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Enquanto Estados Unidos e Irã estão em negociações no Paquistão neste sábado, uma fonte iraniana do alto escalão afirma, de acordo com a Reuters, que os EUA concordaram em desbloquear fundos iranianos congelados mantidos no Catar e em outros países. Com isso, segundo essa mesma fonte, Teerã poderá finalmente permitir a passagem segura de petroleiros no Estreito de Ormuz. Este vai ser um dos principais temas das próximas negociações em Islamabad.
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A delegação iraniana liderada pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf (o segundo da direita para a esquerda)
Ministério das Relações Exteriores do Paquistão/Reuters/via The New York Times
A delegação americana é liderada pelo vice-presidente JD Vance, que se reúne com autoridades iranianas ao lado de Steve Witkoff e Jared Kushner. Pelo lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi participam das negociações. Ambos os países têm como desafio fechar acordos limitados em um prazo de duas semanas, estabelecido pela trégua intermediada pelo Paquistão na terça-feira.
Em uma declaração nas redes sociais antes dos encontros, Ghalibaf insistiu que três cláusulas do que ele chamou de “quadro acordado” de dez pontos entre EUA e Irã já haviam sido violadas, incluindo o fim de ataques israelenses a combatentes do Hezbollah no Líbano, apoiados pelo Irã. Ghalibaf também criticou a Casa Branca por reafirmar que o Irã nunca seria autorizado a ter um programa doméstico de enriquecimento de urânio, como Teerã exige há anos.
“Nessa situação, um cessar-fogo bilateral ou negociações é irrazoável”, escreveu.
Em negociações anteriores, representantes dos EUA pressionaram pela limitação do alcance dos mísseis iranianos e pela interrupção total do programa de enriquecimento nuclear, pontos que continuam sendo fonte de divergência.
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O Estreito de Ormuz, canal de apenas 34 km entre o Irã e Omã, é estratégico para cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo e outros produtos essenciais. Desde o início do conflito, a passagem esteve praticamente fechada, elevando os preços globais do petróleo.
Agora, durante o período de duas semanas de cessar-fogo, o vice-chanceler iraniano Saeed Khatibzadeh afirmou que qualquer navio que se comunique com o Irã pode obter autorização para passagem segura, desde que não haja comportamento hostil. Contudo, o fluxo diário será limitado a 15 embarcações (contra cerca de 130 antes do conflito).
A União Europeia e o governo francês se posicionaram contra qualquer “pedágio” ou taxa de passagem, defendendo a liberdade de navegação.
— A liberdade de navegação é um bem público e deve ser garantida — disse Anouar El Anouni, porta-voz da Comissão Europeia.
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Ceticismo sobre acordo
Especialistas alertam que o acordo de duas semanas está longe de ser sólido. Robert Malley, que atuou como enviado especial de Biden para o Irã, disse que o cessar-fogo está cheio de ambiguidades e que as disputas entre EUA e Irã sobre sua interpretação dificultam o avanço.
— É difícil saber não apenas para onde ir a partir daqui, mas onde você está para começar — disse ele. — As negociações começam em bases muito frágeis.
Suzanne Maloney, especialista em Irã e vice-presidente da Brookings Institution, descreveu o cessar-fogo como “imperfeito e muito conturbado”, mas afirmou que “ambos os lados querem pelo menos testar o que é possível na mesa de negociações”.
R. Nicholas Burns, ex-negociador do Departamento de Estado, destacou que diplomatas de carreira, conhecedores do comportamento iraniano, devem ser incluídos para evitar erros. Segundo ele, os “diplomatas que falam farsi fluentemente e entendem o comportamento de negociação dos iranianos são uma força oculta dos EUA”.
— Os negociadores do governo iraniano são experientes, cínicos e habilidosos em esconder a verdade — afirmou.
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O Irã parece estar levando as negociações de sábado a sério. A delegação de pelo menos 70 pessoas inclui diplomatas e negociadores experientes, especialistas em finanças e sanções, oficiais militares e consultores jurídicos, de acordo com a mídia iraniana e uma lista da delegação vista pelo The New York Times.
Entre as autoridades de destaque no campo iraniano estão o Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi; Ali Bagheri Kani, membro do Conselho de Segurança Nacional do Irã; o Almirante Ali Akbar Ahmadian, ex-chefe do Estado-Maior da Guarda Revolucionária Islâmica e secretário do Conselho de Segurança Nacional; o General Esmail Ahmadi Moghadam, comandante militar aposentado e atual diretor da Universidade Nacional de Defesa do Irã; e Abdolnasser Hemati, governador do Banco Central do Irã.
Três altos funcionários iranianos familiarizados com as negociações disseram que a equipe do Irã tinha plena autoridade para tomar decisões no Paquistão e não precisava consultar Teerã, dada a natureza crítica das negociações. Os funcionários, que pediram para não serem identificados por estarem discutindo assuntos delicados, disseram que o novo líder supremo, o aiatolá Mujahideen Khamenei, havia dado a Ghalibaf, um amigo e aliado próximo, o poder de fechar um acordo ou abandoná-lo.
O vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, afirmou em uma publicação nas redes sociais na sexta-feira que Ghalibaf agora “representa a nação e o nezam”, usando a palavra persa para se referir a todo o sistema da República Islâmica, que inclui não apenas o governo eleito, mas também o líder supremo. “Desejo-lhe sucesso”, disse Aref.
— O que podemos inferir da delegação iraniana é que eles não vieram para obstruir as negociações — disse Vali Nasr, professor de estudos do Oriente Médio e especialista em Irã da Universidade Johns Hopkins. — Eles vieram com plena autoridade e seriedade para chegar a um acordo com os Estados Unidos.
Nasr, que também atuou no Departamento de Estado como representante especial dos EUA para o Afeganistão durante o governo Obama, disse que, normalmente, uma delegação tão grande de especialistas só seria enviada se as negociações estivessem na fase final de um acordo, e não para uma sondagem inicial.
Se Ghalibaf e Vance se encontrarem pessoalmente no sábado, isso representará uma grande mudança nas relações entre os Estados Unidos e o Irã e o encontro de mais alto nível entre autoridades desde o rompimento das relações diplomáticas em 1979. Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e Jared Kushner, genro do presidente, acompanharão Vance, e ambos já negociaram com os iranianos anteriormente.
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Nasr afirmou que Teerã e Washington podem ter avançado mais nas negociações do que o divulgado publicamente, durante as trocas de mensagens paralelas mediadas pelo Paquistão na última semana. Washington enviou a Teerã um plano de paz de 15 pontos, e o Irã respondeu com seu próprio contraplano de 10 pontos, que, segundo Trump, serviria de base para as negociações quando anunciou o cessar-fogo na terça-feira.
Entre os temas em discussão estão o fim da guerra, a abertura do Estreito de Ormuz à navegação e o programa nuclear iraniano. Os interesses do Irã incluem a obtenção de um alívio abrangente das sanções, a liberação de fundos congelados e a indenização por danos causados ​​durante a guerra.
O Irã afirmou que qualquer acordo de paz, temporário ou permanente, deve incluir também seu aliado regional mais próximo, o Hezbollah, no Líbano. Este tem sido um ponto de discórdia especialmente tenso desde os ataques aéreos israelenses em larga escala no Líbano, que mataram mais de 300 pessoas na quarta-feira.
Fiel ao seu estilo, as autoridades iranianas viajaram com simbolismo. Chegaram vestindo ternos e camisas pretas da cabeça aos pés, um sinal de luto. No avião, segundo fotos e vídeos divulgados pela mídia estatal iraniana, fotos e mochilas preenchiam os assentos vazios, representando as quase 170 crianças mortas em uma escola primária quando um míssil Tomahawk americano a atingiu.
A mídia estatal iraniana informou que a delegação se reunirá com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ao meio-dia de sábado, antes do encontro com os americanos.
Omid Memarian, pesquisador sênior e especialista em Irã do Dawn Institute, uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington focada na política externa americana, disse que a grande delegação tinha o objetivo de sinalizar que os principais líderes do Irã estavam apoiando a causa.
— A mensagem mais importante que o Irã está enviando com a composição de sua delegação é que existe consenso interno para negociações e um acordo nos mais altos escalões do regime — disse.

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Uma nova onda de tempestades severas atingiu o sudeste dos Estados Unidos na noite desta quarta-feira, encerrando um raro período de quase dois meses sem registros significativos de tornados em partes da região. O estado do Mississippi concentrou os casos mais graves, com tornados confirmados, estruturas destruídas e milhares de moradores sem energia elétrica.
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O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA emitiu diversos alertas de tornado ao longo da noite. Em alguns pontos do Mississippi, meteorologistas detectaram sinais considerados extremos no radar, incluindo detritos sendo arremessados a até 12 mil pés de altura — um forte indicativo da presença de tornados potencialmente violentos.
Veja vídeo:
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As cidades de Garden City, Bude e Meadville ficaram entre as áreas mais afetadas. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram casas destruídas, árvores arrancadas e postes derrubados após a passagem das tempestades.
Além do Mississippi, os estados da Louisiana e do Alabama também registraram condições severas, incluindo chuvas torrenciais, rajadas de vento e granizo de grandes proporções. Houve relatos de pedras de gelo de até sete centímetros de diâmetro em cidades do Alabama e do Mississippi.
Segundo autoridades meteorológicas, mais de 2,4 milhões de pessoas permaneceram sob alerta para tempestades severas durante a noite. O risco incluía tornados de intensidade EF-2 ou superior, ventos que poderiam ultrapassar 112 km/h e possibilidade de enchentes repentinas.
O cenário chama atenção porque Geórgia, Alabama e Flórida haviam encerrado o mês de abril sem qualquer alerta de tornado — algo que não acontecia desde 2012. A ameaça desta quarta-feira representou o primeiro risco significativo de tornados para partes da Geórgia e do Alabama desde meados de março.
