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A Espanha foi apontada como o país europeu que mais garante direitos às pessoas LGBTQIAPN+, segundo o Mapa Arco-Íris 2026, divulgado pela organização ILGA-Europe. O levantamento analisa 49 países do continente com base em critérios ligados à proteção legal, igualdade de direitos e políticas públicas.
Entenda o caso: Mistério sobre morte de família inteira após comer melancia com veneno de rato intriga polícia na Índia
María Fernanda Espinosa: Ter mulher à frente da ONU é questão de ‘justiça histórica’, diz candidata equatoriana a secretária-geral da organização
Segundo o ranking, a Espanha cumpre 89% dos critérios avaliados, avanço de 11 pontos percentuais em relação à edição anterior. O resultado fez o país subir quatro posições e ultrapassar Malta, que ocupava a liderança havia uma década.
Katrin Hugendubel, diretora-adjunta da ILGA-Europe, afirmou que “a Espanha é um dos países mais sólidos do mundo em termos de proteção legal das pessoas LGBTQIAPN+”.
— Além disso, é preciso destacar a vontade política. Em um momento em que muitos governos estão retrocedendo sob pressão da extrema direita, a Espanha optou por continuar avançando na igualdade — completou.
Segundo a ILGA-Europe, “o governo cumpriu os compromissos estabelecidos nas leis LGBTI+ e trans por meio da adoção de planos de ação em matéria de igualdade, da criação de uma autoridade independente para igualdade de tratamento e da despatologização completa das pessoas trans no sistema de saúde”.
Segundo reportagem do site El País, quase todas as comunidades autônomas da Espanha possuem legislação específica sobre o tema.
A organização destacou ainda tentativas de enfraquecimento de leis regionais LGBTQIAPN+ promovidas por governos autonômicos controlados pelo PP e pelo Vox. Segundo a ILGA-Europe, essas iniciativas “foram barradas pelo governo central por considerar que violavam direitos constitucionais”.
Tribunais barraram mudanças em leis regionais
Entre os casos citados está o da Comunidade Valenciana, onde mudanças promovidas por PP e Vox na lei trans regional abriam caminho para falsas terapias de conversão, proibiam escolas de abordar diversidade sexual e de gênero e permitiam que pais de adolescentes menores impedissem a adequação de gênero dos filhos.
Na semana anterior à publicação do ranking, o Tribunal Constitucional admitiu recurso do governo de Pedro Sánchez contra essas alterações.
Em Madri, o governo central também recorreu ao Tribunal Constitucional contra mudanças propostas pelo PP na legislação regional.
Segundo o El País, o tribunal deu razão ao Executivo de Pedro Sánchez, obrigando a equipe de Isabel Díaz Ayuso a reduzir significativamente os cortes pretendidos.
— O governo resistiu às tentativas de invalidar os avanços conquistados. Isso é muito relevante — afirmou Katrin Hugendubel.
Ela comparou a atuação do governo espanhol à postura de “líderes como Zohran Mamdani em Nova York”, que, segundo ela, “se recusam a ceder à pressão autoritária e optam, em vez disso, por ficar ao lado de suas comunidades”.
— O que estamos vendo é que há vontade política, coragem e determinação. Os governos ainda têm escolha e podem fazer a diferença — acrescentou a dirigente.
O ranking da ILGA-Europe foi elaborado com base em sete áreas: igualdade e não discriminação, família, crimes de ódio e discurso de ódio, reconhecimento legal de gênero, integridade das pessoas intersexo, espaço na sociedade civil e asilo.
Entre os critérios analisados estão casamento igualitário, autodeterminação de gênero, políticas contra crimes de ódio, liberdade de reunião e reconhecimento constitucional da diversidade.
Relatório aponta avanço e reação contra direitos LGBTQIAPN+
Ao comentar o cenário internacional, Katrin Hugendubel afirmou que o mapa de 2026 “mostra duas histórias ao mesmo tempo”
Segundo ela, enquanto alguns países avançam, há também “uma forte reação contra direitos LGBTI+ e contra a democracia”.
— Os ataques estão vindo tanto do Oriente quanto do Ocidente — disse.
Segundo Hugendubel, outros países da União Europeia têm buscado entender a implementação da legislação espanhola.
— No âmbito da UE, outros Estados-membros têm muita curiosidade em aprender como a Espanha implementou, por exemplo, a Lei Trans — afirmou.
Apesar da liderança, a dirigente alertou para “o crescimento dos discursos de ódio e da violência” e afirmou que “os direitos previstos no papel não garantem necessariamente segurança na vida cotidiana”.
Após a Espanha, o ranking coloca Malta, Bélgica, Dinamarca e Islândia nas posições seguintes. Malta perdeu a liderança pela primeira vez em dez anos e obteve 88%, um ponto percentual abaixo da Espanha. A Dinamarca alcançou 85% após despatologizar identidades trans e renovar seu plano de igualdade.
Na outra ponta da lista, a Romênia aparece como o país da União Europeia menos favorável às pessoas LGBTIQ+, na 42ª posição.
Os últimos lugares do ranking são ocupados por Armênia, Belarus, Turquia, Azerbaijão e Rússia, que permanece na última colocação desde 2024.
Segundo o levantamento, a média de cumprimento dos critérios é de 52% entre os países da União Europeia e de 43% em todo o continente europeu. A ILGA-Europe alertou ainda para retrocessos em países antes considerados referência.
A França aparece em 15º lugar, com 60%; o Reino Unido ocupa a 22ª posição, com 44%; a Alemanha está em 7º, com 70%; e a Itália aparece em 36º, com 24%.
O texto informa ainda que o governo de direita de Portugal estuda reduzir a lei trans de 2018.
— Embora continuemos alertando para o retrocesso que observamos na Europa, celebramos a Espanha. O primeiro lugar nesse ranking é um exemplo contundente do que acontece quando um governo decide avançar na igualdade em vez de retroceder — diz Katrin.

