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Nas últimas semanas, ele criticou duramente os líderes europeus por não apoiarem a guerra, que já matou milhares de pessoas e abalou a economia global. Trump anunciou no domingo que os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz e continuar as negociações para pôr fim à guerra. Mas o conflito e o aumento dos preços da energia que ele causou provavelmente ainda dominariam as reuniões.
— Qual Trump vai se apresentar? Estará com espírito de luta? Ele pode querer aparecer para repreender os aliados por não se mobilizarem para lutar no Golfo — perguntou Heidi E. Crebo-Rediker, pesquisadora sênior do Conselho de Relações Exteriores.
Espera-se que Trump se encontre com o presidente francês, Emmanuel Macron, na noite de hoje, antes de realizar reuniões em grupo com outros líderes mundiais na terça e quarta-feira. Trump buscará o apoio desses países para a remoção das minas iranianas do Estreito de Ormuz, assim que este for reaberto, de acordo com altos funcionários do governo que falaram sob condição de anonimato para antecipar a cúpula. Ele também se reunirá com os líderes de Catar, Egito e Emirados Árabes Unidos.
O governo americano também espera fechar novos acordos de investimento com essas nações e discutir temas como minerais críticos, inteligência artificial e imigração ilegal, segundo os funcionários. Este último tema, a imigração, pode abrir caminho para que Trump entre em conflito com os líderes europeus que questionam seu governo.
Após o chanceler alemão, Friedrich Merz, ter afirmado, em abril, que os Estados Unidos estavam sendo “humilhados” pelos negociadores iranianos, Trump o acusou de “interferir” no conflito, escrevendo nas redes sociais que ele deveria dedicar mais tempo a “consertar seu país em crise, especialmente a imigração”. Apenas alguns dias depois, o Pentágono anunciou a retirada de 5.000 soldados da Alemanha.
E há pouco mais de uma semana, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, usou um discurso sobre o Dia D na França para criticar a Europa por suas políticas migratórias, afirmando que “ideologias perigosas” estavam invadindo as costas do continente, em uma situação que ele comparou a uma “invasão”.
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Afastamento da Europa
Trump há muito tempo é o elemento destoante nas reuniões dos líderes do G7, que representam sete das maiores economias industrializadas do mundo: Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos. Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump abandonou abruptamente a cúpula realizada no Canadá, após impor tarifas ao país anfitrião, antagonizar aliados dos EUA e pedir que os países ocidentais se aproximassem da Rússia.
No ano passado, na primeira reunião do G7 de seu segundo mandato, ele protagonizou um espetáculo semelhante. Ele defendeu a readmissão da Rússia à aliança, que havia sido expulsa em 2014 após atacar a Ucrânia e “anexar” a Crimeia, um prelúdio para sua invasão em larga escala em 2022. Ele proclamou que, se a Rússia tivesse sido readmitida, a guerra na Ucrânia teria sido evitada. Em seguida, deixou a cúpula mais cedo para se juntar a Israel na realização de ataques no Irã. No ano que se seguiu, Trump tornou-se ainda mais isolado.
Em sua visita à Suíça, em janeiro, para participar do Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente americano ameaçou impor uma nova rodada de tarifas contra as nações europeias, a menos que estas cedessem às suas exigências de que os Estados Unidos anexassem a Groenlândia. Isso levou alguns líderes a alertarem que a era de tratar os Estados Unidos como um aliado confiável parecia ter chegado ao fim, substituída pelo que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, chamou de “ruptura”.
— Isso levou a uma verdadeira quebra de confiança e à sensação de que os Estados Unidos não são realmente um parceiro confiável — afirmou Max Bergmann, diretor do Programa Europa, Rússia e Eurásia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
Especialistas afirmam que a dinâmica das reuniões deste ano será notavelmente diferente. No ano passado, os líderes demonstraram deferência a Trump, na esperança de que os Estados Unidos continuassem a apoiar a Ucrânia e pudessem persuadir a Rússia a cessar sua agressão.