Meteorologistas apontam que a instabilidade foi provocada por uma extensa frente fria que atravessa os Estados Unidos, criando um ambiente propício para a formação de tempestades supercelulares — fenômeno conhecido por gerar tornados mais intensos e duradouros.
Além do risco de tornados, autoridades alertam para acumulados expressivos de chuva nos próximos dias. Em algumas regiões do sudeste americano, a previsão indica volumes entre 50 e 75 milímetros, elevando o risco de enchentes repentinas.
O desaparecimento dos gatos Zeus e Hércules terminou com um reencontro improvável para a americana Dianna Rabetoy, moradora de Portland, nos Estados Unidos. Os animais, descritos como mestiços das raças Ragdoll e Maine Coon, haviam sumido em maio de 2024, quando ainda tinham menos de um ano de idade. Dois anos depois, na sexta-feira (1), eles foram encontrados em um abrigo de Los Angeles, a cerca de 1,6 mil quilômetros de distância da casa onde viviam.
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Segundo a emissora local KOIN 6, os gatos desapareceram do quintal da residência da família sem deixar pistas. Na época, Rabetoy espalhou panfletos pela vizinhança e publicou pedidos de ajuda na rede social Nextdoor, mas não conseguiu localizar os animais. Com o passar do tempo, ela passou a acreditar que Zeus e Hércules haviam sido levados por alguém e já não esperava revê-los.
Reencontro após ligação inesperada
A reviravolta aconteceu na última sexta-feira, quando a americana recebeu uma ligação de um abrigo de animais em Los Angeles informando que os gatos haviam sido identificados por meio dos microchips implantados neles. À emissora KOIN 6, Rabetoy afirmou ter ficado emocionada com a notícia.
— Fiquei emocionada. Nunca pensei que os veria novamente. Deus é bom — disse.
Ainda não há informações sobre como os dois gatos foram parar tão longe de casa. Com a ajuda de um amigo, a dona viajou à Califórnia no dia seguinte para buscá-los. Zeus e Hércules, que pesam entre 7 e 8 quilos, retornaram com ela para Portland no mesmo dia. Segundo a tutora, os animais estão saudáveis e readaptados ao ambiente doméstico.
— Não consigo parar de sorrir por eles estarem em casa. Gostaria de poder perguntar sobre as viagens deles. Seria bem divertido — afirmou aos veículos locais.
Após o reencontro, Rabetoy passou a defender a importância do uso de microchips em animais de estimação e da atualização constante dos dados de contato dos proprietários. Recentemente, outro caso semelhante ganhou repercussão no sul da Califórnia. Michelle Bluestone reencontrou sua cadela Lola cinco anos após o desaparecimento do animal. A cachorra havia fugido da casa dos pais da tutora em 2021 e foi localizada em fevereiro deste ano por um abrigo de animais, a cerca de 30 minutos do local onde havia sumido.
Imagens registradas por câmeras corporais e aéreas mostraram o momento em que pai e filho, ambos policiais, ajudaram a resgatar seis pessoas de um barco que afundava na Flórida, nos Estados Unidos. O caso aconteceu no sábado (2), no Lago East Tohopekaliga, a cerca de três quilômetros da costa, e mobilizou equipes de emergência do condado de Osceola.
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O policial Michael MacDonald e seu filho, Shane MacDonald, do Departamento de Polícia de St. Cloud, receberam o chamado sobre uma família de seis pessoas presa em uma embarcação que começava a submergir em meio à aproximação de uma tempestade. Enquanto o gabinete do xerife do condado acionava a unidade de helicópteros STAR, os dois embarcaram rapidamente em uma lancha de patrulha para chegar ao local.
Resgate em meio ao mau tempo
“Entramos no barco, a tripulação cruzou o lago voando”, relatou Michael, segundo informações da emissora WSVN. “Estávamos tentando tirá-los do barco o mais rápido possível, antes que uma tragédia acontecesse.” Nas imagens da câmera corporal, um dos agentes pode ser ouvido dizendo “Vamos pegá-los” pouco antes da aproximação da embarcação em risco.
Imagens do resgate circulam nas redes sociais
Facebook
Quando a equipe chegou, a proa do barco já estava quase completamente submersa e duas pessoas haviam caído na água. As gravações mostram Michael segurando a embarcação enquanto outros agentes retiravam os ocupantes e os levavam para a lancha de resgate. Com apoio do Corpo de Bombeiros de St. Cloud e de um morador que ajudou espontaneamente, todos os seis passageiros foram levados de volta à costa sem ferimentos graves.
O Departamento de Polícia de St. Cloud compartilhou o resgate em uma publicação no Facebook, destacando a atuação da equipe e a rapidez da resposta. “No final das contas, nosso treinamento realmente fez a diferença”, afirmou Shane. Michael também elogiou a operação e disse que foi um privilégio ver o filho em ação: “Naquele dia, tudo foi fenomenal e correu perfeitamente”.
