição é obstáculo
‘Demonstração de força’: EUA ampliam voos de espionagem sobre Cuba, e especialistas veem recado de intimidação
Desde o final de janeiro, o governo dos EUA, liderado por Donald Trump, impôs um embargo energético à ilha controlada pelos comunistas, localizada a 150 quilômetros da costa dos EUA, considerando-a uma “ameaça excepcional” à segurança americana devido aos seus laços estreitos com a Rússia, a China e o Irã. Esta semana, John Ratcliffe, diretor da agência de inteligência dos EUA (CIA), viajou a Havana para se reunir com altos funcionários cubanos e discutir a profunda crise que a ilha enfrenta.
O documento do Estado-Maior da Defesa Civil Nacional, dirigido “a todas as famílias cubanas”, fornece informações “práticas” para “proteger a vida contra possíveis ataques inimigos”, segundo um comunicado divulgado na sexta-feira no Portal do Cidadão da província de Havana.
A rádio provincial de Sancti Spíritus, província localizada na região central do país, publicou as informações em seu site no sábado, disponibilizando o documento para download.
Intitulado “Proteger, Resistir, Sobreviver e Vencer”, o guia inclui uma série de recomendações que vão desde a preparação de “um kit familiar com água potável, alimentos prontos para consumo, um rádio com bateria extra, uma lanterna, medicamentos e itens de higiene” até a atenção às “sirenes de ataque aéreo”. O documento também incentiva os leitores a aprenderem “primeiros socorros” e enfatiza a importância de se manterem informados “por meio dos conselhos de defesa locais”.
A divulgação discreta do documento ocorre em um momento em que Cuba, com seus 9,6 milhões de habitantes, atravessa uma crise socioeconômica sem precedentes. A situação da rede elétrica também é crítica, já que o país ficou sem reservas de diesel e óleo combustível desde que o bloqueio energético imposto pelos EUA interrompeu o abastecimento de combustível no país. Antes, as commodities eram vendidas a Cuba pelo regime venezuelano de Nicolás Maduro, capturado em janeiro por tropas americanas em Caracas.
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Na sexta-feira, Cuba conseguiu restabelecer sua rede elétrica nacional após um apagão massivo que deixou sete das 15 províncias da ilha sem energia no dia anterior.
Os apagões intermináveis ​​e repetidos têm provocado protestos em diversos bairros de Havana nos últimos dias. Em meio à crise energética, Havana afirmou que está considerando aceitar os US$ 100 milhões em ajuda oferecidos por Washington, sob a condição de que sejam distribuídos por meio da Igreja Católica.
Desde o fim de janeiro, apenas um petroleiro russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto foi autorizado a atracar em Cuba, aliviando a crise em abril. O combustível, porém, já se esgotou, fazendo o país conviver com cortes de eletricidade que ultrapassam 19 horas diárias na capital — enquanto em várias províncias os apagões se estendem por dias inteiros.
Dois membros da campanha de Abelardo de la Espriella, o principal candidato de direita à Presidência da Colômbia, foram mortos a tiros na sexta-feira em uma área rural do país, informaram as autoridades. Segundo um comunicado da equipe de De la Espriella, o coordenador local da campanha, Rogers Mauricio Devia, e seu assessor, Eder Fabián Cardona, foram emboscados na noite de ontem por quatro homens armados em motocicletas enquanto trafegavam pelo departamento de Meta, na região centro-leste da Colômbia, após coletarem material de campanha.
“Esses eventos são extremamente graves e preocupantes por si só, mas também porque ocorrem no contexto eleitoral, afetando gravemente o exercício dos direitos políticos e a participação democrática”, afirmou a Defensoria Pública no sábado.
Segundo colocado nas pesquisas: Principal candidato de direita da Colômbia diz que atacará aviões e navios carregados de drogas se eleito presidente
‘Erro tático’: Guerrilheiros dissidentes da Colômbia assumem responsabilidade por explosão com 21 mortos
A segurança é uma questão central na corrida para as eleições presidenciais de 31 de maio. O senador de esquerda e favorito nas pesquisas, Iván Cepeda — apoiado pelo presidente, Gustavo Petro —, e seus rivais de direita, De la Espriella e Paloma Valencia, relataram ter recebido ameaças de morte.
Os três estão em campanha sob forte esquema de segurança em meio a uma onda de ataques e assassinatos no país.
Como um dos históricos redutos das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Meta mantém presença guerrilheira e é um dos corredores de tráfico de cocaína do país. A oposição afirma que as negociações de paz fracassadas do governo Petro com a maioria das organizações acabaram dando espaço para que esses grupos se fortalecessem.