Os líderes europeus também buscavam fechar acordos comerciais, visto que o presidente ameaçava repetidamente e impunha tarifas para obter concessões de seus parceiros comerciais. Além disso, temiam uma guerra mais ampla no Oriente Médio, após o ataque surpresa de Israel ao Irã, e havia ainda uma preocupação generalizada com o aumento vertiginoso dos preços dos combustíveis, causado pela invasão russa da Ucrânia.
Este ano, distanciaram-se da guerra com o Irã, iniciada pelos Estados Unidos ao lado de Israel em fevereiro, ou até mesmo a criticaram abertamente. Pregam a autossuficiência e se afirmam como líderes da campanha para o fim da guerra na Ucrânia. E as preocupações com o aumento vertiginoso dos preços da energia são dominadas pela guerra com o Irã, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz e que Trump tem lutado para encerrar.
Mas o líder republicano sinalizou que retaliará contra seus críticos europeus. Além da retirada de tropas da Alemanha, ele também fez ameaças veladas aos aliados europeus na Otan, questionando se os EUA deveriam defendê-los em caso de ataque, visto que não apoiaram a guerra com o Irã.
— O que estamos vendo cada vez mais é que os europeus começam a pensar em uma vida com menos Estados Unidos — disse Bergmann. — Estamos vendo isso em relação à Ucrânia, em particular, onde a União Europeia se mobilizou e se tornou a principal financiadora do país.
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Ucrânia na pauta
O presidente Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, participará da cúpula, e ele e Trump participarão de uma sessão de trabalho na terça-feira. Mas um alto funcionário do governo americano disse que os dois líderes não tinham um encontro a sós agendado. No domingo, antes de viajar para a cúpula, Trump conversou por telefone com Zelensky e com o presidente Vladimir Putin, da Rússia, segundo um funcionário da Casa Branca que falou sob condição de anonimato para confirmar as conversas.
Zelensky propôs conversas presenciais com Putin para tentar pôr fim à guerra. Ele quer que os europeus desempenhem um papel mais proeminente no processo, preocupado com o fato de os EUA estarem distraídos pelo conflito no Irã.
Os membros europeus do G7 querem persuadir Trump de que a posição da Ucrânia se fortaleceu, que a Europa agora está arcando com o ônus financeiro, militar e político do esforço de guerra ucraniano e que o G7 deve chegar a um acordo sobre como abordar negociações significativas com Putin.
Trump ainda demonstra que pode ser influenciado pelos europeus, principalmente quando confrontado com bajulação ou pompa. O Rei Carlos III conseguiu apaziguar as tensões entre os Estados Unidos e o Reino Unido — pelo menos brevemente — durante sua visita de Estado a Washington, em maio. Macron agradou Trump durante sua visita a Paris, em 2017, quando o recebeu para jantar na Torre Eiffel.
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O presidente francês tentará impressionar Trump mais uma vez. Ele já adiou o início da cúpula para atender ao desejo de Trump de comparecer ao evento do Ultimate Fighting Championship (UFC) na Casa Branca, em seu aniversário de 80 anos. Além disso, Macron deverá jantar com Trump na quarta-feira à noite no Palácio de Versalhes, a luxuosa residência da realeza francesa.
Será a maneira que Macron encontrou de celebrar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, poucos dias depois de Trump ter marcado a data com lutas em gaiola na Casa Branca.]
Além das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, um dos temas centrais que serão debatidos no encontro é o avanço da inteligência artificial. A França convidou cerca de uma dúzia de executivos seniores do setor de tecnologia, incluindo Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, CEO da Anthropic, para discutir as mais recentes tecnologias de IA e as possíveis ameaças e oportunidades que elas oferecem. A proteção das crianças online e da infraestrutura digital também estará na agenda, mas não a tributação das gigantes digitais.
(Com New York Times)







