Uma equipe iraniana liderada pelo presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, tem agendado um encontro com uma delegação americana chefiada pelo vice-presidente JD Vance neste sábado, em Islamabad, Paquistão, para negociar um possível fim da guerra. Os riscos são altos para ambos os lados. A guerra é profundamente impopular nos Estados Unidos e o presidente Trump busca uma saída. O Irã foi duramente atingido por ataques aéreos, que deixaram sua infraestrutura severamente destruída e sua economia em ruínas.
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— Temos boa vontade, mas não temos confiança — disse Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, ao chegar a Islamabad na noite de sexta-feira.
Ele ressaltou que duas rodadas anteriores de negociações sobre o programa nuclear iraniano, em junho e fevereiro, terminaram em ataques militares em vez de um acordo.
O Irã parece estar levando as negociações de sábado a sério. A delegação de pelo menos 70 pessoas inclui diplomatas e negociadores experientes, especialistas em finanças e sanções, oficiais militares e consultores jurídicos, de acordo com a mídia iraniana e uma lista da delegação vista pelo The New York Times.
Entre as autoridades de destaque no campo iraniano estão o Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi; Ali Bagheri Kani, membro do Conselho de Segurança Nacional do Irã; o Almirante Ali Akbar Ahmadian, ex-chefe do Estado-Maior da Guarda Revolucionária Islâmica e secretário do Conselho de Segurança Nacional; o General Esmail Ahmadi Moghadam, comandante militar aposentado e atual diretor da Universidade Nacional de Defesa do Irã; e Abdolnasser Hemati, governador do Banco Central do Irã.
Três altos funcionários iranianos familiarizados com as negociações disseram que a equipe do Irã tinha plena autoridade para tomar decisões no Paquistão e não precisava consultar Teerã, dada a natureza crítica das negociações. Os funcionários, que pediram para não serem identificados por estarem discutindo assuntos delicados, disseram que o novo líder supremo, o aiatolá Mujahideen Khamenei, havia dado a Ghalibaf, um amigo e aliado próximo, o poder de fechar um acordo ou abandoná-lo.
O vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, afirmou em uma publicação nas redes sociais na sexta-feira que Ghalibaf agora “representa a nação e o nezam”, usando a palavra persa para se referir a todo o sistema da República Islâmica, que inclui não apenas o governo eleito, mas também o líder supremo. “Desejo-lhe sucesso”, disse Aref.
— O que podemos inferir da delegação iraniana é que eles não vieram para obstruir as negociações — disse Vali Nasr, professor de estudos do Oriente Médio e especialista em Irã da Universidade Johns Hopkins. — Eles vieram com plena autoridade e seriedade para chegar a um acordo com os Estados Unidos.
Nasr, que também atuou no Departamento de Estado como representante especial dos EUA para o Afeganistão durante o governo Obama, disse que, normalmente, uma delegação tão grande de especialistas só seria enviada se as negociações estivessem na fase final de um acordo, e não para uma sondagem inicial.
Se Ghalibaf e Vance se encontrarem pessoalmente no sábado, isso representará uma grande mudança nas relações entre os Estados Unidos e o Irã e o encontro de mais alto nível entre autoridades desde o rompimento das relações diplomáticas em 1979. Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e Jared Kushner, genro do presidente, acompanharão Vance, e ambos já negociaram com os iranianos anteriormente.
Nasr afirmou que Teerã e Washington podem ter avançado mais nas negociações do que o divulgado publicamente, durante as trocas de mensagens paralelas mediadas pelo Paquistão na última semana. Washington enviou a Teerã um plano de paz de 15 pontos, e o Irã respondeu com seu próprio contraplano de 10 pontos, que, segundo Trump, serviria de base para as negociações quando anunciou o cessar-fogo na terça-feira.
Entre os temas em discussão estão o fim da guerra, a abertura do Estreito de Ormuz à navegação e o programa nuclear iraniano. Os interesses do Irã incluem a obtenção de um alívio abrangente das sanções, a liberação de fundos congelados e a indenização por danos causados durante a guerra.
O Irã afirmou que qualquer acordo de paz, temporário ou permanente, deve incluir também seu aliado regional mais próximo, o Hezbollah, no Líbano. Este tem sido um ponto de discórdia especialmente tenso desde os ataques aéreos israelenses em larga escala no Líbano, que mataram mais de 300 pessoas na quarta-feira.
Fiel ao seu estilo, as autoridades iranianas viajaram com simbolismo. Chegaram vestindo ternos e camisas pretas da cabeça aos pés, um sinal de luto. No avião, segundo fotos e vídeos divulgados pela mídia estatal iraniana, fotos e mochilas preenchiam os assentos vazios, representando as quase 170 crianças mortas em uma escola primária quando um míssil Tomahawk americano a atingiu.
A mídia estatal iraniana informou que a delegação se reunirá com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ao meio-dia de sábado, antes do encontro com os americanos.
Omid Memarian, pesquisador sênior e especialista em Irã do Dawn Institute, uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington focada na política externa americana, disse que a grande delegação tinha o objetivo de sinalizar que os principais líderes do Irã estavam apoiando a causa.
