A crescente exposição pública de Kim Ju-ae, filha de Kim Jong-un, tem intensificado especulações sobre seu futuro político na Coreia do Norte. Com aparições frequentes ao lado do pai em lançamentos de mísseis, desfiles militares e viagens oficiais, a jovem passou a ser observada não apenas por sua presença, mas também pelo simbolismo de suas roupas, penteados e postura pública.
Entenda: Kim Jong-un consolida ‘claramente’ filha adolescente como sucessora, diz serviço de inteligência sul-coreano
Leia mais: Reino Unido estuda enviar drones para limpar minas e ajudar a reabrir Estreito de Ormuz, diz jornal
Kim Ju-ae surgiu pela primeira vez na propaganda estatal em novembro de 2022. Na imagem que chamou atenção internacional, caminhava ao lado de Kim Jong-un diante de um míssil balístico intercontinental. Vestia calça preta, jaqueta acolchoada branca e usava os cabelos longos presos para trás. Segundo o texto, ela teria cerca de nove anos na ocasião.
Kim Jon-un é visto com sua filha pela primeira vez
Divulgação/KCNA
Desde então, sua imagem passou por transformação visível. Os penteados ficaram mais elaborados, as roupas ganharam sofisticação e sua presença ao lado do líder norte-coreano se tornou cada vez mais constante — movimento que, segundo o serviço de inteligência sul-coreano, reforça a avaliação de que Kim Jong-un a escolheu como sucessora.
Imagem construída para projetar autoridade
Analistas avaliam que essa construção visual segue uma estratégia deliberada de comunicação política.
— Como Ju-ae ainda é muito jovem, sua idade pode ser vista como uma potencial fraqueza para uma futura líder. Parece que o regime a veste com roupas formais semelhantes às usadas por sua mãe como uma forma de mascarar sua juventude e projetar uma imagem mais madura — afirmou Cheong Seong-chang, vice-diretor do Instituto Sejong, à rede BBC.
Em algumas ocasiões, Kim Ju-ae apareceu com ternos formais e saias, em visual semelhante ao de sua mãe, Ri Sol-ju. Em outras, surgiu usando jaquetas de couro.
— Uma roupa que transmite tanto força de impressão quanto casualidade — disse Cheong Seong-chang.
Kim Jong-un e a filha, Ju-ae
STR/KCNA VIA KNS/AFP
Segundo ele, esse tipo de peça seria apropriado para visitar “locais relativamente ásperos ou rústicos”, como bases militares.
O uso recorrente de jaquetas de couro também aproxima visualmente Kim Ju-ae do pai, conhecido por usar jaquetas pretas e sobretudos. Para especialistas, essa semelhança dialoga com uma prática antiga do regime: a replicação de imagem para reforçar continuidade política.
Nos primeiros anos no poder, Kim Jong-un buscou legitimidade visual ao se vestir como seu avô, Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.
— O Departamento de Propaganda e Agitação desempenhou um papel significativamente importante ao orquestrar uma série de processos que transferiram naturalmente o respeito por Kim Il Sung para Kim Jong-un — afirmou Cheong Seong-chang.
Segundo ele, os moradores da Coreia do Norte ficaram surpresos quando Kim Jon-un apareceu pela primeira vez. No entanto, segundo os especialistas sul-coreanos, a surpresa também se dava pelo fato da imagem de Jong-un se parecer muito com o jovem Kim Il Sung.
— As limitações que o jovem Kim Jong-un enfrentava como sucessor, como sua falta de experiência e sua idade, puderam ser compensadas apenas pelo fato de ele se parecer com Kim Il Sung. Chegou ao ponto de circularem rumores entre norte-coreanos de que Kim Il Sung havia reencarnado.
Luxo ocidental em contraste com restrições internas
A construção simbólica de Kim Ju-ae também passa pelo uso ostensivo de itens de luxo ocidentais, em um país que restringe fortemente referências culturais externas à população.
