Manutenção do regime: Conexões de Delcy Rodríguez com setor petroleiro são cálculo para sucessão na Venezuela
‘Ocupação virtual’: Após derrubar Maduro, EUA buscam gerenciar Venezuela e chavismo por coerção
— Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos — disse Delcy em seu juramento. — Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos.
Ao assumir o poder como presidente interina, Delcy não dá seguimento à sucessão presidencial em si, de vice-presidente para chefe de Estado oficialmente. Isso significa que a líder chavista, aliada de Maduro, ocupa o cargo de forma transitória até que o presidente regresse ao poder. Especialistas jurídicos ressaltam que esse movimento faz parte da estratégia legal para que Maduro possa alegar no tribunal americano que é chefe de Estado de um país, portanto, imune às acusações da Justiça dos EUA.
A líder chavista afirmou em seu discurso que assume o cargo em “tempos terríveis de ameaça à estabilidade e à paz da nação”. Ao final da cerimônia, militares prestaram homenagens à presidente interina.
Colaboração interna e cooperação externa
A posse de Delcy também foi tema de debate na Assembleia Nacional eleita em maio de 2025, que iniciou seus trabalhos nesta segunda-feira.
Antes da solenidade, Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente venezuelano que é deputado e também procurado pelos EUA, expressou seu “apoio incondicional” à presidente interina e previu que “em breve” seu pai e Flores “retornarão” à Venezuela.
— Conte comigo — declarou o parlamentar, popularmente conhecido como “Nicolasito”, a Rodríguez. — A pátria está em boas mãos, pai, e em breve nos abraçaremos aqui na Venezuela — exclamou, emocionado.
A Assembleia Nacional reelegeu Jorge Rodríguez como presidente, com maioria absoluta. Na véspera, a presidente interina o incumbiu de buscar a libertação de Maduro e Flores.
— Minha principal função nos próximos dias (…) será usar todos os procedimentos, todas as plataformas e todos os espaços para trazer de volta Nicolás Maduro Moros, meu irmão, meu presidente — afirmou ele em seu discurso.
A sessão começou com gritos de “Vamos, Nico!”, um slogan repetido durante a campanha eleitoral de Maduro em 2024, cuja reeleição não foi reconhecida pela oposição e pelos Estados Unidos, entre outros países. Uma fotografia do casal presidencial foi exibida na tribuna da Assembleia, e o presidente do Legislativo ordenou que uma flor vermelha fosse colocada na cadeira de Flores. Enquanto isso, militantes chavistas marchavam no centro de Caracas.
Delcy Rodríguez defendeu em uma publicação nas redes sociais, na noite de domingo, uma relação equilibrada e respeitosa com o presidente dos EUA, Donald Trump. Simultaneamente, o republicano afirmou a jornalistas, a bordo do Air Force One, que Washington está “no comando” da Venezuela.
“Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo”, escreveu a presidente interina. “Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura”.
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Aprovação americana
A decisão anunciada na noite de sábado pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela de que diante da ausência “temporária” do presidente Maduro, sua vice assume o poder na condição de “encarregada de todas as atribuições, deveres e funções inerentes ao cargo de presidente” atendeu aos desejos do presidente americano.
Com ou sem sondagem prévia ao ataque, a realidade é que Delcy representa uma alternativa viável para Trump, sobretudo na matéria que mais interessa ao republicano: acesso ao petróleo . Em Caracas, fontes falam em “acordo circunstancial para buscar a estabilidade do país”, entre Trump e a presidente interina; outros em “uma aliança temporária utilitária”. Delcy foi aceita pela Casa Branca por suas conexões no setor petroleiro nacional e internacional. Quanto vai durar este entendimento ou aliança dependerá de um delicado equilíbrio entre os interesses de Trump, as pressões internas e a dinâmica dentro do chavismo.
Internamente, ela dividirá o poder com os dois homens mais importantes dentro do regime: o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior e Justiça, o ex-militar Diosdado Cabello.