— A mensagem mais importante que o Irã está enviando com a composição de sua delegação é que existe consenso interno para negociações e um acordo nos mais altos escalões do regime — disse.
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— Temos boa vontade, mas não temos confiança — disse Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, ao chegar a Islamabad na noite de sexta-feira.
Ele ressaltou que duas rodadas anteriores de negociações sobre o programa nuclear iraniano, em junho e fevereiro, terminaram em ataques militares em vez de um acordo.
O Irã parece estar levando as negociações de sábado a sério. A delegação de pelo menos 70 pessoas inclui diplomatas e negociadores experientes, especialistas em finanças e sanções, oficiais militares e consultores jurídicos, de acordo com a mídia iraniana e uma lista da delegação vista pelo The New York Times.
Entre as autoridades de destaque no campo iraniano estão o Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi; Ali Bagheri Kani, membro do Conselho de Segurança Nacional do Irã; o Almirante Ali Akbar Ahmadian, ex-chefe do Estado-Maior da Guarda Revolucionária Islâmica e secretário do Conselho de Segurança Nacional; o General Esmail Ahmadi Moghadam, comandante militar aposentado e atual diretor da Universidade Nacional de Defesa do Irã; e Abdolnasser Hemati, governador do Banco Central do Irã.
Três altos funcionários iranianos familiarizados com as negociações disseram que a equipe do Irã tinha plena autoridade para tomar decisões no Paquistão e não precisava consultar Teerã, dada a natureza crítica das negociações. Os funcionários, que pediram para não serem identificados por estarem discutindo assuntos delicados, disseram que o novo líder supremo, o aiatolá Mujahideen Khamenei, havia dado a Ghalibaf, um amigo e aliado próximo, o poder de fechar um acordo ou abandoná-lo.
O vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, afirmou em uma publicação nas redes sociais na sexta-feira que Ghalibaf agora “representa a nação e o nezam”, usando a palavra persa para se referir a todo o sistema da República Islâmica, que inclui não apenas o governo eleito, mas também o líder supremo. “Desejo-lhe sucesso”, disse Aref.
— O que podemos inferir da delegação iraniana é que eles não vieram para obstruir as negociações — disse Vali Nasr, professor de estudos do Oriente Médio e especialista em Irã da Universidade Johns Hopkins. — Eles vieram com plena autoridade e seriedade para chegar a um acordo com os Estados Unidos.
Nasr, que também atuou no Departamento de Estado como representante especial dos EUA para o Afeganistão durante o governo Obama, disse que, normalmente, uma delegação tão grande de especialistas só seria enviada se as negociações estivessem na fase final de um acordo, e não para uma sondagem inicial.
Se Ghalibaf e Vance se encontrarem pessoalmente no sábado, isso representará uma grande mudança nas relações entre os Estados Unidos e o Irã e o encontro de mais alto nível entre autoridades desde o rompimento das relações diplomáticas em 1979. Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e Jared Kushner, genro do presidente, acompanharão Vance, e ambos já negociaram com os iranianos anteriormente.
Nasr afirmou que Teerã e Washington podem ter avançado mais nas negociações do que o divulgado publicamente, durante as trocas de mensagens paralelas mediadas pelo Paquistão na última semana. Washington enviou a Teerã um plano de paz de 15 pontos, e o Irã respondeu com seu próprio contraplano de 10 pontos, que, segundo Trump, serviria de base para as negociações quando anunciou o cessar-fogo na terça-feira.
Entre os temas em discussão estão o fim da guerra, a abertura do Estreito de Ormuz à navegação e o programa nuclear iraniano. Os interesses do Irã incluem a obtenção de um alívio abrangente das sanções, a liberação de fundos congelados e a indenização por danos causados durante a guerra.
O Irã afirmou que qualquer acordo de paz, temporário ou permanente, deve incluir também seu aliado regional mais próximo, o Hezbollah, no Líbano. Este tem sido um ponto de discórdia especialmente tenso desde os ataques aéreos israelenses em larga escala no Líbano, que mataram mais de 300 pessoas na quarta-feira.
Fiel ao seu estilo, as autoridades iranianas viajaram com simbolismo. Chegaram vestindo ternos e camisas pretas da cabeça aos pés, um sinal de luto. No avião, segundo fotos e vídeos divulgados pela mídia estatal iraniana, fotos e mochilas preenchiam os assentos vazios, representando as quase 170 crianças mortas em uma escola primária quando um míssil Tomahawk americano a atingiu.
A mídia estatal iraniana informou que a delegação se reunirá com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ao meio-dia de sábado, antes do encontro com os americanos.
Omid Memarian, pesquisador sênior e especialista em Irã do Dawn Institute, uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington focada na política externa americana, disse que a grande delegação tinha o objetivo de sinalizar que os principais líderes do Irã estavam apoiando a causa.
— A mensagem mais importante que o Irã está enviando com a composição de sua delegação é que existe consenso interno para negociações e um acordo nos mais altos escalões do regime — disse.










