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O presidente Lula acaba de assinar dois decretos e uma medida provisória que busca conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do diesel no território nacional. Todos os impostos federais sobre o diesel, o PIS/Confins, que representa R$ 0,32 por litro, na refinaria, segundo o ministro Fernando Haddad. Além disso, será dada uma subvenção de R$ 0,32 por litro, informou Haddad. Essa subvenção está conveniada a garantia de repasse ao consumidor. Foi criado ainda um imposto de exportação temporário, com alíquota de 12%, o objetivo de regulação do mercado interno, segundo o secretário executivo do Ministério da Indústria e Comércio, Márcio Elias. Segundo Haddad, há capacidade ociosa nas refinarias e a medida visa ampliar o refino no país para abastecer o mercado nacional. O ministro disse que há grandes refinarias atuando com 60% da sua capacidade. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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Há mais de um mês, oficiais de justiça tentam cumprir uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora artística responsável pelo filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, a obra Dark Horse.

Em 21 de março, o ministro Flávio Dino deu cinco dias para o parlamentar responder à denúncia da também deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Tabata acusa Frias de ter destinado ao menos R$ 2 milhões à organização não governamental (ONG) Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama.

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Karina também está à frente de outras entidades e empresas, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, responsável por produzir o filme biográfico sobre Bolsonaro, previsto para estrear nos cinemas brasileiros em meados de setembro, semanas antes do primeiro turno das eleições.

Segundo os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça Federal encarregada de intimar Frias esteve no gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em ao menos três ocasiões entre março e abril. Em todas as vezes, foi atendida por assessores parlamentares que informaram que Frias estaria em São Paulo, em compromissos de campanha, e que não demonstraram “interesse em informar a agenda do parlamentar”.

Emendas

A denúncia apresentada por Tabata Amaral foi motivada por uma reportagem de dezembro de 2025, do site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, a Academia Nacional de Cultura foi contemplada com R$ 2,6 milhões oriundos de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Bolsonaro. Além de Frias, são citados os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon.

A partir da reportagem, Tabata sugere a formação de um grupo econômico composto por diferentes empresas e entidades atuando sob um comando único. Ela defende que isso poderia dificultar a rastreabilidade da execução da verba pública e estar indiretamente financiando produções cinematográficas de cunho ideológico.

Também intimados por Dino, Bia e Pollon entregaram ao ministro seus esclarecimentos dentro do prazo estipulado. O deputado admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo viabilizar, por intermédio da Go Up Entertainment, “a produção da série documental intitulada Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”.

Contudo, segundo o deputado, devido à “incapacidade da entidade beneficiária de cumprir requisito técnico essencial”, o projeto não avançou e ele redirecionou os recursos para a área da saúde, “especificamente em favor do Hospital de Amor de Barretos” (SP).

“A inexistência de execução afasta, por completo, qualquer hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade material na aplicação de recursos públicos”, sustenta Pollon.

Decisão política 

Bia Kicis também admitiu ter destinado R$ 150 mil em recursos públicos para a realização da série Heróis Nacionais, citada por Pollon. E, assim como o deputado, pondera que a indicação não foi executada

A deputada classifica a petição de Tabata Amaral como “maldosa” por, “indevidamente”, associar sua emenda “a supostas irregularidades e desvios de finalidade”, não havendo “qualquer conexão entre a emenda [parlamentar] e a obra cinematográfica Dark Horse”.

“A tentativa de realizar uma amálgama entre projetos distintos, apenas por envolverem a mesma produtora ou temas de espectro conservador, constitui um erro metodológico e jurídico grave”, argumenta a deputada.

Bia Kicis refuta a “leviana alegação” de que ajudou a custear, com dinheiro público, um filme sobre Jair Bolsonaro.

“A despeito da tentativa de criminalizar a indicação orçamentária realizada por esta parlamentar, é fundamental que este Supremo Tribunal Federal analise o mérito social e econômico do projeto beneficiado, o qual reflete o compromisso deste mandato com a promoção da cultura e da história nacional brasileira”, alega a deputada, reconhecendo que, com sua emenda, além de fomentar o setor audiovisual, tomou “uma decisão política pautada pela potencialidade de geração de valor para a sociedade, especialmente no campo da educação e da economia criativa”.

