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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda a possibilidade de fazer um aporte a Cuba, com foco na área humanitária, especialmente no envio de alimentos e remédios. A avaliação interna é que a situação na ilha se agravou nos últimos meses e pode se tornar ainda mais delicada.
Segundo interlocutores que acompanham o tema em Brasília, a situação de Cuba deve ser tratada na conversa entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para o próximo mês, em Washington. Eles observam que a forma como o assunto será levado dependerá da evolução do quadro na ilha caribenha.
A administração do presidente dos EUA tem bloqueado o fornecimento de petróleo à ilha e ameaçado aplicar tarifas a países que continuem a fornecer óleo a Cuba. A medida tem agravado a escassez de combustível, provocado racionamentos de energia e levado ao cancelamento de voos por falta de jet fuel no país.
A situação de desabastecimento de comida e remédios em Cuba se soma à crise energética — o país enfrenta dificuldades para manter o fornecimento de petróleo e combustíveis essenciais, impactando transporte, serviços básicos e a vida cotidiana de seus cerca de 11 milhões de habitantes. A Embaixada do Brasil em Havana acompanha diariamente relatos sobre as dificuldades enfrentadas pela população. Existem cerca de 150 brasileiros residindo na ilha caribenha.
O governo brasileiro avalia que, a exemplo do que fez o México, pode ser necessário um esforço para mitigar os efeitos mais imediatos da crise, sobretudo nas áreas de saúde e abastecimento alimentar. Ainda não há definição sobre o formato, o volume ou o momento de eventual apoio, e qualquer anúncio é considerado prematuro. A possibilidade, no entanto, está em análise.
Interlocutores a par do assunto afirmam que o governo cubano informou não ter condições de manter o fornecimento de combustível para determinadas operações, o que afeta não apenas o turismo e o transporte de passageiros, mas principalmente o transporte de mercadorias, realizado em grande parte por navios. A escassez de combustível impacta diretamente a distribuição de bens essenciais.
Integrantes do governo brasileiro destacam que a preocupação central é humanitária. Cuba, que já enfrenta há décadas restrições econômicas e dificuldades de abastecimento, tem visto a situação relacionada à produção e ao fornecimento de alimentos e medicamentos se agravar nos últimos meses. A interrupção de fluxos energéticos, especialmente da Venezuela, somada ao anúncio de sanções tarifárias contra países que mantenham relações com a ilha, tende a intensificar esse quadro.

