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A polícia de Utah, nos Estados Unidos, intensificou nesta semana as buscas por dois irmãos pequenos desaparecidos após o pai, identificado como Stephen “Dane” Richman, de 46 anos, não devolvê-los à mãe durante uma troca de custódia. Segundo documentos obtidos pela emissora local Fox 13, investigadores localizaram o homem na região de San Diego, próxima à fronteira com o México, aumentando a suspeita de que ele possa ter deixado o país.
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As crianças, Will, de um ano, e Wesley Richman, ainda bebê, não são vistas desde 16 de maio. O caso ganhou repercussão após a mãe dos meninos, Lizzie Tomich, publicar um vídeo nas redes sociais pedindo ajuda para encontrá-los. O desaparecimento levou as autoridades a emitirem um Alerta Amber, mecanismo utilizado nos EUA em casos de sequestro ou desaparecimento infantil considerados de alto risco.
De acordo com Tomich, o pai das crianças deveria devolvê-las no sábado, conforme o acordo temporário de guarda compartilhada, mas não apareceu no local combinado. Dias antes, ela afirma ter descoberto que Richman havia dispensado o advogado, abandonado o emprego e esvaziado a própria casa.
“Entrei em contato imediatamente, ligando e mandando mensagens, mas ele não respondeu. Quando a polícia chegou à residência, a casa estava vazia e várias coisas haviam sido retiradas. Foi quando percebemos que algo estava errado” relatou a mãe nas redes.
Dane Stephen Richman, de 46 anos, não compareceu à audiência de troca de custódia com a mãe dos meninos
Redes sociais
Investigação aponta planejamento da fuga
A advogada da família, Brittany Skinner, afirmou que Richman não tinha autorização judicial para deixar o estado com os filhos sem consentimento prévio da mãe ou da Justiça. Segundo ela, os investigadores concluíram que o homem demonstrava intenção clara de fugir.
“Ele pediu demissão, vendeu quase todos os pertences e saiu levando praticamente tudo o que tinha. Estamos pedindo ajuda pública para trazer essas crianças para casa”, afirmou à imprensa americana.
As autoridades alertaram que os meninos podem estar em “perigo iminente”, citando relatos sobre depressão severa e dificuldades financeiras enfrentadas pelo pai. A polícia acredita que ele esteja dirigindo um Toyota Camry preto 2025, com placa de Utah A561HL, embora exista a possibilidade de o veículo estar utilizando uma placa temporária.
Will é descrito pelas autoridades como uma criança de cabelos loiros ou ruivos e olhos azuis. Wesley também possui cabelos claros e olhos azuis. Em um novo apelo público, Tomich pediu que moradores e motoristas acionem imediatamente a polícia em caso de avistamento.
“Sinto muita falta dos meus bebês. Eles são o meu mundo. Por favor, me ajudem a encontrá-los”, escreveu a mãe nas redes sociais.

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A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou na terça-feira ter abatido um drone americano e disparado contra outras aeronaves que entraram no espaço aéreo do país. Aeronaves militares americanas “entraram no espaço aéreo iraniano na região do Golfo Pérsico, e unidades de defesa aérea do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica… identificaram e abateram um drone MQ-9”, disseram os membros da Guarda em um comunicado em seu site Sepah News.
As forças da Guarda “também dispararam contra um drone RQ-4 e um caça F-35 que invadiu o espaço aéreo”, afirmou o comunicado, sem especificar quando os incidentes ocorreram.
Cercado de incertezas, o plano de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de viajar aos Estados Unidos na tentativa de se reunir com Donald Trump e tentar atenuar os efeitos da crise provocada pelo pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro até o momento só serviu para ampliar a fervura em banho-maria à qual o presidenciável do PL está exposto. A estratégia, arriscada, depende da disposição do chefe da Casa Branca em recebê-lo e da habilidade de aliados da família Bolsonaro no governo dos EUA em encaixá-lo na agenda. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
As pirâmides do Egito, especialmente a Grande Pirâmide de Gizé, foram construídas com características que ajudam a resistir a terremotos há mais de 4,6 mil anos, segundo um estudo publicado na última quinta-feira na revista Scientific Reports. Pesquisadores analisaram vibrações internas da estrutura e concluíram que o monumento foi projetado de forma capaz de dissipar energia sísmica e evitar o colapso.