Provocada pelo ministro Flávio Dino, a Advocacia da Câmara dos Deputados atestou que, do ponto de vista processual, não identificou irregularidades nas duas emendas de Mario Frias – as únicas que Tabata Amaral elencou em sua representação.

Master

Nesta quarta-feira (13), reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro que destinasse cerca de R$ 134 milhões para custear o filme Dark Horse. Deste total, Vorcaro teria liberado ao menos R$ 61 milhões.

Áudios divulgados revelam que o senador e o banqueiro trocaram mensagens sobre a necessidade de aporte financeiro para o filme às vésperas de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero. Deflagrada em novembro de 2025, a operação aprofunda as investigações de supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes nas negociações entre os bancos Master e de Brasília (BRB).

Em um dos áudios, Flávio menciona a importância do filme e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”.  

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, diz o senador, em áudio. 

 

 

Superprodução

Roteirista e produtor executivo do filme, o deputado Mário Frias afirmou, nesta quarta-feira (13), que o senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer participação societária no filme ou na produtora Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama. Segundo Frias, a obra não recebeu “nem um único centavo” do Banco Master ou de Vorcaro.

“E ainda que houvesse [recebido], não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, sustentou Frias.

Ele foi secretário especial de cultura (2020/2022) da gestão de Jair Bolsonaro.

Na mesma nota, Frias tenta justificar os custos da produção – superiores, por exemplo, aos valores do filme Ainda Estou Aqui, ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025, que totalizaram R$ 45 milhões.

“Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido”, acrescentou Frias.

