O Irã anunciou que o órgão responsável por decidir o nome do novo aiatolá do país, sucessor de Ali Khamenei, chegou a um consenso. Conforme divulgado pelas agências de notícias Aljazeera e Reuters neste domingo, autoridades iranianas dizem que um candidato foi escolhido pela assembleia formada por 88 membros com base no conselho do falecido líder supremo de que seu substituto deveria “ser odiado pelo inimigo”. Ainda não se sabe quem foi o escolhido.
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Segundo líder supremo do Irã depois da revolução de 1979 e a figura política mais importante do país depois do aiatolá Ruhollah Khomeini, o aiatolá Ali Khamenei morreu no dia 28 de fevereiro em ataques dos EUA e de Israel ao Irã, conforme anunciado no dia pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Quem era o líder supremo Ali Khamenei?
O antigo líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em fevereiro
Distribuição via AFP: KHAMENEI.IR
Khamenei nasceu em um dos centros do islã do Irã, Mashad, em junho de 1939. Segundo filho de um teórico religioso, chamado pelo futuro líder supremo de “um pouco cético”, não teve uma infância de luxos, morando em uma casa pequena com seus pais e sete irmãos.
Na juventude, seguiu o caminho do pai nos estudos religiosos, e aos 19 anos foi para Qom, a “capital religiosa” do Irã, onde passou a ter contatos com intelectuais de diversas correntes políticas. Ali, teve aulas com o já influente Ruhollah Khomeini — na época, em meados dos anos 1960, começava a surgir um movimento organizado de oposição ao xá Reza Pahlevi, ao qual Khamenei se uniu em seus primeiros momentos.
Como escreveu o jornalista e dissidente Akbar Ganji em um longo perfil sobre as bases intelectuais de Khamenei para a revista Foreign Affairs, talvez nenhum líder religioso do Irã tenha sido tão cosmopolita como ele, um ávido consumidor de obras de autores clássicos iranianos, russos e franceses: em 2001, em uma entrevista na TV, disse que “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, era o melhor romance da História.
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Ao mesmo tempo, seus anos acadêmicos moldaram posições de sua trajetória política, a começar pela ideia de que o Ocidente e os valores das democracias liberais estavam diante de um declínio inevitável, e que expressavam uma visão de mundo abertamente islamofóbica. Também era um admirador das ideias do poeta egípcio Sayyid al-Qutb, principal teórico da Irmandade Muçulmana e que propagava a ideia de um Estado islâmico: para Khamenei, “o Islã sem um governo e uma nação muçulmana sem o Islã são algo sem sentido”.
A morte de Khamenei: mísseis espaciais e 20 anos de preparo
Mísseis Sparrow, usados por Israel
Reprodução: rafael.co.il
Israel utilizou um míssil balístico pouco conhecido, capaz de sair da atmosfera terrestre antes de atingir o alvo, para matar Khamenei, em um ataque surpresa contra Teerã. O armamento, chamado Blue Sparrow, tem alcance aproximado de 2 mil quilômetros e foi projetado para atingir alvos altamente protegidos.
Cilindros metálicos longos, considerados destroços do míssil, foram encontrados no oeste do Iraque, ao longo do que seria sua rota de voo até o território iraniano. O Blue Sparrow integra uma série de mísseis lançados do ar — que inclui também os modelos Black Sparrow e Silver Sparrow — originalmente desenvolvidos para simular os mísseis Scud utilizados pelo Iraque contra Israel durante a Guerra do Golfo de 1991.
Com cerca de 6,5 metros de comprimento e peso aproximado de 1,9 tonelada, o Blue Sparrow foi criado inicialmente como míssil-alvo para testes de sistemas de defesa aérea. Posteriormente, foi adaptado para uso ofensivo como munição ar-superfície, graças à sua alta velocidade e trajetória quase balística.
A capacidade de sair e reentrar na atmosfera terrestre dificulta sua interceptação e reduz o tempo de reação do alvo, tornando-o adequado para atingir objetivos estratégicos e sensíveis em ambientes altamente protegidos, sem expor aeronaves tripuladas.
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Autoridades americanas também confirmaram o uso de novos sistemas de armas durante a operação. O Pentágono divulgou imagens da primeira utilização em combate do Precision Strike Missile, um míssil de alcance ampliado de cerca de 500 quilômetros.
Segundo uma fonte informada sobre a operação, o ataque contra o Irã vinha sendo planejado havia meses. O cronograma foi alterado quando os serviços de inteligência descobriram que Khamenei participaria pessoalmente de uma reunião na manhã de sábado.
Durante mais de duas décadas, a unidade de inteligência cibernética israelense Unit 8200 monitorou os guarda-costas do líder iraniano e invadiu câmeras de trânsito ao redor de seu complexo em Teerã.
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Nos últimos meses, Khamenei vinha passando grande parte das noites em um bunker subterrâneo — tão profundo que, segundo relatos, levava cerca de cinco minutos para chegar até ele. O regime iraniano acreditava que Israel atacaria à noite.
O cálculo se mostrou errado.
Caças israelenses F-15 e outras aeronaves decolaram por volta das 7h30 (horário local do Irã) e chegaram à posição de ataque menos de duas horas depois. Às 9h40 começaram os bombardeios, incluindo o lançamento de mísseis Blue Sparrow. Pelo menos 30 ataques de precisão foram direcionados diretamente ao complexo do líder supremo.
