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O presidente Donald Trump se reuniu nesta segunda-feira com seus principais assessores de segurança para discutir uma nova proposta iraniana, depois que a República Islâmica enviou “mensagens escritas” a Washington por meio do mediador Paquistão, informou a agência de notícias Fars.
Nessas mensagens, o Irã detalhou suas linhas vermelhas nas negociações, incluindo seu programa nuclear e o Estreito de Ormuz, também informou a mídia americana. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou em uma coletiva de imprensa que a oferta estava “sendo discutida”, embora tenha se recusado a dizer se Trump a aceitaria.
Questionado sobre os termos da proposta iraniana, o Secretário de Estado Marco Rubio disse à Fox News que ela era “melhor” do que o que Washington esperava que “eles apresentassem”, mas questionou sua autenticidade.
“Precisamos garantir que qualquer acordo firmado, qualquer conciliação alcançada, os impeça definitivamente de buscar armas nucleares em qualquer momento”, afirmou.
“Exigências Excessivas”
O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, culpou Washington, nesta segunda-feira, pelo fracasso das negociações de paz durante uma visita à Rússia, onde o presidente Vladimir Putin prometeu o apoio de Moscou para o fim da guerra.
“A abordagem dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar de alguns avanços, não atingisse seus objetivos devido a exigências excessivas”, disse o ministro iraniano.
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Araqchi também negou qualquer enfraquecimento do Irã, apesar dos milhares de ataques que assolaram o país durante as primeiras semanas da guerra e do bloqueio marítimo imposto por Washington aos seus portos.
“Ficou claro que a República Islâmica é um sistema estável, robusto e poderoso”, disse ele a Putin, segundo a televisão estatal russa.
Araqchi estava em São Petersburgo após visitar Omã e Paquistão. Islamabad havia sediado, sem sucesso, uma primeira rodada de negociações entre os dois lados, e a visita de Araqchi neste fim de semana havia aumentado as esperanças de um diálogo mais amplo. No entanto, Trump cancelou a viagem planejada de seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner.
“Eles podem nos ligar”, disse o magnata republicano à Fox News, assegurando que o cancelamento não significava um retorno às hostilidades.
Balanço Revisado em Minab
Teerã, por sua vez, exige “garantias críveis” para sua segurança com vistas à normalização das relações no Golfo, afirmou o embaixador iraniano Amir Iravani durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, na qual dezenas de países condenaram o bloqueio do Estreito de Ormuz. Enquanto isso, o Parlamento iraniano está preparando uma lei que colocaria o Estreito sob a autoridade das forças armadas. De acordo com o texto, navios israelenses seriam proibidos de atravessar o Estreito, e os pedágios teriam que ser pagos em riais iranianos.
“Não podemos tolerar que os iranianos tentem estabelecer um sistema no qual eles decidam quem pode usar uma via navegável internacional e quanto devem pagar para usá-la”, retrucou Rubio à Fox News. Em Teerã, “a situação se tornou terrível”, disse Farshad, um empresário de 41 anos. “As pessoas estão desesperadas porque não têm dinheiro para comprar nada, nem mesmo comida”, disse ele à AFP.
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Desencadeada pelos ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, a guerra no Oriente Médio causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano. O número de mortos em um dos episódios mais dramáticos do conflito, um atentado a bomba no primeiro dia da guerra contra uma escola em Minab, no sul do Irã, foi revisado para 155 (incluindo 120 crianças), ante os 175 anteriormente divulgados, informou a televisão estatal iraniana.
Na frente libanesa, ataques israelenses no sul do país, onde Israel alega ter como alvo o grupo pró-iraniano Hezbollah, deixaram quatro mortos e 51 feridos nesta segunda-feira, segundo o Ministério da Saúde local.
Isso eleva o número de mortos no Líbano desde o início do cessar-fogo na região, teoricamente em vigor desde 17 de abril, para pelo menos 40, de acordo com uma contagem da AFP baseada em dados oficiais. O líder do Hezbollah, Naim Qasem, reafirmou sua rejeição às negociações diretas planejadas entre o Líbano e Israel sob os auspícios dos Estados Unidos.








