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No segundo discurso ao Congresso dos EUA em seu atual mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “os Estados Unidos estão de volta”, repetindo um jargão de campanha e de governo: “essa é a Era de Ouro”. Ao contrário do ano passado, quando discursou ainda em meio à euforia da vitória nas urnas e a um tratoraço de ordens executivas, Trump voltou ao Capitólio com a popularidade abaixo dos 40%, fissuras na base de apoio e uma derrota do tarifaço na Suprema Corte ainda não digerida. Por isso, a fala era considerada uma tábua de salvação para os governistas, que correm o risco de perderem o controle do Congresso nas eleições de novembro
— Esta noite, após apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que alcançamos uma transformação como nunca se viu antes, uma reviravolta histórica. Nunca mais voltaremos ao ponto em que estávamos há pouco tempo — disse o presidente, sob aplausos da metade republicana do plenário e eventuais gritos de “USA”, sigla para Estados Unidos em inglês.
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No plenário, chamou a atenção a presença da equipe masculina de hóquei no gelo dos EUA, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão-Cortina. A equipe feminina, que também conquistou o ouro, foi convidada, mas alegou “problemas de agenda”. Trump disse que elas “em breve estarão na Casa Branca”.
Em tom de prestação de contas, Trump mirou em aspectos positivos de seu governo. A começar pela economia. Antes do discurso, sua porta-voz, Karoline Leavitt, afirmou que o republicano “tirou nosso país da beira do desastre e, com razão, declarará que o estado da nossa união é forte, próspero e respeitado”. Em entrevistas recentes, Trump diz que as finanças dos EUA “jamais estiveram tão fortes”, e usa o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York como troféu: no começo do mês, o patamar de 50 mil pontos foi superado pela primeira vez.
— Quando falei pela última vez nesta Casa, há 12 meses, tinha acabado de herdar uma nação em crise, com uma economia estagnada — afirmou, ignorando que o crescimento do PIB no último de seu antecessor, Joe Biden, em 2024, havia sido de 2,8%.
Outros indicadores ajudam na narrativa. Em 2025, o PIB avançou 2,5%, o ritmo de geração de vagas em janeiro surpreendeu economistas e a inflação está em 2,4% ao ano — mesmo assim, especialistas dizem que o Federal Reserve, o Banco Central americano, não deve atender aos desejos presidenciais de um corte na taxa básica de juros, hoje entre 3,5% e 3,75%, na reunião do mês que vem. No discurso, ele voltou a cobrar o corte para acelerar o crescimento, e disse que os preços estão “despencando”.
O tom oficial positivo contrasta com a percepção dos americanos sobre o estado de seus bolsos. Uma pesquisa realizada pelo jornal Washington Post, pela rede ABC News e pelo instituto Ipsos mostra que 57% desaprovam a maneira como Trump conduz a economia, e 65% não concordam com suas políticas de controle da inflação.
Outra sondagem, das redes públicas NPR e PBS, ao lado da Universidade Marist, aponta que 60% dos entrevistados (incluindo quase 70% dos eleitores independentes) acreditam que o país está pior do que há um ano. No discurso, citou medidas para reduzir os preços, como o corte de preços de medicamentos, o incentivo ao uso de carros movidos a combustíveis fósseis e à exploração de petróleo (para baratear a gasolina), se dirigindo a esse trabalhador insatisfeito com seu governo.
— Juntos, estamos construindo uma nação onde toda criança tenha a chance de almejar mais e ir mais longe, onde o governo responde ao povo, não aos poderosos, e onde os interesses dos cidadãos americanos trabalhadores sejam sempre nossa primeira e principal preocupação — declarou. — Esta é a Era de Ouro da América.
Para o republicano, mais do que prestar contas à nação, o discurso desta terça-feira passou a ser visto como uma tábua de salvação para interromper a sequência negativa antes das eleições de novembro. Na média das pesquisas, a desaprovação do governo está em 56%. Projeções para as eleições de novembro mostram que a oposição democrata é favorita para conquistar a Câmara, e muitos parlamentares do partido boicotaram o discurso.
Aprovação do presidente dos EUA, Donald Trump
Editoria de Arte
O pessimismo é palpável em outra bandeira de campanha: a imigração. A violência das operações da agência anti-imigração de Trump, o ICE, em cidades como Minneapolis acirraram as críticas à Casa Branca e fizeram seus índices despencarem. Uma pesquisa da agência Reuters e do instituto Ipsos, da semana passada, mostrou que 38% dos americanos aprovam a política migratória de Trump — no ano passado, quando o presidente falou ao Congresso, o índice era de 50%. Os números são similares aos do Washington Post e da ABC News, com 57% de desaprovação.
Na fala, Trump tentou mudar o foco da violência dos agentes do ICE, que deixou dois cidadãos americanos mortos e levou milhares de estrangeiros em situação regular à prisão, para a fronteira com o México. Em janeiro, ocorreram 6,1 mil travessias irregulares, o menor número desde julho do ano passado. Em dezembro de 2023, no ápice da crise migratória, foram mais de 243 mil travessias. Números explorados à exaustão diante dos congressistas, convidados e das câmeras, carregando consigo o habitual exagero.
Ao Congresso, Trump declarou que “nos últimos 9 meses, nenhum imigrante ilegal foi admitido nos Estados Unidos.”, algo que os próprios números do Departamento de Segurança Interna desmentem. Ele defendeu a retomada do financiamento ao Departamento de Segurança Interna, em meio a um duelo entre governistas e a oposição no Congresso ligado ao debate eleitoral sobre a imigração.