Dezenas de milhares de nacionalistas israelenses tomaram as ruas de Jerusalém nesta quinta-feira durante o feriado do Dia de Jerusalém, que marca a anexação total da cidade em 1967, e é marcado por atos de vandalismo, agressões contra árabes e, neste ano, contra a imprensa do país.
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No começo do dia, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, um dos mais radicais membros do Gabinete do premier Benjamin Netanyahu, entrou com um grupo de aliados no complexo da Mesquita do Domo da Rocha, sagrado para os muçulmanos e também para os judeus, que o conhecem como Monte do Templo.
Além de orações, Ben-Gvir estendeu ali uma bandeira de Israel, ato considerado pelo governo da Jordânia como uma “violação flagrante do direito internacional, uma provocação inaceitável e uma quebra flagrante do status quo histórico e jurídico”. Uma autoridade religiosa ligada ao governo jordaniano, o Waqf de Jerusalém, é responsável por supervisionar o local.
— Ben-Gvir não é um palhaço. Ele é Israel: 2026 — afirmou Aviv Tatarsky, pesquisador do grupo ativista Ir Amim, que prega a coexistência pacífica em Jerusalém, à rede al-Jazeera. — Ele faz parte de um governo e de uma sociedade que, apesar das guerras com o Irã e o Líbano, ainda prioriza a remoção dos palestinos, onde quer que estejam, acima de tudo.
Ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben-Gvir, na entrada da Cidade Velha de Jerusalém
Ilia YEFIMOVICH / AFP
Nas estreitas ruas da Cidade Velha, dezenas de milhares de pessoas, incluindo muitos jovens e adolescentes, se aglomeravam para a chamada “Marcha da Bandeira”, organizada por grupos de extrema direita e conhecida pela violência extrema.
Moradores do Bairro Muçulmano, em sua maioria palestinos, fecharam as portas das lojas no começo do dia, e os que foram vistos em público foram agredidos com chutes, cadeiradas e cuspes. Palavras de cunho homofóbico foram ouvidas em quantidade, assim como gritos de “morte aos árabes”, “Maomé está morto” e “espero que seu vilarejo queime”.
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Ativistas de esquerda não escaparam dos ataques, e uma repórter do jornal Haaretz, que usava a devida identificação de imprensa, foi atingida por copos de café. Um outro jornalista teve o telefone celular roubado. Segundo a polícia, 13 pessoas, incluindo israelenses e palestinos, foram presas.
— A chamada Marcha da Bandeira sempre foi um evento violento — disse à al-Jazeera Ofer Cassif, do partido de esquerda Hadash, acusando o governo “fascista” de Netanyahu por incitar os ataques. — [A polícia não impediu] a violência, os linchamentos, a destruição de lojas, a agressão e os ataques contra palestinos na Cidade Velha e em toda a cidade.
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O chefe da polícia local, contudo, disse que a preparação para o evento foi “exemplar”, e que, com poucas exceções “tudo aconteceu em relativa calma”.
— O lado muçulmano continuará a viver no bairro e a fazer parte do seu tecido social. E quando isto terminar, a coexistência continuará, judeus e muçulmanos — acrescentou.
Nacionalistas israelenses perto do Portão de Damasco, na entrada da Cidade Velha de Jerusalém
Ilia YEFIMOVICH / AFP
O Dia de Jerusalém marca a anexação de Jerusalém Oriental por Israel, no contexto da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e é um feriado nacional desde 1968. Mas nos últimos anos, os eventos na cidade sagrada para as três maiores religiões monoteístas do planeta se tornaram sinônimo de violência.
Os confrontos nas ruas estreitas da Cidade Velha são acompanhados pelas ofensas racistas dirigidas aos árabes, com menções a guerras nos Territórios Palestinos e episódios sangrentos. Há alguns anos, gritos de “Shuafat está em chamas” ecoaram pelas ruas, em uma referência ao adolescente palestino Mohammed Abu Khdeir, queimado vivo por colonos israelenses na cidade, em 2014.
Desde os ataques de outubro de 2023, o início da guerra em Gaza e no Líbano e, agora, a guerra suspensa contra o Irã, dizem especialistas, o evento ganhou uma camada adicional de agressividade.
— No ano passado, vimos muita violência, muita violência verbal, canções racistas, cusparadas, assédio a meninas voltando da escola — disse Nati, ativista de uma organização judaico-árabe que participou de uma espécie de cordão humano para proteger civis palestinos e suas propriedades durante a marcha, ao Haaretz. — A situação piorou. A cada ano fica pior. No ano passado, houve alguns episódios realmente assustadores.
Um caso de fuga que terminou mal chamou a atenção na última terça-feira (12), na cidade argentina de Rosário. Um homem se pendura na sacada de um prédio e acaba caindo do quarto andar, em cima de uma viatura que estava no local para buscá-lo. O carro amorteceu a queda e pode ter salvado a vida do fugitivo. Segundo o jornal The Sun, a polícia estava no local para resolver uma ocorrência de briga e discussão que o homem de 31 anos estaria envolvido.
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Ainda de acordo com a publicação, ele foi levado para o Hospital de Emergência Clemente Álvarez, onde está em unidade de tratamento intensivo e respirando com o auxílio de um ventilador mecânico. Os médicos confirmaram que ele sofreu múltiplos ferimentos, incluindo um traumatismo craniano e uma fratura no braço.
Homem cai de prédio na Argentina em tentativa de fuga
Reprodução | X | Jorge Diaz
Nas imagens, suas mãos escorregam pela sacada e ele atinge ainda dois guarda-corpos de outras varandas, girando 180º antes de atingir o carro. O homem não teve o seu nome divulgado, mas seria morador daquele mesmo prédio, de onde tentava fugir.
Moradores afirmaram que o estrondo foi tão grande, que pensaram ser uma colisão de ônibus na rua.
Assista o vídeo abaixo:
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14) medidas para restringir o uso de inteligência artificial durante o período das eleições. Durante o lançamento de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em Camaçarí (BA), ele avaliou que a manipulação de imagens e vozes, por exemplo, pode favorecer “mentirosos”.

“Eu estava na posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral [ministro Nunes Marques] e ele disse assim: ‘Vou proibir inteligência artificial dois dias antes das eleições’. E eu achei maravilhoso”, contou Lula.

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“O que é inteligência artificial? É a maior evolução desse mundo digital. Posso colocar a cara do Wagner, posso colocar a voz do Wagner, mas não é o Wagner”, disse. “Posso colocar a sua cara, mas não é você. Posso colocar a sua voz, mas não é você. Posso colocar você fazendo uma coisa boa ou fazendo uma coisa ruim”, completou.

No evento, o presidente avaliou que a inteligência artificial ajuda muito em áreas como saúde, educação, ciência e tecnologia.

“Tem uma importância muito grande. Mas, na eleição, será que é necessário inteligência artificial? Na eleição, as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso. As pessoas não podem votar em uma mentira”.