“A Colômbia não pode continuar com um governo que se tornou cúmplice do narcoterrorismo e que implementou essa ‘paz total’ que tem sido excelente para os criminosos e muito custosa para os colombianos”, afirmou Valencia em abril, quando expôs o plano de assassinato contra ela após ser comunicada por autoridades.
A candidata a vice-presidente de Cepeda, Aida Quilcué, foi sequestrada por várias horas em fevereiro por um grupo de dissidentes rebeldes que se opunham ao acordo de paz de 2016 que desarmou a maior parte das FARC.
Na Colômbia, é comum que grupos armados, que se financiam por meio de atividades ilegais como o tráfico de drogas e a extorsão, exerçam pressão violenta para influenciar as eleições. As plantações de coca na Colômbia aumentaram 18% durante o governo de Petro, segundo dados da polícia divulgados no fim de abril. O último dado das Nações Unidas sobre a área plantada data de 2023, quando registrou um recorde de 253 mil hectares de folhas de coca, matéria-prima para a produção de cocaína. A Colômbia é o maior fornecedor mundial dessa droga.
Há menos de um mês, Petro apresentou os números da polícia mostrando que, em meados de 2022, quando assumiu a Presidência, estavam registrados 218.246 hectares de plantações de coca, em comparação com 258.144 hectares no final de 2025.
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Outro grupo guerrilheiro dissidente é suspeito de ter ordenado o assassinato de Miguel Uribe, que foi baleado durante um comício em Bogotá em junho do ano passado. O crime reacendeu o fantasma da violência política em um país onde vários candidatos à Presidência foram assassinados por traficantes de drogas entre as décadas de 1980 e 1990.
Wes Streeting, que renunciou ao cargo de secretário de saúde do Reino Unido esta semana, anunciou no sábado que disputará eleições para substituir Keir Starmer como líder do Partido Trabalhista e primeiro-ministro, após o partido sofrer resultados desastrosos nas eleições locais.
“Precisamos de uma disputa adequada com os melhores candidatos em campo, e eu serei um dos candidatos”, disse Streeting em um evento de um centro de pesquisa em Londres, dois dias depois de o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, revelar sua candidatura a deputado.
Sob pressão: Manchado por caso Epstein e derrota eleitoral, Starmer rejeita renúncia e desafia o próprio partido no Reino Unido
Se for bem-sucedido, isso permitiria que Burnham concorra à liderança do Partido Trabalhista, uma disputa que agora parece praticamente inevitável, embora ainda não tenha sido formalmente iniciada pelos deputados.
A movimentação política no Reino Unido começou desde que Keir Starmer começou a perder popularidade, pressionado entregar a liderança do governo e do Partido Trabalhista. Cotado entre os favoritos para assumir o posto em caso de uma queda de Starmer, Streeting disse ter “perdido a confiança” na liderança do premier em sua carta de renúncia.
Política e monarquia: Crise do governo trabalhista britânico ofusca tradicional discurso do rei e mantém Starmer sob pressão
Ligado a uma ala mais centrista do Partido Trabalhista, Streeting teve uma conversa com o premier no começo da semana, em meio a uma debandada de secretários do governo. A conversa, apontada pela imprensa britânica, durou menos de 20 minutos, sem maiores declarações públicas sobre o conteúdo em seguida. O anúncio da candidatura saiu só dois dias depois.
Streeting falou nesta semana sobre a dura derrota do partido nas eleições regionais da semana passada. No primeiro desafio eleitoral sob a liderança de Starmer, a legenda perdeu cadeiras em uma extensa área do país, vendo em paralelo um avanço da extrema direita britânica, com uma ascensão destacada do Reform UK — um resultado que causou preocupação entre alas progressistas do país.
“Os resultados eleitorais da semana passada foram sem precedentes — tanto pela dimensão da derrota quanto pelas consequências desse fracasso. Pela primeira vez na história do nosso país, nacionalistas estão no poder em todos os cantos do Reino Unido — incluindo um perigoso nacionalismo inglês representado por Nigel Farage e o Reform UK”, escreveu Streeting, definindo o partido extremista como “uma ameaça aos valores e ideais” britânicos e ” uma ameaça existencial à integridade futura do Reino Unido”.