— Enquanto falamos, os democratas nesta Casa cortaram todo o financiamento do Departamento de Segurança Interna — afirmou. —Eles fecharam a agência responsável por proteger os americanos de terroristas e assassinos. Esta noite, exijo a restauração total e imediata de todo o financiamento para a Segurança de Fronteiras e a Segurança Interna dos Estados Unidos.
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Mas o presidente que se apresenta diante do mesmo Congresso invadido por seus apoiadores há cinco anos — mais de 1,5 mil deles foram perdoados pelo republicano mesmo após condenações judiciais — é um líder que comprovou que seus poderes não são infinitos.
Na semana passada, a Suprema Corte, de maioria conservadora, derrubou o principal pilar do tarifaço global, anunciado no ano passado e que causou uma tempestade na economia do planeta. Para os magistrados, o presidente excedeu sua autoridade legal ao anunciar as taxas, sob alegação de que os EUA estavam sendo prejudicados no comércio internacional. Trump disse que a decisão era “errada, mas poupou de ataques os magistrados que votaram contra a tarifa — três deles estavam no plenário.
Durante o primeiro ano de governo, Trump usou as tarifas para obter vantagens estratégicas, como ferramenta diplomática (a pressão por acordos de fato levou governos à mesa de negociações) e como arma de pressão política. Em julho passado, a Casa Branca anunciou tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, citando o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Após longas negociações e dois encontros entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, algumas alíquotas foram reduzidas, e os dois líderes devem se reunir novamente em março, em Washington.
Trump criticou os juízes — que lhe garantiram vitórias importantes em seu primeiro ano de mandato — e anunciou uma nova tarifa global, de 15%, embora a alíquota atualmente em vigor seja de 10%. Apesar do presidente defender as tarifas como uma ferramenta para ajudar a economia americana, o déficit comercial dos EUA deu um salto, chegando a US$ 70,3 bilhões em dezembro passado. As importações aumentaram 3,8%, enquanto as exportações caíram 2,9%. Segundo a pesquisa do Washington Post e da ABC News, 64% dos entrevistados desaprovam sua política tarifária.
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Mas um dos principais temas da eleição de novembro será ocultado na fala de Trump. A divulgação de milhões de documentos do processo do financista Jeffrey Epstein, acusado de liderar uma rede de abuso de menores e tráfico humano, mostrou as ligações do milionário com a elite política e econômica dos EUA e Europa, com numerosas menções a Trump.
Por anos, o republicano surfou nas teorias da conspiração envolvendo uma suposta lista de clientes de Epstein, e prometeu divulgá-la caso fosse eleito em 2024. A vitória veio, assim como a pressão para que documentos do caso fossem tornados públicos (o que Trump não queria fazer). No ano passado, o governo esteve perto de perder votações importantes por dissidências na base, e foi obrigado a ceder. As revelações ainda não produziram efeitos palpáveis nos EUA — no Reino Unido, o chefe de Gabinete do premier, Keir Starmer, deixou o cargo, e o ex-príncipe Andrew chegou a ser preso —, mas a oposição democrata promete explorar o tema à exaustão.
Análise: Para o Irã, rejeitar as exigências dos EUA para acordo nuclear é um risco que vale a pena correr
Depois de bombardear sete países em 12 meses, e se autodeclarar o “presidente da paz”, Trump chega ao púlpito pressionado por uma decisão uma guerra contra o Irã, cujos objetivos não são claros nem para o governo.
— Como presidente, buscarei a paz onde quer que eu possa, mas jamais hesitarei em confrontar as ameaças à América onde quer que seja necessário —o presidente planeja dizer.
Segundo a imprensa americana, o comando do Pentágono advertiu para os riscos de uma operação de grande porte. Trump posicionou uma grande força, ou armada, como gosta de dizer, no Oriente Médio, e pode lançar um ataque a qualquer momento caso os iranianos não aceitem um acordo em seus termos. A principal exigência pública do presidente a Teerã é o desmantelamento de seu programa nuclear.
Há 23 anos, outro republicano, George W. Bush, usou o discurso sobre o Estado da União para justificar a guerra que lançaria contra o Iraque, em março de 2003. Na época, mais de 70% dos americanos apoiavam a intervenção. Hoje, de acordo com números do YouGov, 49% são contra o uso de força militar no Irã, e apenas 27% a defendem— entre os republicanos, 58% são a favor.
Segundo os trechos antecipados, ele louvará a guinada estratégica americana para a América Latina, inspirada na Doutrina Monroe e que levou à maior mobilização militar na região em décadas, teoricamente focada no combate ao narcotráfico, e a uma operação que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas. Apesar das caras no regime serem praticamente as mesmas, Trump chamou o governo venezuelano de “nosso novo amigo e parceiro”, afirmando que os EUA receberam “mais de 80 milhões de barris de petróleo” do país, sem explicar quando ou como.
— Também estamos restaurando a segurança e a dominância americanas no hemisfério ocidental, agindo para garantir nossos interesses nacionais e defender nosso país da violência, das drogas, do terrorismo e da interferência estrangeira. Durante anos, vastas áreas de território em nossa região, incluindo grandes partes do México, foram controladas por cartéis de drogas assassinos — dirá Trump.

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Um ataque com drone provocou um incêndio numa instalação de apoio da usina nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos, no domingo, tensionando ainda mais um cessar-fogo já frágil relacionado ao conflito com o Irã.
O Escritório de Imprensa de Abu Dhabi informou que um gerador elétrico pegou fogo do lado de fora da instalação principal. O comunicado acrescentou que não houve vazamento de radiação ou vítimas humanas e confirmou que a usina continuou operando normalmente.