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A Rússia anunciou na terça-feira que suas Forças Armadas iniciaram três dias de exercícios com armas nucleares, envolvendo milhares de soldados em todo o país.
“De 19 a 21 de maio de 2026, as Forças Armadas da Federação Russa realizarão um exercício de preparação e uso de forças nucleares em caso de ameaça de agressão”, informou o Ministério da Defesa russo.
Parlamentares da oposição em Taiwan não conseguiram, na terça-feira, aprovar o impeachment do presidente Lai Ching-te, após o número de votos a favor da moção ficar aquém do mínimo necessário. Lai e o Partido Democrático Progressista (DPP) estão envolvidos em uma acirrada disputa de poder com os dois partidos de oposição que controlam o parlamento desde que ele assumiu o cargo em maio de 2014.
Parlamentares do Kuomintang (KMT) e do Partido Popular de Taiwan (TPP) iniciaram o processo de impeachment depois que Lai e o primeiro-ministro se recusaram a assinar um projeto de lei de partilha de receitas. No final, 56 parlamentares apoiaram a moção contra o presidente, enquanto 50 se opuseram (de um total de 113 cadeiras no parlamento). O número de votos a favor ficou abaixo dos dois terços necessários para a aprovação do impeachment.
Um ponto crucial de discórdia entre o governo de Lai e a oposição tem sido o montante a ser gasto na defesa da ilha contra um possível ataque da China. Pequim reivindica Taiwan como parte de seu território e chegou a ameaçar tomá-la à força. Lai, um defensor ferrenho da soberania da ilha, acusou a China de ser a “principal causa” da instabilidade na região.
O Kuomintang (KMT), por sua vez, defende relações mais estreitas com Pequim. O líder do partido, Cheng Li-wun, viajou recentemente à capital chinesa para se encontrar com o presidente Xi Jinping e culpa Lai por exacerbar as tensões entre Taiwan e o gigante asiático.
Com o conflito no Irã ainda latente, a obsessão do presidente americano, Donald Trump, com a Groenlândia parece um detalhe esquecido. Mas, nos últimos quatro meses, negociadores dos Estados Unidos, da Groenlândia e da Dinamarca, que controla as relações exteriores da Groenlândia, têm mantido conversas confidenciais em Washington sobre o futuro do território. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
À medida que se esgotava, na semana passada, o prazo de uma trégua de três dias na guerra na Ucrânia anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, centenas de drones russos, bombas guiadas e mísseis voltaram a atingir o país, deixando ao menos 12 civis mortos, segundo autoridades. Os combates na linha de frente sequer foram pausados durante o suposto período de cessar-fogo. Para analistas, o episódio evidencia como esse conceito vem sendo esvaziado de seu significado tradicional na era Trump e transformado em um instrumento de diplomacia performática — pausas simbólicas usadas para gerar impacto político e midiático enquanto a máquina de guerra segue operando. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em meados de março, uma das gigantes do setor de telecomunicações, a francesa Alcatel, anunciou a suspensão de todas as atividades de manutenção em cabos submarinos no Golfo Pérsico, uma rede de transmissão de dados com ramificações por Oriente Médio e Ásia, África e Europa. A empresa justificou a decisão citando as ameaças de segurança às embarcações devido à guerra, destacando uma vulnerabilidade que pode ser explorada financeiramente pelo Irã. Depois de cobrar pedágio no Estreito de Ormuz, o país quer que as empresas de tecnologia paguem pelo uso de seu leito marinho, e também pela proteção das equipes de reparos em um ambiente hoje de guerra.
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Os primeiros indícios do plano surgiram na semana passada, através de duas agências de notícias ligadas à Guarda Revolucionária, a Tasnim e a Fars. Dentre os cabos que cruzam o Golfo, dois passam pelao Irã: Falcon e Gulf Bridge International (GBI). Usando mesma lógica que norteia o “pedágio” naval, o da soberania territorial, Teerã considera ter direito a compensações. Anteriormente, as duas agências publicaram textos sobre a “vulnerabilidade” dos cabos na região.
“Mudanças fundamentais no ambiente de segurança, na economia política internacional e a evolução do conceito de poder na era da informação tornaram inevitável repensar os componentes da governança territorial e o exercício da soberania da República Islâmica do Irã sobre passagens estratégicas, especialmente o Estreito de Ormuz”, diz o artigo publicado pela Tasnim e pela Fars.
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Uma base da argumentação é a Convenção da ONU sobre a Lei do Mar, de 1982, que estabelece que os países com acesso ao mar têm o direito de decidir sobre a passagem de cabos de comunicações por seus leitos marinhos. Contudo, um outro trecho da legislação, da qual o Irã é signatário, mas que jamais ratificou, prevê o livre trânsito de navios e meios de comunicação já existentes.
— É claro que, no caso de cabos já existentes, o Irã precisa cumprir o contrato firmado quando o cabo foi instalado — disse Irini Papanicolopulu, professora de direito internacional da Universidade de Londres, à CNN. — Mas, para novos cabos, qualquer Estado, incluindo o Irã, pode decidir se e sob quais condições os cabos podem ser instalados em seu mar territorial.