“Você escolheria um padrinho para o seu filho pela inteligência artificial? Ou você quer conhecer uma pessoa que você gosta, que sabe que é decente, que é honesta para dar o seu filho para ser batizado?”, questionou.

“Fiquei pensando o que a gente pode fazer para proibir, em época de eleição, sobre eleição, falar de inteligência artificial na política. Isso vai servir aos mentirosos. Como é mentira, posso falar todo bonitão. E a política é o templo da verdade. O cara que mente na política, deveria cair a língua dele.”

Lula lembrou que o candidato, quando vence o pleito, foi eleito para representar o povo e “não pode mentir”. “É melhor dizer que não pode fazer do que dizer que vai fazer e não fazer”, avaliou. “É importante que a gente tenha em conta o que pode ser feito, do ponto de vista Legislativo, pra gente discutir com verdade esse negócio de inteligência artificial”.

“Se a gente quiser, a gente poder fazer o Lula artificial. Fazer comício em 27 estados no mesmo dia e no mesmo horário. Eu estou lá, mas não estou. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a dona Lindu [mãe de Lula] não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política”, disse.

“Se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos olhos dele para saber quem está mentindo. Vocês estão vendo na televisão: a verdade tarda, mas não falha. Minha mãe dizia: Mentira tem perna curta. Pode causar prejuízo”, concluiu.

 

