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Diante da possibilidade de uma ofensiva terrestre dos Estados Unidos, o Irã iniciou uma ampla mobilização militar e civil, reforçando suas defesas em pontos estratégicos do Golfo Pérsico e ameaçando ampliar ataques na região, segundo o Wall Street Journal. O governo também passou a convocar a população para um esforço de guerra nos moldes do conflito contra o Iraque nos anos 1980, incluindo o recrutamento de menores de idade para funções de apoio.
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A medida é alvo de críticas de organizações internacionais. A Anistia Internacional afirma que o recrutamento de crianças a partir dos 12 anos para a força voluntária Basij, ligada à Guarda Revolucionária, pode configurar crime de guerra. Segundo a entidade, relatos de testemunhas e análise de vídeos indicam que menores foram mobilizados em postos de controle e patrulhas, alguns armados com fuzis de assalto.
O movimento ocorre após o presidente americano, Donald Trump, ordenar o envio de milhares de fuzileiros navais e tropas aerotransportadas ao Oriente Médio. Embora Washington não tenha confirmado planos de invasão, o deslocamento ampliou as opções militares dos EUA, levando Teerã a intensificar preparativos e retórica de confronto.
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Segundo analistas, o regime iraniano aposta em um cenário de combate prolongado e assimétrico, no qual poderia compensar sua inferioridade aérea frente aos EUA e Israel impondo custos elevados a uma eventual operação terrestre.
Defesa reforçada e cenários de confronto
Um dos focos da preparação é a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país e considerada um alvo provável em caso de invasão. Autoridades iranianas afirmam que o local teve suas defesas ampliadas, com reforço de sistemas de mísseis guiados, instalação de minas costeiras e preparação de armadilhas em instalações estratégicas.
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Especialistas avaliam que o Irã também vem transformando ilhas do Golfo em verdadeiras posições fortificadas, com túneis subterrâneos e arsenais prontos para resistir a ataques. Essas áreas seriam defendidas com mísseis, drones e outras munições, dificultando qualquer tentativa de avanço estrangeiro.
Outro ponto de atenção é o uso crescente de drones de visão em primeira pessoa (FPV), tecnologia já empregada por milícias apoiadas por Teerã no Iraque e que, segundo analistas, está disponível em maior escala para a Guarda Revolucionária. Nesse cenário, analistas apontam que uma eventual ofensiva americana poderia ter como alvo justamente Kharg, em uma tentativa de interromper ou controlar as exportações de petróleo iranianas. Outras hipóteses incluem a captura de ilhas no Estreito de Ormuz, como Abu Musa, ou operações de forças especiais voltadas ao programa nuclear, como a apreensão de estoques de urânio enriquecido.
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Em caso de ataque, o Irã poderia lançar mísseis e drones a partir de múltiplos pontos do território, incluindo a ilha de Qeshm e a região de Bushehr. A dispersão dessas bases dificultaria a neutralização rápida das capacidades ofensivas do país. Segundo especialistas, tropas invasoras enfrentariam resistência intensa a partir de túneis fortificados, com uso de drones de baixo custo e sistemas portáteis de defesa aérea.
— Não há meio-termo nesse tipo de operação. Qualquer alternativa limitada tende a resultar em pesadas baixas — avalia Gleb Irisov, ex-oficial da Força Aérea russa.
Estratégia iraniana
A estratégia iraniana não se limita à defesa territorial. O governo sinalizou que pretende ampliar o conflito para toda a região do Golfo, elevando o custo político e econômico de uma intervenção americana. Nos últimos dias, o país já conseguiu interromper boa parte das exportações de petróleo da região e atingir instalações e aeroportos. Autoridades iranianas indicaram a países vizinhos que poderão expandir os alvos para plataformas de petróleo em alto-mar caso suas ilhas sejam atacadas.
Infraestruturas críticas, como usinas de energia e plantas de dessalinização, essenciais para o abastecimento de água, também estão na lista de possíveis alvos.
— O Irã quer tornar qualquer desembarque americano o mais custoso e politicamente insustentável possível — afirma Sanam Vakil, diretora do programa para Oriente Médio da Chatham House. — A tendência é começar com ataques massivos de drones e, depois, ampliar a retaliação para países vizinhos.