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O trabalho foi conduzido por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica do Egito (NRIAG), que instalaram sensores (chamados de sismômetros) em dezenas de pontos da pirâmide para medir como ela reage às vibrações naturais do solo. Os resultados mostraram que a estrutura vibra em uma frequência diferente da do terreno ao redor, o que impede o efeito de ressonância durante terremotos — fenômeno que amplifica tremores e pode destruir edifícios.
Segundo os pesquisadores, a pirâmide apresenta uma combinação de fatores que contribui para sua estabilidade: base ampla, centro de gravidade baixo, geometria simétrica e milhões de blocos de pedra encaixados de forma uniforme. As chamadas câmaras de alívio, localizadas acima da Câmara do Rei, também ajudam a dispersar a energia sísmica antes que ela atinja áreas mais sensíveis da construção.
Pirâmides de Gizé, no Egito
Pexels
“Esses elementos, em conjunto, criam uma estrutura bem equilibrada e coerente”, disse o sismólogo do NRIAG Mohamed ElGabry, principal autor do estudo.
A pesquisa destaca ainda que a Grande Pirâmide sobreviveu praticamente intacta a terremotos históricos registrados no Egito, incluindo os de 1847 e 1992, que destruíram milhares de edificações modernas e deixaram cerca de 560 mortos. Apesar de alguns revestimentos externos terem se soltado ao longo dos séculos, a estrutura principal permaneceu estável.
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Os especialistas afirmam que a resistência da construção também está relacionada ao fato de ela ter sido erguida sobre uma base sólida de calcário. Além disso, o formato piramidal concentra a maior parte da massa na parte inferior, reduzindo riscos de instabilidade.
A Grande Pirâmide de Gizé foi construída durante o reinado do faraó Quéops, por volta de 2550 a.C., e originalmente tinha cerca de 146 metros de altura. Com aproximadamente 2,3 milhões de blocos de pedra, o monumento segue sendo a única das Sete Maravilhas do Mundo Antigo ainda existente.
A Coreia do Norte lançou um “projétil não identificado” no Mar Amarelo, ao largo de sua costa oeste, na terça-feira, informou o Exército sul-coreano. “O Norte lançou um projétil não identificado no Mar Amarelo”, afirmou o Estado-Maior Conjunto em Seul, em um comunicado, usando a denominação que dá ao Mar Amarelo, localizado entre a Península Coreana e a China.
O lançamento ocorre um mês depois de a Coreia do Norte, uma nação com armas nucleares, ter disparado múltiplos mísseis balísticos de curto alcance. O objetivo desse teste era “verificar as características e o poder de uma ogiva de bomba de fragmentação”, informou a mídia estatal na época.
A agência de notícias sul-coreana Yonhap informou na semana passada que o presidente chinês, Xi Jinping, provavelmente visitará a Coreia do Norte ainda esta semana, citando fontes governamentais anônimas.
Nem Pequim nem Pyongyang confirmaram a visita até o momento.
A China entrou em mais um capítulo de sua corrida espacial na última segunda-feira (25). O país lançou a nave Shenzhou-23 e conseguiu acoplá-la a uma estação espacial. Essa ação faz parte dos planos de Pequim de enviar pessoas à Lua até 2030. Três pessoas formam a tripulação a bordo e, inicialmente, passaram por avaliações físicas e psicológicas na estação Tiangong para que uma seja selecionada a ter o tempo em órbita estendido por um ano.
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O Longa Marcha 2F decolou em meio a uma nuvem de chamas e fumaça às 23h08 (12h08 no horário de Brasília) do centro de lançamento de Jiuquan, localizado no deserto de Gobi, no noroeste da China. O momento pôde ser acompanhado pelo público pela emissora estatal CCTV. O programa espacial, que tem recebido grandes investimentos, agora compete com os Estados Unidos, por meio do Artemis, na corrida para chegar e pousar na Lua nos próximos anos.
O foguete impulsionou a espaçonave Shenzhou e seus três tripulantes até a estação espacial Tiangong (“Palácio Celestial”, em chinês). É nela que um deles permanecerá por um ano. O voo teve duração de cerca de 3,5 horas, informou a agência de notícias Xinhua, citando a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA).