O agora ex-secretário citou também a falta de confiança de setores progressistas nos trabalhistas, relacionando a crise do partido à “impopularidade do governo”, mencionando “erros individuais de política”, como a decisão de Starmer de cortar auxílio para combustível no inverno. Streeting também criticou uma suposta falta de diálogo interno com partidários.
Liderança em crise
A derrota eleitoral do Partido Trabalhista nas eleições regionais do Reino Unido foram apenas o último desdobramento de um governo liderado por um premier cuja aprovação nunca superou a rejeição, de acordo com pesquisas de opinião. Mesmo antes da derrota, Starmer já vinha sofrendo pressões para renunciar, em meio a dificuldades econômicas, falta de avanços em pautas como a imigração ilegal e o caso envolvendo a nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos EUA, em um momento em que os laços dele com o criminoso sexual Jeffrey Epstein já eram conhecidos.
O premier afirmou durante a semana que não renunciaria, apoiando-se no argumento de que havia assumido um compromisso de entregar projetos de governo ao eleitorado. A pressão dos aliados, contudo, foi no sentido de retirá-lo do cargo. Quatro membros do gabinete de Starmer renunciaram na terça-feira e pelo menos 80 deputados de seu partido pediram publicamente que ele renunciasse.
Além de Streeting e Burnham, uma potencial candidata a substituir Starmer é a ex-vice-líder trabalhista Angela Rayner. Angela ainda lida, porém, com uma problema que teve com o fisco, que a derrubou do governo e ainda não foi resolvido. Streeting também tem suas fragilidades: entre elas as conexões que mantinha com Mandelson.
Com AFP
Uma baleia-jubarte que passou por uma operação de resgate na Alemanha há duas semanas, após ter encalhado no local, foi encontrada morta perto de uma ilha dinamarquesa, disseram autoridades no sábado. A baleia, apelidada de “Timmy” pela mídia alemã, foi inicialmente avistada presa em um banco de areia no dia 23 de março. Após várias tentativas fracassadas, ela foi finalmente colocada em uma barcaça e libertada no Mar do Norte, na costa da Dinamarca, em 2 de maio.
— Agora pode-se confirmar que a baleia-jubarte encalhada perto de Anholt é a mesma baleia que havia encalhado anteriormente na Alemanha e foi alvo de tentativas de resgate — disse Jane Hansen, chefe de divisão da Agência de Proteção Ambiental da Dinamarca, em um comunicado à AFP.
A carcaça da baleia foi avistada pela primeira vez na costa da ilha dinamarquesa de Anholt, no mar de Kattegat, entre a Suécia e a Dinamarca, na quinta-feira, mas inicialmente as autoridades não conseguiram confirmar se era a mesma baleia.
— As condições de hoje tornaram possível que um funcionário local da Agência de Natureza da Dinamarca localizasse e recuperasse um dispositivo de rastreamento acoplado que ainda estava preso às costas da baleia. A posição e a aparência do dispositivo confirmam que se trata da mesma baleia que havia sido observada e manuseada anteriormente em águas alemãs — disse Hansen.
Homens atuam no resgate da baleia Timmy
FRANK MOLTER / AFP
Hansen acrescentou que “neste momento, não há planos concretos para remover a baleia da área ou para realizar uma necropsia, e atualmente não se considera que ela represente um problema na área.”
A Agência de Proteção Ambiental da Dinamarca disse que, embora compreenda “o considerável interesse do público nesta baleia em particular”, enfatizou que as pessoas devem manter uma distância segura e evitar se aproximar dela.
— Isso porque a baleia pode ser portadora de doenças que também podem ser transmitidas aos humanos, e também pode haver risco de explosão — já que a decomposição cria grandes volumes de gases, afirmou a agência.
Na Alemanha, a baleia foi vista pela primeira vez no banco de areia perto da cidade de Luebeck, na costa do Mar Báltico da Alemanha, antes de se libertar, mas depois acabou ficando presa novamente por diversas vezes.
Várias tentativas de salvá-la falharam, e as autoridades já haviam anunciado que estavam desistindo. Mas então dois empresários ricos, Karin Walter-Mommert e Walter Gunz, intervieram para financiar o resgate, cujo custo foi estimado em 1,5 milhão de euros.
Eles elaboraram o que muitos viram como um plano improvável: atrair a baleia para o porão cheio de água de uma barcaça especial e rebocá-la de volta ao seu habitat natural. Alguns especialistas da época criticaram o plano de resgate financiado por fundos privados, dizendo que ele apenas causaria mais sofrimento ao animal.
Pelo menos oito pessoas morreram e 35 ficaram feridas neste sábado (16) no centro de Bangkok, após a colisão entre um trem de carga e um ônibus, informaram os serviços de emergência tailandeses. O acidente aconteceu durante a tarde em um cruzamento muito movimentado no centro da capital tailandesa.
