Rodada diplomática: Ministro das Relações Exteriores do Irã pede ‘respeito mútuo’ antes de conversas com os EUA, em Omã
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O processo começou com reuniões separadas lideradas pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad al-Busaidi, respectivamente, com a delegação americana — chefiada pelo enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner — e a parte iraniana — que é liderada pelo chanceler Abbas Araghchi. Em um comunicado, a diplomacia do mediador árabe afirmou que os encontros se concentraram “na preparação das condições adequadas para a retomada das negociações diplomáticas e técnicas”.
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Há mais de um mês, Trump ameaça atacar o Irã. A escalada começou quando o presidente americano alertou que atacaria a nação persa se regime matasse manifestantes pacíficos, enquanto protestos de massa antigovernamentais varriam o país. A repressão matou milhares de pessoas, segundo ONGs de direitos humanos, mas o republicano não voltou a falar sobre os protestos nas últimas semanas.
Enviando para a região o que descreveu como uma “Armada” — uma frota naval liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln —, Trump afirmou que atacaria o Irã “com rapidez e violência” se o país não aceitar três exigências: encerrar seu programa nuclear e descartar seu estoque de urânio, reduzir seu arsenal de mísseis balísticos e acabar com seu apoio a grupos militantes em toda a região. O Irã ameaçou uma retaliação feroz contra alvos militares dos EUA em toda a região e contra Israel, e diversas milícias apoiadas por Teerã prometeram se juntar ao combate.
Temendo que conversas sobre os mísseis e os aliados regionais do Irã causem retaliação imediata, outros países da região pressionaram para que a reunião se concentre no programa nuclear iraniano, disseram dois diplomatas do Oriente Médio. Alguns vizinhos do Irã propuseram limitar o país a capacidades mínimas de enriquecimento, provavelmente 3% ou menos.
Jared Kushner (genro de Trump) e Steve Witkoff (enviado especial dos EUA) em foto com o chanceler de Omã, Badr bin Hamad al-Busaidi
Ministério das Relações Exteriores de Omã/AFP
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Isso seria suficiente para o Irã “salvar as aparências” diante da exigência de Trump de enriquecimento zero, disseram eles, mas na prática resultaria no mesmo efeito — mantendo distante do percentual de 90% necessário para a maioria das armas nucleares.
Três autoridades iranianas disseram que Teerã também estaria disposta a oferecer uma suspensão de longo prazo de seu programa nuclear. Em troca, esperariam que Washington suspendesse as sanções de longa data que contribuíram para a queda da economia iraniana.
Na quinta-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, antecipou que Washington pretende alcançar uma “capacidade nuclear zero” para o Irã, advertindo que Trump tem “muitas opções à sua disposição além da diplomacia”.
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Em uma declaração antes do início das negociações, Araghchi afirmou que o Irã está pronto para defender sua “soberania e segurança diante de qualquer aventureirismo ou exigências excessivas”. Também apontou que a diplomacia iraniana entra no processo “de olhos bem abertos”, com a memória dos ataques do ano passado em mente. Apesar disso, pontuou que o país participa das negociações “de boa-fé”.
“Os compromissos devem ser honrados. Igualdade, respeito mútuo e interesse recíproco não são apenas retórica; são essenciais e constituem os pilares de um acordo duradouro”, disse em uma declaração publicada no X.
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Alerta regional
Em janeiro, líderes regionais convenceram Trump a adiar planos de atacar o Irã. Enquanto ele ordenava um envio militar no final do mês, eles iniciaram uma nova rodada de diplomacia intensiva para realizar conversas que pudessem encerrar o impasse.
Os esforços para fazer os dois lados concordarem sobre o local do encontro — quanto mais sobre o que negociarão — têm sido tensos. Inicialmente, as conversas de sexta-feira seriam realizadas em Istambul e contariam com a presença de altos funcionários da Turquia, Egito, Catar e Arábia Saudita.
Autoridades iranianas desistiram desse plano, citando preocupações de que estivessem sendo encurraladas em uma negociação com toda a região. Em vez disso, foram planejadas as conversas menores em Omã.
Contudo, três autoridades regionais disseram que estão lutando para ver um caminho a seguir nas exigências dos EUA além da questão nuclear. O Irã é irredutível quanto a não fazer concessões em seus mísseis balísticos, vendo-os como fundamentais para sua defesa contra Israel no caso de ataques futuros, disseram as autoridades.
Duas dessas autoridades afirmaram que seria extremamente difícil concordar com um mecanismo para monitorar de forma eficaz se o Irã continua enviando dinheiro ou armas para milícias aliadas na região.
A guerra de 12 dias que Israel lançou contra o Irã em junho passado, que contou brevemente com a participação de aviões de guerra dos EUA, castigou as instalações nucleares e militares do Irã. Mas as autoridades israelenses ainda estão preocupadas com os mísseis de longo alcance de Teerã e têm pressionado repetidamente Washington por restrições.
Na quarta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que as conversas precisam incluir mísseis balísticos, as milícias aliadas do Irã e o tratamento do país com seu próprio povo “para que as negociações realmente levem a algo significativo”. (Com NYT e AFP)