A seleção do astronauta encarregado de passar um ano em órbita ocorrerá posteriormente, dependendo do progresso da missão Shenzhou-23, afirmou um funcionário da CMSA no sábado. O acompanhamento da saúde dos tripulantes vai servir para estudos sobre os efeitos da microgravidade prolongada. Esses dados serão essenciais para as preparações para missões futuras com longas distâncias, como destinos como a Lua e até Marte.
Astronautas da missão espacial chinesa Shenzhou-23 (da esquerda para a direita) Li Jiaying, Zhu Yangzhu e Zhang Zhiyuan
CNS / AFP
Fazem parte desta missão a ex-inspetora de polícia de Hong Kong Li Jiaying, de 43 anos; o engenheiro aeroespacial Zhu Yangzhu, que é o comandante; e o ex-piloto da força aérea Zhang Zhiyuan, ambos com 39 anos.
Os principais desafios serão os efeitos sobre o ser humano das condições que um ambiente como esse podem gerar. O astrofísico e professor da Escola de Ciências Matemáticas e Físicas da Universidade Macquarie, na Austrália, Richard de Grijs explicou à AFP que entre os efeitos esperados estão “perda de densidade óssea, atrofia muscular, exposição a radiações, distúrbios do sono e fadiga comportamental e psicológica”.
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Ele também enfatizou a importância da confiabilidade dos sistemas de reciclagem de água e ar, assim como a capacidade de gerenciar potenciais emergências médicas longe da Terra.
— A China tornou-se muito competente nessas áreas, mas a duração é importante. Um ano em órbita coloca o equipamento e a tripulação em um regime operacional diferente das missões Shenzhou, mais curtas — ressaltou De Grijs.
O prolongamento vai dobrar o tempo que as tripulações permanecem na estação Tiangong, que é de seis meses, antes de serem substituídas até agora. E durante a estadia orbital, haverá trabalho, com a realização de inúmeros experimentos relacionados às ciências de materiais, física de fluidos e medicina.
‘Nave dos sonhos’
A China ainda está na fase de desenvolvimento e teste dos equipamentos necessários para enviar astronautas à Lua nesta década.
Este ano, está programado o voo de teste em órbita da espaçonave Mengzhou (“Nave dos Sonhos”). Esta espaçonave substituirá a Shenzhou em missões tripuladas à Lua.
Pequim espera ter construído até 2035 o primeiro segmento de uma base científica habitada em um satélite da Terra, chamada Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS).
O gigante asiático investiu bilhões de dólares nos últimos trinta anos para equiparar seu programa espacial aos dos Estados Unidos, Rússia e Europa. Seu progresso tem sido particularmente visível na última década.
Em 2019, a China pousou uma sonda espacial no lado oculto da Lua, uma conquista sem precedentes em todo o mundo, e em 2021, pousou um pequeno robô em Marte.
A China foi oficialmente excluída da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2011, ano em que os Estados Unidos proibiram sua agência espacial, a Nasa, de colaborar com Pequim. Isso levou o gigante asiático a desenvolver seu próprio projeto de estação espacial.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse nesta terça-feira que um acordo com o Irã ainda era possível, apesar de novos ataques americanos lançarem dúvidas sobre o frágil cessar-fogo.
“Houve algumas conversas no Catar hoje, então vamos ver se conseguimos avançar. Há muita discussão de um lado para o outro sobre a redação específica do documento inicial, então vai levar alguns dias”, disse Rubio em Jaipur, durante uma visita oficial à Índia.
“O presidente Donald Trump expressou seu desejo de conseguir. Ele ou vai fazer um bom acordo ou não vai ter acordo”, declarou o secretário.
Em meio a relatos de avanços nas negociações para encerrar a guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, surgiu com uma nova e inesperada demanda: para, ele, qualquer plano deve incluir a adesão obrigatória de países de maioria muçulmana do Oriente Médio e regiões próximas aos Acordos de Abraão, mecanismo criado em seu primeiro mandato para a normalização dos laços com Israel. Hoje, os Acordos contam com cinco signatários, mas há poucos sinais de que o grupo possa ganhar novos membros em breve, mesmo diante da pressão da Casa Branca.
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Na longa publicação em sua rede social, o Truth Social, Trump disse que em suas conversas com líderes mundiais sobre o conflito, alegou os EUA deveriam ser recompensados pelo trabalho para “tentar resolver esse quebra-cabeça tão complexo” criado pela guerra contra o Irã com a adesão em massa, obrigatória e simultânea aos Acordos de Abraão.
