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— Trata-se de um golpe financiado por essa aliança nefasta entre a política e o crime organizado em toda a região — declarou Landau, acrescentando que conversou por telefone com Paz. — Não é possível que tenha havido um processo democrático no qual [Paz] foi eleito de forma esmagadora pelo povo boliviano há menos de um ano, e agora tenhamos manifestantes violentos bloqueando as ruas.
Com a ascensão de Paz ao poder, a Bolívia tornou-se uma nova aliada do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, na América Latina. Em março, os Estados Unidos anunciaram o Escudo das Américas, uma aliança de segurança com 17 países da região, incluindo a Bolívia, para enfrentar o que consideram a maior ameaça ao hemisfério: o crime organizado.
Ao mesmo tempo, Washington reviveu a Doutrina Monroe, nomeada em homenagem ao presidente de mesmo nome que, em meados do século XIX, declarou que nenhuma potência estrangeira poderia ser hegemônica na região, exceto os Estados Unidos.
— Acho que olhar para a região através de uma ótica de esquerda e direita é um erro hoje. A grande linha divisória está entre os países que têm instituições que combatem o crime organizado e os países que são cúmplices do crime organizado — declarou Landau. — Estou muito preocupado com a Bolívia. Acho que todos nós deveríamos estar muito preocupados.
O presidente boliviano está sitiado por bloqueios que cercam a capital política do país, La Paz, há mais de duas semanas. Manifestantes, que exigem sua renúncia, entraram em confronto com as forças policiais bolivianas no fim de semana e na segunda-feira.
Usando explosivos e pedras, manifestantes tentaram entrar na Plaza de Armas, onde fica o Palácio do Governo, por volta do meio-dia de segunda-feira, confirmaram jornalistas da AFP. Protegidos com escudos, coletes e capacetes, os policiais antimotim os confrontaram durante várias horas com gás lacrimogêneo, que cobriu as ruas com uma densa névoa.
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Em meio aos distúrbios, o Ministério Público anunciou que havia ordenado a prisão de um dos líderes dos protestos, Mario Argollo, representante da Central Operária Boliviana, o maior sindicato do país, por supostos crimes de “incitação pública ao crime” e “terrorismo”. No sábado, dezenas de pessoas foram presas após entrarem em confronto com policiais para evitar que as rodovias bloqueadas fossem liberadas pelas autoridades.