A família de Serenity McMillan, adolescente que teve as duas pernas amputadas após ser atropelada por um trem em Granite City, no estado de Illinois, nos Estados Unidos, moveu uma ação judicial contra a empresa ferroviária Norfolk Southern e cobra indenização superior a US$ 50 mil, cerca de R$ 250 mil, por despesas médicas e danos morais. O caso aconteceu em 4 de abril de 2024, quando a jovem tinha 13 anos.
Segundo o processo, Serenity caminhava com a meia-irmã e uma amiga em direção ao Complexo de Futebol de Granite City para andar de patins quando o grupo encontrou um trem parado nos trilhos por cerca de dez a quinze minutos. Diante da espera, as crianças decidiram atravessar escalando a plataforma na extremidade de um vagão-tanque.
Ao tentar passar, no entanto, o trem teria começado a se mover “sem aviso prévio”, fazendo com que a adolescente caísse entre os vagões em movimento. As pernas de Serenity foram atropeladas e ficaram presas em um desvio dos trilhos após a queda.
Processo aponta falhas de segurança
A ação foi protocolada dois anos depois por sua mãe, Misty Scott, que sustenta que a Norfolk Southern falhou ao não alertar adequadamente sobre a partida do trem. O documento afirma que as crianças não ouviram qualquer sinal sonoro, como buzina, apito ou sino da locomotiva, antes do deslocamento.
O processo também argumenta que não havia funcionários da ferrovia no local e que o pátio ferroviário está inserido em uma área residencial, com bloqueio de passagens de pedestres. Segundo a defesa da família, o fechamento dessas rotas deixou moradores sem alternativas seguras para atravessar a região.
Quando os socorristas chegaram, ainda de acordo com a ação, foi necessário amputar as pernas da adolescente no próprio local devido à aproximação de outro trem. Na época, Serenity cursava o oitavo ano e participava ativamente de atividades esportivas como basquete, atletismo, dança e torcida organizada da escola.
Após o acidente, familiares criaram uma campanha no GoFundMe para ajudar com os custos do tratamento e da reabilitação. Amigos descrevem a jovem como uma garota “doce e extrovertida”. À emissora KSDK, Deven Chavours, mãe de uma amiga de Serenity, afirmou que a família é grata por ela ter sobrevivido. A Norfolk Southern ainda não apresentou resposta formal ao processo.
Uma descoberta feita por astrônomos japoneses pode mudar o entendimento sobre os objetos mais distantes e congelados do Sistema Solar. Cientistas identificaram uma fina atmosfera ao redor de um pequeno corpo celeste localizado além da órbita de Netuno, em uma região conhecida como Cinturão de Kuiper — área considerada uma espécie de “fronteira gelada” do Sistema Solar.
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Até então, apenas Plutão possuía uma atmosfera confirmada entre os chamados objetos transnetunianos, grupo formado por corpos que orbitam o Sol depois de Netuno. O novo objeto observado, chamado provisoriamente de “(612533) 2002 XV93”, é muito menor que Plutão, o que surpreendeu os pesquisadores.
Com cerca de 500 quilômetros de diâmetro, ele fica a quase 6 bilhões de quilômetros da Terra e leva aproximadamente 247 anos para completar uma volta ao redor do Sol. O corpo celeste vive em uma região extremamente fria e escura, onde as temperaturas são tão baixas que substâncias como nitrogênio, metano e monóxido de carbono permanecem congeladas na superfície.
A descoberta foi considerada importante porque reforça a hipótese de que alguns pequenos mundos gelados do Sistema Solar exterior podem ser mais ativos e dinâmicos do que os cientistas imaginavam.
Mas o que exatamente significa dizer que esse objeto possui uma atmosfera?
Na prática, trata-se de uma camada extremamente fina de gases ao redor do corpo celeste. Diferentemente da atmosfera terrestre, rica em oxigênio e suficientemente densa para sustentar clima, ventos e vida, a atmosfera encontrada no objeto transnetuniano é quase imperceptível.
Segundo os pesquisadores, ela é entre 5 milhões e 10 milhões de vezes mais fina do que a da Terra. Ainda assim, foi suficiente para ser detectada por telescópios durante um fenômeno chamado ocultação estelar — quando o objeto passa na frente de uma estrela distante e bloqueia temporariamente sua luz vista da Terra.
Em objetos sem atmosfera, esse bloqueio acontece de forma abrupta, como se alguém desligasse uma lâmpada instantaneamente. No caso do XV93, porém, os cientistas perceberam que a luz da estrela diminuía gradualmente antes do desaparecimento completo e retornava lentamente depois. Esse comportamento é considerado a principal assinatura da presença de gases ao redor do objeto.
A observação foi realizada simultaneamente em diferentes pontos do Japão, incluindo observatórios profissionais e até um telescópio operado por um astrônomo amador. A combinação dos dados permitiu confirmar que havia uma camada gasosa envolvendo o corpo gelado.
Os pesquisadores ainda tentam descobrir qual é a composição exata dessa atmosfera. Os modelos analisados apontam três possibilidades principais: metano, nitrogênio ou monóxido de carbono. Todos esses compostos também estão presentes na atmosfera de Plutão.
