Contexto: Dezenas de pessoas são presas durante confrontos entre polícia e manifestantes na Bolívia
Esquerda deixou o poder após 20 anos: Rodrigo Paz é eleito presidente na Bolívia, aponta resultado preliminar
Em meio aos distúrbios, o Ministério Público anunciou que havia ordenado a prisão de um dos líderes dos protestos, Mario Argollo, representante da Central Operária Boliviana, o maior sindicato do país, por supostos crimes de “incitação pública ao crime” e “terrorismo”.
Usando explosivos e pedras, manifestantes tentaram entrar na Plaza de Armas, onde fica o Palácio do Governo, por volta do meio-dia, confirmaram jornalistas da AFP.
Protegidos com escudos, coletes e capacetes, os policiais antimotim os confrontaram durante várias horas com gás lacrimogêneo, que cobriu as ruas com uma densa névoa.
Um grupo de manifestantes saqueou um cartório de registro de imóveis, levando móveis, computadores, monitores e outros materiais de escritório, segundo imagens divulgadas pelo Ministério do Governo.
Em 18 de maio de 2026, manifestantes em La Paz exigem a renúncia do presidente boliviano Rodrigo Paz
AIZAR RALDES / AFP
A AFP observou pelo menos dois manifestantes feridos. As autoridades ainda não relataram nenhuma prisão, mas informaram que uma viatura policial foi incendiada. No final da tarde, a calma retornava à cidade.
Logo pela manhã, em meio ao barulho de fortes explosões e gritos contra o governo, milhares de manifestantes tomaram as ruas do centro de La Paz, onde todos os estabelecimentos comerciais fecharam as portas.
— Queremos que ele renuncie porque é incompetente. A Bolívia está vivendo um momento de caos — disse à AFP Iván Alarcón, um agricultor aimará de 60 anos de Caquiaviri, que viajou cerca de 90 km para protestar.
Uma marcha de apoiadores do ex-presidente socialista Evo Morales, que governou de 2006 a 2019, também chegou a La Paz nesta segunda-feira, após caminhar durante sete dias desde Caracollo, em Oruro, a 180 km ao sul de La Paz.
Os apoiadores de Morales, que também pedem a renúncia de Paz, temem que seu líder, procurado pela justiça por um suposto caso de tráfico de menores e atualmente escondido na região produtora de coca de Chapare, no centro do país, seja capturado em breve.
Relembre: Mesmo escondido da polícia, Evo Morales vota na Bolívia
‘¡Vendepatria!’
— A Bolívia está atravessando um momento crítico com este governo traidor, que está entregando nossos recursos naturais a corporações transnacionais — disse à AFP um manifestante mascarado, que preferiu não se identificar. — Não permitiremos (…) que este governo continue a vender e a endividar o nosso país.
Mineiros entram em confronto com a polícia de choque durante um protesto exigindo a renúncia do presidente boliviano Rodrigo Paz, em La Paz, em 18 de maio de 2026
JORGE BERNAL / AFP
No sábado, militares e policiais entraram em confronto com manifestantes e conseguiram abrir temporariamente algumas vias de acesso a La Paz, em meio à grave escassez de alimentos, medicamentos e combustível causada pelos bloqueios.
Hernán Paredes, vice-ministro do Interior e da Polícia, informou nesta segunda-feira que um agricultor morreu nos confrontos, após cair em uma vala.
Apesar das ações das forças de segurança, os manifestantes retomaram suas posições no sábado e continuaram bloqueando as vias de acesso a La Paz na segunda-feira. Há pelo menos 33 bloqueios em todo o país, segundo a Administração Rodoviária Boliviana, órgão estatal.
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O governo implementou uma “ponte aérea” por pouco mais de uma semana para contornar os bloqueios e levar carne e vegetais à cidade.
A ascensão de Paz ao poder pôs fim a 20 anos de administrações socialistas lideradas por Morales e Luis Arce (2020-2025).
A Bolívia atravessa sua pior crise econômica desde a década de 1980. O país esgotou suas reservas em dólares para sustentar uma política de subsídios aos combustíveis, que Paz eliminou em dezembro, e sua inflação anual atingiu 14% em abril.