— Oito pessoas morreram e outras 35 ficaram feridas. O incêndio já foi apagado e estamos tentando encontrar os cadáveres — disse à AFP o chefe de polícia de Bangkok, Urumporn Koondejsumrit.
Imagens publicadas nas redes sociais mostram o trem se aproximando a uma velocidade moderada de uma passagem de nível, onde sofre a colisão com o ônibus, que pegou fogo. O incêndio foi rapidamente controlado e a área isolada para permitir o trabalho dos socorristas.
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— Eu vi a colisão. As chamas se espalharam em questão de segundos. Eu estava com minha filha e fomos embora imediatamente. Não tive coragem de olhar para trás para ver se havia vítimas — disse uma testemunha ao canal público ThaiPBS.
O primeiro-ministro do país, Anutin Charnvirakul, ordenou uma investigação para determinar as causas do acidente.
Acidentes de transporte são relativamente frequentes na Tailândia. Em janeiro, 32 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na queda de um guindaste sobre um trem de passageiros no nordeste do país.
O governo de Israel anunciou hoje ter matado Ezedin Al Hadad, chefe do braço armado do movimento islamista palestino Hamas, apresentado como um dos arquitetos dos atentados de 7 de outubro de 2023.
Desde aquele dia, quando combatentes do grupo mataram mais de 1.200 pessoas no território israelense, o Exército e os serviços de inteligência de Israel executam uma campanha contra os líderes políticos e os comandantes militares de alto escalão do grupo em Gaza e em toda a região.
Na sexta-feira, as Forças Armadas israelenses anunciaram um ataque aéreo em Gaza contra o lider do grupo e, neste sábado, confirmaram a morte.
“O Exército e a agência de segurança interna anunciam que ontem (sexta-feira), em um ataque de precisão na área da Cidade de Gaza, o terrorista Ezedin Al Hadad foi eliminado”, afirmou um comunicado militar.
Dois dirigentes do Hamas confirmaram a morte de Al Hadad.
“Ezedin Al Hadad foi assassinado ontem em um ataque israelense contra um apartamento e um veículo civil na Cidade de Gaza”, disse um dirigente do Hamas. Um integrante do braço armado do movimento confirmou a morte.
Um grupo de pessoas retirou ontem o corpo de Al Hadad, apoiado em uma maca e envolto em uma bandeira do Hamas, das ruínas do edifício que teria sido atingido.
O governo israelense apontava o líder do grupo como “um dos principais arquitetos do massacre de 7 de outubro de 2023” e também o acusava de ser responsável pelo sequestro de civis e soldados no mesmo dia. O Hamas tomou 251 reféns em 7 de outubro de 2023.
“Al Hadad comandou o sistema de cativeiro de reféns do Hamas e se cercou de reféns em uma tentativa de evitar que fosse eliminado”, afirmou o comunicado israelense.
O chefe do Estado-Maior do Exército de Isral, tenente-coronel Eyal Zamir, qualificou a morte do líder do braço armado do Hamas de “conquista operacional significativa”.
“Em todas as conversas que tive com os reféns que retornaram, o nome do arqui-terrorista Ezedin Al Hadad (…) surgiu algumas vezes”, afirmou Zamir em nota.
“Hoje conseguimos eliminá-lo. As Forças de Defesa de Israel continuarão perseguindo nossos inimigos, atacando-os e responsabilizando todos aqueles que participaram do massacre de 7 de outubro”, acrescentou.
O ataque desencadeou uma guerra, na qual a campanha de retaliação israelense devastou a Faixa de Gaza, onde vivem mais de dois milhões de palestinos, e matou mais de 72.000 pessoas, segundo o Ministério da Saúde do território, que atua sob autoridade do Hamas e cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
Desde o início da guerra, Israel afirma ter eliminado vários líderes do Hamas, incluindo Yahya Sinwar, também considerado um dos mentores do massacre de 7 de outubro. Outro integrante morto foi Mohamed Deif, um comandante do braço armado do Hamas.
Os ataques israelenses também atingiram integrante do Hamas no Líbano, além de comandantes do Hezbollah grupo armado pró-regime do Irã, aliado do grupo, incluindo seu líder Hassan Nasrallah, assassinado em Beirute.
Apesar de um cessar-fogo entre Hamas e Israel ter entrado em vigor em outubro, Gaza continua mergulhada em uma espiral de violência, e ambas as partes trocam acusações sobre violações da trégua.
Pelo menos 856 palestinos morreram desde o início formal do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde do território. No mesmo período, o Exército israelense registrou a morte de cinco soldados em Gaza.

