Lesões, mandíbula e possível homicídio: O que revelam fotos do cadáver e documentos inéditos sobre a morte de Epstein?
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Segundo os arquivos, Epstein manteve correspondências diretas com russos de alto escalão e recorreu a intermediários para tentar viabilizar uma reunião com Putin ao longo da década de 2010. Não há, porém, evidência de que esse encontro tenha ocorrido. O nome do presidente russo aparece mais de mil vezes nos documentos, em sua maioria em recortes de imprensa e boletins informativos recebidos por Epstein.
Em e-mails privados, Epstein tentou repetidamente obter uma audiência com Putin, muitas vezes por meio do ex-primeiro-ministro da Noruega Thorbjørn Jagland (1996-1997). Em uma mensagem de 2013 ao ex-primeiro-ministro de Israel Ehud Barak (1999-2001), Epstein afirmou ter sido convidado para o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, evento anual que conta com a presença de Putin, mas disse ter recusado. Sobre o presidente russo, escreveu: “Se ele quiser se encontrar, terá de reservar tempo real e privacidade”.
Correspondências com Jagland mostram Epstein pedindo que a possibilidade de um encontro fosse mencionada em visitas a Moscou: “Sei que você vai se encontrar com Putin no dia 20. Ele está desesperado para atrair investimento ocidental para o país… eu tenho a solução dele”, escreveu Epstein. E-mails posteriores indicam que não houve avanço. Mais tarde, Epstein reclamou que não recebeu resposta.
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Em janeiro de 2014, Jagland informou que se encontraria com Putin em Sochi e perguntou se Epstein gostaria de ir. Os arquivos não indicam se o convite foi adiante. Meses depois, Epstein ainda buscava apresentações e comentou, após a queda do voo 17 da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia: “Má ideia agora depois do acidente aéreo”.
As tentativas continuaram nos anos seguintes. Em julho de 2015, Epstein voltou a pedir ajuda para marcar um encontro “para falar de economia”. Pedidos semelhantes aparecem em 2016 e 2017 e, ainda em junho de 2018, ele escreveu que “adoraria se encontrar com Putin”. As revelações levaram a Polônia a abrir uma investigação sobre possíveis vínculos entre Epstein e serviços de inteligência russos. Na terça-feira, o primeiro-ministro Donald Tusk afirmou que o país analisaria o conteúdo dos arquivos. O Kremlin reagiu minimizando o caso.
— As alegações de laços entre Epstein e a inteligência russa não merecem nada além de piadas — disse um porta-voz, acrescentando que o tema não justificava comentários sérios.
Sergey Belyakov
Entre os contatos mais frequentes de Epstein está Sergey Belyakov, graduado da Academia do Serviço Federal de Segurança (FSB) e então vice-ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia. De acordo com os documentos, a relação começou em 2014 e se estendeu até 2018. Em maio de 2014, Belyakov escreveu: “Nosso encontro foi realmente interessante para mim! Não conheço muitas pessoas como você, que conseguem abrir novos horizontes e perspectivas”.
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Pouco depois, Epstein convidou Belyakov para jantar em sua casa, em Nova York, e Belyakov agradeceu por um presente. A partir daí, a correspondência passou a indicar trocas regulares, convites para o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo e apresentações a figuras influentes. Epstein apresentou Belyakov a Ehud Barak e organizou, em 2015, um encontro entre o russo e o bilionário americano Peter Thiel. Mais tarde, Epstein recorreu a Belyakov para tratar de um problema pessoal, alegando que uma mulher de Moscou tentava chantagear “empresários poderosos” em Nova York.
“Preciso de um favor. Há uma garota russa de Moscou. Ela está tentando chantagear um grupo de empresários poderosos em Nova York. É ruim para os negócios de todos os envolvidos… sugestões?”, escreveu Epstein em julho de 2015. Belyakov respondeu oferecendo ajuda e afirmando que se encontraria com alguém que conhecia a mulher. Em 2016, informou a Epstein que havia assumido um cargo no Fundo Russo de Investimento Direto, ligado ao Kremlin, e mencionou oportunidades para atrair investimentos estrangeiros para a Rússia.
Quando Trump foi eleito presidente pela primeira vez, em novembro de 2016, Belyakov enviou uma mensagem a Epstein com o título “Parabéns pelo seu presidente”. Epstein respondeu com uma palavra: “divertido”.
Oleg Deripaska e Vitaly Churkin
Os arquivos também apontam contatos de Epstein com o bilionário russo Oleg Deripaska, próximo ao Kremlin, e com Lord Peter Mandelson, figura de destaque do Partido Trabalhista britânico. Quando Mandelson era comissário de Comércio da União Europeia, em 2008, passou férias no iate de Deripaska em Corfu, junto com Nat Rothschild, financista nascido no Reino Unido, levantando questionamentos sobre esforços de oligarcas russos para se aproximar de políticos britânicos. E-mails indicam tentativas de usar contatos de Deripaska para obter um visto de última hora para Epstein viajar à Rússia, em 2010.
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Outro nome citado é o do diplomata Vitaly Churkin, embaixador da Rússia na ONU entre 2006 e 2017. Mensagens mostram Epstein ajudando o filho de Churkin a buscar emprego nos Estados Unidos, com a condição de confidencialidade. Em documento divulgado anteriormente, Epstein afirmou ter dado conselhos políticos ao diplomata e sugeriu, por meio de Jagland, que o Kremlin o consultasse para entender melhor como lidar com Donald Trump.
Maria Drokova
Os documentos também detalham a relação de Epstein com Maria Drokova, ex-ativista do movimento juvenil pró-Kremlin Nashi, que se tornou conhecida após receber uma medalha de Putin em uma cerimônia pública. Drokova manteve contato com Epstein entre 2017 e 2019 e, segundo os e-mails, o ajudou em iniciativas de relações públicas para melhorar sua imagem, além de receber conselhos para lançar sua empresa, a Day One Ventures. Segundo o material divulgado, Epstein buscava se apresentar como apoiador de startups e da ciência, ao mesmo tempo em que ampliava sua rede de contatos internacionais.