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O secretário de Saúde e Serviço Social do Reino Unido, Wes Streeting, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, aumentando a pressão sobre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que está sob fogo aliado para entregar a liderança do governo e do Partido Trabalhista. Cotado entre os favoritos para assumir o posto em caso de uma queda de Starmer, o secretário disse ter “perdido a confiança” na liderança do premier em sua carta de renúncia.
Ligado a uma ala mais centrista do Partido Trabalhista, Streeting teve uma conversa com o premier no começo da semana, em meio a uma debandada de secretários do governo. A conversa, apontada pela imprensa britânica, durou menos de 20 minutos, sem maiores declarações públicas sobre o conteúdo. O secretário demissionário citou a reunião em sua carta de renúncia nesta quinta.
“Como você sabe pela nossa conversa no início desta semana, tendo perdido a confiança em sua liderança, concluí que seria desonroso e sem princípios continuar”, escreveu Streeting na mensagem endereçada a Starmer.
O influente representante trabalhista citou também a dura derrota do partido nas eleições regionais da semana passada. No primeiro desafio eleitoral sob a liderança de Starmer, a legenda perdeu cadeiras em uma extensa área do país, vendo em paralelo um avanço da extrema direita britânica, com uma ascensão destacada do Reform UK — um resultado que causou preocupação entre alas progressistas do país.
“Os resultados eleitorais da semana passada foram sem precedentes — tanto pela dimensão da derrota quanto pelas consequências desse fracasso. Pela primeira vez na história do nosso país, nacionalistas estão no poder em todos os cantos do Reino Unido — incluindo um perigoso nacionalismo inglês representado por Nigel Farage e o Reform UK”, escreveu Streeting, definindo o partido extremista como “uma ameaça aos valores e ideais” britânicos e ” uma ameaça existencial à integridade futura do Reino Unido”.
O agora ex-secretário citou também a falta de confiança dos setores progressistas nos trabalhistas, relacionando a crise do partido à “impopularidade do governo”, mencionando “erros individuais de política”, como a decisão de Starmer de cortar auxílio para combustível no inverno.
*Matéria em atualização
Quando o líder chinês, Xi Jinping, encontrou-se com o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta quinta-feira em Pequim, ele levantou uma questão importante: a China e os EUA podem evitar a “armadilha de Tucídides”? A expressão acadêmica vai ao cerne das ambições chinesas para o relacionamento entre os dois países.
‘O mundo está numa nova encruzilhada’: Xi faz alerta a Trump durante viagem oficial do presidente americano a Pequim
Contexto: Guerra no Irã projeta sombras na relação entre China e EUA e dá vantagem a Xi Jinping durante encontro com Trump
O termo foi popularizado pelo cientista político de Harvard Graham Allison no início da década de 2010, com base no antigo historiador grego Tucídides. Seu argumento: quando uma potência emergente desafia uma potência estabelecida, o conflito é inevitável. A pesquisa de Allison descobriu que esse padrão se repetiu diversas vezes ao longo da história, e ele usou essa perspectiva como uma lente para examinar a rivalidade entre EUA e China.
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Em termos simples, trata-se de tensão estrutural. A ascensão da China — econômica, tecnológica e militarmente — desafia o domínio de longa data dos Estados Unidos como superpotência mundial. Mesmo que nenhum dos lados busque o confronto, o risco é que a própria competição crie uma pressão difícil de controlar.
O uso do conceito por Xi Jinping remonta a pelo menos 2014, de acordo com analista Zichen Wang, que pesquisou as referências anteriores do líder ao conceito. Xi usou o termo mais recentemente em uma reunião com o presidente Joe Biden, em novembro de 2024, à margem da conferência da APEC no Peru.
O presidente da China, Xi Jinping, acompanha o presidente dos EUA, Donald Trump, durante recepção no Grande Salão do Povo, em Pequim
Brendan Smialowski/AFP
Com Irã, Taiwan e comércio em pauta: Trump diz a Xi Jinping que EUA e China terão ‘futuro fantástico juntos’
A mensagem do líder chinês tem sido consistente: o conflito não é inevitável. A perspectiva da China é que os dois lados devem encontrar uma maneira de coexistir, frequentemente descrita por Pequim como “respeito mútuo” e “cooperação ganha-ganha”.
Alguns em Washington são mais cautelosos ao usar o termo, com os formuladores de políticas dos EUA tendendo a enfatizar salvaguardas e gerenciamento de riscos.
Análise: Trump chega a China, que vê cada vez mais os Estados Unidos como um império em declínio
Há também um aspecto estratégico. Ao invocar o conceito, Pequim eleva as tensões entre EUA e China para além das disputas comerciais ou Taiwan, transformando-as em algo maior — um teste decisivo de como as grandes potências interagem.
Isso também reforça a posição da China como uma superpotência, comoos EUA, em vez de um país subordinado. Como Xi perguntou a Trump, podem a China e os EUA “criar um novo paradigma de relações entre grandes potências?”.
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados

