Guerra no Oriente Médio: Acompanhe a cobertura completa
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Cerca de 40 alvos foram atacados em Teerã nesta quinta-feira, incluindo uma sede da unidade especial responsável por todas as forças de segurança interna do regime, apontou um comunicado militar que descreveu a ofensiva como a 12ª onda de ataques à capital iraniana. O ataque foi realizado com 90 caças da Força Aérea israelense e despejou sobre os alvos iranianos cerca de 200 munições, ainda de acordo com o comunicado.
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“O quartel-general [atacado na quinta] comanda todas as unidades especiais do regime terrorista iraniano na província e serve para dirigir as Forças Armadas do regime”, detalhou o comunicado, mencionando também alvos ligados à Guarda Revolucionária do Irã e das forças Basij, milícia do regime com participação notória na repressão a dissidências internas.
A ação com intenso poder de fogo ocorre em um momento em que as autoridades israelenses e dos EUA escalam as operações e fortalecem a retórica em torno do esforço de guerra. Em um comentário sobre uma conversa com o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou ter recebido um pedido do aliado americano para prosseguir com a operação “até o fim”.
“O secretário de Defesa [dos EUA] disse: ‘Sigam em frente até o fim, estamos com vocês'”, disse Katz, citado em um comunicado do Gabinete do Ministro israelense.
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Apesar da confirmação de baixas entre os militares americanos e das perdas civis em Israel, o ataque conjunto dos aliados tem provocado danos muito mais extensos ao regime iraniano. A eliminação do líder supremo, Ali Khamenei, nas primeiras horas de guerra, foi apenas o começo de uma conflito que se propõe a eliminar todas as capacidades de projeção de poder do Irã — embora um objetivo citado de forma marginal pelos EUA seja uma mudança de regime. Estimativas atualizadas por organizações humanitárias apontam que 1.230 pessoas morreram no país desde o início do conflito.
O regime iraniano lançou uma extensa campanha de retaliação que alcançou toda a região — que fontes com conhecimento sobre o regime afirmam ter sido planejada pelo próprio Khamenei. A fim de prevenir tentativas de tomada do poder, enquanto a liderança está entrincheirada para fugir dos ataques aéreos, Teerã bombardeou grupos curdos no Iraque — que fontes americanas sugeriram estar nos planos dos EUA para acrescentar pressão no solo — e bloqueou o acesso à internet no país — segundo o monitor NetBlocks, que monitora a atividade on-line no país a partir das redes sociais, a conectividade atual é de cerca de 1%.
O regime acusou Israel e EUA de estarem realizando “ataques deliberados” contra áreas civis. Em uma publicação nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano Esmail Baqai afirmou que o povo “está sendo brutalmente massacrado” e que os inimigos atingem de “áreas civis e qualquer lugar que acreditam que provocará o máximo sofrimento e perdas humanas”.
Frente de guerra norte
As forças israelenses também realizaram novos avanços contra o Líbano nesta quinta-feira, um dia após alertarem que toda a população do sul do país deveria se deslocar para a margem norte do rio Litani, liberando a zona onde o governo afirmou que pretende criar uma zona de segurança livre do movimento xiita Hezbollah. Novos bombardeios atingiram redutos do grupo em Beirute e no leste e sul do país.
A agência estatal de notícias libanesa ANI afirmou que um ataque entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta matou um dos com movimento Hamas — movimento palestino aliado ao Hezbollah como parte do “Eixo da Resistência” — em um campo de refugiados palestinos no norte do Líbano. Wasim Atallah al-Ali e sua esposa morreram quando “um drone inimigo atacou sua residência” no campo de Beddawi, perto de Trípoli, noticiou a agência, descrevendo Ali como um “alto comandante do Hamas”.
Imagens divulgadas pelo Exército israelense mostram soldados em atuação no território libanês, por terra. Uma gravação de vídeo mostrou também um bombardeio a um complexo que a inteligência militar disse reunir dezenas de combatentes inimigos. Balanços parciais afirmam que 77 pessoas morreram no Líbano desde que os confrontos se estenderam para o país na segunda-feira. O governo local não se envolveu diretamente nos combates, mas condenou os ataques lançados pelo Hezbollah, anunciando uma proibição às atividades armadas do grupo. Autoridades prometeram nesta quinta não permitir que atividades da Guarda Revolucionária do Irã se espalhem pelo país. (Com AFP)