Força militar e mobilização interna
De acordo com centros de análise militar, o Irã dispõe de cerca de um milhão de militares entre ativos e reservistas, incluindo aproximadamente 190 mil integrantes da Guarda Revolucionária. Apesar do grande contingente, boa parte dessas forças enfrenta limitações, como treinamento desigual e equipamentos considerados obsoletos em muitos casos.
Ainda assim, o país aposta em vantagens estratégicas, como o terreno montanhoso e a experiência acumulada em conflitos assimétricos ao lado de milícias regionais. Na faixa costeira, onde uma eventual invasão teria início, as tropas são consideradas mais experientes, já que o interior do país não registra combates diretos desde a guerra com o Iraque.
A Marinha da Guarda Revolucionária também é vista como peça-chave. Com centenas de embarcações rápidas equipadas com mísseis, torpedos e minas, a força tem histórico de confrontos e provocações no Golfo Pérsico, que se intensificaram no atual cenário.
Paralelamente à preparação militar, o governo iraniano intensificou o controle interno e iniciou uma campanha de mobilização popular. Em cidades como Isfahan, há relatos de novos postos de controle operados por forças de segurança.
No domingo, autoridades lançaram a campanha “Janfada” (“Sacrifício”), voltada ao recrutamento de voluntários para apoiar o esforço de guerra. A Guarda Revolucionária afirma que a iniciativa inclui adolescentes a partir de 12 anos, destinados a funções de apoio, como logística, atendimento médico e vigilância em postos de controle. Organizações de direitos humanos dizem ter recebido relatos de mortes de menores nessas atividades. Mesmo sem dados precisos sobre a adesão, agências ligadas ao governo falam em milhões de voluntários.
Analistas avaliam que, diante de uma invasão, o nacionalismo tende a prevalecer, unindo setores de uma sociedade marcada por divisões políticas.
— A integridade territorial é uma linha vermelha para a maioria dos iranianos, apoiem ou não o regime — afirma a ativista Azam Jangravi, que deixou o país após protestos contra o uso obrigatório do véu.

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O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou neste sábado que o Exército da Rússia enfrenta na Ucrânia uma força “agressiva” apoiada pela Otan, ao usar seu discurso do Dia da Vitória para reforçar a narrativa de Moscou sobre a guerra e exaltar soldados envolvidos na ofensiva militar.
“O grande sucesso da geração vitoriosa inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial [na Ucrânia]. Eles enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan”, declarou Putin diante de centenas de militares reunidos na Praça Vermelha, em Moscou.
“Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre”, acrescentou.
O presidente russo, Vladimir Putin, participa de uma cerimônia de deposição de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, durante o desfile do Dia da Vitória, em Moscou
Alexander Nemenoiv /AFP
A comemoração pelos 81 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista ocorreu em formato reduzido e sob forte esquema de segurança, após a entrada em vigor, de última hora, de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O cessar-fogo afastou, ao menos temporariamente, o risco de ataques de drones ucranianos durante o evento — temor que pairava até as últimas horas sobre uma das datas mais simbólicas do calendário político russo.
Desfile enxuto e aliados em número reduzido
O tradicional desfile na Praça Vermelha durou apenas 45 minutos, começou às 10h no horário local (7h GMT) e terminou às 10h45. Pela primeira vez em quase duas décadas, Moscou reduziu significativamente a pompa da celebração: não houve exibição de armamentos, tampouco desfiles de cadetes ou de escolas militares.
Diferentemente do ano passado, quando cerca de 20 líderes internacionais — entre eles representantes de China e Brasil — estiveram presentes, desta vez compareceu apenas um grupo mais restrito de aliados, como os presidentes de Belarus, Cazaquistão e Laos, o rei da Malásia e o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.
Segundo imagens exibidas pela televisão estatal russa, soldados da Coreia do Norte participaram das comemorações. Em 2025, militares norte-coreanos ajudaram Moscou a expulsar tropas ucranianas da região russa de Kursk.
No centro da capital, a internet móvel foi interrompida e diversas ruas ficaram praticamente vazias, sob rígidas medidas de segurança.
Trégua abre nova frente diplomática
Após duas tentativas frustradas de cessar-fogo nesta semana — primeiro proposta por Kiev e depois por Moscou — Trump anunciou na sexta-feira um novo acordo de trégua de três dias, acompanhado por uma troca de mil prisioneiros de cada lado.
“Esperamos que este seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Pouco depois, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, aceitou a trégua e ordenou às Forças Armadas ucranianas que não realizassem ataques contra o desfile em Moscou.