O Plenário da Câmara dos Deputados pode votar, nesta quinta-feira (14), projetos sobre aposentadoria compulsória aos 75 anos de empregados públicos, transparência de gastos e medidas para combater crimes sexuais cometidos com uso de inteligência artificial, entre outros temas. A sessão está marcada para as 9 horas.

Entre os itens da pauta está o PL 2391/26, do deputado Luiz Carlos Hauly (Pode-PR). O texto regulamenta a aposentadoria compulsória aos 75 anos para empregados de empresas públicas, sociedades de economia mista e consórcios. A proposta prevê a permanência excepcional, por até cinco anos, em funções estratégicas de áreas como ciência e educação. A relatora é a deputada Bia Kicis (PL-DF).

Outra proposta relacionada à administração pública é o PL 3240/25, do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que proíbe o sigilo sobre informações de gastos da administração pública federal em situações previstas no projeto. O relator é o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Segue na pauta o PL 3066/25, do deputado Osmar Terra (PL-RS). O projeto cria medidas para enfrentar crimes sexuais contra crianças e adolescentes cometidos na internet com uso de inteligência artificial (IA) e outros recursos tecnológicos. A relatora é a deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA).

Na área econômica, pode ser votado o PL 699/23, do Senado. O texto cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), que concede benefícios tributários para fortalecer a produção nacional de fertilizantes. O relator é o deputado Júnior Ferrari (PSD-PA).

Também está em pauta o PL 2766/21, do deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP), que limita as multas por infrações contra consumidores. O valor poderá variar entre metade de um salário mínimo e 10 mil salários mínimos. O relator é o deputado Luiz Gastão (PSD-CE).

Pedido de urgência
Os deputados também podem analisar um pedido de urgência para o PL 5900/25, do deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) e de outros parlamentares.

O projeto impede que órgãos federais publiquem regras sobre manejo, criação, cultivo, transporte, licenciamento, crédito ou biossegurança de espécies usadas na produção agropecuária sem consultar antes o setor agrícola.

O estado da Paraíba receberá do governo federal R$ 6,18 milhões para reparar danos causados pelas tempestades que atingiram a região no início deste mês. A autorização do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional consta de portaria publicada no Diário Oficial da União.

O valor será repassado em parcela única, por meio de transferência legal prevista no Orçamento Federal para ações de proteção e recuperação de infraestrutura afetada.

