Governo Trump sugere ampliar pressão sobre Cuba após operação contra Maduro: ‘Se morasse em Havana, estaria preocupado’
Esta é a primeira visita de um oficial russo a Cuba desde a deposição de Nicolás Maduro, em Caracas, em 3 de janeiro, após ataque e invasão dos Estados Unidos à Venezuela.
De acordo com a televisão estatal, o ministro enviado por Moscou também foi recebido pelo ex-líder Raúl Castro, de 94 anos, oficialmente aposentado de qualquer cargo de tomada de decisão, mas que permanece uma figura central no governo.
O ex-líder revolucionário destacou as “excelentes relações” entre Havana e Moscou, segundo a mesma fonte. Rússia e Cuba fortaleceram seus laços desde que Moscou lançou sua ofensiva contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022.
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Vladimir Kolokoltsev chegou a Havana na noite de segunda-feira para realizar “reuniões bilaterais” e “atividades comemorativas”, anunciou pouco antes a embaixada russa em Cuba.
Ao chegar, ele foi recebido por seu homólogo cubano, Lázaro Alberto Álvarez.
O embaixador russo em Havana, Victor Koronelli, também declarou que Kolokoltsev viajou “para fortalecer a cooperação bilateral e o combate ao crime”.
Em declaração à emissora estatal Rossiya-1, feita do aeroporto de Havana, o ministro Kolokoltsev reiterou a posição de Moscou sobre o ataque das forças americanas no início de janeiro em Caracas, que levou à captura do presidente Nicolás Maduro.
– Na Rússia, consideramos isso um ato de agressão armada injustificada contra a Venezuela – declarou. – Este ato não pode ser justificado de forma alguma e demonstra, mais uma vez, a necessidade de reforçar a vigilância e consolidar todos os esforços para combater os fatores externos – acrescentou.
Ajuda ‘emergencial’ da China
A visita ocorre num momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou as ameaças contra Cuba após o ataque na Venezuela, um aliado próximo de Havana que até então lhe fornecia petróleo, crucial para a economia da ilha.
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Durante a operação, 32 militares cubanos, alguns deles membros da equipe de segurança de Nicolás Maduro, foram mortos.
Pela manhã, o ministro russo visitou um cemitério em Havana para prestar homenagem a esses militares, informou posteriormente a mídia estatal cubana.
Ao mesmo tempo, o encarregado de negócios dos EUA em Havana, Mike Hammer, reuniu-se na terça-feira em Miami com o chefe do Comando Sul dos EUA, tenente-general Evan L. Pettus, “para discutir a situação em Cuba e no Caribe”, informou a Embaixada dos EUA em Cuba.
Donald Trump endureceu recentemente sua retórica contra Cuba e instou a nação caribenha a aceitar um “acordo” “antes que seja tarde demais”, cuja natureza ele não especificou. “Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba: zero!”, ameaçou.
O presidente Miguel Díaz-Canel negou, recentemente, as declarações de Trump sobre as negociações em andamento com os Estados Unidos.
Cuba, sob embargo econômico dos EUA, está mergulhada em uma profunda crise econômica há seis anos, agravada pela falta de moeda estrangeira, o que limita as compras de combustível e intensifica os problemas energéticos.
A China, outra aliada de longa data de Havana, aprovou na terça-feira uma “nova rodada de ajuda” para o país, incluindo US$ 80 milhões em “assistência financeira emergencial” para a compra de equipamentos elétricos, bem como uma doação de 60 mil toneladas de arroz, anunciou a Presidência cubana.
Em 2025, cerca de quarenta parques fotovoltaicos foram instalados no país, graças ao apoio financeiro e à assistência da China, com o objetivo de fortalecer a rede elétrica cubana, que sofre com a falta de combustível para a geração de eletricidade e com as frequentes avarias de suas usinas termoelétricas obsoletas.







