Entenda: Israel reabre parcialmente passagem de Rafah e veta presença de Médicos Sem Fronteiras em Gaza
Mesmo com a trégua: Ataques aéreos israelenses deixam ao menos 32 mortos e 30 feridos na Faixa de Gaza
“Cinco feridos e sete acompanhantes atravessaram o posto fronteiriço”, afirmou a fonte. Segundo autoridades egípcias, o fluxo segue sob rígido controle: no máximo 50 pacientes podem deixar Gaza por dia, cada um acompanhado por até duas pessoas.
Ainda na segunda-feira, um funcionário do Ministério da Saúde do Egito informou à AFP que três ambulâncias transportaram pacientes palestinos, que “foram imediatamente examinados para determinar para qual hospital seriam transferidos”.
De acordo com a emissora estatal AlQahera News, próxima aos serviços de inteligência egípcios, o país mobilizou uma ampla estrutura para receber os feridos: 150 hospitais, 300 ambulâncias, além de 12 mil médicos e 30 equipes de emergência.
A situação sanitária em Gaza, no entanto, permanece crítica. Quase “20.000 pacientes, incluindo 4.500 crianças, têm necessidade urgente de atendimento médico”, afirmou Mohammed Abu Salmiya, diretor do hospital Al Shifa, o maior do território palestino.
Fechada desde maio de 2024 pelo Exército israelense, a passagem de Rafah foi reaberta na segunda-feira de forma extremamente limitada nos dois sentidos. Apesar disso, Israel mantém severas restrições e segue impedindo a entrada de ajuda humanitária internacional pela fronteira.
Esperança e ansiedade
Em meio ao frágil cessar-fogo, que tanto Israel quanto o Hamas acusam ter sido violado, doentes e feridos esperam com particular ansiedade por uma chance de deixar o território em busca de ajuda médica especializada — uma vez que a ajuda humanitária no território, já precária há anos pela guerra, ficou ainda mais sob risco, com a ordem israelense para saída da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) de Gaza, após recusa em fornecer a lista de seus funcionários palestinos.
— Quanto mais espero, pior fica o meu estado, e temo que os médicos tenham de amputar minhas duas pernas — contou Zakaria, um homem de 39 anos ferido em 2024 em um bombardeio israelense, questionado pela AFP sobre a reabertura.
Mohamed Nasir, outro homem palestino ferido em ação israelense, afirmou à agência francesa que a saída de Gaza era sua única chance de encontrar a ajuda médica necessária para sua condição de saúde.
Jovens pacientes palestinos esperam retirada: cerca de 20 palestinos precisam de tratamento no exterior
Bashar Taleb/AFP
— A passagem de Rafah é um salva-vidas — disse Nasir. — Preciso de uma operação séria que não está disponível em Gaza.
Embora os enfermos sejam tratados como prioridade, não são os únicos a esperarem pela chance de se afastarem da guerra. Asma al-Arqan, uma estudante palestina, disse vislumbrar um futuro melhor com a abertura de Rafah, porque lhe permitiria prosseguir com os estudos no exterior.
O porta-voz do Hamas em Gaza, Hazem Qasem, advertiu no domingo que “qualquer obstrução ou condição prévia imposta por Israel” constituiria uma violação” da trégua.
Condições no terreno
Enquanto a embaixada palestina no Cairo informou que os cidadãos que desejassem voltar a Gaza só poderiam levar uma quantidade limitada de pertences, sem objetos metálicos ou eletrônicos, e com quantidades limitadas de medicamentos, uma fonte na fronteira declarou à AFP que apenas algumas dezenas de pessoas chegaram pelo lado egípcio nesta segunda-feira na esperança de conseguir entrar em Gaza.
Interlocutores palestinos dizem que os cidadãos do enclave prefeririam retornar a seu território ancestral, mas que isso está condicionado a uma reconstrução da região, dizimada pela guerra e atualmente inserida em uma realidade de miséria e entrada de ajuda controlada por Israel — o único posto de controle por onde entram carregamentos com insumos é o de Kerem Shalom, dentro do território do Estado judeu.
A ingerência sobre a ajuda internacional foi alvo de críticas da relatora especial da ONU para os territórios ocupados, Francesca Albanese. Em uma publicação no X, a autoridade se manifestou sobre a proibição de entrada da Médicos Sem Fronteiras em Gaza, afirmando que Israel não tem “autoridade” para tomar tal decisão.
“Israel NÃO tem autoridade para impedir a entrada de ninguém no território palestino que ocupa ilegalmente. Parem de normalizar a ocupação ilegal cedendo aos seus ditames. Respeitem a deliberação do Tribunal Penal Internacional: obriguem Israel a pôr fim à ocupação. A hora da justiça é AGORA”, escreveu a relatora. (Com AFP)