O prazo estabelecido para a execução das medidas é de 180 dias. Pela norma, os recursos devem ser aplicados exclusivamente nas ações previstas no processo inserido no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) e aprovado pelo governo federal.

Ao final dos trabalhos, o ente beneficiário terá até 30 dias para apresentar a prestação de contas, conforme determina a legislação. 

Tempestades

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As fortes chuvas causaram mortes e levaram o governo a decretar estado de calamidade pública para agilizar as ações de socorro e reconstrução. Cerca de 16 mil pessoas foram impactadas pelas chuvas em todo o estado. 

Os maiores impactos concentram-se nos municípios de Bayeux, Rio Tinto, Mamanguape, Sapé, Ingá, João Pessoa e Cabedelo. O abastecimento de água chegou a ser interrompido na Grande João Pessoa.

O Corpo de Bombeiros resgatou mais de 300 pessoas. No total, foram mobilizados 746 militares, além de viaturas, embarcações e aeronaves em diversas cidades paraibanas.

O ministro de Minas e Energia de Cuba, Vicente de la O Levy, afirmou nesta quarta-feira que o país está sofre com um desabastecimento total de diesel e óleo combustível, essenciais para manter em funcionamento um sistema elétrico amplamente dependente de usinas termelétricas. A declaração à imprensa estatal ocorre em um momento em protestos contra o governo de Havana irrompem por causa de apagões constantes, enquanto a liderança da ilha caribenha culpa o bloqueio promovido pelos EUA pelo estado crítico do país.
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— A soma dos diferentes tipos de combustível: petróleo bruto, óleo combustível, do qual não temos absolutamente nada; diesel, do qual não temos absolutamente nada. Estou sendo repetitivo. A única coisa que temos é gás dos nossos poços, cuja produção aumentou — disse o ministro em entrevista à TV estatal, reconhecendo que a situação no país é “extremamente tensa”.
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A crise na ilha comunista se agravou após meses de um bloqueio quase total americano ao envio de combustível ao país. Desde o fim de janeiro, apenas um petroleiro russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto foi autorizado a atracar em Cuba, aliviando a crise em abril. O combustível, porém, já se esgotou, fazendo o país conviver com cortes de eletricidade que ultrapassam 19 horas diárias na capital — enquanto em várias províncias os apagões se estendem por dias inteiros.
A falta de energia já afeta o funcionamento de escolas e hospitais, segundo o governo. Dados oficiais compilados pela AFP apontam que 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia na terça-feira.
O desabastecimento provocou protestos pelo país. Na quarta-feira, dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres, algumas batendo panelas, protestaram contra os intermináveis apagões em San Miguel del Padrón, um bairro periférico de Havana. Durante a noite, moradores de vários bairros da capital também bateram panelas para expressar o cansaço, segundo depoimentos ouvidos pela AFP. “Acendam as luzes”, gritaram os moradores de Playa, um bairro na zona oeste da capital.
Mesmo antes do bloqueio americano aos combustíveis, que agravou a situação, o país comunista já convivia com apagões nos últimos anos. Além de depender de combustível importado — que vinha em grande parte da Venezuela, antes da intervenção americana que derrubou Nicolás Maduro —, o maquinário antigo utilizado pelo sistema cubano frequentemente precisou passar por manutenções longas nos últimos anos, interrompendo o fornecimento de energia. Havana tenta investir em meios renováveis com ajuda da China, incluindo a instalação de painéis solares.
Em meio à crise atual, o governo cubano culpa os EUA pela situação “particularmente tensa”. Em uma publicação na rede social X, o presidente Miguel Díaz-Canel disse que o “agravamento dramático” da situação no país tem “uma única causa: o bloqueio energético genocida ao qual os EUA submetem nosso país”. Washington, por sua vez, alega que a situação se deve à má gestão econômica interna em Cuba.
— É uma economia quebrada e disfuncional, e é impossível mudá-la. Eu gostaria que fosse diferente — disse o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, em declarações ao canal Fox News a bordo do Air Force One, quando viajava com o presidente Trump para a China. —Daremos uma oportunidade a eles. Mas não acredito que vai acontecer. Não acredito que possamos mudar o rumo de Cuba enquanto estas pessoas estiverem à frente desse regime.
