Entenda: Autoridades da Flórida lançam campanha para recolher iguanas que ‘caem do céu’ após onda de frio
Vídeo: Frio histórico nos EUA faz iguanas ‘caírem do céu’ na Flórida durante o Ano Novo
As iguanas são répteis de sangue frio e dependem da temperatura ambiente para regular suas funções vitais. Quando os termômetros se aproximam do ponto de congelamento, esses animais entram em estado de torpor, uma espécie de paralisia temporária que reduz drasticamente seus movimentos. Imóveis, elas perdem a capacidade de se manter presas aos galhos e acabam caindo das árvores.
Especialistas ouvidos pela imprensa local explicam que áreas próximas à água tendem a agravar o problema. Segundo Jessica Kilgore, da Iguana Solutions, o ar frio associado à umidade e aos ventos intensifica a perda de calor corporal, tornando os animais ainda mais vulneráveis. Em episódios anteriores de geada, ela relatou ao canal Local 10 News ter encontrado iguanas congeladas especialmente em regiões litorâneas.
Apesar da aparência, muitas iguanas encontradas no chão não estão mortas. Com o aumento gradual da temperatura ao longo do dia, parte delas pode recuperar os movimentos. Ainda assim, o período de imobilidade as deixa expostas a atropelamentos, ataques de predadores e ferimentos, o que explica a mobilização das autoridades ambientais.
Diante da situação, a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC) lançou uma campanha emergencial para o recolhimento dos animais afetados. A iniciativa inclui uma autorização temporária para que moradores, mesmo sem licença, possam capturar e transportar iguanas-verdes até pontos designados, sempre sob supervisão técnica, segundo informações do Naples Daily News.
A campanha também está inserida em um contexto mais amplo de controle ambiental. A iguana-verde é considerada uma espécie invasora na Flórida. Dados da FWC indicam que mais de 600 espécies não nativas já foram registradas no estado, a maioria introduzida por meio do comércio legal de animais vivos. Pelo menos 139 delas se reproduzem livremente no ambiente natural.
O frio extremo afeta ainda outras espécies exóticas. De acordo com Ian Bartoszek, da Conservancy of Southwest Florida, temperaturas baixas podem ser letais para a píton-birmanesa. Relatórios do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), citados pelo The News-Press, alertam, porém, que alguns indivíduos já apresentam adaptações genéticas que ampliam sua tolerância ao frio.
Embora eventos como esse provoquem redução temporária na população de répteis invasores, especialistas destacam que o fenômeno não elimina o problema. A recorrência das quedas de iguanas durante frentes frias reforça a necessidade de políticas permanentes de monitoramento e controle, especialmente em um cenário de extremos climáticos cada vez mais frequentes.