O Pentágono cancelou de forma abrupta o envio de uma brigada blindada à Polônia, em mais um movimento que reforça o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reduzir a presença militar americana na Europa e reposicionar sua estratégia de defesa, com maior foco no território nacional e no Indo-Pacífico. A decisão surpreendeu parte da cúpula militar, já que equipamentos e tropas já estavam a caminho do continente, segundo o Wall Street Journal.
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O cancelamento envolve a 2ª Brigada de Combate Blindada da 1ª Divisão de Cavalaria, com mais de 4 mil soldados. Parte da unidade, conhecida como “Black Jack”, já havia iniciado o deslocamento quando a operação foi interrompida, segundo autoridades do Departamento de Defesa.
A medida ocorre em meio a uma reconfiguração mais ampla da presença militar dos EUA na Europa, que inclui a retirada de 5 mil soldados da Alemanha — anunciada neste mês após críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, à condução da guerra dos EUA contra o Irã.
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Trump indicou que os cortes devem ir além. Em declarações recentes, afirmou que pretende reduzir “muito mais do que 5 mil” militares estacionados na Alemanha e não descartou retirar tropas também da Itália e da Espanha.
A mudança faz parte de uma estratégia mais ampla do Pentágono, que prevê maior responsabilidade dos aliados europeus pela própria segurança, enquanto os EUA focam na defesa do território nacional e do Indo-Pacífico.
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Dentro desse contexto, a suspensão do envio da brigada foi interpretada como parte de uma aceleração desse processo. Comandantes militares haviam proposto uma redução gradual das forças na Alemanha, com ajustes feitos ao longo do tempo. No entanto, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, optou por antecipar cortes e interromper uma operação que já estava em curso.
A decisão foi comunicada durante uma reunião entre o Comando Europeu dos EUA e o Estado-Maior do Exército na Europa e África, segundo uma autoridade americana. Até então, a recomendação militar era que a brigada não fosse substituída após seu ciclo regular de nove meses — e não que o envio fosse cancelado antes mesmo de ser concluído.
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A mudança também ocorre em meio a tensões políticas com aliados europeus. No mês passado, o WSJ noticiou que o governo Trump avaliava retirar tropas de países que não apoiaram os EUA na guerra contra o Irã.
Apesar disso, a relação com a Polônia permanece próxima. O próprio Trump chegou a sugerir recentemente que poderia transferir parte das tropas baseadas na Alemanha para o país, cenário que torna o cancelamento da brigada ainda mais sensível em Varsóvia.
O ministro da Defesa polonês, Władysław Kosiniak-Kamysz, afirmou que a decisão não afeta diretamente o país e está ligada a mudanças mais amplas na presença militar americana na Europa. Segundo ele, o fortalecimento das forças armadas polonesas, aliado à presença dos EUA, mantém a segurança no flanco leste da Otan.
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A Otan, por sua vez, indicou que pretende manter uma presença robusta na região, apesar das movimentações americanas.
A decisão do Pentágono também se soma a outras iniciativas recentes para reduzir a atuação militar dos EUA no continente. Neste mês, o governo anunciou que está revertendo um plano da gestão anterior de enviar à Alemanha um batalhão equipado com mísseis convencionais de longo alcance.
Além disso, no ano passado, os EUA já haviam decidido retirar uma brigada de combate da Romênia.
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Com as mudanças, o número de tropas americanas na Europa deve retornar a níveis semelhantes aos de 2022, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, marcando uma inflexão na estratégia militar americana no continente.
Autoridades israelenses levarão o The New York Times à justiça por um artigo que alega abuso sexual generalizado de detentos palestinos, informou o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta quinta-feira. O premier e o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, ordenaram “a abertura de um processo por difamação” contra o jornal americano, de acordo com um comunicado conjunto divulgado por seus gabinetes.
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O texto afirma que o processo foi instaurado “após a publicação, por Nicholas Kristof, de uma das mentiras mais horríveis e distorcidas já publicadas contra o Estado de Israel na imprensa moderna, a qual também foi endossada pelo jornal”.
“Eles difamaram os soldados de Israel e perpetuaram uma calúnia de sangue sobre estupro, tentando criar uma falsa simetria entre os terroristas genocidas do Hamas e os valentes soldados de Israel”, disse Netanyahu em um comunicado. “Vamos combater essas mentiras na opinião pública e nos tribunais. A verdade prevalecerá.”
O premier israelense não deixou claro onde ou quando esse processo será aberto.
A investigação, publicada na segunda-feira como um artigo de opinião do colunista Kristof, baseia-se em depoimentos recolhidos na Cisjordânia ocupada por Israel, de 14 homens e mulheres que alegaram ter sofrido agressão sexual por parte de colonos israelenses ou membros das forças de segurança.