Ajuda condicionada
O Departamento de Estado dos EUA afirmou na terça-feira que Washington está disposto a oferecer US$ 100 milhões (cerca de R$ 501 milhões do câmbio atual) para ajudar a superar a crise na ilha, condicionando a ajuda à coordenação da distribuição dos recursos pela Igreja Católica. O montante não seria transferido diretamente para os cofres do governo, mas sim na forma de “assistência humanitária direta ao povo cubano”.
“A decisão cabe ao regime cubano: aceitar nossa oferta de assistência ou negar a ajuda essencial para salvar vidas e, em última instância, prestar contas ao povo cubano por impedir o acesso a essa ajuda crucial”, acrescenta a nota americana.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, negou que a oferta tenha sido feita por canais oficiais, a chamando de “fábula” destinada a “enganar o povo de Cuba e os próprios americanos”. Na terça-feira, ele afirmou que “alguém deveria perguntar ao secretário de Estado dos EUA sobre a fábula do suposto oferecimento de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária a Cuba, que aqui ninguém conhece”. (Com AFP)
Em meio à pompa e ao clima de cordialidade com que Donald Trump foi recebido na China, o presidente dos Estado Unidos também ouviu alertas sobre os perigos que pairam sobre a relação entre as duas maiores economias do mundo. No primeiro dia de uma visita a Pequim que não vai durar nem 48 horas mas é cercada de expectativas, Trump teve uma reunião formal com o presidente Xi Jinping nesta quinta, seguida de uma visita ao Templo do Céu, uma construção do século 15 cheia de simbolismo histórico para a China. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Quase três semanas após a morte de uma família de quatro pessoas em Mumbai, na Índia, investigadores afirmam que ainda não descobriram exatamente o que aconteceu no caso que ficou conhecido na imprensa indiana como “mortes da melancia”.
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A família Dokadia, formada por Abdullah, sua mulher Nasreen e as filhas Ayesha e Zainab, foi encontrada morta dentro da própria residência em 25 de abril, na região de Pydhonie, no sul de Mumbai.
O caso ganhou ampla repercussão na mídia indiana após relatos de que uma melancia havia sido adulterada ou envenenada. Segundo reportagens locais, o casal e as duas filhas adolescentes morreram após consumir a fruta durante a noite. A repercussão chegou a provocar queda nos preços da melancia em mercados de Mumbai devido à redução da demanda.
Na semana passada, a polícia de Mumbai informou que exames forenses identificaram fosfeto de zinco como causa das mortes. O composto químico, descrito como extremamente tóxico e usado com frequência para matar ratos, foi encontrado nos órgãos das vítimas e nos restos da melancia consumida pela família.
Apesar disso, a investigação segue sem solução. A polícia ainda tenta determinar a motivação e descobrir como o veneno entrou na fruta.
— Ainda estamos reunindo provas e analisando todas as hipóteses de motivação — afirmou um alto oficial da polícia de Mumbai: — Não descartamos homicídio, morte acidental ou suicídio.
Segundo os primeiros comentários da polícia, a família havia recebido parentes para jantar na noite anterior às mortes. Durante o encontro, foi servido biryani, prato de arroz preparado com carne e especiarias aromáticas. Os convidados deixaram a residência às 22h30. Algumas horas depois, os Dokadia comeram melancia e começaram a passar mal.
— Todos começaram a sofrer com vômitos e diarreia. Eles foram levados para um hospital próximo e depois transferidos para o Hospital JJ. No entanto, infelizmente, os quatro morreram — explicou Pravin Mundhe, vice-comissário de polícia.
Investigação mudou foco após exame detectar fosfeto de zinco
Vizinhos correram para ajudar a família após perceberem o estado das vítimas. Entre eles estava o médico Zaid Qureshi, morador do quarto andar do prédio.
— Percebi que a mais nova entre as quatro pessoas estava com dificuldade para respirar. Fiz reanimação cardiopulmonar. No entanto, como o estado dela não melhorou, ela foi levada para um hospital próximo e morreu — relata Qureshi: — As outras três pessoas foram transferidas de um hospital local para o Hospital JJ.
Os relatórios das autópsias ainda são aguardados. A polícia apreendeu todos os alimentos encontrados na residência, incluindo as cascas da melancia, para investigar possível adulteração. Como a fruta foi o último alimento consumido pela família, a investigação inicialmente se concentrou nela.