“É possível que um ou dois tenham um motivo para não o fazer, e isso será aceito, mas a maioria deveria estar pronta, disposta e apta a fazer deste Acordo com o Irã um evento muito mais histórico do que seria de outra forma”, escreveu Trump, antes de listar os países que gostaria de ver nos Acordos de Abraão: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (já membro), Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein (já membro).
O presidente não mencionou que o conflito lançado no dia 28 de fevereiro começou por decisão dele próprio, também sob pressão de Israel — antes disso, agências de inteligência de vários governos repetiram que o Irã não era uma ameaça iminente à segurança regional, e que estava a anos de distância de obter uma bomba nuclear. Trump tampouco se referiu aos impactos provocados pela ofensiva militar, como os ataques retaliatórios no Golfo e o fechamento do Estreito de Ormuz.
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Apresentados como um dos grandes feitos seus dois mandatos, os Acordos de Abraão têm como ponto central a normalização das relações com Israel, com a promessa de incentivos econômicos e ganhos políticos. A contenção da principal força militar e política antagonista aos EUA no Oriente Médio, o Irã, era outro objetivo declarado.
— Este acordo aumentou a estabilidade regional e a prosperidade econômica. Também criou uma oportunidade única na forma de uma coalizão regional contra a ameaça iraniana — afirmou, em janeiro de 2023, o então chanceler de Israel, Eli Cohen. — Meu objetivo é fortalecer os Acordos de Abraão existentes e expandir as relações com outros países.
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A iniciativa tem como membros Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos, Sudão (a ratificação foi adiada pela guerra civil) e Cazaquistão, o único não árabe. Ao contrário de propostas anteriores, não havia qualquer compromisso com a Questão Palestina.
“Os Acordos de Abraão foram modelados com base em uma ideia antiga defendida por alguns estrategistas israelenses: acordos bilaterais com Estados árabes garantiriam segurança por meio do comércio e das trocas econômicas, marginalizando os palestinos e adiando qualquer consideração sobre suas demandas por autodeterminação”, escreveu Arang Keshavarzian, professor de Estudos do Oriente Médio e Islâmicos na Universidade de Nova York, em artigo no Projeto de Pesquisa e Informação sobre o Oriente Médio.
No Truth Social, o presidente deixou claro quem é a “joia da coroa”: a Arábia Saudita. Seu antecessor, Joe Biden, investiu pesado para convencer Riad a se juntar à inciativa, e havia movimentos dos sauditas rumo a uma aproximação com Israel, como a autorização para o uso de seu espaço aéreo.
Mas tudo mudou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel, dando início à guerra na Faixa de Gaza e à desestabilização subsequente do Oriente Médio. De acordo com documentos apresentados pelos militares de Israel, atribuídos à liderança do grupo, um dos objetivos do ataque era desestabilizar a expansão dos Acordos.
“Até outubro de 2023, acreditava-se que os sauditas estavam preparados para avançar com a normalização das relações mesmo sem a concretização imediata da solução de dois Estados”, escreveu Yoel Guzansky, pesquisador do Instituto Estudos de Segurança Nacional de Israel, em artigo publicado em fevereiro. “Desde então, o reino passou a considerar o apoio aos palestinos crucial para preservar sua legitimidade interna e proteger a posição do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman.”
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Os relatos sobre a escala da destruição em Gaza, aliada à crise humanitária e às mais de 70 mil mortes, elevaram a pressão por um Estado palestino, rejeitado pelo governo do premier israelense, Benjamin Netanyahu. As invasões do Líbano, com sinais de que Israel planeja retomar a ocupação militar, impulsionaram críticas à normalização. A guerra no Irã, na qual as monarquias do Golfo foram incluídas à revelia, demonstrou que a segurança prometida pelos Acordos de Abraão não era plena.
“Quando a guerra terminar, esses Estados se encontrarão numa encruzilhada, e o caminho que cada um seguirá é uma incógnita”, escreveu Marwan Muasher, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, em artigo de abril, acrescentando que há diferenças crescentes entre países como Arábia Saudita e os Emirados Árabes sobre como lidar com Israel.
Além dos hesitantes sauditas, os Acordos de Abraão não entusiasmam os demais governos citados por Trump. E nem a pressão vinda da Casa Branca deve quebrar esse impasse.