O uso da inteligência artificial (IA) na campanha eleitoral deste ano deve ser um ponto de especial atenção do ministro Nunes Marques à frente do Tribunal Superior Eleitoral. 

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o uso da tecnologia poderá transbordar até outubro e agravar a circulação de notícias falsas em contexto de grande polarização política e baixo letramento digital.

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O advogado eleitoral Jonatas Moreth, mestre em Direito Constitucional, avalia que a Justiça Eleitoral atua para coibir desvios já ocorridos em meio à práticas de manipulação que se aperfeiçoam.

“O processo eleitoral e o papel dos tribunais eleitorais se assemelham ao que ocorre no esporte com o doping e o antidoping. O doping sempre está um pouco à frente do antidoping. Ou seja, inventa-se uma droga que não é pega nos exames rotineiros, até que um procedimento consegue captar e passa a ser acrescido nos exames”, explica.

Para o professor Marcus Ianoni, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, a capacidade da Justiça Eleitoral em agir vai depender da disponibilidade de quadros técnicos qualificados.

“Eu fico com um pouco de dúvida se toda a burocracia que tem será suficiente para dar conta de tudo”, pondera o acadêmico se referindo à possibilidade de aumento e sofisticação do uso da inteligência artificial para manipular a atenção dos eleitores e suas intenções de voto.

“Enfrentar os efeitos nocivos da inteligência artificial nas eleições” é uma das três prioridades que o ministro Nunes Marques terá à frente do TSE, informa a assessoria de imprensa de seu gabinete à Agência Brasil.

Debate e diálogo

O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, também quer “privilegiar o debate e o direito de resposta de todos os envolvidos no processo eleitoral” e assegurar “diálogo com os tribunais regionais e as principais demandas do país”.

Para Jonatas Moreth, Nunes Marques objetiva articular toda a Justiça Eleitoral e fazer com que os tribunais regionais e o TSE trabalhem “numa mesma sintonia e de forma uníssona.”

A concordância e a unidade dos tribunais podem ser determinantes na escolha de modelo de atuação: se mais intervencionista e proibitiva, como ocorreu durante a gestão do ministro Alexandre Moraes, de agosto de 2022 a junho de 2024, ou mais liberal, considera Moreth.

“Eu tenho um grau de preocupação, não porque eu não defendo o debate mais livre quando é um debate de ideias, mas quando é uma arena de ofensa e de mentira”, alerta.

Na avaliação do cientista político Marcus Ianoni, o ministro Nunes Marques “tende para ideia mais expandida de liberdade de expressão, em nome do suposto debate”. Mas o TSE poderá impor limites, avalia.

“A liberdade de expressão não pode ser usada para viabilizar qualquer tipo de expressão, como mentiras, calúnia, difamação e injúria. Enfim, tem certos limites previstos na lei”, pondera Ianoni.