O relatório do Laboratório de Ciências Forenses (FSL) de Mumbai mudou o foco da investigação para o fosfeto de zinco.
Vijay Thakare, diretor do FSL, afirmou que a substância foi “detectada nas amostras de vísceras dos falecidos — especificamente no fígado, rins e baço — assim como em amostras do conteúdo estomacal, bile e gordura abdominal”.
— O fosfeto de zinco também foi detectado na amostra de melancia — diz.
Pravin Mundhe afirmou ainda que o composto foi “detectado nas amostras de melancia recolhidas durante a investigação, embora não tenha sido encontrado em nenhuma outra amostra de alimento enviada para análise”.
Segundo reportagem do jornal Indian Express, o prédio onde a família morava tinha problemas com roedores. A publicação informou que muitos moradores utilizavam repelentes, blocos de veneno e armadilhas adesivas.
Bhushan Rokade, médico de Mumbai, descreveu o fosfeto de zinco como “um composto químico extremamente tóxico”.
— Uma vez ingerido ou ao entrar em contato com a umidade, esse produto químico gera gás fosfina, que impede as células do corpo de utilizarem oxigênio e provoca graves consequências em múltiplos órgãos — explicou: — Os sintomas incluem vômitos, sensação de aperto no peito, falta de ar e estado de choque. Mesmo em quantidades muito pequenas, pode ser fatal.
Na quarta-feira, um alto oficial da polícia afirmou à BBC que os investigadores continuam tentando descobrir como o veneno foi parar na fruta. Segundo ele, entre 40 e 50 pessoas já foram interrogadas, incluindo parentes, amigos, familiares, vizinhos e colegas de trabalho de Abdullah Dokadia.
Um cidadão americano foi condenado por ajudar a administrar o que autoridades classificaram como a primeira “estação policial secreta” conhecida dos Estados Unidos ligada ao governo da China. O veredito foi emitido por um júri federal de Nova York após um julgamento de uma semana.
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Segundo os jurados, Lu Jianwang, de 64 anos, abriu e operou a estação em nome do Ministério da Segurança Pública da China (MPS, na sigla em inglês). A estrutura funcionava no bairro de Chinatown, em Manhattan, no início de 2022.
Lu Jianwang, também conhecido como Harry Lu e morador de Nova York, foi considerado culpado de atuar como agente ilegal do governo chinês em conexão com a operação da estação. Ele também foi condenado por obstrução da Justiça e destruição de provas relacionadas ao caso.
De acordo com os promotores, Jianwang pode enfrentar até 30 anos de prisão.
O co-réu no caso, Chen Jinping, declarou-se culpado em dezembro de 2024 da acusação de conspiração para atuar como agente da República Popular da China em conexão com a estação policial no exterior. Segundo a rede BBC, ele aguarda sentença.
— Lu Jianwang utilizou uma estação policial na cidade de Nova York para perseguir dissidentes da RPC em apoio à agenda política do governo chinês — explicou James C. Barnacle Jr., diretor assistente responsável do FBI.
Autoridades falam em rede global
Segundo a BBC, pelo menos 100 estações desse tipo foram registradas em 53 países. Grupos de direitos humanos acusam a China de usar esses postos para ameaçar e monitorar cidadãos chineses no exterior, além de ajudar Pequim a identificar ativistas pró-democracia que vivem nos Estados Unidos.
A China negou que os locais sejam delegacias. Segundo o governo chinês, os espaços funcionam como “centros de serviço”, oferecendo assistência durante a pandemia e renovação de carteiras de motorista.
A estação em Chinatown ocupava um andar inteiro acima de uma loja de lámen em Nova York. O local foi fechado no outono de 2022, após o FBI iniciar uma investigação.
Segundo os promotores, Chen Jinping e Lu Jianwang destruíram mensagens de texto trocadas com um funcionário do Ministério da Segurança Pública da China quando souberam da investigação.
A eventual eleição de uma mulher para o cargo mais alto das Nações Unidas seria uma questão de “justiça histórica”, segundo a ex-chanceler equatoriana María Fernanda Espinosa, uma das candidatas a dirigir a organização.
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A também ex-ministra da Defesa manifestou seu “profundo amor” pela ONU ao anunciar sua candidatura ao cargo de secretária-geral do organismo. Espinosa disputa com outros quatro concorrentes, três deles mulheres, para exercer o cargo a partir de 2027.
“Há quem diga que já está na hora” de uma mulher liderar a ONU, “e eu acredito que é uma questão de justiça histórica”, disse Espinosa à AFP.
