Diplomacia mediada: Primeira rodada de negociações entre EUA e Irã termina com grandes expectativas e desafios
Entrevista: ‘A guerra foi destrutiva para os iranianos, mas deu resultados do ponto de vista político’
A quantidade de navios que cruzaram Ormuz foi registrada pela plataforma de dados marítimos Kpler. Embora o número seja superior a todo o período de guerra, entre 1º de março e 14 de junho — quando menos de 10 navios carregados passaram pelo estreito — e que a média de 27 navios desde o anúncio do memorando de entendimento entre EUA e Irã, representa apenas cerca de um terço do anterior ao conflito, quando aproximadamente 120 navios transitavam diariamente.
Initial plugin text
A administração da rota no longo prazo é motivo de divergência nas negociações entre Washington e Teerã. Os EUA e países do Golfo disseram que a rota deve ser considerada internacional, enquanto o Irã constituiu uma autoridade naval para gerir as passagens de navios. Em um comunicado conjunto nesta terça, Irã e Omã anunciaram que estudarão os “custos” da futura administração de Ormuz, destacando a “soberania sobre suas águas territoriais”.
“As duas partes concordaram em continuar seu diálogo sobre essa questão por meio de um grupo de trabalho conjunto (…) com o objetivo de chegar a um acordo sobre a futura administração da navegação no Estreito de Ormuz, sobre os serviços que serão prestados nesse contexto e sobre os custos associados, em conformidade com as normas internacionais”, diz o comunicado, que também cita uma visita a Mascate de uma delegação iraniana liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e pelo principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou que o país passaria a cobrar o que denominou taxas de serviço marítimo para a travessia do estreito, que Teerã tenta distinguir de um pedágio — o que foi explicitamente vetado pelos EUA. Ghalibaf afirmou que essas taxas entrarão em vigor após o período de 60 dias previsto para negociações com os EUA.
O memorando estabelece que Irã e Omã, que fazem fronteira com a rota, discutirão a “administração futura e os serviços marítimos” juntamente com outros países do Golfo. Antes do memorando, vários funcionários americanos criticaram Omã por considerar que o país planejava cobrar pedágios conjuntamente com o Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou “explodir” Mascate em caso de tentativa de controlar a via marítima.
Moradores de Bandar Abbas, no sul do Irã, se banham nas águas do Estreito de Ormuz, com navios de carga ancorados ao fundo: reabertura da passagem é ponto central do acordo entre EUA e Irã
Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Albusaidi, declarou no X, após sua reunião com Araghchi e Ghalibaf, que eles reafirmaram “o compromisso com o direito internacional e com a passagem segura e livre de pedágios”. Em um comentário divulgado pela agência estatal iraniana IRNA, Ghalibaf afirmou que “a administração do Estreito de Ormuz nunca mais será a mesma de antes da guerra”.
O fechamento da rota foi responsável pelo maior impacto global da guerra no Oriente Médio, com uma disparada do preço do petróleo provocada pelo corte abrupto da produção de todo o Golfo Pérsico dos mercados internacionais. O efeito econômico se tornou o maior fator de pressão sobre Trump, que teve que lidar com aliados e um público interno insatisfeitos com o barril de petróleo chegando a um patamar ao redor de US$ 100 dólares o barril.
Embora a reabertura de Ormuz, acordada por Irã e EUA no memorando de entendimento mediado pelo Catar, tenha distensionado o mercado de petróleo, com o preço do barril voltando a casa dos US$ 70 a US$ 80 por barril, a incerteza sobre o futuro do estreito e sobre as negociações americano-iranianas ainda são um fator de instabilidade.
O governo de Teerã chegou a anunciar o fechamento de Ormuz na sexta-feira, em resposta a ataques de Israel contra o Líbano — algo que o regime dos aiatolás incluiu no memorando. Posteriormente, os dois países chegaram a um entendimento sobre mecanismos para interromper os confrontos e garantir a segurança do estreito. (Com AFP)