Agora, os cientistas tentam entender como um objeto tão pequeno consegue manter gases ao seu redor em uma região tão hostil do espaço. Uma das hipóteses é a existência de criovulcanismo, fenômeno semelhante ao vulcanismo terrestre, mas envolvendo gelo e gases congelados em vez de rocha derretida. Nesse cenário, materiais presos no interior do objeto poderiam escapar lentamente por fissuras na superfície.
Outra possibilidade é que a atmosfera tenha sido criada recentemente após uma colisão com outro corpo menor do Cinturão de Kuiper. O impacto poderia ter liberado gases congelados armazenados abaixo da superfície. Se isso aconteceu, a atmosfera talvez seja temporária e desapareça ao longo das próximas décadas.
Os cientistas pretendem continuar monitorando o objeto para descobrir se essa camada gasosa permanece estável ou sofre alterações com o tempo. Caso seja confirmada como permanente, a descoberta poderá indicar que muitos outros pequenos corpos gelados dos “confins” do Sistema Solar talvez também possuam atmosferas extremamente finas ainda não detectadas.
A região onde o XV93 está localizado é considerada uma espécie de cápsula do tempo cósmica. Os objetos do Cinturão de Kuiper preservam materiais praticamente inalterados desde a formação do Sistema Solar, há mais de 4,5 bilhões de anos. Por isso, estudar esses mundos congelados ajuda cientistas a compreender como surgiram os planetas e como era o ambiente espacial nos primórdios do sistema planetário que abriga a Terra.
Ted Turner, magnata que revolucionou a televisão ao criar a CNN e o ciclo de notícias 24 horas, morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos, em sua casa perto de Tallahassee, na Flórida. A morte foi confirmada por Phillip Evans, porta-voz da família. Em 2018, Turner havia revelado ter demência por corpos de Lewy, uma doença cerebral progressiva.
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Uma das figuras mais importantes da história da mídia, Turner construiu um império de TV a cabo que atravessou jornalismo, esportes, entretenimento e cinema clássico. Mas sua trajetória também ficou marcada por uma rivalidade digna da série de TV “Succession”: durante anos, ele travou uma guerra pública com Rupert Murdoch, dono da News Corp e criador da Fox News, chegando a desafiá-lo para uma luta de boxe televisionada em Las Vegas.
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PASCAL PAVANI / AFP
A briga entre os dois vinha de longe. Em 1983, durante a regata Sydney-Hobart, um iate patrocinado por Murdoch colidiu com o barco de Turner, que afundou a 10 quilômetros da linha de chegada. No jantar após a corrida, Turner atacou o rival publicamente. Anos depois, quando Murdoch lançou a Fox News, em 1996, como concorrente direta da CNN, o fundador da emissora disse que estava “ansioso para esmagar Rupert como um inseto”.
A disputa escalou para ofensas pesadas. Turner chegou a comparar Murdoch a Adolf Hitler. “Como se faz paz com um megalomaníaco?”, disse certa vez sobre o rival. “Chamberlain tentou fazer a paz. Quando você tem alguém assim, não acho que haja uma centelha de decência humana nele — exceto pelo fato de que ele gosta da família.”
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Murdoch revidava por meio de seus jornais. O “New York Post”, pertencente ao seu grupo, chegou a publicar a manchete “Turner está louco?” e, em outro momento, afirmou que o empresário estava “se aproximando perigosamente da insanidade”, perguntando aos leitores: “Ted está maluco? Você decide.”
O embate ganhou novo capítulo em 2003, durante a Guerra do Iraque.
— Ele [Murdoch] é um belicista — disse Turner em um discurso em San Francisco. — Ele promoveu isso.
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Na época, a Fox News foi uma das organizações de notícias mais alinhadas à guerra nos Estados Unidos, com uma postura pró-Bush que ajudou o canal a ultrapassar a CNN em audiência durante o conflito. Questionado sobre o desempenho da rival, Turner respondeu:
— Só porque sua audiência é maior não significa que você seja melhor — E completou: — Não é o quão grande você é, é o quão bom você é que realmente conta.
Ted Turner acena para a multidão durante a festa de 20º aniversário da CNN, em 1º de junho de 2000, na Philips Arena, em Atlanta, Geórgia
Joey Ivansco / POOL / AFP
Apesar do temperamento explosivo, Turner deixa um legado incontornável. Sua criação mais emblemática foi a CNN, fundada em 1980, que transformou o jornalismo televisivo ao transmitir notícias 24 horas por dia. O modelo inspirou redes no mundo inteiro e mudou a relação do público com acontecimentos em tempo real.
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A partir da CNN, Turner criou também a CNN Headline News e a CNN International. Antes disso, havia transformado uma estação local de Atlanta em uma “superestação” nacional via cabo e satélite, que se tornaria a TBS. Depois, lançou a TNT. Em 1985, comprou por US$ 1,5 bilhão a biblioteca de filmes da MGM e, nove anos mais tarde, criou a Turner Classic Movies, a TCM, que depois se transformou na TNT. Também adquiriu o acervo de desenhos da Hanna-Barbera e, com base nele, lançou o Cartoon Network em 1992.
