Negociações pela paz: Irã confirma avanço nas tratativas com os EUA, mas descarta acordo iminente
Veja: O que se sabe sobre o acordo entre EUA e Irã que Trump diz estar ‘em grande parte negociado’
Segundo o observatório de internet NetBlocks, a maioria da população do país, de mais de 90 milhões de habitantes, não conseguiu acessar a internet mundial por pelo menos 87 dias até esta segunda-feira. Apenas alguns cidadãos tiveram acesso à rede por meio de VPNs caras e avançadas que contornam as restrições, proibidas no país.
As autoridades inicialmente impuseram um apagão da internet a partir de 8 de janeiro em resposta a protestos em massa contra o governo que tomaram conta do país e foram reprimidos com grave violência. Em fevereiro, as conexões voltaram gradualmente ao normal, pouco antes de um novo apagão ser iniciado após o início da Operação Fúria Épica, quando as Forças Armadas americanas e israelenses bombardearam o Irã em 28 de fevereiro.
Em tempos normais, o acesso à internet global permanece fortemente restrito no país por meio da censura de muitos sites. Enquanto isso, as autoridades da República Islâmica dependem cada vez mais de uma intranet para fornecer serviços conectados sem depender da internet mundial, principalmente para escolas que atualmente seguem um currículo online.
Ao longo das últimas semanas, muitos líderes empresariais iranianos e ativistas pela liberdade na internet denunciaram o bloqueio como uma violação dos direitos humanos e uma grave ameaça a uma economia que já se encontrava em profunda crise.
Há relatos de que a teocracia recorreu a “jammers” — supostamente de uso militar — para bloquear o acesso ao Starlink, que é proibido no país. Paralelamente, forças de segurança passaram a apreender antenas parabólicas em cidades como Teerã, Sanandaj e Isfahan, além de Marivan, Mahabad e Baneh, noticiou a BBC Persian.
Após anos priorizando o bloqueio eletrônico de sinais, o regime indica agora uma mudança de estratégia, com a retomada da retirada física das parabólicas como forma de controle das comunicações.
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Fim da guerra
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira que foi alcançado um certo grau de entendimento com os Estados Unidos em muitas questões, mas deixou claro que um acordo não é iminente. A declaração ocorre dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, elevar a expectativa pelo fim da guerra ao afirmar que um acordo tinha sido “em grande parte negociado”, apesar do recuo de domingo, quando apontou que Washington não pretende “se precipitar” para alcançar termos finais sem que os objetivos americanos sejam atingidos.
— É correto afirmar que chegamos a conclusões sobre grande parte das questões, mas ninguém pode afirmar que isso significa que a assinatura de um acordo seja iminente — disse Baghaei a repórteres, em declarações transmitidas pela emissora estatal iraniana.
Baghaei descreveu o acordo como uma estrutura preliminar que não entra em detalhes sobre as questões mais espinhosas e reiterou a exigência de Teerã de que a guerra termine em todas as frentes, incluindo o Líbano.
— O foco das negociações é o fim da guerra e, nesta fase, não há discussão sobre detalhes nucleares — acrescentou o porta-voz, referindo-se a um dos principais pontos de discórdia: o programa nuclear iraniano.