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A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que o incêndio afetou um gerador elétrico e disse que um dos reatores da usina precisou de um aporte de energia provida por geradores de emergência a diesel por alguns minutos.
A AIEA acrescentou que foi informada de que os níveis de radiação na usina nuclear de Barakah permanecem normais e que não houve feridos “após um ataque com drone”.
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O secretário-geral da AIEA, Rafael Grossi, expressou sua “grave preocupação com o incidente” e disse que “atividades militares que ameaçam a segurança nuclear são inaceitáveis”.
Ele instou todas as partes “a manterem a máxima contenção militar perto de qualquer usina nuclear para evitar o perigo de um acidente nuclear”.
Cessar-fogo frágil
Nenhuma das partes envolvidas na guerra reivindicou a autoria do ataque, e o governo dos Emirados Árabes não culparam publicamente ninguém. No entanto, as tensões com o Irã aumentaram acentuadamente nas últimas semanas, após repetidos ataques com drones e mísseis ligados ao conflito regional mais amplo.
O incidente ocorre num momento em que as negociações de cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos permanecem paralisadas, aumentando os temores de que o conflito possa reacender.
Em meio a negociações para manutenção do cessar-fogo, a mídia estatal iraniana continua a circular imagens de guerra, incluindo transmissões mostrando apresentadores recebendo treinamento com armas de fogo e aparecendo armados no ar.
O Irã afirmou neste sábado que países europeus estão tentando obter passagem de seus navios comerciais pelo Estreito de Ormuz em negociação direta com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, autoridade que está gerindo o país na prática durante a guerra.
Segundo a rede de TV americana CNN, essa informação está sendo veiculada pela mídia estatal do país no Golfo Pérsico, bem como pelas agências de notícias Mehr e Nour, autorizadas pelo governo, e pelo próprio serviço de comunicação da Guarda.
Ormuz é uma extensão de mar no Golfo Pérsico considerada estratégica, por ser um local onde 20% da produção mundial de petróleo precisa passar para ser destinada ao mercado.
Desde o início da guerra entre EUA e Irã, em fevereiro, a travessia da passagem está fechada, com poucos navios tendo conseguido salvo conduto para navegar ali até agora.
O anúncio sobre a negociação com europeus foi feito após Ebrahim Azizi, um parlamentar iraniano, ter dito que apenas embarcações e entidades que “cooperam com o Irã” se beneficiarão de um novo “mecanismo para gerenciar o tráfego no Estreito de Ormuz ao longo de uma rota designada”.
Em postagem nas redes sociais, ele disse que “as taxas necessárias serão cobradas pelos serviços especializados prestados por meio desse mecanismo”.
Países europeus não comentaram as afirmações até a publicação desta notícia.
Um alerta amarelo de tempo severo foi emitido às embarcações na região de Atol de Vaavu, nas Maldivas, antes da tragédia que deixou cinco mergulhadores italianos mortos, na quinta-feira (14). Neste sábado (16), um mergulhador da equipe de resgate também morreu ao tentar chegar no local onde estão os corpos.
Segundo o governo italiano, os mergulhadores tentavam explorar cavernas submarinas a cerca de 50 metros de profundidade, perto da ilha de Alimatha. Autoridades locais disseram que este foi o pior acidente de mergulho já registrado das Maldivas.
Apesar do mergulho arriscado, na caverna conhecida por sua forte correnteza, toda a equipe de mergulhadores era formada por pesquisadores, em sua maioria experientes. Monica Montefalcone, professora de biologia marinha na Universidade de Gênova, e sua filha de 20 anos, Giorgia Sommacal; a pesquisadora Muriel Oddenino; e o cientista marinho Federico Gualtieri, foram as vítimas da excursão. Eles estavam acompanhados de um instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, que também morreu.
Resgate de ‘alto risco’
Um mergulhador profissional da equipe de resgate que procurava os corpos do grupo de mergulhadores italianos mortos nas Maldivas também morreu durante a operação. A informação foi publicada pelo jornal italiano La Repubblica. Segundo a publicação, o Sargento-Mor Mohammed Mahdi, das Forças de Defesa Nacional das Maldivas, sofreu de doença descompressiva, condição causada pela formação de bolhas de gás (normalmente nitrogênio) no sangue e nos tecidos. Ela ocorre quando há uma queda brusca de pressão, como em uma subida rápida durante mergulhos autônomos.
Ele participava da operação com outros sete colegas e passou mal. Mahdi chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu. O Ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, ordenou o envio de pessoal adicional às Maldivas para apoiar a embaixada e auxiliar as famílias das vítimas. Autoridades locais disseram que este foi o pior acidente de mergulho já registrado das Maldivas.
O porta-voz do governo das Maldivas , Mohamed Hussain Shareef, afirmou que a caverna “é tão profunda que nem mesmo mergulhadores com os melhores equipamentos se aventuram a chegar perto”.
“Haverá uma investigação separada sobre como esses mergulhadores foram além da profundidade permitida, mas nosso foco agora é a busca e o resgate”, disse ele após o incidente.
A guarda costeira e as unidades militares das Maldivas lançaram uma operação de busca e resgate de “alto risco” utilizando mergulhadores especializados , barcos e apoio aéreo, mas as condições climáticas adversas na área, incluindo ventos fortes e um alerta amarelo oficial, tornaram as operações mais difíceis do que o esperado.
Um comunicado da Força de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF) afirma que “um corpo foi encontrado entre os cinco mergulhadores no Atol de Vaavu”. “O corpo foi encontrado dentro de uma caverna. Acredita-se que os outros quatro mergulhadores também estejam dentro da mesma, que se estende a uma profundidade de cerca de 60 metros”.
