Ministro do Interior descarta possibilidade de ‘sabotagem’ em colisão de trens que matou mais de 40 na Espanha
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Os áudios, extraídos dos registros telefônicos do Iryo 6189, permitirão às autoridades reconstruir os minutos posteriores ao descarrilamento ocorrido por volta das 19h45 (horário local) deste domingo (18). O acidente vitimou 42 pessoas e, até o momento, deixou 45 desaparecidas. As vítimas viajavam na linha Málaga-Madri ou no trem Alvia, que fazia o trajeto Madri-Huelva.
Confira a colisão:
Descarrilamento na Espanha lançou dois vagões em um barranco e deixou mais de 40 mortos
Falha técnica, descarrilamento e incêndio
Na primeira comunicação, o maquinista do trem Iryo 6189 mencionou problemas técnicos e informou que o trem estava bloqueado. A central da Adif orientou a redução dos pantógrafos — dispositivos responsáveis por captar energia da rede aérea —, mas o condutor respondeu que eles já estavam totalmente abaixados e que o comboio permanecia imobilizado. Ao fundo, segundo os áudios, o sistema da cabine indicava a ativação do freio de emergência.
Ministro do Interior descarta possibilidade de ‘sabotagem’ em colisão de trens que matou ao menos 41 na Espanha
AFP
As gravações sugerem que, naquele momento, o maquinista ainda não tinha consciência de que havia ocorrido uma colisão com outro trem. As hipóteses sobre a sensação inicial de “congestionamento” seguem em aberto: investigadores avaliam se ela foi causada pelo impacto com o Alvia, por um objeto desprendido do próprio Iryo, por um defeito na via férrea ou por uma combinação desses fatores.
Poucos segundos depois, em uma segunda ligação, o tom muda. O maquinista informa de forma explícita que houve um descarrilamento e que o trem havia invadido a linha férrea adjacente, ressaltando a gravidade da situação. Ele solicita, com urgência, a interrupção do tráfego nos trilhos e comunica a presença de um incêndio em um dos vagões, além de feridos a bordo. Ainda assim, a central de controle informou não ter registro da aproximação de outro trem naquele trecho.
Apesar da gravidade das informações transmitidas, nem o maquinista nem a central mencionaram, nesse momento, a colisão direta entre o Iryo e o Alvia. A confirmação plena do choque entre os dois trens só seria estabelecida posteriormente, com o avanço das investigações e a análise do cenário no local.
As gravações, extraídas da caixa-preta do Iryo, são consideradas fundamentais para a apuração conduzida pela Guarda Civil e pela Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF). Fontes ligadas ao inquérito destacam que o caso é tecnicamente complexo e que o cenário mais provável aponta para a falha simultânea de vários elementos, e não de um único fator isolado. Entre as medidas já solicitadas está a imobilização do vagão número seis do Iryo, o primeiro a descarrilar, peça-chave para esclarecer como se iniciou a sequência que levou à colisão.







