Prontidão: Guarda Revolucionária do Irã inicia exercícios militares no Estreito de Ormuz às vésperas de negociação com os EUA
Enquanto diplomatas conversam sobre acordo nuclear: Pentágono se prepara para uma possível guerra com o Irã
O anúncio do fechamento parcial do Estreito de Ormuz — principal via de escoamento das produções de petróleo e gás dos países do Golfo Pérsico — foi feito pela televisão estatal iraniana. A justificativa apresentada na rede oficial foi o respeito aos “princípios de segurança e navegação”, uma vez que as forças navais da Guarda Revolucionária iniciaram treinamentos de prontidão na segunda-feira, com o objetivo anunciado de preparar uma resposta rápida em caso de agressões.
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“As principais rotas de trânsito do Estreito de Ormuz estão sob o controle da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, e o Irã não tem linhas vermelhas quando se trata de salvaguardar a segurança nesta região”, informou a TV estatal.
A tensão militar entre os países rivais acontece em meio a um delicado processo diplomático, que ocorre por meio de diálogos indiretos mediados por representantes de Omã. A primeira rodada de negociações aconteceu na capital do país do Oriente Médio, Mascate, e terminou com avaliações positivas das duas partes — embora não tenha dissipado a escalada bélica.
Na noite de segunda-feira, quando a representação iraniana liderada pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi, já estava em Genebra, Trump voltou a fazer ameaças veladas ao regime — que horas antes havia dito que não se dobraria a ameaças.
— Eles querem chegar a um acordo. Não acho que queiram as consequências de não alcançar um acordo — afirmou o republicano, que em uma declaração recente já havia dito que o tempo para a diplomacia estava se encerrando.
Mapa mostra onde fica localizado o Estreito de Ormuz
Arte O GLOBO
As declarações de Trump foram rebatidas por Teerã. Em um discurso na capital iraniana, o aiatolá Ali Khamenei direcionou comentários ao presidente americano, e afirmou que Washington não destruiria a República Islâmica, apesar da escalada militar.
— Em um de seus discursos recentes, o presidente dos EUA disse que, em 47 anos, os EUA não conseguiram destruir a República Islâmica… Eu lhes digo: vocês também não conseguirão — disse o aiatolá em um discurso, ameaçando ainda afundar a frota americana enviada para a região. — Ouvimos constantemente que eles enviaram um navio de guerra em direção ao Irã. Um navio de guerra é certamente uma arma perigosa, mas ainda mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo.
Trump anunciou recentemente o envio do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, para o Golfo Pérsico, reforçando o que foi descrito pelo próprio como uma “Armada” que já contava com um porta-aviões, o USS Abraham Lincoln. Os dois navios contam servem de ponto de partida para alguns dos jatos de caça mais poderosos e versáteis do mundo, como os F-18 e os F-35 — que poderiam ser acionado para bombardeios contra o território iraniano.
Meios militares dos EUA mobilizados no Oriente Médio, para além do porta-aviões USS Gerald R. Ford
Arte/ O GLOBO
Mesa de negociações
Retórica militar à parte, delegações diplomáticas de Irã e EUA participaram de uma negociação indireta em Genebra. A expectativa era de que ao menos o escopo dos termos em discussão fossem definidos, uma vez que Teerã afirmou que apenas o programa nuclear deve ser discutido, enquanto Washington e aliados pretendiam, ao menos inicialmente, impor limitações ao programa de mísseis balísticos iraniano e à rede de milícias e grupos armados conhecido como “Eixo da Resistência”.
Autoridades iranianas apresentaram expectativas distintas ao longo dos últimos dias. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse na segunda-feira que a avaliação de momento era de que a posição dos EUA sobre a questão nuclear iraniana “se tornou mais realista” após a primeira negociação em Mascate. O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, colocou o “levantamento das sanções” como fundamental para um acordo. Khamenei expressou ceticismo.
O enviado especial americano, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, representaram o governo Trump em Genebra. Fontes confirmaram que a conversa foi encerrada, mas sem nenhum anúncio público imediatamente após a conclusão. (Com AFP)