No Paquistão, mediador das conversas entre EUA e Irã e que tem no discurso anti-Israel uma constante, alguns analistas chegaram a ventilar uma normalização no início da década, mas a forte oposição pública e a guerra em Gaza enterraram a ideia a médio ou longo prazo. O Catar, que assume uma postura de neutralidade no Oriente Médio e se apresentou como mediador em conflitos envolvendo os israelenses, rejeitou publicamente a oferta em tempos recentes. Contudo, a monarquia possui uma complexa e pouco transparente relação com Israel.
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O Egito, primeiro país árabe a estabelecer relações com Israel, tem rejeitado há anos as ofensivas americanas para se juntar aos Acordos, que incluem promessas de apoio econômico. As autoridades citam a existência de acordos entre os dois países, criticam a falta de solução para a Questão Palestina e veem a iniciativa como um caminho para a ampliação do poder israelense. A Jordânia tem laços com Israel desde 1994, mas exige que temas como um Estado palestino independente e o status de regiões anexadas por Israel, como Jerusalém Oriental, guiem acordos regionais de paz. Estima-se que três milhões de palestinos vivam no país.
Antes de outubro de 2023, a Turquia — que reconheceu Israel em 1949 — estava prestes a receber Netanyahu em Ancara, mas a guerra em Gaza interrompeu a aproximação, dando lugar ao antagonismo aberto e ao corte dos laços comerciais. Nos últimos tempos, o presidente Recep Tayyip Erdogan vinha ainda evitando tecer críticas aos Acordos de Abraão (como as feitas em 2022), mas sem dar sinais de que pretenda aderir.
Numa noite recente, Yusimi Castellano agachou-se sobre seu fogão de ferro, arrumando o carvão e colocando cuidadosamente o isopor e o plástico que usava como acendedor sobre ele. Usou um isqueiro para iniciar uma pequena fogueira. Uma fumaça tóxica invadia seu apartamento no 18º andar, espalhando-se eventualmente em direção ao antigo quartel militar onde se diz que começou a Revolução Cubana e às montanhas verdejantes que circundam Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Milhares de manifestantes marcharam nesta segunda-feira em La Paz para exigir a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, na quarta semana de protestos que provocaram escassez de produtos básicos em cidades importantes do país andino. Em um momento em que a Bolívia passa por aquela que já é considerada a pior crise econômica em quatro décadas, o mandatário de centro-direita que ascendeu ao poder em novembro classificou os atos como um teste à transição do país para uma economia mais aberta e para a democracia boliviana.
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— Há muitos interesses internos e externos em fazer esta democracia fracassar e provocar desordem regional — afirmou Paz em entrevista à rede de TV Wall Street Week, da Bloomberg, no sábado, a partir do Palácio Presidencial. — Esta é uma questão sobre saber se a democracia na Bolívia é viável ou não.
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Paz, que assumiu o cargo após duas décadas de governos socialistas, tem alternando entre tentativas de diálogo com os manifestantes e a mobilização de forças de segurança para reprimi-los. Em viagem à cidade de Sucre, nesta segunda-feira, o presidente anunciou que reduzirá seu salário pela metade — em uma medida quase simbólica, uma vez que o valor corresponde a 24 mil bolivianos (cerca de 17 mil reais) — e fez um novo apelo ao diálogo com as organizações que lideram os protestos. No entanto, descartou dialogar com manifestantes radicais que usem de violência.
— Uma minoria não pode governar, uma minoria não pode abusar de nós e faremos cumprir claramente a Constituição — advertiu o presidente, que já havia anteriormente destacado que o Ordenamento Jurídico boliviano permite o uso de força para contenção de distúrbios sociais.
O governo havia convidado a federação de agricultores de La Paz para negociações no domingo, mas a reunião foi cancelada devido a confrontos entre manifestantes e policiais no sábado. Também tinha sido pré-agendada uma reunião mensal de um conselho socioeconômico para quarta-feira, a fim de discutir legislações econômica de setores-chave, incluindo petróleo e gás, mineração, investimentos e lítio.