— Mas também acredito que é uma questão de mérito, de colocar todo o conjunto de méritos, experiência e conhecimentos a serviço das Nações Unidas — explica: — Não podemos deixar metade da população mundial fora dessa possibilidade. E acredito que, se realmente queremos mudança e transformação, por que não ter, depois de 80 anos, uma mulher, e a mulher adequada, liderando a organização?
Ela também apontou a necessidade de ter “diferentes perspectivas” em tempos considerados perigosos.
Enquanto o mundo enfrenta o agravamento de guerras no período posterior à Segunda Guerra Mundial, o atual processo de seleção ocorre em meio a uma crise política e financeira, além de acusações de inação dirigidas à ONU.
Nesse contexto, Espinosa, de 61 anos, afirmou que “a ONU precisa se adaptar aos tempos que vivemos agora. Não o contrário”.
A candidata também defendeu reformas mais amplas do que as anunciadas pelo atual secretário-geral da organização, António Guterres.
Candidata propõe sistema de alerta precoce para conflitos
Espinosa propõe a criação de um sistema de “alerta precoce” para detectar sinais de conflitos iminentes e permitir intervenções antes da escalada da violência. A proposta foi apresentada em seu documento de “visão”, com apoio de Antígua e Barbuda.
— O que precisamos é de uma líder que se envolva totalmente, que tenha muita energia, que conheça o sistema e que seja capaz de agir rapidamente para prevenir um conflito — afirmou: — É um trabalho difícil, mas quando você sabe como fazê-lo, se tem confiança no seu estilo de liderança, acredito que a ONU pode… olhar para o século XXI com mais esperança e com esse sentimento de possibilidade.
Ela afirmou ainda que a transformação da organização não deve depender de uma única pessoa, mas resultar de um “impulso político” conduzido sob uma “liderança firme”.
Apesar dos crescentes ataques ao multilateralismo, Espinosa declarou que “a ONU é a única plataforma universal para abordar os desafios comuns da humanidade”.
Embora tenha ampla experiência dentro das Nações Unidas, a candidata evita comparações com os demais concorrentes da disputa: a chilena Michelle Bachelet, o argentino Rafael Grossi, a costarriquenha Rebeca Grynspan e o senegalês Macky Sall.
O deputado federal argentino Manuel Quintar, integrante da base do presidente Javier Milei, chamou atenção nesta quarta-feira ao chegar ao Congresso da Argentina dirigindo uma Tesla Cybertruck, veículo avaliado no mercado local entre 200 mil e 300 mil dólares — o equivalente a até R$ 1,5 milhão.
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Segundo o jornal argentino La Nación, pessoas próximas ao parlamentar afirmaram que Quintar importou o automóvel diretamente dos Estados Unidos por cerca de US$ 126 mil e registrou o veículo em seu próprio nome. A Tesla não possui operação oficial na Argentina, o que torna a importação ainda mais cara.
Ligado ao partido governista La Libertad Avanza, Quintar tentou minimizar a repercussão ao comentar o caso.
— Não deveria ser novidade que alguém que trabalha desde os 13 anos e tem escritório de advocacia desde os 23 possa comprar legalmente uma caminhonete. Isso faz parte da batalha cultural que estou travando — declarou ao La Nación.
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Advogado e empresário do setor de saúde em Jujuy, o deputado administra clínicas particulares e organizações de assistência médica ligadas à família. Antes de ingressar na legenda de Milei, Quintar teve passagem pelo Partido Justicialista e disputou eleições provinciais em 2021.
Nos bastidores da política argentina, ele é visto como um aliado do núcleo político liderado por Karina Milei, irmã do presidente, e mantém disputas internas dentro da própria base governista.
A aparição com o veículo de luxo gerou desconforto até mesmo entre integrantes do governo argentino. O episódio ocorre em meio ao desgaste enfrentado pela gestão Milei após semanas de críticas relacionadas à situação econômica do país e aos recentes cortes orçamentários anunciados pela administração federal.
Nesta semana, o governo promoveu um ajuste equivalente a quase US$ 2,5 trilhões no orçamento argentino para cumprir metas fiscais acertadas com o FMI. Áreas como saúde, educação e programas públicos de prevenção foram atingidas pelas medidas.
A oposição aproveitou a repercussão da Cybertruck para aumentar as críticas ao governo. A deputada Myriam Bregman publicou um vídeo do veículo nas redes sociais e ironizou o discurso de austeridade defendido pelos libertários.

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