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Na longa publicação em sua rede social, o Truth Social, Trump disse que em suas conversas com líderes mundiais sobre o conflito, alegou os EUA deveriam ser recompensados pelo trabalho para “tentar resolver esse quebra-cabeça tão complexo” criado pela guerra contra o Irã com a adesão em massa, obrigatória e simultânea aos Acordos de Abraão.
“É possível que um ou dois tenham um motivo para não o fazer, e isso será aceito, mas a maioria deveria estar pronta, disposta e apta a fazer deste Acordo com o Irã um evento muito mais histórico do que seria de outra forma”, escreveu Trump, antes de listar os países que gostaria de ver nos Acordos de Abraão: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (já membro), Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein (já membro).
O presidente não mencionou que o conflito lançado no dia 28 de fevereiro começou por decisão dele próprio, também sob pressão de Israel — antes disso, agências de inteligência de vários governos repetiram que o Irã não era uma ameaça iminente à segurança regional, e que estava a anos de distância de obter uma bomba nuclear. Trump tampouco se referiu aos impactos provocados pela ofensiva militar, como os ataques retaliatórios no Golfo e o fechamento do Estreito de Ormuz.
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Apresentados como um dos grandes feitos seus dois mandatos, os Acordos de Abraão têm como ponto central a normalização das relações com Israel, com a promessa de incentivos econômicos e ganhos políticos. A contenção da principal força militar e política antagonista aos EUA no Oriente Médio, o Irã, era outro objetivo declarado.
— Este acordo aumentou a estabilidade regional e a prosperidade econômica. Também criou uma oportunidade única na forma de uma coalizão regional contra a ameaça iraniana — afirmou, em janeiro de 2023, o então chanceler de Israel, Eli Cohen. — Meu objetivo é fortalecer os Acordos de Abraão existentes e expandir as relações com outros países.
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A iniciativa tem como membros Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos, Sudão (a ratificação foi adiada pela guerra civil) e Cazaquistão, o único não árabe. Ao contrário de propostas anteriores, não havia qualquer compromisso com a Questão Palestina.
“Os Acordos de Abraão foram modelados com base em uma ideia antiga defendida por alguns estrategistas israelenses: acordos bilaterais com Estados árabes garantiriam segurança por meio do comércio e das trocas econômicas, marginalizando os palestinos e adiando qualquer consideração sobre suas demandas por autodeterminação”, escreveu Arang Keshavarzian, professor de Estudos do Oriente Médio e Islâmicos na Universidade de Nova York, em artigo no Projeto de Pesquisa e Informação sobre o Oriente Médio.
No Truth Social, o presidente deixou claro quem é a “joia da coroa”: a Arábia Saudita. Seu antecessor, Joe Biden, investiu pesado para convencer Riad a se juntar à inciativa, e havia movimentos dos sauditas rumo a uma aproximação com Israel, como a autorização para o uso de seu espaço aéreo.
Mas tudo mudou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel, dando início à guerra na Faixa de Gaza e à desestabilização subsequente do Oriente Médio. De acordo com documentos apresentados pelos militares de Israel, atribuídos à liderança do grupo, um dos objetivos do ataque era desestabilizar a expansão dos Acordos.
“Até outubro de 2023, acreditava-se que os sauditas estavam preparados para avançar com a normalização das relações mesmo sem a concretização imediata da solução de dois Estados”, escreveu Yoel Guzansky, pesquisador do Instituto Estudos de Segurança Nacional de Israel, em artigo publicado em fevereiro. “Desde então, o reino passou a considerar o apoio aos palestinos crucial para preservar sua legitimidade interna e proteger a posição do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman.”
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Os relatos sobre a escala da destruição em Gaza, aliada à crise humanitária e às mais de 70 mil mortes, elevaram a pressão por um Estado palestino, rejeitado pelo governo do premier israelense, Benjamin Netanyahu. As invasões do Líbano, com sinais de que Israel planeja retomar a ocupação militar, impulsionaram críticas à normalização. A guerra no Irã, na qual as monarquias do Golfo foram incluídas à revelia, demonstrou que a segurança prometida pelos Acordos de Abraão não era plena.
“Quando a guerra terminar, esses Estados se encontrarão numa encruzilhada, e o caminho que cada um seguirá é uma incógnita”, escreveu Marwan Muasher, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, em artigo de abril, acrescentando que há diferenças crescentes entre países como Arábia Saudita e os Emirados Árabes sobre como lidar com Israel.
Além dos hesitantes sauditas, os Acordos de Abraão não entusiasmam os demais governos citados por Trump. E nem a pressão vinda da Casa Branca deve quebrar esse impasse.
No Paquistão, mediador das conversas entre EUA e Irã e que tem no discurso anti-Israel uma constante, alguns analistas chegaram a ventilar uma normalização no início da década, mas a forte oposição pública e a guerra em Gaza enterraram a ideia a médio ou longo prazo. O Catar, que assume uma postura de neutralidade no Oriente Médio e se apresentou como mediador em conflitos envolvendo os israelenses, rejeitou publicamente a oferta em tempos recentes. Contudo, a monarquia possui uma complexa e pouco transparente relação com Israel.
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O Egito, primeiro país árabe a estabelecer relações com Israel, tem rejeitado há anos as ofensivas americanas para se juntar aos Acordos, que incluem promessas de apoio econômico. As autoridades citam a existência de acordos entre os dois países, criticam a falta de solução para a Questão Palestina e veem a iniciativa como um caminho para a ampliação do poder israelense. A Jordânia tem laços com Israel desde 1994, mas exige que temas como um Estado palestino independente e o status de regiões anexadas por Israel, como Jerusalém Oriental, guiem acordos regionais de paz. Estima-se que três milhões de palestinos vivam no país.
Antes de outubro de 2023, a Turquia — que reconheceu Israel em 1949 — estava prestes a receber Netanyahu em Ancara, mas a guerra em Gaza interrompeu a aproximação, dando lugar ao antagonismo aberto e ao corte dos laços comerciais. Nos últimos tempos, o presidente Recep Tayyip Erdogan vinha ainda evitando tecer críticas aos Acordos de Abraão (como as feitas em 2022), mas sem dar sinais de que pretenda aderir.