Única sobrevivente
Uma mulher, estudante da Universidade de Gênova, foi a única sobrevivente do grupo de mergulhadores vítimas de uma tragédia que deixou cinco italianos mortos nas Maldivas. Apesar de estar preparada para se juntar aos colegas pesquisadores no mergulho, na quinta-feira (14), a jovem decidiu permanecer a bordo do iate enquanto o grupo desceu ao fundo do mar no Atol de Vaavu, informou o jornal italiano La Repubblica.
Não ficou claro por que a estudante, que não foi identificada, mudou de ideia e permaneceu no iate, o Duke of York. Ela foi a “única sobrevivente direta daquele dia” e uma “testemunha fundamental para a reconstrução dos momentos finais antes do acidente”, informou o veículo. Embora as autoridades tenham afirmado que havia cerca de 20 pessoas a bordo da embarcação, quando ela saiu em direção a Atol de Vavvu, ela era a única que deveria ter mergulhado.
Toxicidade do oxigênio
Segundo a mídia local, uma das hipóteses mais aceitas pela guarda costeira e por especialistas é a toxicidade do oxigênio. Esse fenômeno ocorre quando a mistura do cilindro é inadequada, tornando o oxigênio tóxico em certas profundidades.
“A 50 metros de profundidade no mar, existem vários riscos; é uma verdadeira tragédia”, afirma Alfonso Bolognini, presidente da Sociedade Italiana de Medicina Subaquática e Hiperbárica. “Podemos formular diversas hipóteses neste momento: uma mistura respiratória inadequada pode criar uma crise hiperóxica quando há um aumento na pressão parcial de oxigênio nos tecidos e no plasma sanguíneo, o que pode causar problemas neurológicos.”
“É provável que algo tenha dado errado com os tanques”, disse o pneumologista Claudio Micheletto ao veículo de comunicação italiano Adnkronos. “A morte por toxicidade do oxigênio, ou hiperóxia, é uma das mortes mais dramáticas que podem ocorrer durante um mergulho — um fim horrível”, acrescentou Micheletto, diretor de pneumologia do Hospital Universitário de Verona.
A candidata de direita Keiko Fujimori e o político de esquerda Roberto Sánchez disputarão o segundo turno presidencial no Peru em 7 de junho, confirmou neste domingo a autoridade eleitoral ao proclamar oficialmente os resultados. A filha do ex-ditador Alberto Fujimori venceu o primeiro turno disputado no mês passado com 17,1% dos votos, seguida por Sánchez, com 12%, informou o Júri Nacional de Eleições (JNE) após concluir a apuração oficial das eleições caóticas de 12 de abril.
Contexto: Presença do fujimorismo em órgãos eleitorais e na Justiça põe em xeque segundo turno no Peru
Contestação: Candidato ultraconservador pede novas eleições no Peru e ameaça não reconhecer resultado após ficar fora do 2º turno
O ultraconservador Rafael López Aliaga, com 11,9%, ficou em terceiro lugar e foi superado por Sánchez por apenas 21.209 votos.
“Impugnaremos imediatamente este grave crime de traição à pátria. Não aceitaremos resultados que são produto de fraude e corrupção”, escreveu o ex-prefeito de Lima em sua conta no X.
O primeiro turno, em 12 de abril, foi marcado por problemas na distribuição de urnas e cédulas, o que atrasou a abertura das seções eleitorais em vários locais de votação, especialmente em Lima — onde vive um terço dos eleitores. De maneira inédita, o pleito teve que ser estendido até o dia seguinte para mais de 50 mil peruanos que não haviam conseguido votar.
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Por causa das falhas, nos dias que se seguiram ao pleito, o JNE passou a contestar publicamente a autoridade da Onpe, fragilizando um processo de apuração que deveria acontecer de maneira coordenada entre as instituições.
Pressionado nas redes sociais, onde recebeu inclusive ameaças de morte, Piero Corvetto, chefe do Onpe, acabou renunciando antes que os resultados fossem anunciados. Oficialmente, os números finais serão divulgados apenas no domingo, devido ao alto número de atas contestadas que ainda estão sendo analisadas pelo JNE.
Campanha polarizada
Além disso, mudanças recentes nas regras eleitorais incentivaram a fragmentação partidária e multiplicaram as candidaturas, que passaram de 30. As pesquisas, que apontavam um segundo turno entre Keiko e dois outros candidatos da direita, enfrentaram dificuldades metodológicas devido ao elevado número de candidatos e ao comportamento volátil do eleitorado — cerca de 20% dos peruanos decidem o voto apenas no dia da eleição.
Relembre: Candidato de extrema direita à presidência do Peru propõe expulsar venezuelanos do país em debate eleitoral
Assim como Castillo em 2021, Sánchez repetiu tendências históricas do eleitorado peruano e venceu sobretudo nas regiões andinas, onde mais de um milhão de eleitores votaram no primeiro turno, segundo o Onpe. Como são regiões de acesso mais difícil, as atas demoraram mais para ser contabilizadas.
Agora, há o temor que o segundo turno seja novamente judicializado, aponta a especialista peruana. Também como em 2021, Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, morto em 2024, enfrentará um candidato da esquerda que nunca havia disputado uma eleição. É a quarta tentativa da candidata de chegar à Presidência — em 2011, foi derrotada por Ollanta Humala e, em 2016, perdeu para o economista Pedro Pablo Kuczynski. Tanto Castillo quanto Kuczynski não conseguiram concluir seus mandatos.