O texto descreve “um padrão de violência sexual generalizada por parte de Israel contra homens, mulheres e até crianças, perpetrada por soldados, colonos, interrogadores da agência de segurança interna Shin Bet e, sobretudo, por guardas prisionais”.
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Segundo o texto, “não há provas de que os líderes israelenses ordenem estupros”. “Mas, nos últimos anos, eles construíram um aparato de segurança no qual a violência sexual se tornou, como afirmou um relatório da ONU no ano passado, um dos ‘procedimentos operacionais padrão’ de Israel e ‘um elemento importante no tratamento cruel dado aos palestinos'”, pontua o autor do artigo.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel rejeitou a reportagem, afirmando que Kristof se baseou “em fontes não verificadas ligadas a redes relacionadas ao Hamas”. Também acusou o jornal de escolher deliberadamente a data de publicação para “minar” um relatório israelense independente sobre a violência sexual perpetrada pelo Hamas durante o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, publicado no mesmo dia.
O NYT ainda não se manifestou sobre a ameaça de Netanyahu. Mas em um comunicado divulgado na quarta-feira, o jornal defendeu o artigo.
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“Os relatos dos 14 homens e mulheres entrevistados por Kristof foram corroborados com outras testemunhas, quando possível, e com pessoas em quem as vítimas confiaram, incluindo familiares e advogados”, escreveu o porta-voz do jornal, Charlie Stadtlander, acrescentando que “os detalhes foram extensivamente verificados”.
Tanto a ONU quanto grupos de direitos humanos já afirmaram ter documentado o uso de violência sexual por ambos os lados desde o ataque do grupo militante palestino contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
Com agências internacionais.
O Vaticano elevou o tom contra a Fraternidade Sacerdotal São Pio X na última quarta-feira ao afirmar que a eventual ordenação de novos bispos sem autorização papal configuraria um “ato cismático” e poderia levar à excomunhão dos envolvidos. A organização, atuante em mais de 70 países, mantém uma relação conflituosa com a Santa Sé há décadas ao defender missas em latim e se opor ao Concílio Vaticano II.
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O alerta mais recente foi feito pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, em meio a informações de que o grupo tradicionalista pretende realizar novas ordenações episcopais em julho. Segundo o Vaticano, a iniciativa representaria uma ruptura grave com a autoridade da Igreja Católica. Fernández afirmou que a adesão formal a um cisma pode resultar em excomunhão e indicou que a Santa Sé acompanha com preocupação os movimentos da fraternidade.
Pelo Código de Direito Canônico, tanto o bispo que realiza uma consagração episcopal sem mandato pontifício quanto aquele que a recebe incorrem automaticamente em excomunhão latae sententiae, isto é, sem necessidade de declaração formal. A pena é reservada à Sé Apostólica, cabendo apenas ao Papa — ou a quem ele delegar — conceder o perdão.
O principal precedente ocorreu em 1988, quando Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do papa João Paulo II. O episódio levou à excomunhão do arcebispo e dos religiosos envolvidos e consolidou uma das maiores crises internas da Igreja Católica nas últimas décadas.
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Em 2009, por decisão de Bento XVI, a Congregação para os Bispos suspendeu a excomunhão dos quatro consagrados, gesto que o pontífice alemão apresentou como tentativa de remover um grave obstáculo ao diálogo e favorecer a reconciliação.
Apesar do endurecimento do discurso, o Vaticano indicou que ainda tenta evitar uma ruptura definitiva. Segundo o Vatican News, o Papa Leão XIV mantém apelos por diálogo com a fraternidade e busca impedir que a disputa evolua para um novo cisma formal dentro da Igreja.
Fraternidade São Pio X
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é conhecida pela defesa da missa tridentina em latim e pela oposição a parte das reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. O grupo foi fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e mantém uma relação marcada por tensões históricas com Roma.
Arcebispo Marcel Lefebvre em 1975
Divulgação / Fraternidade Tradicional São Pio X
Segundo dados divulgados em novembro do ano passado, a Fraternidade São Pio X reúne 1.482 membros de cerca de 50 nacionalidades, com média de idade de 47 anos. O grupo conta com dois bispos, 733 sacerdotes, 264 seminaristas e diversas formas de vida consagrada: 145 irmãos religiosos, 88 oblatas e 250 monjas.
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A atuação pastoral se estende por 77 países, com cinco seminários, 184 casas próprias e 94 escolas — 54 delas na França.
Durante o pontificado de Francisco, o então superior Bernard Fellay atacou reiteradamente o Papa argentino. “A situação da Igreja é um verdadeiro desastre, e o atual Papa a está tornando 10.000 vezes pior”, afirmou em 2016, em Kansas City. Hoje, setores tradicionalistas pressionam Leão XIV a revogar as restrições à missa tridentina.