“A Praça Vermelha é menos importante para nós do que a vida dos prisioneiros ucranianos que podem ser repatriados”, afirmou Zelenski.
Moscou também confirmou adesão ao cessar-fogo e ao acordo de troca de prisioneiros.
Após mais de quatro anos de guerra, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Trump afirmou que o fim do conflito está “cada vez mais próximo”, enquanto conversas entre negociadores ucranianos e americanos foram retomadas nesta semana na Flórida. Segundo Zelenski, enviados de Washington devem chegar à Ucrânia nas próximas semanas.
As equipes de resgate da Indonésia retomaram neste sábado a operação para localizar os corpos de três excursionistas mortos na erupção do monte Dukono, um dos vulcões mais ativos do país, em uma área de acesso proibido na ilha de Halmahera.
O vulcão entrou em erupção na manhã de sexta-feira, lançando uma gigantesca coluna de cinzas a cerca de 10 quilômetros de altura em uma região sem povoados ou vilarejos próximos.
Segundo o chefe da polícia local, Erlichson Pasaribu, a erupção matou dois excursionistas de Singapura e um indonésio. Oficialmente, porém, a agência nacional de busca e resgate ainda os considera desaparecidos até a recuperação dos corpos.
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Outros 17 montanhistas — entre eles nove singapurenses — conseguiram descer da montanha, em sua maioria sem ferimentos.
Busca ocorre sob risco de nova erupção
A operação de resgate havia sido interrompida na noite de sexta-feira por causa da atividade contínua do vulcão, que seguia emitindo estrondos e sinais de instabilidade.
Neste sábado, os trabalhos foram retomados com mais de 100 socorristas, incluindo policiais e militares, com apoio de drones para monitoramento aéreo da área.
“Estamos correndo contra o tempo nessa busca. Quando a situação e as condições forem seguras, vamos nos aproximar da cratera, e quando houver uma erupção, precisamos colocar toda a equipe de busca em segurança”, afirmou Iwan Ramdani, funcionário da agência de busca e resgate, em vídeo gravado na estação de monitoramento de Dukono, na vila de Mamuya.
Informações preliminares apontam que os corpos dos dois turistas de Singapura estariam entre 20 e 30 metros da borda da cratera. O paradeiro do excursionista indonésio, no entanto, ainda é desconhecido.
O caso reacende o alerta sobre incursões em áreas vulcânicas de alto risco na Indonésia, país localizado no Anel de Fogo do Pacífico e que abriga quase 130 vulcões ativos.
As autoridades venezuelanas exumaram nesta sexta-feira o corpo de Víctor Hugo Quero Navas, preso político cuja morte ocorreu em julho de 2025, mas só foi oficialmente reconhecida pelo Estado nesta quinta-feira — um intervalo de nove meses que provocou forte reação da sociedade civil, de organizações de direitos humanos e da oposição.
Familiares de Quero Navas denunciaram durante meses seu “desaparecimento forçado” e afirmam tê-lo procurado por 16 meses sem qualquer resposta oficial. Acusado de supostos atos de “terrorismo”, ele se somou a centenas de presos políticos detidos no país sob acusações semelhantes.
Segundo as autoridades, Quero Navas foi preso em janeiro de 2025. Desde então, sua mãe, Carmen Teresa Navas, de 81 anos, iniciou uma busca incansável pelo filho — sem jamais conseguir visitá-lo ou obter informações concretas sobre seu paradeiro.
Após a exumação, Carmen conseguiu reconhecer o corpo e providenciar um novo enterro em outro cemitério. Dois padres acompanharam o procedimento, registrado pela jornalista venezuelana Maryorin Méndez, colaboradora da AFP, que documentou o desaparecimento de Quero ao longo de meses.
Peritos forenses exumam o corpo do preso político Víctor Quero Navas no cemitério Parque Jardín La Puerta, em Caracas, em 8 de maio de 2026
AFP
Caso expõe ferida aberta
Segundo a ONG Foro Penal, 19 presos políticos morreram sob custódia do Estado venezuelano desde 2014. A organização calcula em 454 o número de pessoas presas por razões políticas na Venezuela até o fim de abril.
O caso de Quero, porém, marca um precedente grave: é a primeira vez que as autoridades reconhecem oficialmente a morte de um preso político denunciado como desaparecido meses após sua detenção e falecimento.