Lançamento do Canal Futura. Ted Turner e o Ministro Sergio Motta
Marcelo Carnaval / Agência O Globo
Em 1996, fundiu a Turner Broadcasting System com a Time Warner, formando uma das maiores empresas de mídia do mundo. A operação, no entanto, se tornaria fonte de frustração para o empresário. Em conversa com o especialista em mídia Jack Myers, em 2003, Turner disse que perdeu espaço dentro do conglomerado.
— Eu dirigi a CNN por 22 anos e os Braves por 20 anos. As pessoas dirigem empresas por uma média de sete anos. Eu fiz a Turner crescer de 35 para 7 mil pessoas; de US$ 600 milhões em 1970 para US$ 2,5 bilhões em 1995 — afirmou.
Na mesma conversa, Turner contou que chegou a querer transformar a HLN, a Headline News, em um canal conservador para competir com a Fox News, canal criado por seu rival em resposta ao surgimento da CNN.
— Eu desafiei Murdoch a entrar no ringue comigo. Ele é sete anos mais velho, então eu disse que ele poderia usar capacete. Seria terrível se eu perdesse, mas só para colocar minhas mãos nele, eu arriscaria tudo. Eu queria pegar a HLN e torná-la conservadora para flanquear a Fox, mas não pude fazer isso. Não há muito o que fazer em relação à Fox News agora. Vamos torcer para que o estrago não seja grande demais.
Turner também cultivou relações políticas incomuns. Em 1994, durante os Goodwill Games em São Petersburgo, trabalhou com Vladimir Putin, então vice-prefeito da cidade. Anos depois, segundo Myers, Putin convidou Turner para ser o primeiro empresário ocidental a se encontrar com ele após assumir a Presidência da Rússia.
— Eu fui gentil com ele, graças a Deus — disse Turner, em 2003. — E ele entregou tudo o que queríamos.
Ted Turner e Vladimir Putin em 2000
Reprodução: Governo da Rússia
Ao longo da vida, Turner oscilou entre conservadorismo, internacionalismo e causas progressistas. Dizia ser republicano conservador, mantinha laços com evangélicos e integrantes da ultradireita americana, mas também se aproximou de Fidel Castro e defendeu, em algumas ocasiões, o governo chinês. Em 1997, comprometeu-se a doar US$ 1 bilhão à ONU. Em 2001, cofundou a Nuclear Threat Initiative, ao lado do senador Sam Nunn, para combater o risco de armas de destruição em massa.
— Se formos atacados por armas de destruição em massa, será por terroristas, não por um Estado-nação — disse ele em 2003. — Agora ou no futuro previsível.
Décadas depois, Turner continuava preocupado com a ameaça nuclear.
— Eu gostaria de ver a humanidade sobreviver. É simples assim. Estou preocupado que a humanidade não passe dos próximos 50 anos. Mas, se conseguirmos de alguma forma controlar as armas de destruição em massa, não nos destruirmos e não cometermos suicídio global, vamos sobreviver — afirmou. — O maior perigo individual provavelmente são os milhares de mísseis nucleares que os EUA e a Rússia mantêm em alerta máximo.
Fora da mídia, Turner foi dono do Atlanta Braves, equipe de beisebol que ganhou exposição nacional em suas emissoras, e venceu a America’s Cup em 1977 como capitão de um iate. Também se tornou um dos maiores proprietários de terras dos Estados Unidos e atuou na reintrodução de bisões no Oeste americano. O restaurante Ted’s Montana Grill, fundado por ele, nasceu como iniciativa lucrativa para ajudar a evitar a extinção do bisão americano.
“Boca do Sul’
Apelidado de “Boca do Sul” por seu estilo falante, autoconfiante e frequentemente ofensivo, Turner era conhecido tanto por declarações grandiosas quanto por gafes públicas. Casou-se três vezes, a última com a atriz Jane Fonda, vencedora do Oscar, de quem se separou em 2001.
A própria Fonda, segundo Turner contou a Myers, o desencorajou a disputar a Presidência dos Estados Unidos. Para o especialista, se a atriz tivesse feito o contrário, Turner poderia ter alterado o curso da história.
O empresário gostava de resumir sua filosofia de vida em quatro chaves para o sucesso: “trabalhar, estudar, pensar bem nas coisas, motivar”. Em uma entrevista à “Reader’s Digest”, em 1998, deixou uma das frases que melhor definem a escala de sua ambição:
— Estou tentando estabelecer o recorde de todos os tempos de realizações por uma pessoa em uma vida — disse. — E isso coloca você em uma companhia bastante grande: Alexandre, o Grande, Napoleão, Gandhi, Cristo, Maomé, Buda, Washington, Roosevelt, Churchill.