Simultaneamente, Israel interrompeu o serviço telefônico na área do complexo, impedindo que assessores pedissem ajuda. Ainda assim, rapidamente surgiram relatos de ataques aéreos na capital iraniana.
Vídeos publicados nas redes sociais mostraram colunas de fumaça se elevando de vários pontos de Teerã, incluindo a área do complexo do líder supremo. Até as 18h, já era evidente que os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel haviam causado danos significativos, com ao menos seis edifícios atingidos.
Na manhã seguinte, às 5h no horário local, a mídia estatal iraniana confirmou a morte de Khamenei.
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Na juventude, seguiu o caminho do pai nos estudos religiosos, e aos 19 anos foi para Qom, a “capital religiosa” do Irã, onde passou a ter contatos com intelectuais de diversas correntes políticas. Ali, teve aulas com o já influente Ruhollah Khomeini — na época, em meados dos anos 1960, começava a surgir um movimento organizado de oposição ao xá Reza Pahlevi, ao qual Khamenei se uniu em seus primeiros momentos.
Como escreveu o jornalista e dissidente Akbar Ganji em um longo perfil sobre as bases intelectuais de Khamenei para a revista Foreign Affairs, talvez nenhum líder religioso do Irã tenha sido tão cosmopolita como ele, um ávido consumidor de obras de autores clássicos iranianos, russos e franceses: em 2001, em uma entrevista na TV, disse que “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, era o melhor romance da História.
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Ao mesmo tempo, seus anos acadêmicos moldaram posições de sua trajetória política, a começar pela ideia de que o Ocidente e os valores das democracias liberais estavam diante de um declínio inevitável, e que expressavam uma visão de mundo abertamente islamofóbica. Também era um admirador das ideias do poeta egípcio Sayyid al-Qutb, principal teórico da Irmandade Muçulmana e que propagava a ideia de um Estado islâmico: para Khamenei, “o Islã sem um governo e uma nação muçulmana sem o Islã são algo sem sentido”.
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Mísseis Sparrow, usados por Israel
Reprodução: rafael.co.il
Israel utilizou um míssil balístico pouco conhecido, capaz de sair da atmosfera terrestre antes de atingir o alvo, para matar Khamenei, em um ataque surpresa contra Teerã. O armamento, chamado Blue Sparrow, tem alcance aproximado de 2 mil quilômetros e foi projetado para atingir alvos altamente protegidos.
Cilindros metálicos longos, considerados destroços do míssil, foram encontrados no oeste do Iraque, ao longo do que seria sua rota de voo até o território iraniano. O Blue Sparrow integra uma série de mísseis lançados do ar — que inclui também os modelos Black Sparrow e Silver Sparrow — originalmente desenvolvidos para simular os mísseis Scud utilizados pelo Iraque contra Israel durante a Guerra do Golfo de 1991.
Com cerca de 6,5 metros de comprimento e peso aproximado de 1,9 tonelada, o Blue Sparrow foi criado inicialmente como míssil-alvo para testes de sistemas de defesa aérea. Posteriormente, foi adaptado para uso ofensivo como munição ar-superfície, graças à sua alta velocidade e trajetória quase balística.
A capacidade de sair e reentrar na atmosfera terrestre dificulta sua interceptação e reduz o tempo de reação do alvo, tornando-o adequado para atingir objetivos estratégicos e sensíveis em ambientes altamente protegidos, sem expor aeronaves tripuladas.
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Segundo uma fonte informada sobre a operação, o ataque contra o Irã vinha sendo planejado havia meses. O cronograma foi alterado quando os serviços de inteligência descobriram que Khamenei participaria pessoalmente de uma reunião na manhã de sábado.
Durante mais de duas décadas, a unidade de inteligência cibernética israelense Unit 8200 monitorou os guarda-costas do líder iraniano e invadiu câmeras de trânsito ao redor de seu complexo em Teerã.
Caminhando ‘no fundo de um poço já fundo’: Sob escassez e sem combustível, cubanos veem mudança na Venezuela quase com esperança
Nos últimos meses, Khamenei vinha passando grande parte das noites em um bunker subterrâneo — tão profundo que, segundo relatos, levava cerca de cinco minutos para chegar até ele. O regime iraniano acreditava que Israel atacaria à noite.
O cálculo se mostrou errado.
Caças israelenses F-15 e outras aeronaves decolaram por volta das 7h30 (horário local do Irã) e chegaram à posição de ataque menos de duas horas depois. Às 9h40 começaram os bombardeios, incluindo o lançamento de mísseis Blue Sparrow. Pelo menos 30 ataques de precisão foram direcionados diretamente ao complexo do líder supremo.
Simultaneamente, Israel interrompeu o serviço telefônico na área do complexo, impedindo que assessores pedissem ajuda. Ainda assim, rapidamente surgiram relatos de ataques aéreos na capital iraniana.
Vídeos publicados nas redes sociais mostraram colunas de fumaça se elevando de vários pontos de Teerã, incluindo a área do complexo do líder supremo. Até as 18h, já era evidente que os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel haviam causado danos significativos, com ao menos seis edifícios atingidos.
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