Na quinta-feira, Carmen foi informada pelo Ministério dos Serviços Penitenciários sobre a morte do filho. Em seguida, foi levada por funcionários ao cemitério onde o corpo havia sido enterrado e, diante da revelação, pediu a realização de um teste de DNA para confirmar a identidade.
A exumação, determinada pela Promotoria, ocorreu nesta sexta-feira na presença da mãe. A polícia bloqueou o acesso do público ao cemitério Parque Memorial Jardín La Puerta, nos arredores de Caracas, onde estavam os restos mortais.
“É preciso determinar quando ele morreu e em que condições”, afirmou à AFP, do lado de fora do cemitério, Lilia Navas, tia de Víctor Quero.
“É preciso fazer justiça (…) Para limpar o nome do rapaz, sobre quem jogaram não sei quantos crimes, como fizeram com tantos outros”, acrescentou.
Pressão por respostas
O Ministério dos Serviços Penitenciários informou que Quero Navas morreu aos 51 anos “por insuficiência respiratória”, após ser transferido ao Hospital Militar, em Caracas, “depois de apresentar hemorragia digestiva alta e síndrome febril aguda”.
A versão oficial, no entanto, não encerrou as dúvidas — ao contrário, ampliou a cobrança por esclarecimentos.
Ativistas afirmam que cerca de 200 pessoas seguem em situação de desaparecimento forçado na Venezuela.
“Não pode se normalizar que uma mãe busque durante meses informações sobre seu filho sem receber resposta das autoridades correspondentes”, protestou a ONG de direitos humanos Cofavic em comunicado.
O caso se soma ao debate sobre a situação dos presos políticos no país, em meio à libertação de detentos após a lei de anistia impulsionada pela presidente interina Delcy Rodríguez depois da captura de Nicolás Maduro, em janeiro, por forças americanas.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) convocaram, hoje (9), os moradores de nove aldeias no sul do Líbano a evacuarem imediatamente suas casas, em antecipação a possíveis ataques contra o Hezbollah, apesar do cessar-fogo com o Líbano que visava interromper os combates.
“Em vista da violação do acordo de cessar-fogo pelo grupo terrorista Hezbollah, as Forças de Defesa de Israel se veem obrigadas a agir com força”, publicou Avichay Adraee, porta-voz das FDI em árabe, listando nove aldeias.
“Para sua segurança, vocês devem evacuar suas casas imediatamente e manter-se afastados das aldeias e cidades a uma distância de pelo menos 1 mil metros, em direção a áreas abertas”, acrescentou.
O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) viaja hoje (9) às Ilhas Canárias, na Espanha, para coordenar a evacuação dos passageiros do cruzeiro afetado por um surto de hantavírus, cuja chegada ao arquipélago espanhol está prevista para o dia seguinte, informaram as autoridades.
O último boletim da OMS divulgado nesta sexta-feira (8) registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos.
Nele estão incluídos um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã falecidos por causa desta enfermidade pouco comum transmitida principalmente por roedores, para a qual não existe nem vacina nem tratamento.
A única cepa de hantavírus conhecida até agora como transmissível entre humanos — a Andes — foi confirmada entre os passageiros falecidos, o que alimentou a preocupação internacional.
A OMS, que lidera a resposta internacional ao surto, insistiu em que o perigo para a população em geral segue sendo mínimo, enquanto vários países se preparam para repatriar os passageiros do MV Hondius.
“A OMS avalia como baixo o risco que este incidente apresenta para a população mundial”, destacou a agência sanitária da ONU na noite desta sexta-feira.
O MV Hondius, também utilizado para expedições polares, zarpou de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, para um cruzeiro através do Atlântico.