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A proposta tem três etapas. A primeira é a cobrança pelo uso do leito marinho iraniano, feita com base na extensão dos cabos e acrescida de uma taxa de licenciamento adicional. Na segunda, gigantes da tecnologia que operam na região — como Google, Amazon e Microsoft — seriam obrigadas a se sujeitar à legislação iraniana, o que seria uma forma de pressão para que estabeleçam parcerias com o governo local. Por fim, Teerã quer que as atividades de manutenção sejam realizadas por empresas iranianas, efetivamente garantindo seu monopólio.
“A interpretação mais plausível é que o objetivo não é cortar os cabos, mas sim manter a infraestrutura de reparos como refém”, aponta uma análise da companhia Windward, especializada no setor marítimo. “As operadoras enfrentam uma escolha: pagar taxas de proteção e aceitar o licenciamento iraniano para atividades no leito marinho do Golfo Pérsico, ou aceitar que futuras falhas possam permanecer sem reparo indefinidamente.”
A Windward cita que “um único sistema de cabos transoceânicos custa entre US$ 300 milhões e US$ 1 bilhão para ser implantado”, e que “o valor esperado de uma taxa de proteção iraniana, da perspectiva de Teerã, está estruturado para ficar bem abaixo desse valor”.
Mapa da passagem de cabos submarinos, que transmitem informações comerciais e alimentam internet do Ocidente.
Submarine Cable Map/Reprodução
Os cabos submarinos são um dos elementos mais estratégicos de nossa sociedade, conduzindo 95% do tráfego de internet, garantindo transações financeiras e o acesso a sistemas de armazenamento em nuvem. De acordo com a Telegeography, centro de pesquisa da indústria de telecomunicações, até o fim de 2025 havia 570 cabos operacionais, além de projetos para outras 81 estruturas.
Mas importância caminha lado a lado com a vulnerabilidade. Interrupções, mesmo que de curto prazo, impactam empresas, governos e cidadãos, com prejuízos de bilhões de dólares. Em 2024 e 2025, danos a cabos no Mar Vermelho causaram problemas a usuários no Oriente Médio e Sul da Ásia. As suspeitas recaíram sobre a milícia houthi, aliada do Irã no Iêmen e que havia ameaçado cortar cabos anteriormente, mas especialistas dizem que os danos parecem ter sido acidentais. No Mar Báltico, embarcações russas foram acusadas de danificar cabos em 11 incidentes desde 2022, quando começou a guerra na Ucrânia. Moscou nega qualquer envolvimento, e atribuir responsabilidades nem sempre é um processo simples.
— O desafio é que muito disso pode ser envolto no que poderíamos descrever como negação plausível — disse Nick Childs, pesquisador sênior de forças navais e segurança marítima do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, à CNN em 2025, mencionando que o Mar Báltico é uma via congestionada e sujeita a acidentes.
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O Irã não ameaçou explicitamente cortar os cabos no Golfo, mas a proposta de cobrança, aliada à estratégia de compartilhamento dos impactos da guerra com seus vizinhos, acendeu um alerta. Uma ação em massa contra os cabos impactaria a indústria de petróleo, o sistema bancário e o acesso à internet em partes da Ásia, Europa e África. A Índia, por exemplo, perderia bilhões com a restrição de acesso à internet em sua indústria de serviços terceirizados.
Barcos iranianos carregados cruzam o Estreito de Ormuz, próximo ao porto de Khasab, em Omã
Karim Sahib/AFP
Dentro do complexo e longo (6,4 mil palavras) artigo publicado pela Tasnim e pela Fars, os iranianos citam países que cobram pela passagem de cabos submarinos. O principal caso é o do Egito, que recebe algumas centenas de milhões de dólares por ano para permitir que cabos importantes, que ligam Europa e Ásia, transitem por ali. Mas especialistas destacam uma diferença crucial: o Canal de Suez, principal via dos cabos, é uma passagem artificial, construída em território egípcio. O Estreito de Ormuz, apontam, é uma passagem natural regida por regras internacionais distintas.
As chances de que empresas e governos se submetam às exigências do Irã são consideradas praticamente nulas, e qualquer ação de restrição de tráfego — incluindo sabotagem — seria respondida com processos judiciais e até ações armadas dos EUA e aliados na região do Golfo. Mas a simples intenção de criar um novo pedágio já é uma mudança de paradigma.
— A única maneira de conseguirem cobrar pedágio de navios ou cabos submarinos é por meio de ameaças — afirmou ao jornal britânico Guardian Doug Madory, especialista em estrutura de internet na empresa Kentik, especializada em inteligência no setor de comunicações. — Isso é algo que nunca vimos antes.
A polícia de choque boliviana entrou em confronto nesta segunda-feira com manifestantes, usando gás lacrimogêneo, enquanto estes exigiam a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, que está sitiado por bloqueios que cercam a capital política do país há mais de duas semanas. Apenas seis meses após assumir o poder, Paz está em apuros com camponeses, operários, mineiros e professores que exigem medidas para enfrentar a pior crise econômica da Bolívia em quatro décadas.