A Cidade do México, considerada a maior metrópole da América Latina, enfrenta um processo acelerado de afundamento do solo que já pode ser observado até do espaço, segundo estudos recentes baseados em imagens de satélite da NASA. Dados indicam que algumas áreas da capital mexicana estão afundando a uma taxa de até 2 centímetros por mês, o que acende um alerta entre cientistas e autoridades.
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De acordo com medições obtidas pelo satélite NISAR, desenvolvido em parceria entre a agência espacial norte-americana e a Organização Indiana de Investigação Espacial, o fenômeno ocorre de forma desigual pela cidade, com regiões apresentando níveis mais críticos. As imagens de alta precisão permitem monitorar essas variações em tempo real, revelando a dimensão do problema.
O NISAR opera a fim de mapear alguns dos processos mais complexos da Terra, sendo capaz de monitorizar movimentos sutis, como subsidência (afundamento do solo). Os dados coletados para o diagnóstico são recentes, tendo sido reunidos entre outubro de 2025 e janeiro deste ano. Esse período é de seca no país.
No mapa do satélite da Nasa, áreas em azul indicam afundamento mais perceptível, com até 2 centímetros por mês entre outubro de 2025 e janeiro de 2026
NASA
Com essa taxa de afundamento de até 2 centímetros por mês em algumas regiões, isso significa um impacto de afundamento de até 24 centímetros por ano. Esse processo contínuo tem provocado impactos diretos na infraestrutura urbana, como danos em ruas, prédios e sistemas de drenagem, segundo pesquisadores.
Essa alteração é possível de ser percebida no dia a dia, como no monumento do Anjo da Independência, no Paseo de la Reforma, inaugurado em 1910. A diferença de fixação da estrutura denuncia e dá a dimensão do desafio. Enquanto a coluna permanece estável por estar fixada em camadas profundas, o terreno ao redor tem cedido ao longo dos anos, o que fica ainda mais aparente por ter demandado a construção de 14 degraus extras para que a população continuasse tendo acesso à base da estrutura.
Esse afundamento levanta preocupações sobre os impactos a longo prazo para os 22 milhões de habitantes da capital mexicana.
A principal causa do fenômeno está relacionada ao crescimento da própria cidade, aliado à demanda por água, que acabou por consumir o aquífero subterrâneo. Antes, a região era dominada por lagos e antigos canais, o que hoje já deu lugar a ruas e construções. Esse esvazeamento em vários níveis contribui para a compactação do solo, levando à subsidência.
Até onde se sabe, a pauta do encontro de Lula e Donald Trump, marcado de última hora para hoje, será tomada pelos assuntos “de sempre”: a investigação sobre concorrência desleal envolvendo principalmente o Pix, a exploração das terras-raras e o combate ao crime organizado na América Latina, incluindo o impasse sobre considerar Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital organizações terroristas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A crescente exposição pública de Kim Ju-ae, filha de Kim Jong-un, tem intensificado especulações sobre seu futuro político na Coreia do Norte. Com aparições frequentes ao lado do pai em lançamentos de mísseis, desfiles militares e viagens oficiais, a jovem passou a ser observada não apenas por sua presença, mas também pelo simbolismo de suas roupas, penteados e postura pública.
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Kim Ju-ae surgiu pela primeira vez na propaganda estatal em novembro de 2022. Na imagem que chamou atenção internacional, caminhava ao lado de Kim Jong-un diante de um míssil balístico intercontinental. Vestia calça preta, jaqueta acolchoada branca e usava os cabelos longos presos para trás. Segundo o texto, ela teria cerca de nove anos na ocasião.
Kim Jon-un é visto com sua filha pela primeira vez
Divulgação/KCNA
Desde então, sua imagem passou por transformação visível. Os penteados ficaram mais elaborados, as roupas ganharam sofisticação e sua presença ao lado do líder norte-coreano se tornou cada vez mais constante — movimento que, segundo o serviço de inteligência sul-coreano, reforça a avaliação de que Kim Jong-un a escolheu como sucessora.
Imagem construída para projetar autoridade
Analistas avaliam que essa construção visual segue uma estratégia deliberada de comunicação política.
— Como Ju-ae ainda é muito jovem, sua idade pode ser vista como uma potencial fraqueza para uma futura líder. Parece que o regime a veste com roupas formais semelhantes às usadas por sua mãe como uma forma de mascarar sua juventude e projetar uma imagem mais madura — afirmou Cheong Seong-chang, vice-diretor do Instituto Sejong, à rede BBC.
Em algumas ocasiões, Kim Ju-ae apareceu com ternos formais e saias, em visual semelhante ao de sua mãe, Ri Sol-ju. Em outras, surgiu usando jaquetas de couro.
— Uma roupa que transmite tanto força de impressão quanto casualidade — disse Cheong Seong-chang.
Kim Jong-un e a filha, Ju-ae
STR/KCNA VIA KNS/AFP
Segundo ele, esse tipo de peça seria apropriado para visitar “locais relativamente ásperos ou rústicos”, como bases militares.