— O cenário atual repete as dinâmicas de 2021, mas teremos um segundo turno ainda mais polarizado entre o fujimorismo e a esquerda. Como parte de uma tendência global e de um ecossistema de imprensa fragmentado e fragilizado, as campanhas se tornaram muitos personalistas, centradas nas figuras dos candidatos, e não em suas propostas — explicou ao GLOBO a cientista política peruana Adriana Urratia. — O segundo turno tende a ser marcado mais por um “voto contra” o outro candidato, do que pelo apoio aos programas econômicos, de saúde e educação de seu próprio candidato.
Sánchez inicia a campanha para o segundo turno com vários problemas na Justiça. Na semana passada, o Ministério Público pediu cinco anos e quatro meses de prisão para o candidato por supostamente ter apresentado declarações falsas ao organismo eleitoral sobre doações em outras campanhas, entre 2018 e 2020.
Nos últimos anos, devido às mudanças recentes, os representantes dos órgãos passaram a ser nomeados pelo Congresso — que, após uma profunda crise política e sucessivos impeachments, funciona hoje como peça central na escolha de presidentes interinos. Na última década, nenhum presidente eleito conseguiu terminar seu mandato de cinco anos.
O Papa Leão XIV viralizou no TikTok, neste sábado (16), fazendo a trend do “six seven”. O vídeo, publicado pelo padre genovês Don Roberto Fiscer, já acumula mais de 15 milhões de visualizações na rede.
Nas imagens, o padre, ao lado de crianças, pede ao Papa que reproduza o gesto do meme com as mãos. O pontífice atende ao pedido com um sorriso, para a alegria dos pequenos. A gravação foi feita no Salão das Bênçãos, no Palácio Apostólico do Vaticano, durante uma cerimônia neste sábado.
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Entenda a trend
A moda começou a partir de uma música, “Doot Doot”, do rapper Skrilla, que fala dos números em referência a uma rua de Chicago. Mas se popularizou em um jogo de basquete, com o jogador LaMelo Ball, do Charlotte Hornets, quem tem 2m de altura, ou 6 pés e 7 polegadas, nas medidas usadas nos Estados Unidos. Depois, um menino americano apareceu em um vídeo, comemorando um ponto em uma partida também de basquete com o meme. A partir dali, o conteúdo viralizou. A expressão chegou a ser eleita a palavra do ano por um dicionário inglês, no fim de 2025.
O jogador LaMelo Ball, em partida pela NBA
Jordan Bank/Getty Images/AFP
Nas escolas, quando o professor pede para os alunos abrirem na página 67 ou simplesmente fala o número seis, já é suficiente para os estudantes começarem a se movimentar e reproduzir o meme. Ele é classificado como um conteúdo “brain rot” (“cérebro podre”), ou seja, que não tem um significado ou sentido específico, é apenas uma espécie de código das crianças e adolescentes para repetirem o movimento.
Em geral, as modas que ganham o TikTok e outras redes têm uma vida útil. Mas o “6 7” está mostrando que vai mesmo marcar uma geração. Ana Paula Santos, assessora pedagógica também da Currículo Be, percebe que a brincadeira já dura alguns meses entre os alunos e está até aumentando de público.
— Eu nunca vi uma trend durar tanto tempo, escutei em setembro do ano passado e ainda não acabou. Aqui no Leblon, é febre. Eles fazem toda vez que algum professor cai na besteira de falar os tão temidos números. Antes era só no Ensino Fundamental 2 (alunos entre 11 e 14 anos de idade), mas agora até no Ensino Fundamental 1 (alunos entre 6 e 10 anos de idade) acontece — relata Ana Paula.
O meme chegou também a inspirar músicas no Brasil, como a “Six Seven”, da cantora Laurinha Costa, em que ela canta um refrão descrevendo uma equação passada por uma professora em que o resultado é justamente 67.
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Uma equipe de elite composta por mergulhadores de caverna finlandeses acaba de desembarcar nas Ilhas Maldivas para uma missão de altíssimo risco: localizar e resgatar quatro italianos que desapareceram em um complexo subaquático profundo no Atol de Vaavu. Convocados pela DAN Europe (rede de assistência médica a mergulhadores), os especialistas preparam seus equipamentos para retomar as buscas na manhã desta segunda-feira (18).
O grupo de resgate conta com Jenni Westerlund, Sami Paakkarinen e Patrik Grönqvist — os dois últimos ganharam fama mundial após o documentário Diving Into The Unknown (2016), que registrou o resgate dramático de corpos em uma caverna na Noruega.
A entrada dos finlandeses ocorre em um momento crítico. As Forças de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF), que coordenavam a operação, suspenderam os trabalhos no dia 16 após uma tragédia paralela: o sargento-mor Mohamed Mahudhee, um dos mergulhadores militares que tentava acessar uma câmara estreita do complexo, morreu em decorrência de doença descompressiva.
Resgate de ‘altíssimo risco’: o que se sabe sobre a morte de cinco italianos após mergulho em cavernas submersas nas Maldivas
Reprodução/X
A DAN Europe classificou o local do acidente como “altamente complexo”. A entrada da caverna fica a uma profundidade letal de 55 a 60 metros, estendendo-se por centenas de metros em um labirinto de salões e passagens apertadas.
“As vítimas podem estar em áreas de dificílimo acesso, o que exige um planejamento extremamente cuidadoso. É uma operação de extremo risco”, explicou Laura Marroni, CEO da DAN Europe.