Em meio ao frágil cessar-fogo com o Irã que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça romper se não houver a assinatura de um acordo em breve, relatórios e informações de inteligência apontam que as ações militares de Teerã foram mais expressivas do que o admitido em público por Washington até o momento. Bombardeios iranianos destruíram ou danificaram 228 estruturas ou meios militares dos EUA no Oriente Médio desde o início da guerra, apontou uma investigação publicada pelo Washington Post nesta semana — em mais um elemento que demonstra que mesmo em inferioridade, as forças iranianas demonstraram capacidades de resistência. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A decisão da Arábia Saudita de negar aos Estados Unidos o uso de seu espaço aéreo e de bases militares no país levou o presidente americano, Donald Trump, a interromper o “Projeto Liberdade”, operação naval criada para ajudar embarcações presas há semanas — e, em alguns casos, meses — no Estreito de Ormuz a deixarem a região. O episódio expôs um raro atrito entre Washington e um de seus aliados históricos no Oriente Médio, e evidenciou a resistência saudita a uma nova escalada militar contra o Irã. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Uma mancha de petróleo está se expandindo diante da ilha de Kharg, no Irã, um terminal-chave de exportação de petróleo bruto da república islâmica, informou nesta sexta-feira o New York Times, que cita imagens de satélite. Ainda não estava claro o que havia causado o aparente derramamento, localizado diante da costa oeste da ilha.
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Segundo uma estimativa da Orbital EOS, que monitora derramamentos de petróleo, o vazamento parecia cobrir até quinta-feira mais de 52 quilômetros quadrados. Mais de 3.000 barris de petróleo podem ter sido derramados, informou a Orbital EOS. A mancha parecia se estender para o sul, em direção às águas sauditas.
A ilha de Kharg fica ao norte do estratégico Estreito de Ormuz e abriga o coração da indústria de exportação de petróleo do Irã, incluindo oleodutos e tanques de armazenamento.
O governo iraniano também restringiu o tráfego de navios pelo estreito, enquanto as negociações para a reabertura da passagem estão paralisadas. Além disso, embarcações e instalações sofreram danos em ataques americanos e israelenses, tornando-as vulneráveis ​​a vazamentos.
Isso deixou petroleiros encalhados, restringindo as exportações e fazendo com que o Irã ficasse rapidamente sem locais para armazenar seu petróleo, aumentando as preocupações com possíveis vazamentos ou outros acidentes no centro de operações da Ilha de Kharg. Grandes volumes de petróleo bruto estavam armazenados em petroleiros, aumentando o risco de vazamentos, disse Dalga Khatinoglu, que acompanha o setor de energia do Irã no Iran Open Data, uma iniciativa independente de dados.
Uma ruptura em um oleoduto submarino que liga o centro de operações ao campo petrolífero de Abuzar, um importante campo offshore a oeste da Ilha de Kharg, foi outra possível fonte do vazamento, afirmou Khatinoglu. O oleoduto, com décadas de uso e em péssimas condições de manutenção, sofreu diversos vazamentos nos últimos anos, incluindo uma ruptura em outubro de 2024, disse ele.
Outros especularam que o petróleo pode ter sido despejado deliberadamente no mar devido à falta de espaço para armazenamento, embora não haja evidências disso. No geral, “o bloqueio naval provavelmente colocou o sistema petrolífero do Irã em uma situação perigosa”, disse Nima Shokri, professor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Técnica de Hamburgo.
Fechar poços de petróleo é complicado, explicou ele, porque isso pode obstruir os poços ou oleodutos, ou danificar o reservatório de petróleo abaixo, tornando a retomada da produção mais lenta e cara.
— Poços de petróleo não são máquinas que podem ser simplesmente desligadas e religadas à vontade — concluiu Shokri.
A mídia estatal iraniana não noticiou o vazamento. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
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Keyvan Hosseini, especialista em energia e meio ambiente da Universidade de Southampton, afirmou que o vazamento reflete como as sanções, os conflitos e o subinvestimento crônico dificultaram a modernização, a manutenção e a substituição da infraestrutura petrolífera crítica do Irã.
O Golfo Pérsico, em grande parte raso, está sob crescente pressão devido ao calor, à salinidade, à poluição e ao desenvolvimento costeiro, disse ele. O petróleo pode se depositar nos sedimentos e no litoral, sendo particularmente prejudicial aos manguezais, comunidades de corais, aves marinhas, tartarugas e áreas de desova.
Um vazamento perto da Ilha de Kharg poderia afetar a pesca, as comunidades costeiras, as usinas de dessalinização, os habitats marinhos e os ecossistemas sensíveis do Golfo Pérsico, afirmou Hosseini. “Mesmo um vazamento aparentemente incontrolável pode se transformar em uma grande crise ambiental regional se a resposta for tardia”, concluiu.