O uso recorrente de jaquetas de couro também aproxima visualmente Kim Ju-ae do pai, conhecido por usar jaquetas pretas e sobretudos. Para especialistas, essa semelhança dialoga com uma prática antiga do regime: a replicação de imagem para reforçar continuidade política.
Nos primeiros anos no poder, Kim Jong-un buscou legitimidade visual ao se vestir como seu avô, Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.
— O Departamento de Propaganda e Agitação desempenhou um papel significativamente importante ao orquestrar uma série de processos que transferiram naturalmente o respeito por Kim Il Sung para Kim Jong-un — afirmou Cheong Seong-chang.
Segundo ele, os moradores da Coreia do Norte ficaram surpresos quando Kim Jon-un apareceu pela primeira vez. No entanto, segundo os especialistas sul-coreanos, a surpresa também se dava pelo fato da imagem de Jong-un se parecer muito com o jovem Kim Il Sung.
— As limitações que o jovem Kim Jong-un enfrentava como sucessor, como sua falta de experiência e sua idade, puderam ser compensadas apenas pelo fato de ele se parecer com Kim Il Sung. Chegou ao ponto de circularem rumores entre norte-coreanos de que Kim Il Sung havia reencarnado.
Luxo ocidental em contraste com restrições internas
A construção simbólica de Kim Ju-ae também passa pelo uso ostensivo de itens de luxo ocidentais, em um país que restringe fortemente referências culturais externas à população.
— Ao usar roupas de design ocidental, Ju-ae e Ri Sol Ju demonstram uma “estratégia de diferenciação”, de que sua posição social é fundamentalmente diferente da dos cidadãos comuns — afirmou Cheong Seong-chang: — Usar roupas feitas de couro de alta qualidade é uma forma de exibir um status especial. Roupas de couro não são tão comuns entre os moradores da Coreia do Norte. Marcas de luxo, jaquetas de couro e casacos de pele são peças valiosas que não podem ser usadas por norte-coreanos comuns.
O líder norte-coreano, Kim Jong Un, e sua filha Ju Ae visitando a Gangdong Comprehensive Greenhouse, em Pyongyang.
STR/KCNA VIA KNS/AFP
O contraste ficou ainda mais evidente em 2023, quando a agência estatal Korean Central News Agency divulgou imagens de Kim Ju-ae usando uma jaqueta acolchoada preta posteriormente identificada como uma peça de US$ 1.900 da grife francesa Christian Dior. No ano seguinte, ela apareceu em cerimônia pública com uma blusa parcialmente transparente, deixando os braços visíveis.
Depois disso, segundo fonte local citada pela Radio Free Asia, uma videoaula voltada à população classificou esse tipo de visual como “fenômenos antissocialistas e não socialistas que borram a imagem do sistema socialista e corroem o regime — alvos que devem ser erradicados”.
Apesar das restrições impostas à sociedade, a família Kim aparece com frequência fora dessas normas.
— Embora jeans sejam proibidos na Coreia do Norte como item de moda ocidental, Kim Jong-un já apareceu usando-os — afirmou Lee Woo-young, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos: — Por mais que proíbam a cultura estrangeira e até promulguem leis, a Coreia do Norte é um lugar onde não há nada que o líder supremo não possa fazer.
Mesmo sob rígido controle estatal, há sinais de influência estética da família governante. Relatos apontam aumento na circulação de cosméticos Chanel, perfumes Chanel, casacos de pele, além de jovens usando óculos escuros, sobretudos de couro e estilos semelhantes aos adotados por Kim Jong-un e Kim Ju-ae.
Em um país de acesso limitado a tendências externas, a imagem oficial ajuda a moldar referências visuais. Ao que tudo indica, Kim Ju-ae começa a ocupar esse espaço — não apenas como filha do líder, mas como figura cuidadosamente apresentada para um papel maior no futuro do regime norte-coreano.
O Japão disparou mísseis terra-mar e afundou um antigo navio de guerra em águas entre as Filipinas e Taiwan como parte de exercícios militares envolvendo forças americanas, provocando a ira da China. O disparo de dois mísseis Tipo-88 nesta quarta-feira fez parte de exercícios nas Filipinas envolvendo tropas de Estados Unidos, Austrália, Filipinas e Japão, bem como contingentes de França, Nova Zelândia e Canadá.
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Os ministros da Defesa do Japão e das Filipinas acompanharam o lançamento na província filipina de Ilocos Norte, a cerca de 400 km de Taiwan, informou um jornalista da AFP no local. Os dois mísseis atingiram seu alvo, um antigo navio de guerra filipino no Mar da China Meridional, que foi afundado.
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A China criticou veementemente o disparo, classificando-o como “mais um exemplo da pressão das forças de direita no Japão pela remilitarização acelerada do país”.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, acelerou a transição do país para uma política de defesa mais robusta, abandonando a postura pacifista adotada após a Segunda Guerra Mundial. Os exercícios militares na região envolveram 17 mil soldados ao longo de 19 dias e serão concluídos nesta sexta-feira.

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