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O Longa Marcha 2F decolou em meio a uma nuvem de chamas e fumaça às 23h08 (12h08 no horário de Brasília) do centro de lançamento de Jiuquan, localizado no deserto de Gobi, no noroeste da China. O momento pôde ser acompanhado pelo público pela emissora estatal CCTV. O programa espacial, que tem recebido grandes investimentos, agora compete com os Estados Unidos, por meio do Artemis, na corrida para chegar e pousar na Lua nos próximos anos.
O foguete impulsionou a espaçonave Shenzhou e seus três tripulantes até a estação espacial Tiangong (“Palácio Celestial”, em chinês). É nela que um deles permanecerá por um ano. O voo teve duração de cerca de 3,5 horas, informou a agência de notícias Xinhua, citando a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA).
A seleção do astronauta encarregado de passar um ano em órbita ocorrerá posteriormente, dependendo do progresso da missão Shenzhou-23, afirmou um funcionário da CMSA no sábado. O acompanhamento da saúde dos tripulantes vai servir para estudos sobre os efeitos da microgravidade prolongada. Esses dados serão essenciais para as preparações para missões futuras com longas distâncias, como destinos como a Lua e até Marte.
Astronautas da missão espacial chinesa Shenzhou-23 (da esquerda para a direita) Li Jiaying, Zhu Yangzhu e Zhang Zhiyuan
CNS / AFP
Fazem parte desta missão a ex-inspetora de polícia de Hong Kong Li Jiaying, de 43 anos; o engenheiro aeroespacial Zhu Yangzhu, que é o comandante; e o ex-piloto da força aérea Zhang Zhiyuan, ambos com 39 anos.
Os principais desafios serão os efeitos sobre o ser humano das condições que um ambiente como esse podem gerar. O astrofísico e professor da Escola de Ciências Matemáticas e Físicas da Universidade Macquarie, na Austrália, Richard de Grijs explicou à AFP que entre os efeitos esperados estão “perda de densidade óssea, atrofia muscular, exposição a radiações, distúrbios do sono e fadiga comportamental e psicológica”.
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Ele também enfatizou a importância da confiabilidade dos sistemas de reciclagem de água e ar, assim como a capacidade de gerenciar potenciais emergências médicas longe da Terra.
— A China tornou-se muito competente nessas áreas, mas a duração é importante. Um ano em órbita coloca o equipamento e a tripulação em um regime operacional diferente das missões Shenzhou, mais curtas — ressaltou De Grijs.
O prolongamento vai dobrar o tempo que as tripulações permanecem na estação Tiangong, que é de seis meses, antes de serem substituídas até agora. E durante a estadia orbital, haverá trabalho, com a realização de inúmeros experimentos relacionados às ciências de materiais, física de fluidos e medicina.
‘Nave dos sonhos’
A China ainda está na fase de desenvolvimento e teste dos equipamentos necessários para enviar astronautas à Lua nesta década.
Este ano, está programado o voo de teste em órbita da espaçonave Mengzhou (“Nave dos Sonhos”). Esta espaçonave substituirá a Shenzhou em missões tripuladas à Lua.
Pequim espera ter construído até 2035 o primeiro segmento de uma base científica habitada em um satélite da Terra, chamada Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS).
O gigante asiático investiu bilhões de dólares nos últimos trinta anos para equiparar seu programa espacial aos dos Estados Unidos, Rússia e Europa. Seu progresso tem sido particularmente visível na última década.
Em 2019, a China pousou uma sonda espacial no lado oculto da Lua, uma conquista sem precedentes em todo o mundo, e em 2021, pousou um pequeno robô em Marte.
A China foi oficialmente excluída da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2011, ano em que os Estados Unidos proibiram sua agência espacial, a Nasa, de colaborar com Pequim. Isso levou o gigante asiático a desenvolver seu próprio projeto de estação espacial.