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Em meio aos distúrbios, o Ministério Público anunciou que havia ordenado a prisão de um dos líderes dos protestos, Mario Argollo, representante da Central Operária Boliviana, o maior sindicato do país, por supostos crimes de “incitação pública ao crime” e “terrorismo”.
Usando explosivos e pedras, manifestantes tentaram entrar na Plaza de Armas, onde fica o Palácio do Governo, por volta do meio-dia, confirmaram jornalistas da AFP.
Protegidos com escudos, coletes e capacetes, os policiais antimotim os confrontaram durante várias horas com gás lacrimogêneo, que cobriu as ruas com uma densa névoa.
Um grupo de manifestantes saqueou um cartório de registro de imóveis, levando móveis, computadores, monitores e outros materiais de escritório, segundo imagens divulgadas pelo Ministério do Governo.
Em 18 de maio de 2026, manifestantes em La Paz exigem a renúncia do presidente boliviano Rodrigo Paz
AIZAR RALDES / AFP
A AFP observou pelo menos dois manifestantes feridos. As autoridades ainda não relataram nenhuma prisão, mas informaram que uma viatura policial foi incendiada. No final da tarde, a calma retornava à cidade.
Logo pela manhã, em meio ao barulho de fortes explosões e gritos contra o governo, milhares de manifestantes tomaram as ruas do centro de La Paz, onde todos os estabelecimentos comerciais fecharam as portas.
— Queremos que ele renuncie porque é incompetente. A Bolívia está vivendo um momento de caos — disse à AFP Iván Alarcón, um agricultor aimará de 60 anos de Caquiaviri, que viajou cerca de 90 km para protestar.
Uma marcha de apoiadores do ex-presidente socialista Evo Morales, que governou de 2006 a 2019, também chegou a La Paz nesta segunda-feira, após caminhar durante sete dias desde Caracollo, em Oruro, a 180 km ao sul de La Paz.
Os apoiadores de Morales, que também pedem a renúncia de Paz, temem que seu líder, procurado pela justiça por um suposto caso de tráfico de menores e atualmente escondido na região produtora de coca de Chapare, no centro do país, seja capturado em breve.
Relembre: Mesmo escondido da polícia, Evo Morales vota na Bolívia
‘¡Vendepatria!’
— A Bolívia está atravessando um momento crítico com este governo traidor, que está entregando nossos recursos naturais a corporações transnacionais — disse à AFP um manifestante mascarado, que preferiu não se identificar. — Não permitiremos (…) que este governo continue a vender e a endividar o nosso país.
Mineiros entram em confronto com a polícia de choque durante um protesto exigindo a renúncia do presidente boliviano Rodrigo Paz, em La Paz, em 18 de maio de 2026
JORGE BERNAL / AFP
No sábado, militares e policiais entraram em confronto com manifestantes e conseguiram abrir temporariamente algumas vias de acesso a La Paz, em meio à grave escassez de alimentos, medicamentos e combustível causada pelos bloqueios.
Hernán Paredes, vice-ministro do Interior e da Polícia, informou nesta segunda-feira que um agricultor morreu nos confrontos, após cair em uma vala.
Apesar das ações das forças de segurança, os manifestantes retomaram suas posições no sábado e continuaram bloqueando as vias de acesso a La Paz na segunda-feira. Há pelo menos 33 bloqueios em todo o país, segundo a Administração Rodoviária Boliviana, órgão estatal.
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O governo implementou uma “ponte aérea” por pouco mais de uma semana para contornar os bloqueios e levar carne e vegetais à cidade.
A ascensão de Paz ao poder pôs fim a 20 anos de administrações socialistas lideradas por Morales e Luis Arce (2020-2025).
A Bolívia atravessa sua pior crise econômica desde a década de 1980. O país esgotou suas reservas em dólares para sustentar uma política de subsídios aos combustíveis, que Paz eliminou em dezembro, e sua inflação anual atingiu 14% em abril.
A Bielorrússia deu início, em parceria com a Rússia, a manobras militares envolvendo o arsenal militar russo instalado no país, incluindo o míssil balístico Oreshnik, já usado na invasão russa da Ucrânia, mas com munições convencionais. O anúncio dos exercícios coincide com um cenário cada vez mais complexo no conflito em solo ucraniano, com combates inconclusivos, ataques aéreos violentos e sem avanços pelo lado diplomático.
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Segundo o Ministério da Defesa bielorrusso, os exercícios são voltados ao “treinamento de pessoal, testar a prontidão de armamentos, equipamentos militares e especiais para missões e organizar o desdobramento em combate a partir de áreas não planejadas”. No ponto mais importante, serão organizadas ações ligadas ao ”lançamento de armas nucleares e sua preparação para uso”, em parceria com a Rússia.
“O objetivo principal deste evento será testar a prontidão para realizar missões de combate em áreas despreparadas em toda a República da Bielorrússia. O foco principal será praticar operações furtivas, deslocamento por longas distâncias e realizar cálculos para o uso de forças e recursos”, enfatizou o Ministério da Defesa.
Míssil Oreshnik
Reprodução/X
Em setembro de 2024, a Rússia revisou sua doutrina nuclear, abrindo caminho para o posicionamento de armas nucleares na Bielorrússia, sua maior aliada na Europa. No ano seguinte, os primeiros mísseis do modelo Oreshnik — usados na Ucrânia em sua versão com explosivos convencionais — foram instalados no país. Durante os tempos da União Soviética, a Bielorrússia abrigava lançadores móveis de armas nucleares, e concordou, ao lado de Ucrânia e Cazaquistão, a entregar as ogivas à Rússia em troca de garantias de segurança, através do chamado Memorando de Budapeste, de 1994.