Pesquisas

O professor também se preocupa com a divulgação de pesquisas eleitorais. 

“Acho que o TSE tem que estar devidamente capacitado para garantir que as regras das pesquisas sejam respeitadas e para combater eventuais pesquisas, digamos, clandestinas, que possam tentar confundir a cabeça do eleitor”, diz.

Para ele, a legislação pode estar adequada para evitar a veiculação de resultados fraudulentos, porém é preciso fiscalização efetiva. 

“É proibido atravessar o sinal vermelho, mas se não tiver um guarda de trânsito ali ou um radar, a pessoa pode atravessar o sinal vermelho sem nenhuma consequência”, compara.

Fraudes em pesquisas eleitorais costumam ser denunciadas pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep). A legislação determina a obrigação de registro na Justiça Eleitoral, o nome do estatístico responsável, além de informações sobre a amostra, o questionário e a aplicação. 

“Mas não tem uma auditoria mais precisa, mais cuidadosa quanto à realização das pesquisas”, aponta o advogado Jonatas Moreth. 

“A gente não conseguiu, infelizmente, até o momento, uma fórmula que preserve algum grau de autonomia da empresa e ao mesmo tempo tenha maior garantia de auditoria e de fiscalização”, complementa.

O presidente russo, Vladimir Putin, visitará a China, seu parceiro estratégico, em viagem oficial nos dias 19 e 20 de maio (terça e quarta), poucos dias depois da visita do americano, Donald Trump ao país asiático.
A China considera a Rússia um sócio prioritário na criação de uma nova ordem mundial multipolar pós-ocidental.
Marcelo Ninio: Sem um grande acordo, Trump sai menor do que entrou na China
O Kremlin anunciou que, durante a visita Putin discutirá com o líder supremo da China, Xi Jinping, como “fortalecer ainda mais o relacionamento global e a cooperação estratégica” entre os dois países.
Eles discutirão “importantes questões internacionais e regionais” e assinarão uma declaração conjunta, afirmou um comunicado.
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Também está previsto um encontro de Putin com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, para discutir cooperação econômica e comercial bilateral.
Guerras, oficialmente, não estão na pauta. Trump, que busca papel de mediador na guerra entre a Ucrânia e a Rússia, precedeu Putin em sua visita à China.
A viagem do chefe de Estado russo ocorre em um momento no qual os esforços diplomáticos para encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia estão paralisados. O avanço lento nas conversas se deve, em particular, ao envolvimento dos EUA na guerra no Oriente Médio.
Uma breve trégua intermediada por Trump interrompeu a campanha de bombardeios intensos longe das linhas de combate na fronteira entre Rússia e Ucrânia, mas os ataques foram retomados assim que o acordo expirou na noite da última segunda-feira.
A China afirma ser favorável a negociações de paz e respeito à integridade territorial de todos os países, mas nunca condenou a Rússia por sua ofensiva militar lançada na Ucrânia em fevereiro de 2022. O governo chinês alega ser uma parte neutra na guerra.
Pequim nega fornecer armas letais a qualquer um dos lados e acusa os países ocidentais de prolongar as hostilidades ao armar a Ucrânia.
Como parceira econômica da Rússia, porém, a China é a maior compradora mundial de combustíveis russos, incluindo derivados de petróleo, que alimentam a máquina de guerra.
Antes da chegada de Trump à China, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy pediu a ele que discutisse com Xi Jinping como encerrar a ofensiva russa.
Trump deixou a China na sexta-feira dizendo que havia alcançado acordos comerciais “fantásticos”, sem fornecer muitos detalhes.
A fabricante de aeronaves Boeing confirmou um “compromisso inicial” pelo qual a China comprará 200 aviões, após o anúncio de Trump.
A China, por sua vez, afirmou concordar com Trump em estabelecer uma “relação construtiva de estabilidade estratégica”.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, elogiou a cúpula EUA-China, enfatizando a natureza privilegiada dos laços entre Moscou e Pequim.