A Casa Branca afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo da China, Xi Jinping, concordaram sobre a necessidade de manter o Estreito de Ormuz aberto durante o encontro realizado nesta quinta-feira, em Pequim. No mesmo dia, a imprensa iraniana informou que as forças navais do país autorizaram a passagem de vários navios chineses pela rota estratégica, em meio ao bloqueio imposto desde o início da guerra na região.
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“As duas partes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para favorecer a livre circulação de energia”, disse a Casa Branca.
A declaração ocorre em um contexto de tensão no Golfo, onde o Irã mantém um bloqueio quase total da passagem desde 28 de fevereiro, após ataques dos EUA e de Israel. Antes da escalada, cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás transitava pela via marítima.
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A agência iraniana Tasnim informou que um grupo de embarcações chinesas foi autorizado a cruzar o estreito.
“Após uma decisão da República Islâmica, um certo número de navios chineses recebeu permissão para atravessar o Estreito de Ormuz sob os protocolos de trânsito administrados pelo Irã”, afirmou.
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A travessia, solicitada por Pequim, começou na noite de quarta-feira, após um acordo sobre as regras de gestão da passagem.
O gesto ocorre enquanto a China busca garantir o fluxo energético: mais da metade do petróleo que o país importa por via marítima vem do Oriente Médio e passa pelo Estreito de Ormuz, segundo a empresa de análise de tráfego marítimo Kpler.
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Segundo a Casa Branca, durante a reunião em Pequim, Xi Jinping manifestou oposição à “militarização” da rota e à possível cobrança de pedágio por parte do Irã, medida que vem sendo considerada por Teerã. Em seu comunicado, a parte americana classificou o encontro entre os líderes como “bom”, mas não mencionou temas sensíveis como Taiwan.
Já o presidente chinês destacou que a ilha segue sendo o principal ponto de divergência entre os dois países. Apesar de Taiwan ter um governo democrático, Pequim o considera parte de seu território.
— A questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações entre China e EUA — afirmou durante a reunião de cúpula, segundo a emissora estatal CCTV. — Se for mal administrada, as duas nações podem ter um choque ou, inclusive, entrar em conflito, o que empurraria toda a relação entre China e EUA para uma situação muito perigosa.
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Apesar de uma trégua em vigor desde abril, os EUA mantêm restrições aos portos iranianos, em resposta ao bloqueio no estreito, um dos principais gargalos do comércio global de energia.
O secretário de Saúde e Serviço Social do Reino Unido, Wes Streeting, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, aumentando a pressão sobre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que está sob fogo aliado para entregar a liderança do governo e do Partido Trabalhista. Cotado entre os favoritos para assumir o posto em caso de uma queda de Starmer, o secretário disse ter “perdido a confiança” na liderança do premier em sua carta de renúncia.
Ligado a uma ala mais centrista do Partido Trabalhista, Streeting teve uma conversa com o premier no começo da semana, em meio a uma debandada de secretários do governo. A conversa, apontada pela imprensa britânica, durou menos de 20 minutos, sem maiores declarações públicas sobre o conteúdo. O secretário demissionário citou a reunião em sua carta de renúncia nesta quinta.
“Como você sabe pela nossa conversa no início desta semana, tendo perdido a confiança em sua liderança, concluí que seria desonroso e sem princípios continuar”, escreveu Streeting na mensagem endereçada a Starmer.
O influente representante trabalhista citou também a dura derrota do partido nas eleições regionais da semana passada. No primeiro desafio eleitoral sob a liderança de Starmer, a legenda perdeu cadeiras em uma extensa área do país, vendo em paralelo um avanço da extrema direita britânica, com uma ascensão destacada do Reform UK — um resultado que causou preocupação entre alas progressistas do país.
“Os resultados eleitorais da semana passada foram sem precedentes — tanto pela dimensão da derrota quanto pelas consequências desse fracasso. Pela primeira vez na história do nosso país, nacionalistas estão no poder em todos os cantos do Reino Unido — incluindo um perigoso nacionalismo inglês representado por Nigel Farage e o Reform UK”, escreveu Streeting, definindo o partido extremista como “uma ameaça aos valores e ideais” britânicos e ” uma ameaça existencial à integridade futura do Reino Unido”.
O agora ex-secretário citou também a falta de confiança dos setores progressistas nos trabalhistas, relacionando a crise do partido à “impopularidade do governo”, mencionando “erros individuais de política”, como a decisão de Starmer de cortar auxílio para combustível no inverno.
*Matéria em atualização
A Espanha foi apontada como o país europeu que mais garante direitos às pessoas LGBTQIAPN+, segundo o Mapa Arco-Íris 2026, divulgado pela organização ILGA-Europe. O levantamento analisa 49 países do continente com base em critérios ligados à proteção legal, igualdade de direitos e políticas públicas.