Embora a Bielorrússia seja usada pela Rússia como base para a guerra contra a Ucrânia, oficialmente o país não integra a chamada “Operação Militar Especial”. No comunicado, o Ministério da Defesa local diz que as manobras não são uma ação para intimidar outros países, tampouco representam uma ameaça à segurança regional. O comando militar russo não se pronunciou.
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As explicações do governo em Minsk não foram bem recebidas em Kiev, onde o temor de que uma arma nuclear seja usada pela Rússia está presente desde 2022.
“O destacamento de armas nucleares táticas russas na Bielorrússia e os exercícios nucleares conjuntos conduzidos pelas duas ditaduras representam um desafio sem precedentes à arquitetura de segurança global”, escreveu, em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia. “Ao transformar a Bielorrússia em sua base de operações nucleares perto das fronteiras da Otan, o Kremlin está, de fato, legitimando a proliferação de armas nucleares em todo o mundo e estabelecendo um precedente perigoso para outros regimes autoritários.”
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Os exercícios ocorrem no momento em que a Ucrânia dá sinais pontuais de sucesso na contenção de avanços terrestres russos e impõe custos elevados à Rússia com seus ataques com drones a instalações militares e energéticas. Por outro lado, Moscou intensificou o volume dos bombardeios contra cidades ucranianas, deixando centenas de vítimas nas últimas semanas. No campo diplomático, não há qualquer sinal de que os dois lados planejem retomar as negociações para um acordo de paz duradouro.
Um ataque a tiros deixou três mortos nesta segunda-feira no Centro Islâmico de San Diego, na Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo a polícia local, dois suspeitos também morreram e a “ameaça foi neutralizada”.
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Homens armados abrem fogo dentro de mesquita em San Diego, nos EUA
Reprodução / Google Maps
A corporação informou, em publicação nas redes sociais, que a situação foi controlada após o registro de um atirador ativo no complexo da mesquita. Inicialmente, autoridades indicaram que pessoas poderiam ter sido baleadas; posteriormente, foi confirmada a morte de três vítimas.
O prefeito de San Diego, Todd Gloria, afirmou que equipes de emergência foram enviadas ao local e confirmou que houve disparos dentro do complexo, que inclui uma mesquita e uma escola.
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“Estou ciente da situação de um atirador armado no Centro Islâmico de San Diego. As equipes trabalham para proteger a comunidade e garantir a segurança da área”, escreveu.
A polícia declarou nas redes sociais que “a ameaça no centro islâmico foi neutralizada” e informou ter realizado um grande deslocamento de forças de segurança para a região.
Imagens exibidas por emissoras de TV americanas mostraram dezenas de viaturas e um grande contingente de agentes fortemente armados cercando o local. O trânsito foi interrompido, e moradores foram orientados a permanecer em casa. Registros aéreos também mostraram uma pessoa caída no local.
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A CNN informou que um segurança morreu, segundo um representante da mesquita.
— Todas as crianças, funcionários e professores estão em segurança fora do centro islâmico — disse em vídeo um responsável pela instituição, o imã Taha Hassane. — Neste momento, não há mais nenhuma ameaça.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, foi informado sobre o caso e agradeceu às equipes de emergência que atuaram na ocorrência.
A polícia responde a um suposto atirador ativo no Centro Islâmico de San Diego, em San Diego, Califórnia, nos EUA, em 18 de maio de 2026
Zoë Meyers / AFP
A mesquita fica no bairro de Clairemont, a cerca de 14 quilômetros do centro de San Diego, uma área predominantemente residencial. O local integra o maior centro islâmico do condado e abriga também a Escola Al Rashid, voltada ao ensino de língua árabe e estudos religiosos. De acordo com a instituição, o centro tem como missão não apenas atender à comunidade muçulmana, mas também desenvolver ações sociais e educativas em parceria com outros grupos religiosos.
A polícia não informou, até o momento, a motivação do ataque.
(Com AFP)
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que suspendeu um ataque contra o Irã, previsto para ocorrer nesta terça-feira, a pedido de governos de países árabes no Golfo Pérsico, no momento em que as negociações para um acordo definitivo para o fim do conflito se encontram em um impasse de difícil solução. Ao mesmo tempo, o republicano determinou que as Forças Armadas do país sigam em prontidão para atacar a qualquer momento.
“Fui solicitado pelo Emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, pelo Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman al-Saud, e pelo Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed al-Nahyan, a adiar o nosso planejado ataque militar contra a República Islâmica do Irã, que estava agendado para amanhã”, escreveu Trump no Truth Social.
Em atualização