Nesta segunda, a praça onde fica o Palácio de Governo estava protegida por centenas de policiais de choque. Novos confrontos foram registrados. O acesso à Plaza de Armas foi cercado pelos agentes e por grades metálicas, cercas e correntes. Vendedores ambulantes comercializavam máscaras e vinagre, para amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo, lançado nas marchas da semana passada. Imagens feitas por fotojornalistas no local mostram a área coberta de fumaça, provavelmente de bombas de efeito moral, e manifestantes usando pedras e fogos de artifício contra os policiais.
Manifestantes exigem renúncia do presidente boliviano, Rodrigo Paz
Marvin Recinos/AFP
Protestos, violência e ameaças
Os protestos começaram no início de maio com um chamado à greve da Central Operária Boliviana (COB), o maior sindicato do país. Os bloqueios de estradas já chegam a cerca de cinquenta pontos no território boliviano. Os manifestantes rejeitam a política econômica liberal de Paz, exigem aumentos salariais e o responsabilizam pela distribuição de gasolina de má qualidade que danificou milhares de veículos.
— O que queremos? Que renuncie! Quando? Agora! — gritavam uma multidão de agricultores, operários e caminhoneiros enquanto detonavam fogos de artifício e seguiam em direção a La Paz a partir da cidade vizinha de El Alto.
Protesto em La Paz reuniu agricultores, operários, caminhoneiros e apoiadores do ex-presidente Evo Morales
Marvin Recinos/AFP
Após ex-presidente não comparecer à audiência: Julgamento de Evo por suposto tráfico de menor é suspenso na Bolívia
No sábado, o governo tentou romper bloqueios nas estradas para viabilizar um corredor para a entrada de alimentos, remédios e gasolina em La Paz e El Alto. Outras cidades, como Cochabamba, Potosí e Oruro também enfrentam escassez de produtos básicos.
Os manifestantes retomaram os bloqueios no domingo horas após os confrontos com as forças de segurança. O ministro de Obras Públicas Mauricio Zamora disse ter sido alvo de emboscadas três vezes por manifestantes armados com pedras e explosivos no sábado, dizendo ter sentido que sua vida foi colocada em risco.
À sombra de Evo
Ainda durante a entrevista no sábado, Paz afirmou que há setores que não querem permitir que a Bolívia dê o próximo passo em sua transformação. O presidente assumiu o governo após cerca de 20 anos de governo do Movimiento ao Socialismo (MAS), sigla que por anos foi dirigida pelo ex-presidente Evo Morales.
— O passado não quer dar lugar ao presente e ao futuro, e isso faz parte do conflito que estamos vivendo — disse Paz, que afirmou vislumbrar controlar o déficit fiscal do país, fazer um processo de abertura econômica e dirimir tensões raciais e culturais até o fim de seu mandato. — Nosso governo representa o encerramento de um ciclo de gestão dos últimos 20 anos. Essa transição não será fácil, mas claramente é o caminho certo para liberar as forças produtivas da Bolívia.
Homem usa fogos de artifício durante protesto contra Paz
Aizar Raldes/AFP
Os agricultores, líderes sindicais e apoiadores de Evo Morales que exigem a renúncia de Paz, argumentam que, após seis meses no cargo, o presidente falhou em cumprir sua promessa de resolver a grave crise econômica da Bolívia. O ex-presidente, que se acredita estar escondido dentro do complexo de uma rádio na zona produtora de coca de Chapare, em Cochabamba — seu tradicional reduto político —, pediu a convocação de eleições antecipadas em 90 dias.
O governo dos Estados Unidos anunciou ter começado a fornecer “assistência alimentar emergencial e apoio logístico operacional” à Bolívia, para ajudar pessoas afetadas pela escassez de medicamentos e alimentos causada pelos bloqueios, segundo comunicado do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano no sábado. O secretário Marco Rubio afirmou na semana passada que os EUA não permitirão que “criminosos e traficantes de drogas derrubem líderes democraticamente eleitos em nosso Hemisfério”. (Com Bloomberg e AFP)
A primeira encíclica do Papa Leão XIV, apresentada na segunda (25), trata primordialmente do impacto da inteligência artificial (IA) na sociedade. Ao marcar posição contra a substituição do ser humano por uma mediação técnica, o pontífice se colocou em campo oposto a alguns dos mais poderosos e influentes nomes e empresas do mundo da tecnologia, incluindo Elon Musk, Mark Zuckerberg, OpenAI, Google, Marc Andreessen e Peter Thiel. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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