O caso gerou uma forte troca de acusações. A Albatros Top Boat, operadora italiana responsável pelo barco Duke of York, onde o grupo estava hospedado, afirmou que o roteiro do grupo previa apenas mergulhos rasos para a coleta de amostras de corais. Nas Maldivas, ultrapassar a marca de 30 metros de profundidade é estritamente proibido sem uma licença especial.
Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Stella garantiu que a empresa jamais autorizaria a entrada em uma caverna a 50 metros. Ela revelou um detalhe assustador: embora fossem mergulhadores experientes, as vítimas pareciam usar equipamentos recreativos padrão, totalmente impróprios para o nível de técnica e redundância de gás exigidos em cavernas profundas.
O governo das Maldivas suspendeu a licença de operação do barco Duke of York por tempo indeterminado enquanto as investigações ocorrem. Paralelamente, o Ministério Público de Roma abriu seu próprio inquérito para apurar responsabilidades.
“Todo mundo ali sabe que as regras foram quebradas”, cravou o instrutor veterano Shaff Naeem à agência de notícias ANSA. Consultor da guarda costeira e com mais de 50 mergulhos técnicos na mesma caverna, Naeem especula que a tragédia foi causada por um “efeito dominó”: a combinação letal de falta de cilindros extras (falta de gás), narcose por nitrogênio (que causa desorientação mental severa em grandes profundidades) e baixa visibilidade no teto da caverna.
Para agravar o cenário, a região estava sob alerta amarelo meteorológico no momento do mergulho, com fortes ventos, mar agitado e a presença das perigosas e violentas correntes típicas daquele atol.
Um bando sobrevoa toneladas de lixo acumuladas em um terreno que parece infinito visto da estrada pública que o margeia. É o sinal inconfundível no céu para quem busca chegar ao aterro sanitário nos arredores de Ushuaia, na Argentina. Nos últimos dias, o local entrou na mira da comunidade internacional — ainda sem evidências concretas — como o possível ponto de origem do surto de hantavírus no navio MV Hondius. Apesar das críticas ao impacto ambiental do lixão a céu aberto, os moradores locais rejeitam veementemente a teoria de que o primeiro passageiro adoecido a bordo contraiu o vírus enquanto observava pássaros na região.
— É tudo invenção da mídia e até jogada política — afirma Luis, ao chegar para trabalhar no terreno localizado a cerca de sete quilômetros do centro. Ele atua na guarita do primeiro acesso de terra, que, úmida pela chuva com neve do início da manhã, tem textura de argila ao caminhar. Sua função é controlar as notas fiscais de entrada, por onde também passam os funcionários que operam os tratores encarregados de cobrir os resíduos descarregados pelos caminhões de lixo.
As aves necrófagas que sobrevoam o lixão a céu aberto de Ushuaia são uma atração imperdível para quem busca uma experiência única
Fabian Marelli/La Nacion
— Converso todos os dias com o pessoal que trabalha aqui. Nunca aconteceu nada com eles; ninguém teve hantavírus, e eles estão aqui todo santo dia. Se o rato e o vírus estivessem aqui, os trabalhadores teriam ficado doentes. Pode até haver ratos porque é um lixão, mas só à noite, quando não há movimento. E, definitivamente, não é a espécie de roedor da qual estão falando — disse o trabalhador ao jornal La Nación.
Somente a partir de segunda-feira, quando uma equipe do Instituto Malbrán (referência em doenças infecciosas na Argentina) iniciar os trabalhos no local junto com autoridades locais de saúde e pesquisadores do Conicet, serão feitas capturas e coletas de amostras para determinar se o vírus ultrapassou as fronteiras do continente e chegou à ilha da Terra do Fogo. Por enquanto, infectologistas, epidemiologistas e ex-autoridades de saúde da província concordam que a maior expectativa é que esses levantamentos apenas confirmem o que todos na região já dão como certo: a província está livre do hantavírus.
O mistério do paciente zero
Há três dias, a Sociedade Argentina de Infectologia (SADI) divulgou um comunicado reiterando que ainda falta determinar onde e como ocorreu a primeira exposição ao vírus (o chamado “paciente zero”), que desencadeou a cadeia de contágios a bordo. Até o momento, há 11 pessoas infectadas conhecidas, segundo a última atualização da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O aterro sanitário de Ushuaia está localizado a cerca de sete quilômetros da cidade.
Fabian Marelli/La Nacion
Sabe-se, até agora, que a variante causadora é a Andes Sul, que possui semelhanças genéticas com a cepa detectada durante o forte surto em Epuyén, na província de Chubut, entre 2018 e 2019, e também em casos registrados no Chile.
O primeiro a apresentar sintomas a bordo do cruzeiro Hondius foi o ornitólogo holandês Leo Schlperoord (caso-índice) e, em seguida, sua esposa, Mirjam Schlperoord-Huisman, ambos de Haulerwijk, nos Países Baixos. Antes de embarcarem, eles viajaram por Argentina, Chile e Uruguai durante cinco meses focados na observação de aves. O roteiro incluiu áreas da Patagônia onde a variante viral é endêmica, há forte presença dos roedores silvestres que servem como reservatório natural e onde, recentemente, foram detectados outros casos da doença.
“Até o momento”, publicou a SADI, “não há certeza sobre o local provável de infecção (das duas primeiras vítimas). A hipótese de trabalho dos órgãos envolvidos é que o paciente 1 teria adquirido a infecção antes de embarcar, por exposição ambiental durante atividades realizadas na Argentina e no Chile”.
Os caminhos públicos que circundam o aterro sanitário, os locais ideais para observação de pássaros.