O programa premiado Caminhos da Reportagem apresenta, na segunda-feira (18), a edição Escala 6×1: um País Cansado, que traz um panorama sobre como a redução do tempo de trabalho está sendo discutida no país. A atração vai ao ar às 23h na TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O fim da escala de seis dias de trabalho para um dia de folga (6×1) está em debate em todo o país, desde 2015, no Congresso Nacional. A discussão ganhou as ruas, e movimentos sociais têm pressionado pela mudança.

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Neste ano, o governo federal, que também levantou a bandeira da redução da jornada, enviou um projeto de lei para o Congresso. Experiências de diminuição do tempo de trabalho apontam possíveis caminhos, com mais tempo de vida fora do trabalho e descanso para trabalhadores.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirma que, para o governo, o que está sendo discutido é a redução da jornada de trabalho máxima de 44 horas para 40 horas semanais, com duas folgas e sem perda de salário. “Isso não impede de delegar para a negociação coletiva para ver qual a grade de jornada. Trabalhadores e empregadores saberão melhor organizar esse processo.”

O Caminhos da Reportagem apresenta a história de Otoniel Ramos da Silva, que trabalha como porteiro de segunda a sábado no Rio de Janeiro. Além de ser um dos trabalhadores que vivem a escala 6×1, Otoniel mora na região metropolitana onde a população perde mais tempo indo para o trabalho.