“Se os acordos alcançados ou a serem alcançados por Pequim e Washington servirem aos interesses de nossos amigos chineses, só podemos ficar satisfeitos”, declarou ele na sexta-feira em uma coletiva de imprensa em Nova Déli. Mas “estamos ligados à China por relações (…) que são mais profundas e fortes do que as alianças políticas e militares tradicionais. Este é um novo tipo de relacionamento que estabiliza a política global e a economia global mais do que qualquer outro fator”, disse Lavrov.
Uma mulher, estudante da Universidade de Gênova, foi a única sobrevivente do grupo de mergulhadores vítimas de uma tragédia que deixou cinco italianos mortos nas Maldivas. Apesar de estar preparada para se juntar aos colegas pesquisadores no mergulho, na quinta-feira (14), a jovem decidiu permanecer a bordo do iate enquanto o grupo desceu ao fundo do mar no Atol de Vaavu, informou o jornal italiano La Repubblica.
Não ficou claro por que a estudante, que não foi identificada, mudou de ideia e permaneceu no iate, o Duke of York. Segundo o governo italiano, os mergulhadores tentavam explorar cavernas submarinas a cerca de 50 metros de profundidade, perto da ilha de Alimatha. Autoridades locais disseram que este foi o pior acidente de mergulho já registrado das Maldivas.
Ela foi a “única sobrevivente direta daquele dia” e uma “testemunha fundamental para a reconstrução dos momentos finais antes do acidente”, informou o veículo. Embora as autoridades tenham afirmado que havia cerca de 20 pessoas a bordo da embarcação, quando ela saiu em direção a Atol de Vavvu, ela era a única que deveria ter mergulhado.
Apesar do mergulho arriscado, na caverna conhecida por sua forte correnteza, toda a equipe de mergulhadores era formada por pesquisadores, em sua maioria experientes. Monica Montefalcone, professora de biologia marinha na Universidade de Gênova, e sua filha de 20 anos, Giorgia Sommacal; a pesquisadora Muriel Oddenino; e o cientista marinho Federico Gualtieri, foram as vítimas da excursão. Eles estavam acompanhados de um instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, que também morreu.
Resgate de ‘alto risco’
O porta-voz do governo das Maldivas , Mohamed Hussain Shareef, afirmou que a caverna “é tão profunda que nem mesmo mergulhadores com os melhores equipamentos se aventuram a chegar perto”.
“Haverá uma investigação separada sobre como esses mergulhadores foram além da profundidade permitida, mas nosso foco agora é a busca e o resgate”, disse ele após o incidente.
A guarda costeira e as unidades militares das Maldivas lançaram uma operação de busca e resgate de “alto risco” utilizando mergulhadores especializados , barcos e apoio aéreo, mas as condições climáticas adversas na área, incluindo ventos fortes e um alerta amarelo oficial, tornaram as operações mais difíceis do que o esperado.
Um comunicado da Força de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF) afirma que “um corpo foi encontrado entre os cinco mergulhadores no Atol de Vaavu”. “O corpo foi encontrado dentro de uma caverna. Acredita-se que os outros quatro mergulhadores também estejam dentro da mesma, que se estende a uma profundidade de cerca de 60 metros”.
Toxicidade do oxigênio
Segundo a mídia local, uma das hipóteses mais aceitas pela guarda costeira e por especialistas é a toxicidade do oxigênio. Esse fenômeno ocorre quando a mistura do cilindro é inadequada, tornando o oxigênio tóxico em certas profundidades.
“A 50 metros de profundidade no mar, existem vários riscos; é uma verdadeira tragédia”, afirma Alfonso Bolognini, presidente da Sociedade Italiana de Medicina Subaquática e Hiperbárica. “Podemos formular diversas hipóteses neste momento: uma mistura respiratória inadequada pode criar uma crise hiperóxica quando há um aumento na pressão parcial de oxigênio nos tecidos e no plasma sanguíneo, o que pode causar problemas neurológicos.”
“É provável que algo tenha dado errado com os tanques”, disse o pneumologista Claudio Micheletto ao veículo de comunicação italiano Adnkronos. “A morte por toxicidade do oxigênio, ou hiperóxia, é uma das mortes mais dramáticas que podem ocorrer durante um mergulho — um fim horrível”, acrescentou Micheletto, diretor de pneumologia do Hospital Universitário de Verona.

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