— Ao usar roupas de design ocidental, Ju-ae e Ri Sol Ju demonstram uma “estratégia de diferenciação”, de que sua posição social é fundamentalmente diferente da dos cidadãos comuns — afirmou Cheong Seong-chang: — Usar roupas feitas de couro de alta qualidade é uma forma de exibir um status especial. Roupas de couro não são tão comuns entre os moradores da Coreia do Norte. Marcas de luxo, jaquetas de couro e casacos de pele são peças valiosas que não podem ser usadas por norte-coreanos comuns.
O líder norte-coreano, Kim Jong Un, e sua filha Ju Ae visitando a Gangdong Comprehensive Greenhouse, em Pyongyang.
STR/KCNA VIA KNS/AFP
O contraste ficou ainda mais evidente em 2023, quando a agência estatal Korean Central News Agency divulgou imagens de Kim Ju-ae usando uma jaqueta acolchoada preta posteriormente identificada como uma peça de US$ 1.900 da grife francesa Christian Dior. No ano seguinte, ela apareceu em cerimônia pública com uma blusa parcialmente transparente, deixando os braços visíveis.
Depois disso, segundo fonte local citada pela Radio Free Asia, uma videoaula voltada à população classificou esse tipo de visual como “fenômenos antissocialistas e não socialistas que borram a imagem do sistema socialista e corroem o regime — alvos que devem ser erradicados”.
Apesar das restrições impostas à sociedade, a família Kim aparece com frequência fora dessas normas.
— Embora jeans sejam proibidos na Coreia do Norte como item de moda ocidental, Kim Jong-un já apareceu usando-os — afirmou Lee Woo-young, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos: — Por mais que proíbam a cultura estrangeira e até promulguem leis, a Coreia do Norte é um lugar onde não há nada que o líder supremo não possa fazer.
Mesmo sob rígido controle estatal, há sinais de influência estética da família governante. Relatos apontam aumento na circulação de cosméticos Chanel, perfumes Chanel, casacos de pele, além de jovens usando óculos escuros, sobretudos de couro e estilos semelhantes aos adotados por Kim Jong-un e Kim Ju-ae.
Em um país de acesso limitado a tendências externas, a imagem oficial ajuda a moldar referências visuais. Ao que tudo indica, Kim Ju-ae começa a ocupar esse espaço — não apenas como filha do líder, mas como figura cuidadosamente apresentada para um papel maior no futuro do regime norte-coreano.
Entenda: Kim Jong-un consolida ‘claramente’ filha adolescente como sucessora, diz serviço de inteligência sul-coreano
Leia mais: Reino Unido estuda enviar drones para limpar minas e ajudar a reabrir Estreito de Ormuz, diz jornal
Kim Ju-ae surgiu pela primeira vez na propaganda estatal em novembro de 2022. Na imagem que chamou atenção internacional, caminhava ao lado de Kim Jong-un diante de um míssil balístico intercontinental. Vestia calça preta, jaqueta acolchoada branca e usava os cabelos longos presos para trás. Segundo o texto, ela teria cerca de nove anos na ocasião.
Kim Jon-un é visto com sua filha pela primeira vez
Divulgação/KCNA
Desde então, sua imagem passou por transformação visível. Os penteados ficaram mais elaborados, as roupas ganharam sofisticação e sua presença ao lado do líder norte-coreano se tornou cada vez mais constante — movimento que, segundo o serviço de inteligência sul-coreano, reforça a avaliação de que Kim Jong-un a escolheu como sucessora.
Imagem construída para projetar autoridade
Analistas avaliam que essa construção visual segue uma estratégia deliberada de comunicação política.
— Como Ju-ae ainda é muito jovem, sua idade pode ser vista como uma potencial fraqueza para uma futura líder. Parece que o regime a veste com roupas formais semelhantes às usadas por sua mãe como uma forma de mascarar sua juventude e projetar uma imagem mais madura — afirmou Cheong Seong-chang, vice-diretor do Instituto Sejong, à rede BBC.
Em algumas ocasiões, Kim Ju-ae apareceu com ternos formais e saias, em visual semelhante ao de sua mãe, Ri Sol-ju. Em outras, surgiu usando jaquetas de couro.
— Uma roupa que transmite tanto força de impressão quanto casualidade — disse Cheong Seong-chang.