O profissional leva, em média, duas horas para ir e duas horas para voltar, nos seis dias da semana em que trabalha. O domingo é o único dia de folga. “O trabalho é tranquilo, já o desgaste para o trabalho, a ida e a volta, é o que mais cansa”, diz.

A escala 6×1 impacta negativamente na felicidade, segundo estudo coordenado pela pesquisadora e fundadora da Reconnect, Renata Rivette. Ela explica que, por muito tempo, se acreditou que era possível separar o trabalho da vida pessoal. “Hoje a gente sabe que não. E dependendo da escala, tem já uma exaustão física, tem uma exaustão mental, e a pessoa vive quase que a vida infinita do trabalho.”

Iniciativas inovadoras

A rede hoteleira Hplus, que conta com 18 hotéis no Brasil, vem adotando gradativamente a escala 5×2 entre os funcionários, mas mantém a jornada de 44 horas semanais. A iniciativa partiu da proprietária da rede, a empresária Paula Faure, que aposta nos benefícios para a equipe e para os negócios.

A expectativa é diminuir o número de atestados e a rotatividade dos funcionários. “O nosso turnover, nossa rotatividade, chega a 50% ao ano. Isso significa que todo ano metade da minha equipe pede demissão, e eu tenho que recontratar metade dessa equipe. Isso gera tempo de recrutamento, tempo de treinamento e de seleção.”

Em São Paulo, a Coffee Lab foi fundada em 2004 e, desde o começo, funcionava com a escala 5×2. A empresa foi uma das 19 que participaram do desafio Four Day Week Global, que significa semana de quatro dias em português. Desde então, mudou para a escala 4×3, quatro dias de trabalho e três de descanso.

“A escala 4×3 está sendo melhor que a 5×2 em muitos aspectos, operacionais, financeiros, de clima organizacional.  Inclusive, os funcionários nessa escala são mais concentrados, eles erram menos. Então, a empresa erra menos. O turnover também, né, gente? Nossa, é 8%. O turnover de 8% é muito pequeno”, destaca a torrefadora e proprietária, Isabela Raposeiras.

O barista e instrutor Claudevan Leão afirma que ter três dias de folga na semana permite que ele descanse mentalmente e fisicamente. “Ter a escala 4×3 fez com que a gente lembrasse que eu tenho uma vida fora do trabalho”, diz o funcionário.

Consumidor

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem encabeçado a apreensão dos empresários que temem a redução da jornada. O presidente do Conselho de Assuntos Legislativos da CNI, Paulo Afonso Ferreira, explica que a confederação não é contra discutir o tema, mas alerta que, caso haja a mudança, quem vai acabar pagando a conta é o consumidor, uma vez que as empresas precisarão pagar o mesmo salário de 44 horas semanais para 40 horas semanais.

“Vamos fazer esse comprometimento, os sindicatos laborais junto com os sindicatos patronais, vamos fazer um acordo, como nós já fizemos no meu setor da construção, mas não foi uma coisa imposta.”

O pesquisador e professor da FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), Fernando de Holanda Barbosa, acredita que o ponto principal de preocupação da proposta é justamente a redução da carga total de trabalho, com a consequente diminuição da produção, e manutenção do salário.

“O que significa? Que o trabalhador vai ficar mais caro por hora trabalhada. Obviamente você espera que haja uma reação ao longo do tempo das empresas.”

Avanços

Uma reação que o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, assessor das centrais sindicais, afirma não ser nova. Ele diz que a experiência mostra que as empresas procuram outros caminhos que não necessariamente o repasse imediato para o preço, e que os empresários usaram as mesmas justificativas em 1988, quando houve, pela Constituição Federal, a redução de 48 horas para 44 horas semanais.

“Vocês nos disseram em 1988 a mesma coisa que estão dizendo hoje, que as empresas iam quebrar, que o país ia quebrar, a inflação ia aumentar, os empregos iam aumentar, a informalidade ia aumentar, as mesmas coisas. Nada disso que vocês falaram aconteceu.”

Da área da economia, a pesquisadora e professora da Unicamp Marilane Teixeira defende que o Brasil está pronto para trabalhar menos. Segundo ela, avanços tecnológicos foram observados nos últimos 38 anos, desde a última redução da jornada de trabalho.

“Eu acho que a tecnologia já permite que o Brasil trabalhe menos, e as pessoas possam usufruir de uma jornada de trabalho menor.”

Sobre o programa

No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das produções jornalísticas brasileira mais prestigiadas pelo público e a crítica. No final de 2025, o programa da TV Brasil ultrapassou a marca de 100 prêmios recebidos. Os reconhecimentos atestam a relevância editorial, a qualidade jornalística e o compromisso da equipe com reportagens aprofundadas sobre os mais variados temas de interesse público.

Exibido às segundas, às 23h, o Caminhos da Reportagem tem horário alternativo na madrugada para terça, às 2h30. A produção disponibiliza as edições especiais no site e no YouTube da emissora pública. As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play, disponível nas versões Android e iOS, e no site http://tvbrasilplay.com.br.

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Serviço

Caminhos da Reportagem – Escala 6×1: um País Cansado – Segunda-feira (18), às 23h, na TV Brasil

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