Fabian Marelli/La Nacion
O lixão como ponto turístico
Para os guias turísticos de observação de aves e moradores locais adeptos da prática, as imediações do aterro sanitário representam apenas um ponto de interesse entre tantos outros, como o litoral ou o Parque Nacional da Terra do Fogo. A teoria de que a infecção ocorreu nos dois dias e meio em que o casal permaneceu em Ushuaia, antes de embarcar no navio, é vista como absurda na cidade. Uma ONG local rastreou até um portal de notícias britânico a origem do que os moradores de Ushuaia classificam como fake news.
Em um ponto, no entanto, os guias locais concordam: seguindo a lógica de que o casal observou aves em vários lugares do continente, é muito provável que, ao chegarem a Ushuaia, eles tenham de fato visitado o aterro sanitário. O local fica a poucos minutos de táxi do centro, tem acesso fácil e, no nicho da ornitologia, é famoso para a observação de aves raras.
O aterro sanitário a céu aberto contém diversos tipos de resíduos
Fabian Marelli/La Nacion
— Para observação de aves é espetacular. Lá fica o caracara-de-darwin, uma ave nativa do sul da Patagônia que faz ninho no alto da Cordilheira dos Andes. Por isso, o lugar mais garantido e fácil de vê-la é o aterro sanitário — explicou Esteban Daniels, guia e fotógrafo da agência Birding Ushuaia.
Segundo ele, a espécie é o grande atrativo do lixão, dividindo espaço com a águia-chilena e até mesmo com condores, quando estes decidem aparecer. — São aves de rapina que aproveitam o local para se alimentar — destacou.
No verão, com a chegada dos cruzeiros, e até abril, quando a alta temporada turística se encerra, é quando o local atrai mais curiosos estrangeiros. Agora, no entanto, o mais comum é ver apenas moradores. Durante a visita da reportagem do La Nación à estrada que cerca o lixão neste sábado, não havia ninguém observando aves na região. No interior do terreno, apenas algumas máquinas operavam. O local só retomará seu funcionamento habitual e pesado na segunda-feira.
Um incêndio de grandes proporções destruiu, neste sábado, um hotel histórico de Bariloche, conhecido por estar nos primeiros quilômetros da avenida Bustillo, em frente ao lago Nahuel Huapi, na Argentina. O Hotel Huemul é um estabelecimento com mais de 70 anos de história, localizado na avenida Ezequiel Bustillo, 1500. Todas as equipes de bombeiros da cidade trabalharam no local para combater as chamas.
As autoridades locais suspeitam que o fogo teria se originado de uma queima de folhas secas que saiu do controle, mas o caso ainda está sob investigação. Uma mulher e dois bombeiros receberam atendimento médico por inalação de monóxido de carbono. Os brigadistas foram levados ao Hospital de San Carlos de Bariloche e encontram-se estáveis.
Imagens publicadas nas redes sociais mostraram a forma impactante como o fogo, que começou por volta das 15h, consumiu a estrutura do hotel e como, aos poucos, pedaços das janelas e paredes foram se despedaçando e caindo no chão. O responsável pela Defesa Civil de Bariloche afirmou em declarações à televisão que o hotel sofreu danos estruturais significativos em suas duas alas. Além disso, o telhado, o forro e o andar superior sofreram perda total.
— A estrutura da chaminé e da alvenaria colapsou. Já há fissuras nas paredes de concreto — disse ele em entrevista à emissora TN, descrevendo a situação como danos irrecuperáveis.
Vargas destacou que o incêndio exigiu uma grande mobilização de recursos, inclusive da cidade vizinha de Dina Huapi. — É algo que não víamos há muito tempo, dessa magnitude. Infelizmente, o estrago é bastante visível — explicou.
Os moradores da região mostraram como as chamas e a fumaça podiam ser vistas de suas casas, em imagens que permitem observar a rapidez com que o fogo avança quando sai do controle. O estabelecimento foi fundado em 1938 e contava com 98 quartos. Está situado a apenas dois minutos do centro de Bariloche e tem acesso direto ao lago.
Além disso, é cercado por montanhas e árvores, com vista para a Cordilheira dos Andes. Em seu site, o hotel se promove como “um lugar único” que permite “viver a genuína experiência da Patagônia Argentina”. As chamas atingiram diretamente o setor de entrada do hotel, que estava em obras. Em seguida, teriam subido rapidamente para os andares superiores.
Hotel antes do incêndio
Reprodução
Passadas das 20h, bombeiros, agentes do Serviço de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (SPLIF) de Bariloche, a polícia de Río Negro e a Defesa Civil continuavam com um grande esquema de operação, embora as chamas já estivessem controladas. Entre outras medidas, o acesso de pessoas à área do incêndio foi bloqueado e cortes no trânsito foram estabelecidos na avenida Bustillo.
Nelson Leal, chefe do SPLIF, ressaltou que será necessário aguardar a fase de investigação da polícia e do Ministério Público para saber o que causou o incêndio. — Aparentemente, ocorreu devido a uma queima de pastagem na margem do lago, que faz divisa com o terreno do hotel. Mas é preciso aguardar a fase de perícia. Foi uma grande tragédia para um hotel muito antigo de Bariloche — esclareceu à TN.
Paralelamente, Daniel Muñoz, bombeiro que atuou na operação, disse ao mesmo canal que os brigadistas chegaram ao hotel após receberem a denúncia de uma queima “que fugiu do controle”.— Os funcionários do hotel estavam realizando uma queima. A estrutura já estava comprometida.