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Segundo o ranking, a Espanha cumpre 89% dos critérios avaliados, avanço de 11 pontos percentuais em relação à edição anterior. O resultado fez o país subir quatro posições e ultrapassar Malta, que ocupava a liderança havia uma década.
Katrin Hugendubel, diretora-adjunta da ILGA-Europe, afirmou que “a Espanha é um dos países mais sólidos do mundo em termos de proteção legal das pessoas LGBTQIAPN+”.
— Além disso, é preciso destacar a vontade política. Em um momento em que muitos governos estão retrocedendo sob pressão da extrema direita, a Espanha optou por continuar avançando na igualdade — completou.
Segundo a ILGA-Europe, “o governo cumpriu os compromissos estabelecidos nas leis LGBTI+ e trans por meio da adoção de planos de ação em matéria de igualdade, da criação de uma autoridade independente para igualdade de tratamento e da despatologização completa das pessoas trans no sistema de saúde”.
Segundo reportagem do site El País, quase todas as comunidades autônomas da Espanha possuem legislação específica sobre o tema.
A organização destacou ainda tentativas de enfraquecimento de leis regionais LGBTQIAPN+ promovidas por governos autonômicos controlados pelo PP e pelo Vox. Segundo a ILGA-Europe, essas iniciativas “foram barradas pelo governo central por considerar que violavam direitos constitucionais”.
Tribunais barraram mudanças em leis regionais
Entre os casos citados está o da Comunidade Valenciana, onde mudanças promovidas por PP e Vox na lei trans regional abriam caminho para falsas terapias de conversão, proibiam escolas de abordar diversidade sexual e de gênero e permitiam que pais de adolescentes menores impedissem a adequação de gênero dos filhos.
Na semana anterior à publicação do ranking, o Tribunal Constitucional admitiu recurso do governo de Pedro Sánchez contra essas alterações.
Em Madri, o governo central também recorreu ao Tribunal Constitucional contra mudanças propostas pelo PP na legislação regional.
Segundo o El País, o tribunal deu razão ao Executivo de Pedro Sánchez, obrigando a equipe de Isabel Díaz Ayuso a reduzir significativamente os cortes pretendidos.
— O governo resistiu às tentativas de invalidar os avanços conquistados. Isso é muito relevante — afirmou Katrin Hugendubel.
Ela comparou a atuação do governo espanhol à postura de “líderes como Zohran Mamdani em Nova York”, que, segundo ela, “se recusam a ceder à pressão autoritária e optam, em vez disso, por ficar ao lado de suas comunidades”.
— O que estamos vendo é que há vontade política, coragem e determinação. Os governos ainda têm escolha e podem fazer a diferença — acrescentou a dirigente.
O ranking da ILGA-Europe foi elaborado com base em sete áreas: igualdade e não discriminação, família, crimes de ódio e discurso de ódio, reconhecimento legal de gênero, integridade das pessoas intersexo, espaço na sociedade civil e asilo.
Entre os critérios analisados estão casamento igualitário, autodeterminação de gênero, políticas contra crimes de ódio, liberdade de reunião e reconhecimento constitucional da diversidade.
Relatório aponta avanço e reação contra direitos LGBTQIAPN+
Ao comentar o cenário internacional, Katrin Hugendubel afirmou que o mapa de 2026 “mostra duas histórias ao mesmo tempo”
Segundo ela, enquanto alguns países avançam, há também “uma forte reação contra direitos LGBTI+ e contra a democracia”.
— Os ataques estão vindo tanto do Oriente quanto do Ocidente — disse.
Segundo Hugendubel, outros países da União Europeia têm buscado entender a implementação da legislação espanhola.
— No âmbito da UE, outros Estados-membros têm muita curiosidade em aprender como a Espanha implementou, por exemplo, a Lei Trans — afirmou.
Apesar da liderança, a dirigente alertou para “o crescimento dos discursos de ódio e da violência” e afirmou que “os direitos previstos no papel não garantem necessariamente segurança na vida cotidiana”.
Após a Espanha, o ranking coloca Malta, Bélgica, Dinamarca e Islândia nas posições seguintes. Malta perdeu a liderança pela primeira vez em dez anos e obteve 88%, um ponto percentual abaixo da Espanha. A Dinamarca alcançou 85% após despatologizar identidades trans e renovar seu plano de igualdade.
Na outra ponta da lista, a Romênia aparece como o país da União Europeia menos favorável às pessoas LGBTIQ+, na 42ª posição.
Os últimos lugares do ranking são ocupados por Armênia, Belarus, Turquia, Azerbaijão e Rússia, que permanece na última colocação desde 2024.
Segundo o levantamento, a média de cumprimento dos critérios é de 52% entre os países da União Europeia e de 43% em todo o continente europeu. A ILGA-Europe alertou ainda para retrocessos em países antes considerados referência.
A França aparece em 15º lugar, com 60%; o Reino Unido ocupa a 22ª posição, com 44%; a Alemanha está em 7º, com 70%; e a Itália aparece em 36º, com 24%.
O texto informa ainda que o governo de direita de Portugal estuda reduzir a lei trans de 2018.
— Embora continuemos alertando para o retrocesso que observamos na Europa, celebramos a Espanha. O primeiro lugar nesse ranking é um exemplo contundente do que acontece quando um governo decide avançar na igualdade em vez de retroceder — diz Katrin.

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