O bloqueio da internet no Irã completou 70 dias nesta sexta-feira, com a conectividade nacional permanecendo em apenas 1% a 2% dos níveis normais, de acordo com a NetBlocks, um grupo de monitoramento da internet que acompanha o acesso em todo o mundo. Esta não é a primeira interrupção digital que o país enfrenta, mas especialistas em infraestrutura da internet acreditam que seja quase sem precedentes em sua gravidade e precisão.
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Alp Toker, diretor da NetBlocks, afirmou que a atual interrupção da internet no Irã é a mais grave já registrada pelo grupo, considerando tanto o número de pessoas afetadas quanto a duração do bloqueio em dias consecutivos.
— Vimos que o processo foi totalmente automatizado em um verdadeiro ‘botão de desligamento’ que permite à autoridade cortar a nação inteira, o que é extraordinário — disse Toker em janeiro.
“A conectividade digital é vital em tempos de crise, e limitar o serviço prejudica aqueles que mais precisam: pessoas com deficiência, estudantes, pequenas empresas e o público em geral”, afirmou o grupo.
Em abril, o governo do Irã anunciou que restabeleceria o acesso à internet para um número maior de professores universitários, segundo a mídia estatal iraniana, mesmo enquanto o restante da população entrava no 51º dia de um bloqueio quase total da internet.
O apagão digital, que a República Islâmica alega ter imposto devido a preocupações com a segurança nacional durante a guerra com os Estados Unidos e Israel, cortou o acesso à internet para a maior parte da população do país, de mais de 90 milhões de habitantes.
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Muitos líderes empresariais iranianos e ativistas pela liberdade na internet denunciaram o bloqueio como uma violação dos direitos humanos e uma grave ameaça a uma economia que já se encontrava em profunda crise.
Os iranianos podem se conectar a uma internet doméstica paralela — isolada de sites internacionais e fortemente vigiada pelas autoridades. Apenas alguns funcionários iranianos e um pequeno grupo da elite têm permissão para uma conexão aberta.
Há relatos de que a teocracia recorreu a “jammers” — supostamente de uso militar — para bloquear o acesso ao Starlink, que é proibido no país. Paralelamente, forças de segurança passaram a apreender antenas parabólicas em cidades como Teerã, Sanandaj e Isfahan, além de Marivan, Mahabad e Baneh, noticiou a BBC Persian. Após anos priorizando o bloqueio eletrônico de sinais, o regime indica agora uma mudança de estratégia, com a retomada da retirada física das parabólicas como forma de controle das comunicações.
(Com New York Times)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar, nesta sexta-feira (8), sobre o encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, nesta quinta-feira. Durante evento em que anunciou a renovação de contratos de energia elétrica em 13 estados, Lula afirmou ter dito ao norte-americano que aceita debater qualquer assunto de interesse de ambos os países.

“Foi com essa franqueza que eu fui dizer ao presidente Trump. Quer discutir big techs? Vamos discutir as big techs. Quer discutir as suas plataformas? vamos discutir. Quer discutir crime organizado? Nossa Polícia Federal está preparada para combater o crime organizado aqui e lá fora. Não tem veto para discutir”, afirmou.

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Lula ainda afirmou que os dois líderes têm idade avançada e não têm tempo a perder.

“Ainda disse para o presidente Trump: ‘somos dois homens de 80 anos de idade. E dois homens de 80 anos de idade não brincam em serviço, a natureza é implacável, teoricamente nós temos menos tempo pela frente. Por isso, nós temos que saber o que queremos fazer’. É dessa forma que a gente vai ganhando a respeitabilidade. Ninguém respeita quem não se respeita, ninguém respeita lambe-botas”, afirmou.

Lula reafirmou também a determinação dada para que equipes dos dois governos fechem em 30 dias uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e sobre uma investigação comercial aberta pelos EUA contra o Brasil desde o ano passado.

O presidente reforçou ainda a posição do Brasil de estar aberto a negócios com todos os países, desde que garantida a soberania brasileira.

“Nós não temos veto aos EUA, não temos veto à China, não temos veto à Rússia, não temos à França, não temos veto ao México, não temos veto à Alemanha. Quem quiser fazer negócio com o Brasil, que venha. Estaremos de braços abertos para comprar e para vender, estaremos de braços abertos para fazer transferência de tecnologia e receber tecnologia nova”, disse.

Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu “muitos tópicos” com Lula, incluindo questões comerciais e de tarifas, e chamou Lula de “um presidente muito dinâmico”

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