USS Gerald Ford: Veja em gráficos o maior navio de guerra do mundo, que chegou a Israel em meio a tensões entre EUA e Irã
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O USS Gerald R. Ford chegou nesta sexta-feira em Israel, em meio a tensões dos EUA com o Irã. O super-porta-aviões — descrito pela Marinha americana como “a plataforma de combate mais capaz, adaptável e letal do mundo” —, que foi enviado ao Mediterrâneo esta semana em um reforço militar para pressionar Teerã, deixou uma base naval em Creta, Grécia, na quinta-feira. A partida ocorreu no mesmo dia em que uma nova rodada de negociações indiretas entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano, mediadas por Omã, teve início em Genebra, e que vem sendo tratada como decisiva pelo presidente americano, Donald Trump, para determinar ou não um ataque à nação persa.
O problema central do porta-aviões enfrenta o sistema de coleta e transporte de resíduos por vácuo — uma tecnologia herdada parcialmente de navios de cruzeiro para economizar água, porém inadequada à operação intensa de uma embarcação de guerra. O equipamento atende cerca de 650 sanitários para uma tripulação de quase 5 000 pessoas. Quando uma “head” (toalete) falha, partes inteiras do sistema perdem sucção, exigindo reparos complexos.
Documentos internos revelam que a equipe de engenharia registrou 205 chamados de manutenção em um período de quatro dias, com técnicos chegando a trabalhar até 19 horas por dia para desobstruir canos e corrigir vazamentos. Fragmentos de roupas, cordas e peças soltas estão entre os itens que entopem o sistema, segundo os relatos.
A situação chegou a gerar filas de até 45 minutos para uso dos sanitários e frequentes queixas entre a tripulação, criando um ambiente de trabalho desconfortável em um navio já pressionado pela rotina extenuante.
Custo, manutenção e limitações técnicas
O sistema problemático já havia sido identificado como deficiente por auditores antes mesmo da conclusão da construção do Ford. Soluções temporárias, como lavagens químicas que podem custar cerca de US$ 400 mil cada (cerca de R$ 2 milhões), só podem ser feitas em portos, não durante a operação em alto mar.
Autoridades da Marinha afirmam que o porta-aviões permanece “totalmente operacional” e que incidentes têm diminuído, mas o conserto permanente exigirá tempo e investimentos além da janela atual de missão.
Além da infraestrutura precária, a extensão repetida da missão tem afetado a moral dos marinheiros. Entrevistas citadas pelo The Wall Street Journal mencionam tripulantes que perderam funerais de parentes, tiveram aniversários e marcos familiares deixados para trás e consideram deixar a carreira militar após o retorno.
Famílias em terra relatam frustração com a incerteza prolongada e dificuldades de comunicação por causa da natureza sigilosa das movimentações do navio.
A presença prolongada da USS Gerald R. Ford e de outras unidades navais na região ocorre no momento em que a administração americana pressiona diplomática e militarmente o Irã, com Washington posicionando forças para possíveis operações de dissuasão ou ataque. A logística e as condições a bordo acrescentam um componente humano ao debate sobre os custos e limites de uma presença militar prolongada em águas estrangeiras.