Kim Jong-un e a filha, Ju-ae
STR/KCNA VIA KNS/AFP
Segundo ele, esse tipo de peça seria apropriado para visitar “locais relativamente ásperos ou rústicos”, como bases militares.
O uso recorrente de jaquetas de couro também aproxima visualmente Kim Ju-ae do pai, conhecido por usar jaquetas pretas e sobretudos. Para especialistas, essa semelhança dialoga com uma prática antiga do regime: a replicação de imagem para reforçar continuidade política.
Nos primeiros anos no poder, Kim Jong-un buscou legitimidade visual ao se vestir como seu avô, Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.
— O Departamento de Propaganda e Agitação desempenhou um papel significativamente importante ao orquestrar uma série de processos que transferiram naturalmente o respeito por Kim Il Sung para Kim Jong-un — afirmou Cheong Seong-chang.
Segundo ele, os moradores da Coreia do Norte ficaram surpresos quando Kim Jon-un apareceu pela primeira vez. No entanto, segundo os especialistas sul-coreanos, a surpresa também se dava pelo fato da imagem de Jong-un se parecer muito com o jovem Kim Il Sung.
— As limitações que o jovem Kim Jong-un enfrentava como sucessor, como sua falta de experiência e sua idade, puderam ser compensadas apenas pelo fato de ele se parecer com Kim Il Sung. Chegou ao ponto de circularem rumores entre norte-coreanos de que Kim Il Sung havia reencarnado.
Luxo ocidental em contraste com restrições internas
A construção simbólica de Kim Ju-ae também passa pelo uso ostensivo de itens de luxo ocidentais, em um país que restringe fortemente referências culturais externas à população.
— Ao usar roupas de design ocidental, Ju-ae e Ri Sol Ju demonstram uma “estratégia de diferenciação”, de que sua posição social é fundamentalmente diferente da dos cidadãos comuns — afirmou Cheong Seong-chang: — Usar roupas feitas de couro de alta qualidade é uma forma de exibir um status especial. Roupas de couro não são tão comuns entre os moradores da Coreia do Norte. Marcas de luxo, jaquetas de couro e casacos de pele são peças valiosas que não podem ser usadas por norte-coreanos comuns.
O líder norte-coreano, Kim Jong Un, e sua filha Ju Ae visitando a Gangdong Comprehensive Greenhouse, em Pyongyang.
STR/KCNA VIA KNS/AFP
O contraste ficou ainda mais evidente em 2023, quando a agência estatal Korean Central News Agency divulgou imagens de Kim Ju-ae usando uma jaqueta acolchoada preta posteriormente identificada como uma peça de US$ 1.900 da grife francesa Christian Dior. No ano seguinte, ela apareceu em cerimônia pública com uma blusa parcialmente transparente, deixando os braços visíveis.
Depois disso, segundo fonte local citada pela Radio Free Asia, uma videoaula voltada à população classificou esse tipo de visual como “fenômenos antissocialistas e não socialistas que borram a imagem do sistema socialista e corroem o regime — alvos que devem ser erradicados”.
Apesar das restrições impostas à sociedade, a família Kim aparece com frequência fora dessas normas.
— Embora jeans sejam proibidos na Coreia do Norte como item de moda ocidental, Kim Jong-un já apareceu usando-os — afirmou Lee Woo-young, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos: — Por mais que proíbam a cultura estrangeira e até promulguem leis, a Coreia do Norte é um lugar onde não há nada que o líder supremo não possa fazer.
Mesmo sob rígido controle estatal, há sinais de influência estética da família governante. Relatos apontam aumento na circulação de cosméticos Chanel, perfumes Chanel, casacos de pele, além de jovens usando óculos escuros, sobretudos de couro e estilos semelhantes aos adotados por Kim Jong-un e Kim Ju-ae.
Em um país de acesso limitado a tendências externas, a imagem oficial ajuda a moldar referências visuais. Ao que tudo indica, Kim Ju-ae começa a ocupar esse espaço — não apenas como filha do líder, mas como figura cuidadosamente apresentada para um papel maior no futuro do regime norte-coreano.










