‘Alerta máximo’: Líder supremo do Irã afirma que ataque dos EUA levará a ‘guerra regional’
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— Países da região estão atuando como mediadores na troca de mensagens — disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, sem dar detalhes sobre o conteúdo das negociações em potencial. — Diversos pontos foram abordados e estamos examinando e finalizando os detalhes de cada etapa do processo diplomático, que esperamos concluir nos próximos dias. Isso diz respeito ao método e ao formato.
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Trump aumentou a pressão sobre o regime dos aiatolás na semana passada, ao afirmar que o tempo estava “se esgotando” para a abertura de um processo de diálogo sobre as pretensões nucleares do Irã. O presidente americano deslocou para o Oriente Médio uma força naval maior do que a enviada para o Caribe antes da ação que levou à captura de Nicolás Maduro na Venezuela — apesar dos sinais negativos de aliados regionais para uma ação de fato.
Apesar da forte reação no campo das comunicações durante a semana passada, a diplomacia do Irã rejeitou nesta segunda-feira ter recebido um ultimato de Trump para chegar a um acordo nuclear — o que contraria uma declaração do americano, que disse ter dado um prazo para início das negociações.
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— [O Irã] é um país que sempre age com honestidade e seriedade em processos diplomáticos, mas nunca aceita ultimatos. Por essa razão, tal declaração não pode ser confirmada — disse Baqaei em uma coletiva de imprensa, ao ser questionado se o país havia recebido um ultimato dos EUA.
Uma fonte governamental não identificada citada pela agência de notícias Fars nesta segunda-feira afirmou que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu a abertura de negociações com Washington, sobre a questão nuclear. O jornal estatal Iran e o jornal reformista Shargh também divulgaram a notícia.
Terrorismo e repressão
O regime teocrático voltou à mira de potências ocidentais após a repressão contra as manifestações iniciadas no fim do ano passado, que começaram pela crise econômica do país. Milhares de pessoas foram mortas, segundo organizações internacionais, e forçaram uma reação por parte da comunidade internacional. Também na semana passada, a União Europeia designou a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista — algo que fez o governo iraniano convocar embaixadores europeus em Teerã.
— Ontem [domingo] e hoje [segunda-feira], representantes de todos os Estados-membros da UE com embaixadas em Teerã foram convocados ao Ministério das Relações Exteriores — disse o porta-voz iraniano, acrescentando que novas ações estavam previstas. — Esta é uma medida mínima [antes que novas represálias sejam anunciadas em breve].
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Em meio ao processo de condenação diplomática, a TV estatal iraniana publicou que quatro cidadãos estrangeiros, cujas nacionalidades não foram especificadas, foram presos no Irã por “participação em distúrbios”.
— Esses indivíduos foram presos durante uma operação [na província de Teerã] — disse a emissora, sem especificar a data das prisões. — Durante uma busca na mochila de um dos suspeitos, foram encontradas quatro granadas de efeito moral caseiras, usadas durante os tumultos e confrontos na região.
O Irã acusou Israel e os EUA de incitação e de fomentar os protestos. A agência de inteligência israelense, Mossad, fez uma publicação provocativa nas redes sociais no início da inquietação social, afirmando que estaria “ao lado” dos manifestantes em solo — o que ajudou a alimentar a narrativa por parte do governo iraniano de que os protestos eram ações estrangeiras com objetivo de desestabilizar o regime.
Oficialmente, o governo iraniano afirma que a grande maioria das vítimas dos incidentes são membros das forças de segurança ou civis mortos por “terroristas”. ONGs sediadas no exterior, que mapeiam os acontecimentos no país a partir de fontes próprias, acusam as forças de segurança de alvejar deliberadamente os manifestantes. (Com AFP)





