— Não tivemos nenhuma reunião com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica e tampouco prevemos que a agência inspecione as instalações nucleares iranianas danificadas pela agressão militar americana e sionista — declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, em entrevista coletiva.
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A AIEA ainda não comentou o assunto. A agência tem entrado e saído do Irã desde a guerra de 12 dias travada em 2025, mas não recebeu acesso às instalações de enriquecimento de urânio bombardeadas em ataques americanos. A extensão dos danos permanece desconhecida, embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmado na época que as ofensivas haviam “aniquilado” as capacidades da República Islâmica. Nesta terça, Trump voltou ao tema e insistiu que o Irã aceitou permitir inspeções nucleares “no mais alto nível”.
“Com base nisso e em outras concessões importantes que o Irã está fazendo, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça ABERTO, sem qualquer outro bloqueio naval”, escreveu.
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Mesmo nesse tema há contradições. O principal negociador iraniano advertiu que a circulação pela rota estratégica, por onde passava 20% do petróleo e gás consumido no mundo antes da guerra, não voltará a ser como era anteriormente. Irã e Omã anunciaram que prestarão “serviços marítimos” no âmbito de uma administração conjunta de Ormuz. Também nesta terça, os dois países anunciaram que estudam “custos” decorrentes desses serviços.
— A administração do Estreito de Ormuz nunca voltará a ser o que era antes da guerra — declarou Mohamad Baqer Qalibaf, negociador-chefe do Irã e presidente do Parlamento.
Negociações
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, chegou ao Paquistão nesta terça-feira para se reunir com autoridades paquistanesas que atuam como mediadores nas negociações para um acordo permanente para encerrar a guerra. A viagem ocorre após o governo iraniano confirmar que a primeira rodada de negociações com Washington terminou com a criação de quatro grupos de trabalho para tratar de questões técnicas pendentes, incluindo equipes voltadas para alívio de sanções, questões nucleares, reconstrução e monitoramento.
Nas negociações iniciais, que marcaram o início de um processo de 60 dias destinado a alcançar um acordo permanente para encerrar a guerra com o Irã, Teerã e Washington concordaram em criar uma “célula de desescalada” para tratar dos confrontos no Líbano entre Israel e o Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã. Antes de seus encontros no Paquistão, Pezeshkian alertou que “a eficácia das negociações depende do pleno compromisso com as obrigações acordadas”.
Por sua vez, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, visita a partir desta terça os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Bahrein, países que foram atacados pelo Irã durante a guerra. Em pauta, segundo a agência Reuters, estão elementos de uma minuta de acordo que não prevê limites para os mísseis balísticos do Irã, um fundo de reconstrução proposto de US$ 300 bilhões e cláusulas que poderiam expandir a influência regional de Teerã e seu controle sobre rotas marítimas.
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O Departamento do Tesouro americano informou que suspendeu as sanções contra o Irã para permitir que o país produza, venda e forneça petróleo e derivados até meados de agosto. Como parte do acordo, Washington aceitou liberar US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados, informou a agência iraniana Mehr. Vance afirmou que os recursos ainda não haviam sido desbloqueados, mas que, quando isso ocorresse, só poderiam ser usados para comprar produtos americanos, como soja, e não para financiar atividades “terroristas”.
Nesta terça-feira, no entanto, o embaixador iraniano na ONU, Ali Bahreini, afirmou que o Irã será o “único país” a decidir o que fazer com esses ativos. Trump, por sua vez, disse que os recursos desbloqueados seriam depositados em uma conta controlada por Washington, que Teerã poderá usar para comprar alimentos e suprimentos médicos americanos, incluindo “milho, trigo e soja”, escreveu o presidente.
“Esta é uma crise humanitária, e considero necessário ajudar, AGORA, antes que seja tarde demais”, acrescentou.
Violência no Líbano
Enquanto isso, a violência voltou a aumentar no sul do Líbano, onde soldados israelenses abriram fogo e mataram duas pessoas. Os relatos ocorreram após dois dias de calma desde um cessar-fogo negociado no sábado. O memorando de entendimento assinado por Washington e Teerã estabelece a cessação das hostilidades em todas as frentes, incluindo a libanesa, uma das principais exigências do Irã.
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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no entanto, declarou na segunda-feira que suas forças mantêm “total liberdade de ação” para neutralizar qualquer ameaça. Nem Israel nem o Hezbollah são signatários do acordo. Netanyahu prometeu manter tropas no sul do Líbano até que todas as ameaças ao país sejam eliminadas, enquanto o Hezbollah recusou-se a interromper os ataques sem que Israel se comprometa a se retirar da região.
Questionado sobre os comentários de Netanyahu, Trump afirmou que irá “analisar isso”, acrescentando que a situação “será resolvida”. Em Washington, o Departamento de Estado informou que uma nova rodada de negociações entre Israel e Líbano começou nesta terça-feira, com questões políticas e de segurança na pauta.
(Com AFP e New York Times)