O prefeito de Bariloche, Walter Cortés, deu detalhes sobre a situação e garantiu que a falta de vento e a baixa temperatura atual, entre 6 e 7°C, ajudaram a combater as chamas. — Para nós, é uma verdadeira pena. São acidentes. Estamos colaborando e vendo como podemos ajudar para que não se propague mais — afirmou em entrevista ao canal.
Em seguida, deixou uma mensagem aos moradores da cidade: — Tranquilidade, estamos todos aqui e vamos apagá-lo. O incêndio será apagado. Nossos caminhões-pipa com bombas estão no local, vamos levar água aonde for possível e fazer de tudo para acabar com o incêndio. Às vezes, quando essas coisas acontecem, a gente sente angústia, mas também é preciso fazer prevenção.
Sobre este último ponto, argumentou que muitos hotéis antigos “às vezes não têm os equipamentos de segurança adequados”. “São hotéis de madeira, seca, que é um combustível para o fogo”, acrescentou.
A Rússia afirmou no domingo que a Ucrânia bombardeou seu território com 600 drones, matando quatro pessoas, em um dos maiores ataques ucranianos desde o início do conflito em fevereiro de 2022.
Três dias após um bombardeio pesado na capital ucraniana, ao qual Kiev prometeu responder, o Ministério da Defesa russo informou que seu sistema de defesa aérea abateu 556 drones entre 22h e 7h, horário local. Outros 30 drones teriam sido neutralizados entre 7h e 9h.
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Essas interceptações, um número em taxa superior às poucas dezenas normalmente registradas, teriam ocorrido em 14 regiões russas, bem como na Crimeia anexada e nos mares Negro e de Azov, informa uma fonte na plataforma de mensagens russa Max.
Moscou e a região em seu entorno foram particularmente afetadas. Os ataques deixaram três mortos nos arredores da capital e mais um na região de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia.
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No restante da região de Moscou, várias casas e infraestruturas foram danificadas e quatro pessoas ficaram feridas. Mais de 80 drones foram interceptados perto da capital e um ataque deixou 12 pessoas feridas, “principalmente trabalhadores da construção civil” em um local próximo a uma refinaria, segundo o prefeito Sergei Sobyanin.
“A produção da refinaria não foi afetada. Três prédios residenciais foram danificados”, afirmou.
Ataques com drones deixam ao menos três mortos e quatro feridos nos arredores de Moscou
A Força Aérea Ucraniana, por sua vez, afirmou no domingo ter interceptado 279 drones russos de ataque e isca, de um total de 287 lançados durante a noite. (Drones de isca são veículos maiores usados para atrapalhar a detecção de outras aeronaves por radar.)
A Ucrânia ataca regularmente alvos na Rússia em retaliação à campanha diária de bombardeios militares russos, que já dura mais de quatro anos.
Kiev afirma que seus alvos são instalações militares e de energia, com o intuito de reduzir a possibilidade de Moscou sustente sua ofensiva.
A região ao redor da capital ucraniana é frequentemente alvo de ataques com drones, mas Moscou, localizada a mais de 400 quilômetros da fronteira ucraniana, é um alvo muito menos frequente.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, declarou na sexta-feira que seu país tem o direito de atacar locais sensíveis na Rússia, em resposta ao ataque mortal do dia anterior que deixou pelo menos 24 mortos em Kiev.
“Temos motivos para responder atacando a indústria petrolífera russa, sua produção militar e aqueles diretamente responsáveis ​​pelos crimes de guerra cometidos contra a Ucrânia e os ucranianos”, escreveu Zelensky em um comunicado na sexta-feira.
A Ucrânia e a Rússia retomaram seus bombardeios na noite de segunda-feira, quando expirou uma trégua de três dias mediada pelos Estados Unidos. A trégua coincidiu com as comemorações russas do fim da Segunda Guerra Mundial.
As negociações, mediadas pelos Estados Unidos, estão suspensas desde o início da guerra no Oriente Médio, que foi desencadeada no final de fevereiro por ataques aéreos israelenses e americanos contra o Irã.
Kami Rita Sherpa, alpinista nepalês conhecido como “o homem do Everest”, bateu um novo recorde ao escalar o Everest pela 32ª vez, enquanto Lhakpa Sherpa superou a própria marca entre as mulheres com a 11ª ascensão na maior montanha do planeta. Kami Rita Sherpa, 56 anos, alcançou o topo do Everest, de 8.849 metros de altura, pela primeira vez em 1994, quando trabalhava para uma expedição comercial. Desde então, ele repetiu a façanha quase todos os anos, guiando clientes.
— É um novo marco na história do alpinismo no Nepal — declarou à AFP Himal Gautam, porta-voz do Ministério do Turismo nepalês.
Lhakpa Sherpa, 52 anos, conhecida como “a rainha da montanha”, tornou-se, no ano 2000, a primeira mulher nepalesa a alcançar com sucesso o topo e descer da maior montanha do mundo. — Os recordes deles motivam outros alpinistas — acrescentou Himal Gautam.
O entusiasmo pelo alpinismo transformou a modalidade em uma atividade lucrativa desde a primeira ascensão ao topo do Everest, em 1953, por Edmund Hillary e Tenzing Norgay Sherpa. O Nepal emitiu, na atual temporada, um número recorde de 492 permissões para escalar o Everest.
As autoridades montaram uma verdadeira cidade de barracas aos pés da montanha para os alpinistas e o pessoal de apoio.
Como a maioria dos alpinistas escala com a ajuda de pelo menos um guia nepalês, quase mil pessoas devem tentar alcançar o topo do Everest nos próximos dias.
O número elevado de alpinistas provoca o temor de uma superlotação, em particular quando as más condições meteorológicas reduzem o período propício para a escalada.

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