‘Violação do cessar-fogo’: Premier de Israel ordena ataques contra o Hezbollah no Líbano e acusa violações de cessar-fogo
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“O governo brasileiro tomou conhecimento, com consternação e pesar, das mortes, em 26/4, de criança brasileira, de 11 anos, de sua mãe, também brasileira, e de seu pai libanês, vítimas de ataque das Forças de Defesa de Israel”, diz o comunicado do Itamaraty, que criticou ainda o uso da força e os ataques de Israel contra o território libanês:
“Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, as quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil)”.
O Líbano abriga a maior comunidade de brasileiros no Oriente Médio. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, cerca de 22 mil cidadãos do Brasil viviam no país em 2023.
Em meio ao frágil cessar-fogo no Líbano, o presidente Joseph Aoun criticou o Hezbollah nesta segunda-feira, afirmando que “a traição é cometida por aqueles que levam seu país à guerra para alcançar interesses estrangeiros”. Em comunicado divulgado por seu gabinete, Aoun também recusou todo acordo “humilhante” com Israel no termo das negociações, cuja última rodada foi mediada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou a extensão da trégua no território libanês por três semanas, na última quinta-feira — apesar de os confrontos entre as partes seguirem desde então.
“Informamos ao lado americano, que conduz os esforços – o que foi apreciado – desde o primeiro momento, que um cessar-fogo é um primeiro passo necessário para quaisquer negociações subsequentes” com Israel, disse o presidente libanês.
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Na última quinta-feira, quando Trump anunciou a extensão do cessar-fogo, o Departamento de Estado americano afirmou, em comunicado, que “Israel não realizará nenhuma operação militar ofensiva contra alvos libaneses, incluindo alvos civis e militares, bem como outros alvos estatais em território libanês, por terra, mar e ar”. Mas, desde então, a realidade é outra.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio no início de março, quando lançou foguetes contra Israel em vingança pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Israel, então, respondeu com bombardeios e uma invasão terrestre.
Apesar dos recorrentes ataques e de dizer que o grupo continuará a lutar contra a “agressão” israelense no sul do Líbano, o líder do Hezbollah pediu, também nesta segunda-feira, o retorno das negociações indiretas com Israel.
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Em paralelo ao apelo e às críticas de Aoun, as Forças Armadas israelenses (IDF, na sigla em inglês) afirmaram que mataram três membros do Hezbollah em um ataque aéreo próximo à linha de defesa no sul do Líbano, no domingo. As IDF também informaram que várias estruturas militares do grupo foram atingidas na mesma área, incluindo o que descreveu como o quartel-general do setor de Bint Jbeil.
Leia a íntegra da nota do governo brasileiro
“O governo brasileiro tomou conhecimento, com consternação e pesar, das mortes, em 26/4, de criança brasileira, de 11 anos, de sua mãe, também brasileira, e de seu pai libanês, vítimas de ataque das Forças de Defesa de Israel. Outro filho do casal, igualmente brasileiro, encontra-se hospitalizado. A família encontrava-se em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no Sul do Líbano, no momento do bombardeio.
Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, as quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).
Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah. Condena, ainda, as demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano, levadas a efeito, ao longo das últimas semanas, pelas forças israelenses, e a persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses.
Nesse contexto, o Brasil exorta as partes ao cumprimento integral dos termos da Resolução 1701 (2006) do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que estabeleceu os termos do cessar-fogo que encerrou a guerra de 2006, e à imediata cessação das hostilidades, com a retirada completa das forças israelenses do território libanês.
A Embaixada do Brasil em Beirute está em contato com a família dos brasileiros falecidos para prestar assistência consular, incluindo para o filho hospitalizado”.








